Era para ser sobre futebol e livros. Mas há tanto mundo mais, a mente humana dispersa-se perdidamente, o país tem tanto sobre que perorar, eu perco-me de amores bem para lá da bola e das letras: Evas, vinho, amor, amigos, cinema, viagens, eu sei lá!
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publicado por bolaseletras, em 28.01.12 às 22:36

 

Ao contrário do que a fotografia parece indiciar, hoje o Feirense não jogou com o autocarro em frente da sua baliza. Antes pelo contrário.

 

Visto o jogo do benfica fica, para além da desilusão por não ver os vermelhuscos perder pontos, um travo amargo pela derrota de uma equipa solidária, aguerrida, organizada e bem oleada como foi o Feirense. A certa altura convém olhar uns anos para trás e reconhecer que a melhoria na qualidade do futebol praticado pelas equipas habitualmente abaixo da primeira metade da tabela, tem sido um forte impulso para uma maior competitividade no nosso campeonato. Ainda assim, parece que as equipas grandes do nosso campeonato pouco ligam aos bons jogadores dessas equipas ditas pequenas. Se calhar porque os euros ganhos na intermediação desses jogadores dão menos lucros a diversos agentes desportivos, se calhar porque dá menos sainete ir buscar um prometedor jogador a uma dessas equipas do que uma pérola preciosa sul-americana por burilar. 

 

No Benfica a pérola é cada vez mais Rodrigo, que hoje parecia carregar com a equipa às costas da sua classe. De resto, a sempre atractiva arte de Aimar entrava cada vez mais no seu menor fulgor físico, sendo o argentino compensado no meio terreno pelo completíssimo Witsel. Lá atrás cumprem-se os mínimos, percebendo-se alguns problemas face a velocidades aceleradas e face a um Emerson sempre na corda bamba. Depois é Cardoso e a sua eficácia e um árbitro que nunca erra contra o Benfica (o penaltie da vitória é claro, sem dúvida, mas já vi esta época penalties ainda mais claros serem escamoteados ao Sporting ou a adversários do Benfica). Enfim, ou o Feirense fez de facto um óptimo jogo ou o Benfica acusou alguma falta de vitalidade. Esperemos que a segunda hipótese se confirme nos jogos vindouros.


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publicado por bolaseletras, em 27.01.12 às 23:12
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publicado por bolaseletras, em 27.01.12 às 22:46

 


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publicado por bolaseletras, em 27.01.12 às 11:18

   


Farto da torrente de e-mails de amigos vermelhuscos que se regozijavam com as desgraças leoninas, respondi com a mensagem infra a um dos excitadinhos. Parece-me um resumo fidedigno para uma época que ameaça terminar mal, mas com uma luzinha ao fundo do túnel.

 

Amigo,

 

Não costumo discutir problemas do meu clube com lampiões facciosos, mas vou dar-te uma ajudinha:

 

- Há um ano jogávamos um futebol de merda e arriscávamo-nos a bater no fundo, bem no fundo;

- Este ano comprámos um punhado de bons jogadores, o treinador conseguiu a certa altura pôr a equipa a carburar apesar da juventude e dos poucos meses de futebol em conjunto;

- Os idiotas dos nossos dirigentes em vez de dizerem que estávamos no bom caminho e que esta era uma equipa para ganhar no futuro, embandeiraram em arco, puseram os sócios a exigir mundos e fundos e colocaram um peso excessivo sobre uma equipa em construção;

- O Domingos nunca conseguiu resolver o problema da lesão do Rinaudo, um trinco todo o terreno e que joga com a cabeça levantada, que motivava os miúdos pela forma como enfrentava o jogo;

- Falta-nos um central rápido e de qualidade para jogar ao lado do capitão América;

- O $#&$%& do João Pereira já devia ter sido corrido há muito tempo - falta-nos assim uma defesa coesa e que inspire confiança ao resto da equipa;

- Houve jogos em que estivemos mal mas que podíamos ainda assim ter ganho, caso os árbitros não tivessem outras preferências clubísticas ou não devessem obediência ao papa do norte ou ao ladrão de pneus.

 

Ainda assim, regressado o Rinaudo e o Wolfswinkel (agora também o Schaars), recuperado o Jeffren e outros que tais, acredito que esta seja uma equipa de futuro. Enquanto isso, divirtam-se a mandar postas de pescada, a produzir campeões sul-americanos e espanhóis, que nós cá nos entendemos.

 

Um abraço amigo


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publicado por bolaseletras, em 26.01.12 às 18:01

 

"And those who were seen dancing were thought to be insane by those who could not hear the music."
―Friedrich Nietzsche  

 

 


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publicado por bolaseletras, em 25.01.12 às 23:12

 

 

Mourinho olhou para trás e percebeu que não podia ficar com o rótulo de medroso sempre que enfrenta o Barcelona. Encheu o peito, colocou em campo uma equipa ofensiva e viu a sua equipa desperdiçar alguns golos feitos na primeira parte. O Barça respondeu com uma mistura cruel de sorte e genialidade, fechando a primeira parte com dois golos. O Real resistiu à adversidade e à má sorte, Mourinho mexeu na equipa com um toque de génio. Cristiano reduziu, Benzema empatou e o milagre esteve à distância de um punhado de sorte. Mourinho terá percebido que contra o Barça dificilmente não sofrerá golos, pelo que mais vale entrar com uma equipa menos coesa defensivamente mas mais capaz de fabricar golos.

