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That is the question

Terça-feira, 22.08.17

 

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Talvez esta devesse ser a grande questão da humanidade. Talvez seja esta a questão que nos atormenta, mesmo que inconscientemente, ou não tão desconhecedores da mesma, mas apenas forçando-nos a não a reconhecer, receosos das respostas a que chegaríamos. Somos muitos mais do que os supostamente exagerados heterónimos do grande Pessoa. Somos bonus pater famílias no recato do lar, somos tiranos inclementes nas 8 horas em que nos fechamos nos cubículos que nos enchem os bolsos, somos divertidos e espirituosos nas redes sociais, somos lobos sequiosos se largados à solta na noite onde todos os gatos são pardos, somos católicos praticantes e candidatos a mártires quando não estamos armados em pulhas egoístas em busca de mais meio pataco para rechearmos os aforros que nos conduzirão ao telemóvel de última geração ou ao volante do bólide dos nossos sonhos. Quem somos nós quando estamos apenas na nossa presença?

 

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publicado por bolaseletras às 14:54

É mais certo que o destino

Sábado, 19.08.17

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Depois de um fabuloso dia de praia, de regresso ao carro o meu filho Miguel diz-me: "Pai, gostava que estivesse 3-0 para o Sporting". Rio-me com a otimista inocência da criança, dou-lhe uma paternalista festa na cabeça e enquanto tiro a areia dos presuntos reparo num simpático idoso a ouvir o relato no carro, sob o sol inclemente. "Amigo, quanto está o jogo"? "3-0 para o Sporting", responde ele com aquele tão leonino sorriso deste ano é que é. Rio-me e partilho com o eufórico puto que me responde. "Pai, adorava que acabasse 5-0!". Não preciso de saber mais nada, este ano é certinho, o caneco está no papo!

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publicado por bolaseletras às 21:13

Putos ao pôr do sol

Quarta-feira, 09.08.17

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Correm que nem loucos como se os minutos pudessem ser os derradeiros, aquele jogo o decisivo, as escondidas a mais importante epopeia das suas vidas. Dou-lhes liberdade mas, não deixando de ser o pai relativamente galinha que a modernidade supostamente nos impõe, vou em busca deles. Encontro-os na duna junto à praia, posando para o pôr do sol. E as palavras acabam aqui.

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publicado por bolaseletras às 18:06

Arranha-céus, por J.G. Ballard

Domingo, 06.08.17

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Em tempo de praias a abarrotar, de gente que se digladia para pedir uma imperial num qualquer balcão, nestes estranhos dias em que a canícula enlouquece os habitantes de automóveis que formam filas sem fim, quase que arrisco dizer que este livro poderia ser uma aproximação a uma horrenda realidade futura não tão distante como isso. Os 2.000 habitantes de um arranha-céus auto-suficiente percebem que a constante exposição do homem ao homem, com os seus interesses visceral e propositadamente opostos (ah, a doce atracção da luta por algo) é a melhor forma de proporcionar a aniquilação final do homem pelo homem. Ballard embala-nos nesta fábula do mal, contagiando-nos pela secura e naturalidade com que narra o crescendo do ódio e da banalidade do mesmo. Não queremos acreditar que um futuro próximo nos possa trazer algo semelhante mas olhamos para o passado não tão longínquo e reconhecemos o mal. Apenas o cenário mudou, para um supostamente moderno e aconchegante arranha-céus. Não nos deixemos iludir.

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publicado por bolaseletras às 23:44

Da série "Segredos mal escondidos"

Sexta-feira, 28.07.17

 

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publicado por bolaseletras às 15:21

Emma Hartvig - o presente inacabado

Quinta-feira, 27.07.17

 

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O último post indiciava que o blog abrira a porta à enxurrada de fotos de mulheres perfeitas e idílicas imagens de Verão. Falso, este blog não é de fiar. O cérebro tanto se desliga como no segundo a seguir borbulha de ideias, sufocado por dúvidas e prenhe de soluções imperfeitas. A fotógrafa sueca Emma Hartvig descobriu com a sua câmara o que boa parte da humanidade demora toda uma vida a reconhecer: não há corpos nem histórias de amor perfeitas, todas as histórias permanecem incompletas, o presente é um inacabado ponto de interrogação, a solidão tanto se vive só como acompanhado.

 

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publicado por bolaseletras às 09:08

Modo de verão: cérebro desligado/voyeur

Terça-feira, 25.07.17

 

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Sejamos sinceros, curtos e grossos. Ninguém no seu perfeito juízo quer queimar as pestanas em pleno verão, refletir sobre as causas das coisas ou sofrer com a decadência da nação. O estado natural das meninges atingidas pelo torpor do astro rei é o de voyeur, toda a prioridade do corpo e da mente incide na mera contemplação. A poucos dias das merecidas férias o Bolas entrega-se nos braços do dolce fare niente, arma-se com a câmara a tiracolo e assume a posição de voyeur. As palavras passarão a escassear, as imagens de ninfas ao sol salpicadas pelo mar tomarão as rédeas desta tasca com o cérebro amolecido pelo calor. Quem alinha disfrute, quem não gosta meta férias do blog. Começo pela jovem modelo Rafaella Consentino, jovem prendada e dada aos prazeres de verão, que não deixa mentir todos aqueles que defendem que uma imagem vale mais que mil palavras.

