Era para ser sobre futebol e livros. Mas há tanto mundo mais, a mente humana dispersa-se perdidamente, o país tem tanto sobre que perorar, eu perco-me de amores bem para lá da bola e das letras: Evas, vinho, amor, amigos, cinema, viagens, eu sei lá!
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publicado por bolaseletras, em 10.02.10 às 00:04

 

 

Regressado há pouco do Estádio de Alvalade, confesso: falta-me a energia para grandes análises. Alguns fogachos que a meu ver justificam o descalabro desta triste noite:

  • Seria difícil de prever que a educação pouco esmerada que os pais de João Pereira lhe deram teria uma importância tão decisiva no resultado final deste derbie;

  • É muito interessante perceber como em lances de fronteira, os árbitros têm uma facilidade arrepiante em decidir em favor dos 6 milhões;

  • As diferenças entre as pérolas e o pechisbeque: dois centrais do Benfica de classe mundial que valem muitos golos por época, versus um central que há anos não marca um golo e um miúdo que promete mas ainda tem tudo a provar; Grimi e e Pedro Silva, dois rapazes que me deixam muitas dúvidas se haverá na Liga portuguesa piores laterais, versus um César que se exibiu a grande nível e um Ruben que, remediando, fez mais que os dois tais rapazes juntos;

  • Como em qualquer empresa que se preze, quando algum colaborador/gestor desencadeia um investimento desastroso por falta de competência e de capacidade de análise, urge identificar quem foi o maduro que estudou e aconselhou a contratação do inenarrável Sinama - como diria o outro, "obviamente, demito-o"!;

     

     

  • Por fim, uma questão: o que seria esta equipa sem Liedson? Sem a garra, a incansável luta, a classe, a coragem de lutar contra todas as contrariedades, a capacidade de nunca desistir do nosso levezinho? O que seriam os últimos anos do Sporting com uma equipa que se aproximasse do seu valor? Os detractores de Liedson são os detractores do Sporting, os que defendem a mediocridade sob a capa de supostos valores e princípios. No mundo do futebol só interessa a competência, e o valor que deve sobrepor-se a tudo é o de lutar incansavelmente pela vitória.

  • Ainda não, ainda falta uma palavrinha para dois senhores. Ouvir a conferência do Sr. Carvalhal, em que lamenta o facto da diferença de alturas ter dado dois golos ao Benfica (foda-se, mas agora se os outros são mais altos não há nada a fazer???), ouvir este curioso evocar uma analogia de um agricultor que dava tiros em balões da metereologia, opá, não se pode abrir uma colecta para este senhor ir passar umas férias ao Sertão com o sr. presidente? Estamos bem fecundados com esta malta, estamos!

     

     


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publicado por bolaseletras, em 08.02.10 às 23:12

Como sair de Repente para Kagar. 13 minutos, diz o google. Afinal, as trocas de e-mails absurdos com amigos podem mudar-nos a vida.

 

 

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publicado por bolaseletras, em 08.02.10 às 21:03

 

A indomável urgência em esquecer. A voracidade do medo de recordar.  Os momentos em que essa imagem lhe dilacera as escassas horas de sobriedade. Esquecer esquecer esquecer. Afundar a mágoa num turbilhão de sensações que afastam o medo, eleger o êxtase como bóia de salvação. Sempre, sem parar, como se os dias se devorassem por entre as noites que não chegam, como se a dor se mascarasse de luz e de som, esse novo flagelo fossem agora vergastadas de prazer. Até à derradeira gota que devore a última réstea de medo. Até ao fim da triste sobrevivência.

 


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publicado por bolaseletras, em 07.02.10 às 22:39

 

 

 


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publicado por bolaseletras, em 07.02.10 às 18:34

 

 

Excerto de uma entrevista de Gennaro Gattuso ao Jornal i, na qual fala da sua admiração por Paul Gascoigne, aka Gazza.

"Uma das coisas que mais lamento da saída do Rangers é a perda de contacto directo com Gazza. Tem uma série de problemas com a bebida, é certo, mas é genuíno. Estava sempre à minha disposição, sobretudo nos primeiros tempos em Glasgow, quando me sentia tentado a regressar a casa, embora ganhasse bem no Rangers, por causa da diferença entre o estilo de vida em Itália e na Escócia. Ele fazia de tudo para me agradar. Mas, às vezes, também me fazia cada coisa. Certa vez, estou a equipar-me para um treino, quando toco nos meus calções e noto uma coisa estranhíssima. Os calções estão pesadíssimos. E é aí que vejo que ele cagou neles, juro, acreditem em mim. Cagou ali.

 

 

Ou daquelas vezes em que íamos jogar fora de Glasgow, de autocarro. Sempre que ultrapassávamos um carro com mulheres ou apenas uma, já se sabia que o Gazza ia estar nu, a fazer acrobacias com o corpo e gestos obscenos. Nós ríamo-nos sem parar. Ele é um ser à parte. No balneário ninguém podia sair antes dele, só depois. Se saísse antes, quando regressasse, já não tinha escova de dentes, ou desodorizante ou perfume. Ele rapinava tudo com uma facilidade tremenda."

