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Portugal 1 - Croácia 0

Domingo, 26.06.16

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Parabéns à nossa equipa, não tão excitante e aventureira como em anteriores cruzadas, mas mais fria, mais calculista, mais capaz de não se deixar ir na louca paixão de tudo arriscarem em busca da vitória, mais preparada para combater os revezes da fortuna que o futebol esconde. Fernando Santos não é um especialista em ganhar sem espinhas, mas é genial em não perder, o que nos tempos que correm é aquilo de que se calhar mais falta temos. Outro mérito do nosso Engenheiro passa por ter finalmente constituído um grupo decididamente coeso, onde os que jogam e os que estão no banco percebem que ambos são importantes, daí que os que entram rendem e os que se sentam percebem que têm que estar preparados porque amanhã pode ser a vez deles. Passo a passo, quem sabe se não é desta? Força rapazes!

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publicado por bolaseletras às 12:49

Estúpida e orgulhosamente sós

Sexta-feira, 24.06.16

 

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A capacidade de nos autoflagelarmos é proporcionalmente inversa à nossa inteligência. Sentimos o cheiro do napalm que se infiltra insidiosamente no alcatrão e deixamo-lo entranhar-se nas nossas roupas, no nosso corpo, nas nossas vidas. Sim, falo dos ingleses, esses orgulhosos e pedantes isolacionistas, esses seres iluminados que se julgam mais que todos os outros e que disseram sim a viver orgulhosamente sós. Serão inúmeros os defeitos desta União Europeia coxa, burocrática, pesada, tantas vezes fria e desumana. Não obstante, a vida e o mundo são feitos desse processo (des)construtivo: identificar o que está mal, desenhar medidas para a mudança, reunir forças e apoios para as implementar e, no final, celebrar a maravilha que é o génio humano e a sua capacidade de caminhar para um mundo melhor. Isto parece ingénuo e utópico mas é mesmo assim, porra. Sobrevivemos à barbárie da idade média, a guerras mundiais, a holocaustos, a pestes negras e bubónicas, à fome e às secas, caímos no buraco negro do medo e do desespero e conseguimos sempre trepar pelas escarpas rochosas até atingirmos a luz, feridos mas realizados. Tudo isso fizemo-lo sempre de mãos dadas, nunca ninguém venceu nada sozinho contra o mundo. Fuck you, Brexit!

 

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publicado por bolaseletras às 10:28

Frisson

Quinta-feira, 23.06.16

 

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Fotografia por Sam Haskins

 

Abriu o e-mail e sentiu um arrepio na espinha. Não sabia bem como descrever essa sensação, mas sentira mais naquela manhã (sentira-se mais viva, mais mulher) em que, por um qualquer impulso não explicado, decidira começar o dia a abrir o seu correio electrónico pessoal, do que sentira nas últimas tristes e rotineiras semanas de trabalho. A mera percepção de que o remetente da mensagem era ele provocava-lhe um je ne sais quoi, um frisson, um estranho e distante arrepio na espinha - em tradução livre e em bom português. Dele aprendera a receber uma multiplicidade de imagens e sensações. Da vida, do dura que pode ser, mas também dos seus prazeres, dos que já sentira, daqueles que ainda lhe massacravam o corpo e a alma por estarem em falta, e daqueles que ainda sonhava vir um dia a experienciar. Dele recebera também um melhor conhecimento de tantos ângulos da vida. Ângulos duros e bicudos, mas também ângulos torneados pelo desejo e pelas curvas do seu corpo. Sim, sentia que tudo aquilo que em tempos se esfumara parecia agora ainda não ter terminado. Um dia, talvez um dia reunisse em si a coragem e a sabedoria que lhe permitiriam perceber que há passados que serão sempre presente, que há pessoas que por mais que as matemos viverão para sempre em nós. O segredo não passa por conseguir sobreviver a esse ditoso destino, o segredo é saber (con)viver com ele.

 

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publicado por bolaseletras às 18:11