 

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publicado por bolaseletras às 10:03

Cenas que ou nascem connosco ou mais vale não queimar as pestanas

Segunda-feira, 24.07.17

 

cenas que ou nascem connosco ou mais vale não que

 

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publicado por bolaseletras às 13:22

Quinta do Mocho

Quinta-feira, 20.07.17

 

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Perdido pelos subúrbios ainda mais subúrbios do que o subúrbio que é essa altaneira terra que dá pelo nome de Sacavém, deparo-me com este espetáculo que me deixa sem reação. Há street art e há street art, mas esta abalou-me, mexeu comigo. Não sei se foi pelo inesperado da coisa, se pela grandiosidade do contraste entre a decadência dos prédios e dos equipamentos urbanos com a magnificência daqueles murais em forma de arte, sei que não estava de todo preparado para aquilo. Vagueei lentamente pelas ruas da Quinta do Mocho enquanto fotografava as paredes de tijolo mal tratado e de cimento pior amanhado, magicamente transformadas pelo génio criador e inspirado de artistas de rua. Não pensava em nada, simplesmente mergulhava naquela leve sensação de quem nada sente por estar tão ocupado a sentir. Percebi que os moradores, 100% africanos, pouco me ligavam, pouco ligavam à beleza e imponência das pinturas, pouco atendiam aos minutos que passavam. A arte mudou-lhes as paredes, mas não lhes mudou as vidas nem lhes aqueceu o coração, pelo menos era o que sentia daquela curta interacção. Talvez lhes faltasse alguém ao lado para sentir o calor da dádiva. Talvez a beleza só faça sentido quando partilhada.

 

 

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publicado por bolaseletras às 16:35

O Sting é que a sabia toda

Quarta-feira, 19.07.17

 

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Sobre a polémica dos ciganos que vivem numa sociedade paralela integrados na nossa sociedade e sobre os homossexuais pouco Gentilmente destratados por um senhor com a idade de quem já deu a volta ao relógio e se instalou na confortável poltrona da idade da inocência tenho uma data de inócuas considerações a tecer. Tenho amigos homossexuais e nunca convidei ciganos para entrar lá em casa, mormente tenha jogado ao berlinde com alguns, levado uns cascudos de outro e conseguido escapar ao sangue violento de um vendedor colérico na feira do Relógio. Tenho isto a dizer que nada diz porque não me apetece defender teorias, tomar partido, insultar ideologias. Por mim, farto de gente que bate no peito e se arvora em dona incontestável da sua razão, todas as opiniões serão válidas se permitirem que todos nós consigamos viver com amigos do outro lado da barricada, mesmo que discordando até à medula disto ou daquilo, mesmo que não troquemos alianças ou visitas lá a casa. Quanto aos cascudos e à violência já não sou tão complacente como era em miúdo assustadiço e pouco dado a actos heroicos: olho por olho dente por dente, que isso de dar a outra face é nos filmes por altura do Natal. São monstros, os ciganos? Creio que não, mas regressando à infância com os olhos de hoje diria que são pouco mais que miúdos assustadiços que percebem que quem os olha de fora tem ainda mais medo que eles. Esta profunda reflexão atingiu-me as meninges após a distraída leitura de um comentário perdido por entre mais uma polémica facebookiana, pelo que tenho a acrescentar que isto é muito mais do que me apetecia falar sobre o assunto. Esperem, antes de colar aqui com cuspo o tal comentário perdido, apetece-me deixar apenas mais uma achega – tudo isto me faz lembrar um verso inesquecível de uma canção do Sting: “I hope the russians love their children too”.

 

“Chamava-se David Marcelino e era "o" cigano do 1ºA, minha turma do Camões do Areeiro. "Dunas" nunca tive mas palmou-me o estojo de dois andares que me tinham dado os meus pais como presente combinado de natal e anos. Aquilo era uma coisa linda. Cabrão. Também me deu algumas coisas: lembro-me particularmente de um olho negro, resultado de mo ter afagado com o pé, num gesto que só conhecíamos dos filmes do Bruce "Lim". Tudo por causa de uma super-gorila de morango, ácidas que eu sei lá mas as minhas preferidas e, pelos vistos, do David também. Depois, um dia de manhã, chegou à escola a chorar (lá dos problemas que tinha em casa mas que nunca partilhava) e ficou igual a nós, os que choravam. Nós com medo dele, ele com medo do pai. Recolhidas as lágrimas, nem se distinguiam. Chegados ao 2ºA já éramos amigos. Não jogava um caralho à bola.”

 

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publicado por bolaseletras às 15:24





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