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Roger Waters, Deolinda e o padre Vítor

Segunda-feira, 28.02.11

 

 

Desconfio que muitos de nós não fazemos ideia do que será a vida de boa parte dos nossos concidadãos. Tenho a certeza que a geração sem remuneração que não tem emprego mas que tem dinheirinho para ir aos concertos dos Deolinda e que ainda esgota os bilhetes para os concertos do Roger Waters e da PJ Harvey, nunca sonhou que houvesse gente que desse o pão aos filhos depois de passar o dia a esfolar-se num qualquer lugar que não fosse um escritório asseadinho, com ar condicionado e, de preferência, com acesso privilegiado ao facebook para as merecidas e democráticas pausas na labuta diária.

 

Desconfio que muitos de nós não imaginamos o que seja ganhar o pão sentindo na pele o pão que o diabo amassou, limpando a merda dos outros, desinfectando os escarros alheios, esterilizando o desrespeito de quem olha para eles como se nada fossem. Tenho a certeza que a geração sem remuneração desconhece que haja quem sofra lágrimas de sangue para ganhar metade do que valem os seus odiados recibos verdes, que andam por aí pessoas que trabalham 12 ou mais horas para levar para a mesa dos filhos metade dos seus vergonhosos subsídios de desemprego. Desconfio que os Deolinda saibam tanto disto como o padre Vítor Melícias sabe o que é viver de acordo com os votos da pobreza franciscana.

 

 

Fotografias de Vítor Cid 



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publicado por bolaseletras às 19:14

O nevoeiro do nosso descontentamento

Domingo, 27.02.11

 

 

Sei bem que falar do jogo Nacional-Sporting recorrendo à metáfora do nevoeiro é pouco imaginativo e estilisticamente fácil. Ainda assim, não consigo fugir a esse lugar-comum. O futebol da equipa não existe, anda por ali, apático, medroso, expectante. Os jogadores aguardam o D. Sebastião que há-de surgir numa tarde de nevoeiro (lá está), perderam de vez a confiança, esbracejam para sair do pântano em que se (os) puseram. Confesso que vi o jogo aos pedaços, por entre a edição 2.000 do Expresso, a milésima risada da criança, tudo era distracção para não olhar de frente a triste imagem do meu clube. Paulo Sérgio saiu mas não levou com ele os males da equipa, como já se esperava. O problema é também de qualidade dos jogadores, da falta de um sistema de jogo consistente e de uma táctica que o ponha em prática, mas é sobretudo um dilema psicológico, um caso patológico de descrença e de desconfiança nas capacidades próprias. Poderá o Sporting reerguer-se mantendo a metade melhor desta equipa? Essa é a grande questão, não são os fundos, o nome das pessoas, os apoios de velhas glórias. É a estratégia para o futebol que conta e é essa que é essencial avaliar com pinças e inteligência.

 

 

O Benfica ganhou hoje no último segundo merecidamente. Imagino a alegria dos seus adeptos com esta vitória tão suada. Mas não os invejo e não invejo as suas vitórias. Porque me causou asco o comportamento de Jorge Jesus e de Rui Costa no banco, pressionando o árbitro, vociferando contra os adversários e o árbitro, quando o deviam fazer contra os azares do destino, a arte do guarda-redes Marcelo e as incompetências dos seus avançados. No fim do jogo, estes dois elementos aproveitaram ainda para insultar, empurrar e intimidar os jogadores adversários, como que revoltados por estes terem tido o desplante de lhes bater o pé. Se o Sporting é o espelho da actual decadência material do país, o Benfica é o espelho da podridão dos seus valores morais.

 

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publicado por bolaseletras às 22:09

Sou dos Olivais e estou farto da merda dos Deolinda

Sábado, 26.02.11

  

 

Nos Olivais Sul, terra mítica, bairro de incontáveis lendas e de gente que foi “(,,,) para além da Taprobana, em perigos e guerras esforçados, mais do que prometia a força humana(…)”, tudo o que respeita à amizade olivalense é feito com gosto, em cumprimento dos inquebrantáveis laços nascidos na fornalha desse bairro único. Somo diferentes, procuramos rir mais e queixarmo-nos menos, diria que fugimos ao triste fado lusitano. Orgulhamo-nos de aqui ter nascido, nestes jardins que nos beijam as casas, aqui ter crescido e fortalecido os valores que nos fizeram homens. Não somos da geração sem remuneração embora tenhamos idade para isso, porque porfiámos, negámos o queixume, evitámos o conforto do conformismo.

