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Jaime Valdois

Domingo, 31.10.10

 

Jantarada fora, não vi nada do Sporting. Alguns sms que me relataram fases muito boas do jogo e um Valdés em grande. Chamem-me louco, apelidem-me de alucinado ou de adiantado mental, insultem-me à vontade - a primeira vez que vi este homem conduzir a bola colada ao pé esquerdo disse que estava em presença do Messi chileno. Ora toma!

 

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publicado por bolaseletras às 23:53

Queremos tudo, agora e sem custos

Domingo, 31.10.10

 

Continua o famoso curso para dirigentes públicos por entre mails, telefonemas, gente em stress para conciliar o inconciliável, manter o trabalho a mexer e procurar fazer com que aqueles 2 dias por semana tenham um efeito útil no futuro. Inicia-se uma nova cadeira, “Gestão pública e accountability”, um novo formador - um alto dirigente da administração, ar circunspecto, fato acetinado e gravata afiladinha, a primeira impressão é que se seguirão 8 horas de enfado para ele e para nós. É então que se dá a transformação. O homem mira-nos nas retinas, tira o casaco com artes de toureiro e vai avisando: “Poderá parecer-vos a certa altura que isto será um comício, mas não, o momento exige que vos fale com paixão, até porque senão adormecem”.

 

Vou tentar resumir-vos as principais ideias de um homem normal com uma verve acima do normal, mas não será fácil. Para o Dr. Eugénio, com a globalização os serviços públicos deixaram de acompanhar a rapidez do mundo actual. Queremos tudo, para agora e sem custos. Queremos colocar um pacemaker no velhinho de 90 anos e ao mesmo tempo queremos que o miúdo de 6 anos tenha sessões intermináveis de terapia da fala. Escolher entre prestar os cuidados a um cidadão já muito para além do prazo de validade ou garantir o futuro a uma criança não queremos fazê-lo, queremos tudo, agora e sem custos. Queremos também um hospital, uma biblioteca e um tribunal em Freixo de Espada à Cinta, agora de preferência e não nos falem em aumentar impostos!

 

Se os americanos e os noruegueses têm, por que não haveremos nós de ter, agora e sem custos? Ainda assim, marimbamo-nos nos políticos, falamos deles como se tivessem peçonha. Não queremos saber da política, das políticas que nos regem, dos políticos que as decidem. E eles, sábios e atentos, marimbam-se também no povo. Não, não é bem assim gritamos em uníssono. Têm a certeza? Então pensem lá no crescimento imparável que vai tendo o maior partido do país, o partido da abstenção. Em cada dia de eleições que o sol brilha lá engorda ainda mais o partido dos que se marimbam, porque o sol aquece e a política arrefece. Como se marimbam os políticos? Basta atentar no facto da SONAE, a segunda maior empresa portuguesa com 30.000 colaboradores ter um presidente há incontáveis anos. A maior empresa portuguesa, a administração pública, tem 670.000 colaboradores e teve 6 presidentes (Secretários de Estado da Administração Pública) em 5 anos. Há quem tenha saído da aula cansado, desorientado e a queixar-se de dores de ouvidos. Pois é, não estamos habituados a que nos gritem as verdades olhos nos olhos. A falta que isso faz.

 

 

 

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publicado por bolaseletras às 11:34

Da perda de identidade

Sexta-feira, 29.10.10

 

 

O Benfica iniciou hoje o jogo contra o Paços de Ferreira com dois jogadores portugueses (a partir dos 62m, com a saída de Peixoto e a entrada de Salvio, ficou com apenas 1 pobre lusitano vermelhusco). Fazem-se manchetes com isso? Revoltam-se os habituais escribas contra mais um prego no caixão do futebol da nação? E o Senhor Rui Costa, que tem às costas muito do orgulhoso passado da selecção nacional, sente-se confortável com esta descaracterização do clube do povo? E o povo, reconhece-se na panóplia de pátrias que vê no relvado que não a sua? Não, claro que não, essa história não vende jornais, essa crítica pode ferir poderosos donos da bola, não convém acossar a mão que lhes dá de comer.

