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Pátria que nos pariu

Sexta-feira, 23.06.17

 

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Não sou um tipo que aprecie dizer alho por dá cá aquela palha, mas sempre concordei que por vezes só com uma boa dose de alho se conseguem vincar determinadas ideias e fazer ouvir a nossa voz. Um amigo de um amigo no facebook opinou, como podem ler mais em baixo, sobre o estado do território, utilizando sempre o vernáculo da “f word” para se fazer ouvir. É ordinário? Talvez, mas acho muito mais ordinário tanta asneira que se fez com um dos mais belos territórios do mundo.

 

"Como foder o território de um país em 100 anos para totós: Primeiro veio o Salazar e fodeu o Alentejo todo com a ideia do "celeiro de Portugal". Depois vieram os Jotas Pimentas e foderam o Algarve todo com a construção de merda sem ordenamento. Não satisfeitos fizeram a mesma coisa à volta de Lisboa. Depois vieram os emigras e foderam as aldeias todas, os que ficaram que não queriam ficar atrás foderam o resto e o que sobrou os autarcas acabaram de foder. A seguir vieram as empresas de pasta de papel e foderam tudo entre o Douro e o Tejo. A seguir vai chegar a regionalização e vai acabar por foder as reservas naturais protegidas e tudo o que ainda resta."

 

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publicado por bolaseletras às 17:42

If you´re going to do it, do it with style

Quinta-feira, 22.06.17

 

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publicado por bolaseletras às 14:38

Como falar sem palavras

Quarta-feira, 21.06.17

 

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There is a language older by far and deeper than words. It is the language of bodies, of body on body, wind on snow, rain on trees, wave on stone. It is the language of dream, gesture, symbol, memory. We have forgotten this language. We do not even remember that it exists.        

    

Por Derrick Jensen, "A Language Older Than Words"

 

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publicado por bolaseletras às 11:34

Pedrogão Grande

Domingo, 18.06.17

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Dor incomensurável. A morte a tomar nos seus braços gente simples, crianças, o terror que só pensávamos existir em filmes de países distantes. Os bombeiros e a GNR a salvar muito mais vidas ainda do que as que se perderam. A dor e a solidariedade de um país impotente. Um Secretário de Estado da Administração interna de carne e osso, humano, calmo por entre o caos, emocionado mas a manter a razão. A natureza em toda a sua fúria. E no entanto sabemos há anos que há muito para prevenir, para atenuar essa força destruidora dos elementos. Os milhares de terrenos privados e os milhares de km de florestas por limpar. O excesso assassino da cultura do pinheiro e do eucalipto. Ainda assim, um presidente omnipresente, humano e solidário a sentenciar que nada mais podia ser feito. Podia sim, mas o elogio aos que ontem e hoje tanto lutaram trouxe-lhe aquelas palavras da alma dorida à boca, ao microfone de jornalistas vorazes. Jornalistas, alguns contidos e humanos, demasiados em busca do sangue e do sensacionalismo do desespero. Choremos os mortos e ajudemos os vivos. E não nos esqueçamos do tanto que ainda pode ser feito para não vivermos mais infernos desta dimensão.

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publicado por bolaseletras às 21:30

Cabedal, cetim e taninos

Quarta-feira, 14.06.17

 

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Na esplanada sem graça e sem jeito dois amigos discutiam o porquê de se apaixonarem sempre pelas mulheres erradas, na sua muito particular visão do que era certo ou errado. Um alegava saber a razão de tais desgraças sentimentais, as mesmas se justificando porque sempre, mas sempre contra o bom senso que lhe falava mais baixo do que a luxúria, optar pela beleza exterior em detrimento das qualidade que fazem das mulheres as mais perfeitas mães e amigas. O outro amigo ria-se e abanava a cabeça como que aceitando que a desgraça revelada era afinal partilhada, pois afirmava convicto que a sua paixão existia por flashes. Isto é, quando o objecto da sua paixão reluzia a grande altura, concorrendo com o astro rei e não permitindo que aos seus olhos nenhuma outra mulher fosse tão sexy quanto ela, não conseguia resistir-lhe, mas quando se dava a descida à terra e ao reino dos mortais perdia-lhe o interesse, provocando nela um efeito reflexo até que a paixão esfriasse ao nível do abandono por comum acordo. O outro, percebendo a semelhança das cruzes que carregavam questionou-o, ainda assim, intrigado: “Mas olha lá, o que é para ti uma mulher sexy? Como é que vais fazer para que aos teus olhos ela seja eternamente sexy?” O parceiro na dor, parando 3 segundos para pensar, respondeu sem grandes cerimónias: “Epá, para mim basta-me que ela se vista sempre de blusão de cabedal negro e cuecas vermelhas de cetim e que, de preferência, tenha sempre à mão um copo de vinho, para apresentar sempre um sorriso nos lábios e esconder na mala as existenciais questões do eterno feminino!