 

 

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publicado por bolaseletras, em 07.02.10 às 12:30

 

Cormac McCarthy e os irmãos Cohen, realizadores de "No Country for old men"

 

"As pessoas julgam que sabem o que querem, mas geralmente não sabem. Às vezes, quando têm sorte, acabam por alcançar o que querem, no fim de contas. Eu sempre tive sorte. Na minha vida inteira. De outra forma, não estaria aqui. Rixas em que me vi metido. Mas aquele dia em que a vi sair do bazar do Kerr e atravessar a rua e ela passou por mim e eu levantei o chapéu para a cumprimentar e ela me retribuiu com um quase sorriso, esse foi o momento da minha vida em que a sorte mais me bafejou. As pessoas queixam-se das coisas más que lhes acontecem e que acham injustas, mas raramente falam das coisas boas. Raramente falam do que fizeram para merecer essas coisas. Não me recordo de alguma vez ter dado ao bom Deus assim tantos motivos para me abençoar. Mas ele fê-lo."

 

 

O trecho acima é um feliz exemplo das reflexões do Xerife Bell que percorrem toda esta obra de Cormac McCarthy . Dir-se-ia que o autor usa o velho xerife como um alter ego. As páginas em que o exausto cumpridor da lei desenrola o novelo da sua vida são - como o são todas as palavras escritas por qualquer escritor - o livro aberto da vida e do pensamento de McCarthy. É desesperante a ingratidão com que aceitamos o que de bom a vida nos concede. O foco incide invariavelmente na maior desgraça ou no menor contratempo, procuramos os motivos de uma vida falhada como quem busca a infelicidade eterna.

 

Não sei se este modo de encarar a vida é bem portuguesinho, ou se atravessa fronteiras. Ou melhor, desconfio que o "cá se vai andando", o "menos mal, obrigado", a própria música que tão bem nos retrata "com a cabeça entre as orelhas", mais não são que bem entranhados legados de uma religiosidade doentia e mal aplicada. "Venham a mim os desgraçadinhos" não é o mesmo que apelar "venham a mim os pobres de espírito". Há que descer do Monte das Oliveiras e abraçar a vida sem o eterno anseio protector pela mão que embala o mundo.

 

 

 


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publicado por bolaseletras, em 07.02.10 às 01:13

Abbey Clancy, companheira do gigante Peter Crouch

 


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publicado por bolaseletras, em 06.02.10 às 23:10

Outro título que não ficaria mal neste post seria: "Se o Cardoso fosse precavido, pedia protecção reforçada no túnel...". E não, não era para o proteger da malta do choco frito, mas sim dos desesperados vermelhuscos. Mais uma vez, volto a não falar do jogo propriamente dito. Aquele fora de jogo que impediu o 2-1 para o Setúbal, o penalty no último minuto cometido por um ex-benfiquista...isto já cheira mal demais, haja decoro!

 

 


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publicado por bolaseletras, em 06.02.10 às 21:59

 

 

A dependência sentimental dos sportinguistas pelos meninos da sua academia é na maior parte das vezes louvável, uma imagem de marca que reforça a identidade do clube. Contudo, tal como o que se passa com as paixões assolapadas e irracionais, também estes amores loucos podem cegar o pobre adepto leonino. Rui Patrício, um rapaz simpático e atraente na sua simplicidade, caiu no goto dos adeptos. Alto, como o foram os tristemente célebres Rodolfo Rodriguez e Bella Katsirsz, convence os adeptos de que poderá chegar onde outros não chegam. O problema é que tanta altura também o coloca mais longe do chão...

 

O primeiro golo que sofreu hoje é um fantástico peru. Se há quem o defenda alegando o enigmático ressalto de bola, quem for sério perceberá que nunca o girafa (a alcunha mais bem posta dos últimos anos) poderia, em circinstância alguma, atirar-se para o chão. Como no jogo com o Porto, em que se percebeu que o seu cérebro tem tendência para a súbita paralisia, o girafa confirmou que aquela cara de maluco (característica cada vez mais comum no plantel leonino - vide Vukcevic, Grimi, etc.) teria, inevitavelmente, que ter consequências no seu desempenho profissional. Mas é da academia, vamos lá apostar no girafa...

 

 

Não quero pôr todas as culpas no girafa, é evidente. A descrença da equipa atrai acontecimentos fatídicos, a falta de confiança direcciona a motivação para ínvios caminhos, enfim, todo um conjunto de desgraças que vai minando os já de si frágeis alicerces da equipa e do clube. Este plantel vai ter que ser reforçado com gente com cabeça e experiência, os vícios dos miúdos vão ter que ser temperados por mão firme. Infelizmente, o sonho de um dream team de malta jovem foi um sonho megalómano. Desçamos à terra e olhemos em frente, para o futuro, para dias melhores.

 

p.s. - Parabéns Briosa, parabéns amigos de Coimbra, aka "sweet child of mine" e Ag. Pereira:)- AQUELE ABRAÇO!

 

 


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publicado por bolaseletras, em 06.02.10 às 09:47

 

"Now, when I look back on my life and remember all that I wanted from it as a young boy in the North East, I see more clearly than ever it is a miracle. I see one privilege heaped upon another. I wonder all over again how so much could come to one man simply because he was able to do something which for him was so natural and easy, and which he knew from the start he loved to do more than anything else."
 

1.º parágrafo da autobiografia de Bobby Charlton

 


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