 

Quanto ao jogo, vi aos bochechos, vislumbrei pouco entusiasmo vermelhusco, muito amarelo a ameaçar o agora grande Roberto (este sim, um verdadeiro ressuscitado das cinzas). O génio de Aimar lá saiu da já cansada lamparina, Coentrão esforçou-se por esticar a equipa, mas a manta não estica quando o tecido é teso e seco. Kardec é uma sombra do que deve ser um ponta de lança, o resto da equipa parece acabrunhada. As coisas não estavam fáceis, mas já se sabe que qualquer lance duvidoso dentro da área vai resultar numa excitada correria do árbitro, ansioso por ouvir o bruaá dos 6 milhões enquanto aponta, emproado, a marca de penalty. Fazem-se manchetes com isso? É o fazes!

 

 

 

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publicado por bolaseletras às 22:04

O sonho dos 7 anões

Quinta-feira, 28.10.10

 

 

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publicado por bolaseletras às 22:49

No 7.º dos Olivais

Quinta-feira, 28.10.10

 

Festas mega kitsch do final dos anos 80 início dos anos 90, beijos roubados, música foleira e eterna, vinil, muito vinil, roupagens inenarráveis, apalpões consentidos ou nem por isso, alguns com mais sorte na arrecadação do fundo ou esmagados ou esmagando contra a porta da exígua wc, línguas inexperientes mas ávidas quais serpentes enlouquecidas, desilusões assassinas afogadas em lágrimas de raiva. E tudo se perdeu e hoje são as rave as pastilhas e o pó dos festivais e nunca ninguém jamais crescerá naturalmente nas inesquecíveis e Kitsch festas da sala de convívio do 7.º andar, no bairro dos Olivais.

 

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publicado por bolaseletras às 19:48

Curto e justo, como se quer

Quarta-feira, 27.10.10

Os dias são de cinzentismo instalado e de olhos cerrados para a beleza ambulante. Pensamos demais, sofremos demais, submergimos demasiado num futuro que toda a gente anuncia ser negro. A beleza vai passando e a dor ficando, sendo que os dias não voltam atrás. A beleza não mais será resgatada e jazerá desperdiçada nos nossos inúteis medos. A dor, essa, ganha espaço e alastra-se como um cancro imparável e implacável, invade-nos as casas, os jardins, as praias e os escritórios. Entregamo-nos a ela como se nada pudéssemos fazer para a destronar, como se o seu poder fosse incontestável. Parar e olhar. Mais que olhar, ver, beber com os olhos. Tanta beleza no mundo merece o nosso esforço, deixemo-nos de lamúrias e inspiremo-nos. Para que a beleza não se desvaneça numa dor inglória e cobarde.

 

 

 

 

 

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publicado por bolaseletras às 20:32

Do amor pelos ódios de estimação

Terça-feira, 26.10.10

 

Micah Ganske, artista nascido em Honolulu, Hawaii, em 1980

 

Do inúmero rol de pequenos ódios que um tipo implicativo como eu vai contraindo, há uns a que me afeiçoo e que procuro perpetuar, contra tudo e contra todos, contrariando a corrente como um náufrago procura contrariar o destino triste e certo. A máquina fotográfica digital, essa invenção do demónio, está no topo das intermináveis azias que me alimentam os saudáveis ódios de estimação. Abandonou-se a procura da melhor foto, do melhor ângulo, da luz ideal, para se eleger como novo paradigma da fotográfica arte o teste, o erro sem consequências, a interminável experimentação que corrói a incessante e louca procura da perfeição. E depois aquela sensação de que à minha volta ninguém olha com os olhos da cara e da alma. Impera agora a espreitadela do outro lado da lente, espia-se por detrás de uma obscura e insensível maquineta insaciável, dispara-se ao desbarato como se a cada segundo a realidade estivesse em constante mutação. Olha-se sem se ver, regista-se sem sentir. E assim caminhamos, autómatos, para um imenso mar de mediocridade.