Portugal 3 - Hungria 3

Quarta-feira, 22.06.16

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Portugal confunde-se cada vez mais com Cristiano Ronaldo. Confunde-se a parte boa, a de uma assistência perfeita, de dois golos salvadores - um deles de antologia - e um microfone a gritar ao vento que quem não se sente não é filho de boa gente. A parte má da selecção é em boa parte responsabilidade de Fernando Santos, chego hoje a essa conclusão depois de muitos benefícios da dúvida. Moutinho e André Gomes têm, no seu actual estado de forma, bem melhor sentado no banco a vê-los jogar. Os dois laterais foram abaixo do mediano, a defesa vacilou demasiado e, mais do que tudo, esta equipa sofre por não ter fio de jogo, por pressionar mal e de forma desorganizada. CR7 leva a equipa ao colo, com a ajuda de alguns bons jogadores (Nani, Quaresma, João Mário e Pepe hoje), mas isto é pouco, muito pouco para um discurso tão ambicioso, Sr. Engenheiro. Sinto que a equipa pode render mais mas desconfia de si própria, provavelmente da sua estratégia de jogo. A equipa daqui para a frente tem que melhorar, mas para isso o nosso treinador tem que saber o que fazer e quem meter em jogo para permitir essa subida de forma e melhoria de jogo. Veja lá isso, Sr. Engenheiro.

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publicado por bolaseletras às 22:37

Sorri grande capitão, sorri muito e faz-nos felizes!

Quarta-feira, 22.06.16

 

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publicado por bolaseletras às 14:11

All you need, love is all you need

Terça-feira, 21.06.16

  

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Vivemos tempos de hipocrisia e de pudores renovados. A idade média está morta e enterrada, mas os dias da revolução sexual são uma miragem longínqua e bassa. Sim, concedo, nos dias de hoje há abertura para mostrar, falar, fazer trinta por uma linha no que ao sexo respeita. Essa abertura pode até encontrar-se na larga maioria da população. Mas quem domina, quem está à frente de instituições, corporações, quem representa o “bem comum” e a “moral dominante” vive com a preocupação de reprimir os instintos básicos do ser humano, de os negar, vive em busca da melhor forma de os embrulhar em alvos e invioláveis lençóis de linho. Vivemos numa sociedade onde predomina a vergonha perante a natureza animal que é parte integrante e presente do ser humano. Por mais racionalidade que ostentemos não deixamos de ser animais, racionais mas animais. Soubéssemos nós viver a nossa animalidade e viveríamos certamente num mundo bem mais racional. Esquecemo-nos que um animal perseguido, sob ataque constante dos seus predadores é um animal perigoso, neste caso, desnecessariamente perigoso. Quase que apetece dizer que o famoso e universal adágio “make love, not war” significa na realidade “make love and you will kill the need for war”.

 

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publicado por bolaseletras às 07:11

Portugal 0 - Áustria 0

Domingo, 19.06.16

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Sim, tínhamos que ter ganho. Sim, se não ganhamos à Áustria, à Islândia ou à Hungria merecemos tanto ganhar o europeu como um cão fofinho merece uma infestação de pulgas. Porque acontece isto se temos o melhor do mundo e mais uma mão cheia de vedetas? Porque somos a equipa com uma ratio de mais oportunidade/menos golos? Porque não há nenhuma selecção que se tenha apresentado neste europeu com um único ponta de lança, sendo que esse único ainda acumula a exclusividade com o facto de ser médio menos. Não há mais? O André Silva é verdinho, sim, e o Hugo Vieira foi o melhor marcador da Sérvia, campeonato mediano, sim, tudo isso é verdade. Mas era mesmo preciso levarmos ao europeu meia dúzia de médios centros semelhantes para 3 posições? Não podíamos ter as vistas um pouco mais largas, mister? Quanto ao Ronaldo, meus amigos, já o digo há muito e o Ricardo Costa explora a ideia hoje no Expresso. Os seus colegas na selecção não são os do Real Madrid ou os do Manchester United dos tempos áureos, pelo que não esperem que ele sozinho faça todos os milagres. Ainda assim, Cristiano, do lado direito do ataque deixa lá ser o Raphael a marcar os livres. Está difícil, está, mas vocês podem dar umas alegrias à malta, mesmo não sendo os 23 melhores do mundo, são os nossos 23! Bora lá, cambada!

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publicado por bolaseletras às 21:56

Uma tarde no museu

Sexta-feira, 17.06.16

  

A arte como maior arma de sedução.jpg

 

