Era para ser sobre futebol e livros. Mas há tanto mundo mais, a mente humana dispersa-se perdidamente, o país tem tanto sobre que perorar, eu perco-me de amores bem para lá da bola e das letras: Evas, vinho, amor, amigos, cinema, viagens, eu sei lá!
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publicado por bolaseletras, em 17.06.13 às 19:27

 

 

Como se o fogo nunca tivesse deixado de tocar as suas vidas. Sempre a eterna sensação de que só vivendo como se o último minuto fosse o próximo valeria a pena viver. Nada mais importa, só o ardor, o infindável e viciante ardor de quem respira fogo, de quem consome labaredas de minutos alucinantes, de horas esfusiantes, de dias que sugam o tutano de quem só sabe viver assim. Até que o fogo cede a tudo o que o rodeia, ao céu azul, ao mar de ondas incessantes, ao silêncio de um crepúsculo, até que o fogo aprende a viver.

 

Fotografia de Kishin Shinoyama


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publicado por bolaseletras, em 16.06.13 às 22:31

 

 

Marilyn Monroe, aos 19 anos, fotografada por Andre de Dienes (seu amante passageiro), sentada no meio da Pacific Coast Highway, Califórnia, EUA, 1945


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publicado por bolaseletras, em 15.06.13 às 21:13

 

 

A beleza. A beleza estava sempre presente na sua vida, por onde andava, escrevia e vivia. Não lhe interessava a beleza como abstracção, nem como auge da sua percepção subjectiva do que era para si o belo. Interessava-lhe reconhecer e beber algo/alguém como belo porque as sensações daí advenientes o aproximavam mais da felicidade ou a felicidade mais de si. Ainda hoje não sabia se era ele que buscava a felicidade ou se era ela que fazia o favor de se lhe juntar, a beber um café na esplanada, a desenhar-lhe o sorriso, sem razão aparente, no meio da calçada congestionada. A visão de um par de nádegas perfeitas, das curvas circundantes, incutia-lhe na corrente sanguínea um shot de felicidade. Sentir que as pernas que as sustentam nada devem a essa beleza, que caminham livres para um destino que se adivinha desconhecido mas prometedor, induzia-lhe mais alguns pós de bem-estar, uma brisa de felicidade anda por perto. A brisa em que flutua o leve lenço que namora as restantes curvas da musa de um momento feliz. Continua sem saber se a felicidade vem ter com ele ou se deve ser ele a buscá-la. Sabe que por vezes basta abrir os olhos e sonhar um pouco. Nada demais, nada de transcendente. Apenas abrir um pouco os olhos e a mente.


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publicado por bolaseletras, em 14.06.13 às 19:49

 

 

Pelo que li esta fotografia é de uma mulher arménia de 106 anos, sentada na entrada da sua casa, em Degh, perto da fronteira com o Azerbeijão, fazendo de vigilante, muito bem equipada com uma AK-47. Custa a creditar que esta fotografia seja real, custa a crer que com o passar dos anos o ódio se mantenha vincado na nossa face como no primeiro dia em que sentimos a sua dilacerante força.


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publicado por bolaseletras, em 13.06.13 às 20:03

 

 

Monica Bellucci fotografada por Vincent Peters para um ensaio da revista GQ - Novembro de 2006


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publicado por bolaseletras, em 12.06.13 às 17:52

 

 

Tirando o maravilhoso livro “A estrada” de Cormac McCarthy, nunca me senti seduzido por textos ou obras apocalípticas. Não obstante, esta fotografia fez-me pensar se algum dia chegaremos ao ponto em que só teremos o amor para nos manter à tona da vida. Se chegará o dia em que não mais o sol nos aquecerá, se degustar sushi e um Chardonnay absurdamente gelado numa esplanada magnífica será uma miragem irrecuperável. Apesar da crise tudo o que temos hoje ainda o sentimos como garantido. Apesar de tantos bens, tantas posses e poses induzidas por esse honroso estatuto de multi-proprietários, tantos documentos e registos a certificar que tanta coisa é nossa, não deixamos de ser suficientemente idiotas para esquecermos que só um bem realmente nos faz felizes, apesar de tão bem camuflado por essa catrefada de supostos “bens”. Sem o amor esses “bens” são uma valente merda. Porque também o amor tratamos como garantido só lhe sentimos a falta quando se estilhaça nas lajes geladas dessa vergonhosa indiferença. Até ao dia em que não mais consigamos respirar.


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publicado por bolaseletras, em 11.06.13 às 17:46

 

 

Não me considero um tipo particularmente desconfiado mas confesso que há queixas que me deixam com os sentidos alerta. Uma das mais frequentes tenho-a ouvido de amigos, conhecidos, parceiros de refeições grupais que lamentam que “já não há secretárias como antigamente”. Pergunto-lhes o que falta a esta recente leva de nobres profissionais dos mistérios da ciência administrativa e eles falam-me em “dedicação a toda a prova”, lealdade” discrição”, “saber manter segredos”, “flexibilidade”, “arte para inventar desculpas convincentes”, o diabo a sete estava reunido nas artes de secretariado dessas profissionais à antiga. Eu gosto de música, mas é para relaxar e não para me taparem os olhos. O que vocês querem sei eu!


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publicado por bolaseletras, em 10.06.13 às 20:37

 

 

 

 

 


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publicado por bolaseletras, em 09.06.13 às 21:20

 

 

Longa se torna a espera, cantou alguém. Intermináveis os minutos que separam o vazio do desconhecido do momento que apagará ou atiçará todos os medos. Tempo consumido em dor, tempo envolto no nevoeiro do dilacerante desespero, no cigarro cuja chama nunca dura o que o corpo e a mente exigem. Longa se torna a espera.

 

Fotografia de Alicia Vera


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publicado por bolaseletras, em 08.06.13 às 22:14

 

 

"Parecia que, em todos os motéis onde pernoitava, tinha vizinhos que fornicavam como se o mundo fosse acabar: homens com má educação e fraca disciplina, mulheres que riam entredentes e gritavam. À uma hora da manhã, em Erie, Pensilvânia, a rapariga do quarto ao lado guinchava e ofegava como uma prostituta. Estava a ser comida por algum indivíduo finório e desprezível. Alfred culpou a rapariga por ser fácil. Culpou o homem pela sua complacente confiança. Culpou ambos por lhes faltar a consideração necessária para manterem as vozes baixas. Como era possível que não pensassem, ao menos uma vez, no seu vizinho, incapaz de pregar olho, do quarto ao lado? Culpou Deus por permitir a existência de semelhante gente. Culpou a democracia por o obrigar a tolerá-los. Culpou o arquitecto do motel por ter acreditado que uma única camada de tijolo barato preservaria o repouso dos clientes pagantes."

 

Ruído. Todo o ruído existe para os atormentar. O mundo nega-lhes o silêncio, os intermináveis sons que os perseguem perfuram-nos até ao âmago de si. Desesperados, horrorizados, apercebem-se que o próprio sexo, esse momento de enlevo, é transformado em circo animalesco pelos fanáticos da poluição sonora. O ódio pelos sons humanos é o ódio de quem nada quer ouvir, só o seu silêncio, só a paz encerrada no casulo da sua existência. Franzen fez de Alfred, o patriarca da família das infindáveis correções, o homem que no fundo só queria o seu silêncio, o homem que odiava os sons, a voz, as palavras dos outros. Quem só se ouve a si mesmo e à sua verdade dificilmente consegue viver sem ódio, dificilmente consegue na vida cruzar-se com o amor.


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