 

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publicado por bolaseletras às 17:27

Cabo Verde - um tratado sobre a morna incerteza da felicidade

Domingo, 11.06.17

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Uma semana na cidade da Praia a beber as raízes paternas, a ensinar números a quem não precisa de números para ser feliz e a aprender tanto sobre isso. Sobre o simples que é ser feliz. O tempo passa devagar e ninguém tem intenção de acelerá-lo. Os movimentos são suaves, apenas embalados pelo som da música, sempre presente, imanente, como que uma segunda pele. Mornas, coladeras, inúmeros ritmos dançados e cantados na língua dos eternos românticos, o crioulo que não os deixa acelerar demasiado e que, mesmo quando longe das ilhas, os mantém para sempre seus amados filhos. Desconfio que essa enebriante descontracção e leveza é o que os conduz à estagnação económica, o que os impede de dar o salto qualitativo que os prende às suas raízes africanas - muita beleza mas demasiada pobreza. Talvez se acabassem com a música. Talvez se a água do mar não fosse tão quente. Talvez pudessem trocar a sua felicidade pelo ar condicionado que os fecharia em casa, longe do mar e da música que dança pelas ruas enquanto sorriem.

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publicado por bolaseletras às 21:12

O que para sempre fica

Quarta-feira, 07.06.17

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Após contemplar esta magnífica imagem de Marilyn Monroe, imortalizada pelo fotógrafo Milton Greene corria o ano de 1956, não resisti em pesquisar um pouco a origem desta intimidade entre a câmara de Milton e a entrega despojada de Marilyn. Milton foi de facto muito íntimo da sempiterna diva, tendo sido o seu baluarte após a sua separação da lenda Joe DiMaggio. Integrou-a no seu seio familiar permitindo-lhe uma estabilidade até então desconhecida, abrindo caminho a que a estrela pudesse descer um pouco à desejada terra. Milton procurava que a câmara fosse muito além do que os espectadores viam e do que Marilyn lhes oferecia, buscava, mais do que tudo, a autenticidade de Marilyn. A vida e as vidas de quem as vive na corda bamba conduziram a que os destinos dos dois se separassem, ficando para sempre o que nem a morte pode apagar: a memória e a beleza indestrutível.

  

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publicado por bolaseletras às 18:20

Some like it hot

Sexta-feira, 02.06.17

  

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O café da e pela manhã não é apenas e unicamente um ritual. É o que determina o que será o resto do nosso dia, do sucesso ou infortúnio das horas que se seguirão. Quente, desgraçadamente pouco quente, queimado, no ponto, é a sua adequação ou inadaptação às nossas necessidades que inconscientemente determinará toda a corrente de acontecimentos, decisões, omissões e ilusões. Precisamos do mimo certo pela manhã, do toque com a intensidade perfeita naquele ponto escondido nas nossas meninges, nas sinapses que nos conduzem por entre o emaranhado do que de nós desconhecemos e faz de nós o que somos sem saber que o somos.

 

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publicado por bolaseletras às 10:36

La più bella storia d'amore

Segunda-feira, 29.05.17

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"Obrigado, Roma.

Obrigado mãe, pai, irmão, familiares e amigos. Obrigado à minha mulher e aos meus três filhos. Quero começar pelo fim, pelas despedidas, porque não sei se serei capaz de terminar estas linhas.