 

 

 

Estou farto da merda dos Deolinda e dos artigozecos justificativos da acomodação, de jovens licenciados que querem iniciar a vida a ganhar o que acham justo não obstante a sua gritante impreparação. Também nós tivemos estágios mal pagos e a trabalhar muitas horas, também nós começámos a ganhar pouco, também nós sabemos o que são recibos verdes, também nós não saímos tão cedo quanto queríamos de casa dos papás. Mas fomos em frente, não baixámos a cabeça em direcção a manifestações bacocas e inúteis. Sou dos Olivais e estou farto da merda da conversa dos Deolinda, pelo que peço a todos vós que se colam a essa mensagem de desalento, que levantem a cabeça e vão à luta, aqui ou lá fora, como muitos de nós olivalenses fizemos.

  

Hoje foi a festa dos 40 anos de um bom amigo Olivalense. Não precisámos de pagar uma fortuna para nos divertirmos, juntámo-nos às 9h da manhã para jogar à bola, beber umas minis, pôr a conversa em dia e rirmo-nos da incontornável decadência física. Doem-me todos os músculos do corpo mas estou de peito e alma cheia. Fiquem com o convite para a festa e bebam um pouco do que é ser dos Olivais.

 

 

 

 

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publicado por bolaseletras às 21:55

Smoke City - "Underwater Love"

Sábado, 26.02.11

 

 

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publicado por bolaseletras às 13:09

Woman in red - Para todo o sempre

Sexta-feira, 25.02.11

 

 

O vermelho olha-nos de frente, confronta-nos, esmaga-nos contra a parede dos seus olhos. O vermelho acorda os adormecidos, ressuscita os mortos, levanta o prazer soterrado sob as lápides da dor. O vermelho tem lábios de pecado, olhos de gelo incandescente, corpo de ejaculação precoce. O vermelho lembra-nos sonhos molhados de adolescência, remete-nos para amores platónicos, devolve-nos à eterna busca da perfeição. O vermelho queima sem deixar marca mas nunca sairá de nós. Para todo o sempre.

 

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publicado por bolaseletras às 18:57

O presente é passado, olhemos para o futuro

Quinta-feira, 24.02.11

 

 

Quis a divina providência que uma conferência sobre o futuro da justiça me impedisse de ver a eliminação do Sporting às mãos do Glasgow Rangers, além de me ter proporcionado uma barrigada de fome que durou até à meia hora atrás. Pensamos que o mundo está todo espartilhado, mas isso não é bem assim. Se para discutir o futuro da Justiça a maior preocupação é discutir os erros do passado e enumerar as opções incompreensíveis, na discussão sobre o Sporting já enjoa o apontar de culpas e culpados, o esmiuçar raivoso dos erros, dos descaminhos, das atrocidades gestionárias. Futuro, futuro, futuro, o que é que não percebem??? Estratégia para sair do buraco, objectivos bem definidos para atingir as metas que se querem ambiciosas, planeamento rigoroso e uma equipa com competência para o pôr em prática, é isso que deveria estar em discussão. O passado foi lá atrás (e este presente já é passado), serve para não repetir os mesmos erros, mas nada mais que isso.

 

Do resumo de 3 minutos que vi há pouco há um momento que ficará para sempre na minha memória leonina. Quando no último minuto do jogo, aquele em que não podíamos sofrer um golo, o Rangers mete 4 jogadores ao segundo poste na pequena área enquanto um punhado de jogadores do Sporting esbraceja atarantado no outro lado da pequena área. O descontrolo psicológico é isto, a falta de confiança é isto, o medo de perder é isto. E quando a cabeça não consegue as pernas não servem para nada. Este passado tem que ser colocado para trás urgentemente. Talvez seja exagero dizer a bem da nação, mas será certamente a bem da sobrevivência do Sporting.

 

 

 

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publicado por bolaseletras às 22:45

Woman in red - Sem limites

Quarta-feira, 23.02.11

 

 

Vermelho é pecado, é luxúria, é lambuzar a boca de prazer, devorar em excesso, deixar escorrer pelo canto da boca tudo aquilo para que temos mais olhos que barriga. Vermelho é fugir ao preto e branco, sobranceiramente desprezar o cinzento que nos atormenta os dias, é engolir às goladas o sabor da tua saliva e querer mais, mais e mais. Vermelho é ser insaciável, negar o sono, beber-te o néctar até à última gota. Vermelho é ter insónias sem fim como se nos teus braços os dias nunca fossem noite como se no teu leito dormir fosse sonhar acordado. Vermelho é amar-te sem limites.