Provavelmente, muitos de nós já fomos passear sozinhos a um museu e, naturalmente, estimulados pelo ambiente artístico-onírico, alimentámos determinadas fantasias. Algo do género de sentir a emoção da arte a percorrer as veias e a aquecer o sangue, conduzindo à crença de que outras pessoas, de preferência compatíveis com as nossas preferências erótico-sexuais, partilhavam, naquele momento, naquele espaço confinado, da nossa emoção, da excitação que crescia dos campos da arte em direcção aos doces vales do erotismo. Nessa tarde não, ele só queria deambular por entre esquissos de inspiração, não para se inspirar, mas para se esquecer da fealdade do mundo em geral e, muito em particular, da merda de vida que o destino lhe dedicara nas últimas semanas. Apesar de distraído com um Brueghel hipnotizante, não descurou o movimento furtivo mas confiante daquele clássico yuppie, escravo de uma qualquer prestigiante empresa de consultadoria. Ela, bem menos formal e “normal”, saltitante no seu vestido leve e na sua cabeleira revolta, não se moveu quando o sentiu aproximar-se, sorriu até, num jeito estremecido e envolvido, quando ele lhe sussurrou algo ao ouvido. Os risinhos frutos das piadinhas suspiradas continuaram, uma brincadeira infantil e nada inocente já não filha da arte mas enteada do desejo. Minutos disso, ela dedicada a observar o quadro e a beber as apreciações da figuraça sobre o mesmo, ele já a revelar alguma impaciência, ou por não saber dar o salto para a etapa seguinte ou porque percebia que as barreiras da corrida não seriam facilmente transponíveis.

Foi então que aconteceu. Desviou o olhar dela, fixou o quadro, e mordeu-lhe as carnes com a mão endoidecida, como se o membro não fosse já dele mas de um primata dos primórdios dos tempos. Ela manteve-se serena, não se moveu, era quase imperceptível perceber se naquela sala, naquele momento, o que reinava era a surpresa, o desagrado mesclado com ódio, ou a simples indiferença dorida de quem se desilude com o semelhante e reconhece a selvajaria como o pão nosso de cada dia. Aqueles escassos segundos que pareceram eternos terminaram com a mão dele, inerte e sem rumo, a esconder-se no bolso do blaser cinzento e envergonhado. Ela olhou-o no fundo dos olhos e sussurrou, não com a boca mas com o gelo do fundo dos seus olhos, “pobre e impotente coitado”. Ele, como um animal acossado, respondeu com a voz mais fina do que desejara: “Já vi que não estás habituada a homens decididos. Pior para ti, não tenho tempo a perder”. Ela esfregou-lhe na face uma gargalhada embrulhada em papel brilhante de desprezo e cuspiu-lhe “Decidido és, inequivocamente, homem não és certamente, e o tempo que não tens a perder será para sempre um tempo perdido”. Ele nunca perceberia o significado daquele quadro e ela nunca mais iria sozinha a um museu.

 

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publicado por bolaseletras às 17:28

Aqui vou eu para a Costa, aqui vou eu cheio de pica...

Quinta-feira, 16.06.16

  

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Há momentos em que me recordo intensamente dos doces tempos de juventude em que tudo era leve e em que a palavra “responsabilidade” pertencia a um mundo longínquo, lá longe, aquele planeta estranho em que os adultos viviam ensarilhados. Lembro-me de sair às 8h da manhã com os amigos, apanhar o autocarro 28 até ao barco que nos levaria à Trafaria, depois a pé com as mochilas, o tijolo a bombar, em direcção ao dolce fare niente de S. João da Caparica. Nestes dias em que o tempo para tudo é quase nada dava tudo por um dia de papo para o ar na praia de S. João, entrecortado pelos mergulhos e as carreirinhas na água gelada da Costa, pelas intermináveis peladinhas na areia da maré baixa. Those were the fucking days.

 

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publicado por bolaseletras às 12:08

Portugal 1 - Islândia 1 (veja lá isso, mister)

Terça-feira, 14.06.16

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Quando nos fechamos no nosso mundinho é fácil só ver o que sempre vimos. Por isso gosto de ler o que os media lá fora falam da nossa selecção. O insuspeito "The Guardian" diz muito simplesmente que Portugal, apesar de não ter feito um grande jogo, demonstrou ter muito mais futebol e classe do que a Islândia, mas que aqueles 11 garbosos rapazes da ilha de 300.000 pessoas deram o couro e o cabelo para empatarem o jogo. É verdade, há que dar mérito à Islândia e não só realçar o demérito lusitano. Do meu lado, ainda com a frustração a morder os calcanhares, confesso que preferia ter ouvido falar menos de ambição, de Quaresma, de que somos finalmente candidatos, e ter percebido que a rapaziada e o nosso Engenheiro tinham passado muito mais tempo a reforçar rotinas e fio de jogo, a treinar bolas paradas, enfim, menos liriri e muito mais larara. O Nani, a quem tiraram um peso de cima porque Quaresma já era Deus, foi o homem do jogo. É desse peso insuportável, de carregar um país às costas, que precisamos de aliviar o nosso Cristiano. Falar menos e fazer muito mais o que tão bem fazem, rapazes - jogar à bola e ser felizes a fazê-lo. Ganhar assim é bem mais fácil.

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publicado por bolaseletras às 23:23





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