Era para ser sobre futebol e livros. Mas há tanto mundo mais, a mente humana dispersa-se perdidamente, o país tem tanto sobre que perorar, eu perco-me de amores bem para lá da bola e das letras: Evas, vinho, amor, amigos, cinema, viagens, eu sei lá!
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publicado por bolaseletras, em 21.11.09 às 16:06

 

 

Pouco me aquece ou arrefece a entrevista de Paulo Bento, hoje, ao Record. Não vem dizer muito mais do que vem dizendo nos últimos meses. Que há por aí umas figuras que conspiram e minam o espírito e a estabilidade do grupo, que andaram a fazer-lhe a cama pelas costas, que o Rogério Alves disse uma coisitas pouco solidárias, que o Sá Pinto, ressabiado com ele, estava doidinho para que ele saísse para poder ocupar um lugar mais relevante na estrutura de futebol do Sporting. Chega o Paulo a insinuar que o mau futebol da equipa ficou a dever-se, maioritariamente, a essas vozes mais fortes que as nozes que afectaram um grupo com pouca maturidade.

 

 

Sinceramente, como sportinguista, interessa-me sobretudo se esta entrevista vem ajudar a que o futuro possa ser melhor, através da identificação rigorosa do que correu mal, ou se é apenas um lavar de roupa suja com o propósito prioritário de encontrar mil e uma justificações para um final de reinado sem sucesso. Infelizmente, creio que a segunda perspectiva domina a entrevista. Vislumbra-se uma névoa de culpados e conspiradores, mas pouco ficamos a saber sobre as verdadeiras razões pelas quais Paulo Bento não conseguiu rentabilizar um grupo que teve 4 anos consigo, bem como porque regrediu a equipa em vez de progredir ao fim desse tempo. Caicedo e Angulo? Não estão a render por razões de ambientação, evidente. O Saviola e o Javi Garcia, por exemplo, não sofrem dos mesmos males, para mal das nossas cores...

 

 

Enfim, o Paulo afinal é humano e bem português, não é aquela excepção de verticalidade que se julgava brilhar no firmamento do lusopédio futebolístico. Da entevista destaco, de positivo, a apreciação que faz de Vukcevic. De facto, não me esqueço da afirmação de Vukcevic de que não gostava muito de futebol, que não via jogos na televisão. Como diz o Paulo Bento, apesar do instinto de baliza e da qualidade técnica, quem não gosta do jogo dificilmente está disponível para aprender mais. Confirma-se a desconfiança que venho alimentando: Vukcevic dificilmente colocará em campo o resultado de toda a sua qualidade técnica. É preciso gostar do jogo. Como é preciso gostar-se do Sporting para saber quando e como dizer o que nos corrói a alma, Paulo. Podias e devias ter calado a dor.

 

 

p.s. - Uma vez que pretendo fechar aqui o capítulo Paulo Bento, optei por não colocar fotos da risca ao meio neste post. Acho que as alternativas são bem mais interessantes...

 


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publicado por bolaseletras, em 21.11.09 às 10:17

Fotografia de Henry Cartier Bresson

 

Pouco mais de 20 dias por ano desligamos a máquina ininterrupta. Ainda assim, as ansiadas férias raramente coincidem com tempos de paz, recuperação física e mental, comunhão com a terra, o verde, a natureza, a envolvência bucólica que só o puro mundo rural nos concede. Preferimos a praia, os guinchos, o pó dos carros, as vozes que atropelam as silenciosas reflexões, a incompreensível tentação em nos misturarmos com gente, magotes de gente, viveiros de formigas ensandecidas.

 

Sentir o silêncio. Absorvê-lo e com ele intoxicar os pulmões. Cheirar a terra e sorvê-la em golfadas de aromas. O tempo passar sem sentir o peso dos seus implacáveis ponteiros. O brilho da lua em inocente comunhão com o fulgor do sol, sentir indistintamente os raios de sol ou os clarões da lua. Voltar às origens, à quietude da natureza que nunca devíamos ter esquecido. Pernoitemos no tapete de relva, lavemos a alma intoxicada de vida nos riachos do nosso passado.

 


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publicado por bolaseletras, em 20.11.09 às 22:52

 

 

 

 

 

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publicado por bolaseletras, em 19.11.09 às 20:16

 

 

 

Como combater o poder político instalado, a tirania vigente, sem lhe dar demasiada importância? Essa resposta surge na brilhante obra de Albert Cossery, "A violência e o escárnio". O combate político de um grupo de amigos passa pela criação de situações burlescas que ridicularizam o despótico governante. A trama desenvolve-se acompanhada por uma reflexão irónica sobre o poder, a dessacralização deste por intermédio de uma teatral e divertida farsa que o expõe na sua frágil e artificial seriedade institucional.