 

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publicado por bolaseletras às 18:54

O dérbi em destaque no Sapo

Terça-feira, 22.02.11

 

A equipa do Sapo voltou a ter a gentileza de destacar um post do Bolas e Letras. O resultado foram uns bons milhares de visitas, o que para um vício de quem escrevinha sem pretensões obviamente é um afago ao ego. Por outro lado, não deixa de ser triste a razão do destaque: a descrição de mais uma triste jornada do meu Sporting, uma análise fria e desencantada do estado da arte para os lados de Alvalade. Tenho saudades dos tempos - não tão longínquos como isso - em que na hora da derrota me queixava de roubalheiras vergonhosas, de azares impossíveis, de bolas que batiam na barra ou de defesas miraculosas do guardião de vermelho. Hoje em dia já nem esses factores servem de desculpa. O desânimo dos adeptos vê-se na descrença dos jogadores, a casa em ruínas confirmou-se na torrente de demissões de um punhado de maduros com entradas de leão e saídas de gatinho envergonhado. Quem vier que venha por bem e seguro da sua competência, que não venha porque ama o Sporting de paixão, não obstante não fazer a mínima ideia do que é gerir um clube, um plantel, um grupo de jogadores de futebol. Acabe-se com as aventuras e mergulhe-se na realidade de um clube a precisar de mudança, de um projecto sólido, de uma ideia ganhadora para o futuro. A bem da nação.    

 

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publicado por bolaseletras às 20:13

Sporting 0 - Benfica 2

Segunda-feira, 21.02.11

 

 

Seria mais fácil encontrar hoje uma agulha no palheiro do que um sportinguista cheio de fé para o jogo com o Benfica. Claro que há sempre por ali uma fezada irracional, mas uma época fraquinha e sempre a descer não ajuda a grandes esperanças. Depois, o Paulo, o Paulo tem sempre uma na manga. Apesar dos azares das ausências de Evaldo e Carriço, não viu melhor solução do que colocar no lado esquerdo um inepto e pouco rodado Grimi. Por outro lado, se Torsiglieri é para mim um central que deveria ter sido bem mais utilizado ao longo da época, lançá-lo assim às feras pareceu-me temerário, não pelo seu desempenho, que até me agradou, mas sobretudo pela sua ligação com o resto da equipa. Quanto a Cristiano é um caso de pura demência, tendo em atenção que o rapaz, além de ser novo na equipa, é claramente um jogador para aquecer o banco da Naval 1.º de Maio. Diga-se que o Paulo teve o bom senso de colocar Matishow em campo, mas esse rasgo de lucidez ficou prejudicado por toda uma época em que o desaproveitou e afastou da equipa, não lhe permitindo criar rotinas com a mesma.

 

Depois Djaló, por vezes perigoso, quase sempre inconsequente, ingénuo e tacticamente miserável. Postiga, que se tem vindo a afirmar, decidiu fazer daqueles jogos em que 90% das vezes está em fora de jogo. Patrício ofereceu a oportunidade para o primeiro golo num pontapé desleixado. Pedro Mendes, o mais experiente, revelou várias vezes um inexplicável descontrolo emocional. Enfim, um problema de treinador, de jogadores e dos dirigentes que escolheram estes rapazes. O Benfica tem melhor equipa, melhor treinador e melhores jogadores. Apesar de não ter feito um grande jogo, foi uma equipa mais eficaz e adulta. Gaitan e Javi Garcia para mim dividem o trono de melhor em campo, o primeiro confirmou a arte para aliar velocidade à técnica, o espanhol a antecipar jogadas adversárias e a efectuar cortes cirúrgicos. Com trincos destes, basta um médio defensivo numa equipa, mais um indicador para se perceber a diferença de armas entre as duas equipas. Parece-me claro o que há a fazer, excepto se quem aí vier decidir complicar. Ficam as sugestões, simples e clarinhas como a água: a equipa tem que ser fortemente reforçada, os novos responsáveis pelo futebol têm que ser competentes, experientes e analisar bem os erros do passado, a formação tem que voltar a ser uma forte e consistente aposta, sendo os seus frutos sabiamente integrados numa equipa forte e equilibrada. Parabéns aos meus amigos benfiquistas, hoje foram melhores.

  

 

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publicado por bolaseletras às 22:29

Preparação para o derby - As coisas são como são

Domingo, 20.02.11

 

Lembram-se dos gloriosos tempos de Eusébio, lembram-se do último ano em que finalmente voltaram a ser campeões. Mas esquecem-se de uma miserável última década. Felizmente existem instituições sérias para chamar os 6  milhões à razão e bloggers atentos (O pipoco mais salgado) à realidade dos factos. Leiam e acalmem a excitaçãozinha, vermelhuscos, pode ser que a soberba vos saia pela culatra (e sim, eu sei o que me arrisco ao escrever isto, mas é nos momentos difíceis que os leões saiem da toca).

 

“A Bíblia do futebol, estudou, e estudou e fez as contas aos melhores clubes da Europa na primeira década deste século. O Barcelona aparece em primeiro, o JK Nömme Kalju aparece em último. Pelo meio dos números, há um clube do norte que aparece em décimo quarto, o Sporting Clube de Portugal aparece em vigésimo sexto e, entrincheirado entre o CSKA de Moscovo e o Auxerroise, em quadragésimo quarto, lá aparece o clube da segunda circular.”

 

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publicado por bolaseletras às 10:28


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