 

A arma contra os catalães não é tentar evitar golos  mas sim procurar marcar-lhes mais golos do que os que inevitavelmente se sofrerão. Com esta ideia e estes jogadores Mourinho pode ainda vencer o campeonato e a liga dos campeões a este Barça. A cara assustada de Guardiola nos últimos minutos é a prova inequívoca de que Mourinho está mais próximo do antídoto anti-Barça. E assim vamos assistindo aos melhores jogos de futebol de todos os tempos, provavelmente entre as duas melhores equipas de sempre, provavelmente lideradas pelos dois melhores treinadores destas coisas da bola.


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publicado por bolaseletras, em 25.01.12 às 17:33

 


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publicado por bolaseletras, em 24.01.12 às 18:17

 

 

Há gente que desperdiça horas de vida a idolatrar seres de outro firmamento, estrelas que brilham bem longe de quem tanto as venera. Mas insistem insaciáveis, como se todo o sentido que dão à vida dependesse desses espasmos de adoração. É o que se passa com o autor do blog “Lost in Scarlett /”, mais um blog perdido no universo de adoradores de inatingíveis estrelas, muito provavelmente mais uma vida que depende do oxigênio dessa relação fantasiosa e unívoca. Entro no blog, reconheço o mérito do título e navego por entre a diva de mil caras, de expressões infinitas, de irresistíveis esgares de sedução e incontáveis trejeitos de menina ingénua, de demasiados sorrisos misteriosos e pecaminosos olhares prometedores. Não é difícil perceber porque alguém sem muito a que se agarrar lance a mão a esse outro lado do hemisfério da existência. Enfim, já vi piores âncoras para prender sonhadores à realidade.

 

 


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publicado por bolaseletras, em 23.01.12 às 22:04

 

 

O Sporting treme, joga sem confiança, esforça-se mas perde-se nas teias dos seus receios. Para cúmulo, o azar das lesões fustiga a equipa, empurrando-a ainda mais para o fundo de um buraco que começa a ser demasiado fundo. Domingos já nem se esforça por disfarçar a expressão de desespero e angústia. E os sócios e adeptos, que fazer? Além de sofrer e exigir mais e melhor, há algo que não podemos deixar de fazer: apoiar, gritar, torcer, empurrar a equipa para fora do buraco em que se deixou cair. Seguir o exemplo dos adeptos ingleses, bater palmas por cada gota de suor, fazer os jogadores libertarem-se do peso do destino através de cânticos e gritos de ânimo, carregar a equipa ao colo até onde a queremos. Porque por trás destes jogadores, treinador e direcção, está aquele que amamos: o nosso Sporting!

 

p.s. – Rui Patrício, mais um jovem feito nas nossas escolas, percebeu melhor que todos que é esta a hora de dar tudo pelo clube, é o momento para a superação das capacidades. Sigam-lhe o exemplo, rapazes!


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publicado por bolaseletras, em 22.01.12 às 23:13

 

 

Chegar aos 37 anos e ler o primeiro livro de Hemingway não será muito elogioso para alguém que se considera um convicto devorador de boa literatura. Chegar até aqui sem conhecer nada do homem é razão para o descrédito total como aspirante a ser minimamente culto. Preocupado com tudo isto, fui ler umas coisas sobre Ernest Hemingway. Dizem os entendidos e a lenda que se gerou em torno do homem e do escritor, que deve ter sido difícil para os seus contemporâneos gostar dele. Tinha, além de um feitio inconstante e complicado, a influência castigadora de uma infância e adolescência marcada por pais severos e castradores. Combinando os seus intrincados genes com esse meio ambiente sufocante, não é de estranhar que Ernest Hemingway se tenha auto-atribuído “a missão de encarnar a figura do intelectual macho, que tanto vivia mergulhado na guerra, no perigo ou na aventura”. Pelo menos é o que diz Miguel Sousa Tavares no prefácio de uma das inúmeras biografias do escritor.

 

 

 

Apesar dessas características tão marcantes que o acompanharam ao longo da vida, afirma o conhecedor Sousa Tavares que Hemingway “viveu a vida como uma festa, uma dádiva dos Deuses. E viveu a escrita como a consequência da vida e de acordo com a mesma regra moral: tirar disso um imenso prazer. Desistiu quando já não se sentiu capaz de fazer com a vida e a escrita «uma coisa totalmente nova e mais verdadeira do que qualquer coisa que está viva e é verdadeira». Hemingway suicidou-se a 2 de Julho de 1961, na localidade de Ketchum, Idaho. Segundo Sousa Tavares (quem mais), “matou-se por ter vivido demais e já nada adivinhar pela frente que se pudesse comparar à vida grandiosa que vivera”. Pensava eu, na minha ingenuidade, que o Miguel era o maior especialista vivo sobre as causas dos sucessos e insucessos do futebol portista. Afinal, o homem também faz uma perninha em Hemingway.


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