 

 

Pelo meio, cruzamo-nos com o Egipto e as vivências árabes, com hábitos que nos soam estranhos. Cossery, o escritor da preguiça, exemplificou com a sua filosofia de vida um novo modo de encarar os ritmos da sociedade actual. Com esta obra, mostra-nos o que para ele é o melhor método para combater o status quo: acima de tudo, convém não levar o sistema a sério. Apesar de ser essa a maior aspiração daqueles que dominam o sistema, é fulcral que os não levemos a sério. A preguiça, essa boa conselheira, recomenda a violência sob a forma de escárnio.

 

 


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publicado por bolaseletras, em 18.11.09 às 22:29

 


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publicado por bolaseletras, em 18.11.09 às 22:08

 

 

Epá, ganda jogatana da rapaziada! Isto hoje correu às mil maravilhas! Não há que apontar o dedo a nenhum jogador, hoje os rapazes interiorizaram a responsabilidade e soltaram toda a sua classe e vontade de vencer. Deu gosto ver aquele carrocel enleante, a convicção na afirmação de um futebol estilizado, sem esquecer o chutão quando teve de ser. Destaques? O enorme Raul Meireles, o guerreiro Bruno Alves, o incansável Pepe.

 

Evidentemente, o futebol não é tudo na vida. Ainda assim, as rotinas do nosso quotidiano, os aborrecimentos que nos alimentam as rugas, merecem ser recompensados pela bela arte em movimento, pela excitação de torcermos pelos nossos. Hoje estava em causa uma guerra. Todo o ambiente criado pelos bósnios à volta deste jogo foi no sentido de apelar ao espírito bélico da equipa, dos adeptos, da nação. A resposta dos dirigentes da federação portuguesa e dos jogadores foi impecável: tudo bem, nada de especial, viemos aqui para jogar à bola, coisa que se faz dentro de campo, e, sobretudo, viemos ganhar com as nossas armas - as inegáveis qualidades futebolísticas da nossa selecção.

 

 

Além da classe dos nossos jogadores, mostrámos também uma garra muito interessante, sempre temperada pela frieza de quem se sabe superior. Como esperava, o centro da defesa destacou-se pela positiva. Pepe, em frente aos dois centrais, foi omnipresente, sempre antecipando as jogadas, sempre cheirando por onde andava o perigo. Ricardo Carvalho recorreu constantemente à sua instintiva inteligência, Bruno Alves usou e abusou do que falta a esta selecção: força e imposição do físico. Duda fez a melhor exibição ao serviço de Portugal, exibiu um pé esquerdo certeiro no passe e ágil no corte. Paulo Ferreira fez cortes nos limites que evitaram males maiores.

 

 

No meio campo Raul Meireles fez tudo bem, parecia enfeitiçado com tanta magia nos pés. Tiago soube equilibrar, bem à italiana, toda a zona central e a ligação defesa-meio campo. Mais à frente, Simão foi incansável, embora nem sempre consequente nas suas acções. Nani gingou sem parar, enervou os bósnios e esteve no passe decisivo para o golo de Meireles. Liedson foi a carraça do costume, só foi pena não ter tido oportunidade para marcar. Por fim, Eduardo. Se calhar andamos todos enganados, se calhar este homem, no seu jeito simpático e de louco, transmite à equipa mais confiança do que julgamos. Esperemos que sim.

 

Por fim, Queiroz. Critique-se o que se quiser, o que é certo é que o homem sempre acreditou. Começou mal, melhorou, e, até ao jogo de hoje, foi sempre a crescer. Corrijo o que disse há uns dias e arrisco: com Cristiano Ronaldo, com esta defesa e com a confiança instalada em todos os jogadores como hoje, podemos erguer o caneco na África do Sul! Força rapazes!

 

 


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publicado por bolaseletras, em 17.11.09 às 21:02

Parece-me que isto vem mesmo a propósito da batalha a ter lugar amanhã, em zonas balcanizadas e pouco amistosas... 

  

 

Leio no Courrier Internacional um interessante artigo do jornal Novi List, de Rijeka. Em causa, o recrudescer do hooliganismo que assola o futebol da ex-Jugoslávia. Mero pretexto, segundo o autor, para reavivar os ódios da guerra dos Balcans, os inimigos que usavam botas cardadas são agora trocados pelas enlameadas chuteiras com pitons. Fracas desculpas de quem não consegue, em definitivo, concluir a transfusão do ódio para um passado encerrado nas gavetas da vergonha.

 

Na parte final do artigo, e em jeito de dedo na ferida, procurando identificar-se uma remota solução para o problema, ou, pelo menos, uma explicação para o porquê do desastroso estado de coisas, é citado o filósofo Ugo Vlaisavljevic, de Sarajevo. O texto intitula-se «A guerra como principal acontecimento cultural» e suscitou uma enorme polémica. Afirma o filósofo, sem medo, com a coragem das ideias:

 

 

"A especificidade da experiência local da guerra reside neste facto: após a guerra, a política continua a viver da guerra. Afirmo que vivemos em permanência sob o regime das políticas da guerra. Produzindo constantemente inimigos, essas políticas não podem trazer pacificação. Quando se fala hoje, na Bósnia-Herzegovina, da necessidade de reconciliação, esquece-se que aqueles que nos deviam reconciliar são produto da guerra. Em consequência, estabelecem a sua política, a sua identidade e a sua visão da realidade sobre a experiência da guerra. Para eles, a sua reconciliação significa a auto-destruição."

