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Arranha-céus, por J.G. Ballard

Domingo, 06.08.17

20170806_232748.jpg

 

Em tempo de praias a abarrotar, de gente que se digladia para pedir uma imperial num qualquer balcão, nestes estranhos dias em que a canícula enlouquece os habitantes de automóveis que formam filas sem fim, quase que arrisco dizer que este livro poderia ser uma aproximação a uma horrenda realidade futura não tão distante como isso. Os 2.000 habitantes de um arranha-céus auto-suficiente percebem que a constante exposição do homem ao homem, com os seus interesses visceral e propositadamente opostos (ah, a doce atracção da luta por algo) é a melhor forma de proporcionar a aniquilação final do homem pelo homem. Ballard embala-nos nesta fábula do mal, contagiando-nos pela secura e naturalidade com que narra o crescendo do ódio e da banalidade do mesmo. Não queremos acreditar que um futuro próximo nos possa trazer algo semelhante mas olhamos para o passado não tão longínquo e reconhecemos o mal. Apenas o cenário mudou, para um supostamente moderno e aconchegante arranha-céus. Não nos deixemos iludir.

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publicado por bolaseletras às 23:44


4 comentários

De Pedro Nogueira a 07.08.2017 às 11:58

Não será isso, já o presente? :)

De bolaseletras a 07.08.2017 às 21:36

Quero acreditar que ainda não chegámos a esse grau de barbárie...mas sim, não faltará muito.

De Da outra margem a 08.08.2017 às 10:04

Há uma teoria diametralmente oposta que dita o fim da humanidade pela ausência da exposição do homem ao homem, totalmente absorvido pelo mundo virtual.
Entre uma e outra venha o diabo e escolha.
A extinção do Homem já foi profetizada mais que uma mão cheia de vezes e cá nos temos safado.
Que não seja a nossa geração a dar cabo disto, porra!
Teremos a auto-destruição no ADN?
Seremos mesmo a única espécie incapaz de encontrar forma de viver e prosperar em comunidade (ou comum unidade)?
Para quem se considera a "inteligência superior" do planeta... seria uma ironia do caneco.
"Vejam lá isso."

De bolaseletras a 09.08.2017 às 18:00

Somos animais estranhos, cada vez mais me convenço que somos estruturalmente incapazes de sermos simplesmente felizes, solidários, de viver juntos sem darmos sempre prevalência ao eu em detrimento do nós. Talvez um dia saibamos abandonar a nossa margem de conforto e arriscar o sabor das margens que desconhecemos mesmo que pensemos tudo saber delas. O homem muda muito menos do que a história parece mostrar-nos, mas acaba sempre por evoluir.

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