É impossível resumir 28 anos em algumas frases.

Gostaria de fazer isto com uma canção ou um poema, mas não sou capaz de os escrever. Ao longo de todos estes anos, usei os pés para falar, o que tornou tudo muito mais simples. Assim foi desde criança.

Por falar na infância, conseguem adivinhar qual era o meu brinquedo favorito? Uma bola de futebol, claro! Ainda é. Mas crescemos ao longo da vida. Foi isso que me disseram e que aconteceu.

Maldito tempo.

Tempo que, no dia 17 de junho de 2001, só queríamos que passasse mais rápido. Não aguentávamos esperar mais pelo apito final. Ainda me arrepio quando me lembro daquele dia. Hoje, esse mesmo tempo bateu-me nas costas e disse: "Nós precisamos crescer. Amanhã, serás um adulto. Tira os calções e as chuteiras porque, a partir de hoje, és um homem e não poderás continuar a sentir o cheiro da relva, o sol a bater no rosto enquanto assistes ao golo dos rivais, a adrenalina a consumir-te, a satisfação de celebrar'.

Nos últimos meses, perguntei à minha mulher porque é que eu estava a ser acordado deste sonho. Imaginem que vocês são crianças e estão a ter um bom sonho. De repente, a vossa mãe acorda-vos para irem para a escola. Vocês querem continuar a sonhar, tentam dormir outra vez, mas já não é possível...Desta vez, não é um sonho. É realidade. E eu não posso voltar a dormir.

Quero dedicar esta carta a todos vocês. A todas as crianças que torceram por mim. Às crianças de ontem, que cresceram e hoje são pais, bem como às crianças de hoje que talvez gritem "Tottigol". Gosto da ideia de que, para vocês, a minha carreira é um conto de fadas a ser contado.

Agora é realmente o fim. Vou tirar esta camisola pela última vez. Ficará guardada, ainda que não esteja pronto para dizer "chega". Talvez nunca esteja.

Peço desculpa por não dar entrevistas para esclarecer os meus pensamentos, mas não é fácil apagar a luz. Tenho medo. E não é o mesmo medo que se sente quando se está na cara do golo, prestes a bater um pénalti. Desta vez, não posso ver o que está à minha frente como via pelos buracos da rede.

Permitam-me que tenha medo. Desta vez, sou eu que preciso de vocês e do amor que vocês sempre me deram. Com o vosso apoio, vou conseguir virar a página e começar uma nova aventura.

Agora, é hora de agradecer a todos os meus companheiros de equipa, treinadores, diretores, presidentes e todos os que trabalharam ao meu lado nesta jornada.

Para os adeptos e à Curva Sud, faço uma referência a todos os romanos e romanistas. Ter nascido romano e romanista é um privilégio. Ser o capitão desta equipa é uma honra.

Vocês são e sempre serão a minha vida. Os meus pés vão deixar de vos emocionar, mas o meu coração estará sempre com vocês. Vou descer as escadas e entrar no balneário que me acolheu ainda criança e que agora deixarei com um homem.

Estou orgulhoso e feliz de ter dado ao Roma 28 anos de amor.

Amo-vos".

  

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publicado por bolaseletras às 10:04

Longa se torna a espera

Sexta-feira, 26.05.17

  

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Nunca sabemos a falta que nos fará aquela pessoa tão decisiva para a nossa vida, a nossa felicidade e que demasiadas vezes damos por garantida. O olhar de Myke Tyson parecia ser já premonitório de que o seu treinador e pai de substituição poderia muito em breve deixá-lo de novo órfão. Não sei se Tyson teve a sensatez, coragem e sensibilidade de lhe dizer o quanto ele significava para si, o quanto o amava. Estupidamente, dos actos que nos parece exigir mais coragem é aquele que deveria ser mais natural em nós: dizer a quem realmente interessa o quanto gostamos, o quanto a nossa vida é marcada pela sua existência na nossa vida. Não esperemos por termos os olhos turvos do medo da perda. Vejam lá isso.

 

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publicado por bolaseletras às 11:45





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