 

Contextualize-se este raciocínio nos cenários de guerra e de falhadas reconstruções de sociedades dos últimos decénios - África, médio oriente, continente americano, etc. - e tudo se simplificará. A incredulidade com a guerra que não cessa naquele desgraçado país, as permanentes guerrilhas internas de países que morrem aos poucos, tudo isso está acima explicado. Daí a polémica. O dedo penetra bem fundo na ferida, a tonitruante dor na consciência dos povos é devastadora.

 

 

 


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publicado por bolaseletras, em 16.11.09 às 21:53

 

Fotografia surripiada daqui: olhares.aeiou.pt/galeriasprivadas/browse.php 

 

Já não me cruzo com beijos apaixonados nos bancos de jardim. Os namorados, ou estão mais timídos (algo que não faz muito sentido) ou, na hierarquia da sua duradoura ou esporádica paixão, ordenaram o acto de beijar no fundo da escala das provas de amor. Os velhos já não se escandalizam com beijos públicos, as mãos já não percorrem, suadas e descontroladas, o vestido da musa beijada. As línguas abstêem-se de conspurcar a moral pública (como os votos o fizeram relativamente às urnas). Saltarão directamente para o fulcro da questão, os namorados? O êxtase final terá passado a dispensar os públicos preliminares? Estará mais fria a sombra daquele banco de jardim?

 

Se calhar, estou a complicar. Provavelmente tenho apenas andado pelos jardins errados. Ou então o beijo passou a pagar imposto. IBPM - Imposto sobre o Beijo Público e Molhado.

 


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publicado por bolaseletras, em 15.11.09 às 12:37

 

 

 

Sms a partir do qual recebi a novidade, remetida pelo meu lagarto mano: "Um tipo acorda e ouve as notícias - Carvalhal novo treinador do Cepordeng. Afinal, os pesadelos dão-se quando estamos acordados...batemos no fundo!"

 

Vou apelar ao meu mais sincero sportinguismo. Ao receber a novidade Carlos Carvalhal, senti desilusão, pressenti falta de rumo e de soluções por parte do Sr. Bettencourt (custa-me cada vez mais usar o termo presidente...). Desilusão pelo mediano currículo, pela incapacidade de encontrar um nome que inspirasse inequivocamente esperança no futuro e uma capacidade inabalável. A falta de rumo está espelhada na contradição entre a nova vida que se anunciava e o rato que foi parido pela montanha.

 

Mas, porque ninguém merece condenação antes sequer de ter motivos para ser acusado, creio que é dever de todos os sportinguistas, apesar da compreensível desilusão, dar um  voto de confiança (mesmo que forçada pelo amor ao Sporting) a Carlos Carvalhal. Que saiba dar mais qualidade ao futebol da equipa, que saiba conquistar pontos com esse novo e melhor futebol. É só isso que pedimos. Boa sorte, mister Carvalhal.

 

 


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publicado por bolaseletras, em 15.11.09 às 00:09

 

 

Sobre o jogo da selecção portuguesa contra a Bósnia, pouco há a acrescentar relativamente ao que fui dizendo sobre os últimos desempenhos de Portugal. Pequenas notas, que a exibição não me inspirou por aí além:

  • Os dois centrais mais Pepe são, neste momento, o sustentáculo desta selecção. Porque têm qualidade, porque disfarçam as fragilidades defensivas das laterais e do meio campo.

  • Com Eduardo estamos sempre à espera que a desgraça se abata sobre as nossas cabeças. Diga-se o que se disser, estamos em presença do mais fraco guarda-redes que nos últimos anos ocupou o posto na nossa selecção.

  • Paulo Ferreira veio recuperar a forma na selecção, mister Queiroz?

  • Nani soltou a língua e com ela soltou o seu futebol. Substituído porquê, mister Queiroz?

     

     

  • Liedson é, actualmente, mesmo sem estar no auge da sua forma, longe disso, o único ponta de lança que oferece garantias na selecção. Foi pena os dois remates desperdiçados, que noutra fase da sua carreira fariam chuá nas redes da Bósnia.

  • Deco já não é Deco, apesar de tanta classe.

  • Cristiano Ronaldo, em grande forma, pode fazer desta selecção uma bem razoável equipa de futebol. Mas consciencializem-se senhores, a selecção de 2004 e dos bons tempos de Scolari já não é esta que agora temos. Com culpas de Queiroz, ou sem elas, uma coisa é certa: com ovos menos capazes conseguem-se apenas omoletes para matar a fominha, sem aspirações a grandes feitos gastronómicos.

  •  

Esperanças para a 2.ª mão? Os 3 centrais portugueses que referi, os 3 titulares da Bósnia que não vão poder jogar por terem visto cartões amarelos impeditivos, a recente sorte que tem acompanhado a selecção, consubstanciada no incrível lance da barra e do poste no final do jogo. Sem grande entusiasmo, força rapazes!

 

 


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