Pouco me aquece ou arrefece a entrevista de Paulo Bento, hoje, ao Record. Não vem dizer muito mais do que vem dizendo nos últimos meses. Que há por aí umas figuras que conspiram e minam o espírito e a estabilidade do grupo, que andaram a fazer-lhe a cama pelas costas, que o Rogério Alves disse uma coisitas pouco solidárias, que o Sá Pinto, ressabiado com ele, estava doidinho para que ele saísse para poder ocupar um lugar mais relevante na estrutura de futebol do Sporting. Chega o Paulo a insinuar que o mau futebol da equipa ficou a dever-se, maioritariamente, a essas vozes mais fortes que as nozes que afectaram um grupo com pouca maturidade.
Sinceramente, como sportinguista, interessa-me sobretudo se esta entrevista vem ajudar a que o futuro possa ser melhor, através da identificação rigorosa do que correu mal, ou se é apenas um lavar de roupa suja com o propósito prioritário de encontrar mil e uma justificações para um final de reinado sem sucesso. Infelizmente, creio que a segunda perspectiva domina a entrevista. Vislumbra-se uma névoa de culpados e conspiradores, mas pouco ficamos a saber sobre as verdadeiras razões pelas quais Paulo Bento não conseguiu rentabilizar um grupo que teve 4 anos consigo, bem como porque regrediu a equipa em vez de progredir ao fim desse tempo. Caicedo e Angulo? Não estão a render por razões de ambientação, evidente. O Saviola e o Javi Garcia, por exemplo, não sofrem dos mesmos males, para mal das nossas cores...
Enfim, o Paulo afinal é humano e bem português, não é aquela excepção de verticalidade que se julgava brilhar no firmamento do lusopédio futebolístico. Da entevista destaco, de positivo, a apreciação que faz de Vukcevic. De facto, não me esqueço da afirmação de Vukcevic de que não gostava muito de futebol, que não via jogos na televisão. Como diz o Paulo Bento, apesar do instinto de baliza e da qualidade técnica, quem não gosta do jogo dificilmente está disponível para aprender mais. Confirma-se a desconfiança que venho alimentando: Vukcevic dificilmente colocará em campo o resultado de toda a sua qualidade técnica. É preciso gostar do jogo. Como é preciso gostar-se do Sporting para saber quando e como dizer o que nos corrói a alma, Paulo. Podias e devias ter calado a dor.
p.s. - Uma vez que pretendo fechar aqui o capítulo Paulo Bento, optei por não colocar fotos da risca ao meio neste post. Acho que as alternativas são bem mais interessantes...