 

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publicado por bolaseletras às 21:24

O Senhor Engenheiro e o ursinho Gummy

Segunda-feira, 25.10.10

 

É a canção mais ouvida nos últimos tempos cá por casa, “O ursinho gummy” (Gummy bear, no original). Esta é a versão em português, mas também não se menosprezam as versões em espanhol, francês, inglês e brasileiro. A criança precisa de começar desde já a criar competências para o futuro, ser poliglota ao ano e meio pode dar um certo jeito. A crise está aí, vê-se nos restaurantes, nas lojas, na contenção que deixa os carrinhos de compras com muito espaço livre. Obrigado Senhor Engenheiro, vou ver se encontro o gummy bear em chinês para daqui a uns anos mandar a criança para bem longe deste cantinho à beira-mar plantado.

 

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publicado por bolaseletras às 21:06

Direitos e deveres

Domingo, 24.10.10

 

Depois de ver a vergonhosa primeira parte do Sporting contra o Rio Ave, 3 perguntas urge fazer:

  1. Porque é que o Sporting só teve 3 dias de descanso após a jornada Europeia, ao contrário de Benfica e F.C.Porto, como muito bem lembrou Paulo Sérgio?

  2. No momento da elaboração do calendário da Liga ou da definição do dia concreto para este jogo, os dirigentes do Sporting nada podiam fazer para evitar esta lamentável situação? Que esforços desenvolveram no sentido de evitar o ocorrido?

  3. Se Paulo Sérgio sublinhou que 3 dias são poucos para descansar, porque é que recorreu a praticamente todos os mesmos jogadores que alinharam quinta-feira contra o Gent? Não seria este jogo mais do que adequado para fazer a rotatividade de alguns jogadores, algo a que o treinador até é atreito?

Nestes pormenores se vê que ainda muito falta ao Sporting para se fazer respeitar pelos “senhores” que mandam no futebol português. Temos de nos deixar de amadorismos, dar um murro na mesa e exigir os mesmos direitos com que os outros enchem os bolsos. Não podemos ser grandes só de boca, temos de agir e exigir em conformidade com o estatuto que pretendemos ostentar. Para sermos tratados como clube grande de pleno direito têm os nossos dirigentes o dever de mostrar força, determinação e competência. E isso tem faltado, temos andado a titubear quando se trata de rugir bem alto e fazer ouvir a voz do leão.

Quanto ao jogo propriamente dito a destacar a garra de André Santos e de João Pereira, bem como a confirmação da ressurreição de Postiga ao qual se parece querer juntar um rejuvenescido Abel. Acabou por correr bem, mas podia ter corrido mal. A diferença de um dia de descanso, foi a diferença entre ter dirigentes diligentes e competentes ou um punhado de curiosos mal preparados e ingénuos.

 

 

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publicado por bolaseletras às 20:57

1000 posts depois o "Bolas e Letras" ainda respira!

Sábado, 23.10.10

 

É verdade, um ano e 10 meses depois ainda por cá ando e escrevo agora o post 1000. Pouco me interessa se menos de 100 posts serão de facto interessantes, se menos de 10 serão fantásticos, se apenas 1 poderá ficar para a história. Dias se passaram em que não perdi mais de 5 minutos a pensar no post, poucos foram aqueles dias em que senti como uma obrigação vir aqui deixar uma pegada na blogosfera. O “Bolas e Letras” é um escape, por vezes uma ferramenta para me obrigar a reflectir, um estímulo para não estagnar, um universo paralelo a uma vida absorvente que muitas vezes me põe a correr sem saber para onde e porque corro. O título deste post foi-me sugerido pela minha mais que tudo. Muitas horas o “Bolas e Letras” lhe surripiou, mas ela sabe que é por uma boa causa. Obrigado a todos por cá virem, por comentarem, por sorrirem com uma ou outra chalaça, por perderem nem que seja 10 segundos a pensar sobre algum rasto que por aqui deixo. Por cá andarei, para não morrer estúpido. Beijos e abraços.

 

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publicado por bolaseletras às 17:51


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