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Bardamerda para a escassez de amor e o excesso de ódio

Segunda-feira, 06.03.17

 

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Quero-te assim, meu querido leão, cheio de garra e energia, sem receio do mundo e dos outros, sempre em busca da glória! Quero que venças sem atropelar os outros, sem os odiar. Quero que venças com amor, porque és melhor e não porque odeias com mais força! Vencer não significa esmagar, ter adversários não é o mesmo que ter inimigos. Se só te amar a ti contra tudo e contra todos nunca vencerei nada porque os outros não serão adversários mas sim meros alvos a abater. Não estarei a competir mas sim a guerrear, não saberei dar um abraço depois de uma contenda justa e aguerrida. E eu quero que o meu Sporting seja isso, quero que os meus filhos cresçam sabendo que o seu Sporting é um clube com garra mas com coração, que ama bem mais do que odeia. Veja lá isso Presidente, experimente pensar antes de falar. Dizem que por vezes dá frutos proveitosos.

 

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publicado por bolaseletras às 11:20

Dias desgraçados

Sexta-feira, 20.01.17

  

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O melhor cronista português, Ferreira Fernandes, a escrever sobre o quão injusto pode ser o mundo e maus os homens. Sobre Trump e os dias desgraçados que escolhemos viver. Tão belo e tão triste.

 

“Um dia, vi um homem parar um carro pobre, numa estrada de terra vermelha, à entrada de uma ponte. Sobre um pilar estava uma bacia de esmalte rachado e nela laranjas pequenas. "Quanto?", perguntou o homem com uma camisa modesta. O miúdo negro disse: "Dois angolares." Sem outra palavra, o homem abriu a mala do carro. O miúdo fez rolar as laranjas na mala. O homem pôs na palma da mão estendida uma moeda de cinco tostões, um quarto do preço pedido. O miúdo nem esboçou um protesto, ficou na berma a ver o carro partir e a sentir a poeira assentar.

 

Um dia, li um camponês russo a falar com um dos irmão Karamazov. Tudo no camponês era subserviência. E tinha o filho ao lado. O Karamazov não bateu, esmurrou ou pontapeou o camponês - gestos brutos que poderiam ter passado por luta violenta. Esbofeteou-o, com pancada seca e calma, de quem sabe que nunca teria reação. Nada doeu mais do que o filho ao lado.

 

Um dia, na ala militar do aeroporto de Bogotá, estive na conferência de imprensa dada pelo embaixador americano. Ele falou sobre a luta contra os narcotraficantes e a esperança de apanhar em breve Pablo Escobar, o capo de Medellín. Depois, o embaixador disse que tinha mais declarações a fazer mas essas eram para os americanos e os da imprensa estrangeira. Os jornalistas colombianos saíram, cabisbaixos, expulsos em sua casa.

 

Um dia, entrevistei um líder guerrilheiro, num jango, enorme cubata circular. O líder esperava--me ao fundo, e as paredes do jango estavam cheias de dirigentes guerrilheiros e conselheiros do líder. Ao entrar, reparei, nunca soube porquê, num jovem de barba escassa e casacão escuro (era cacimbo, inverno austral), sentado à entrada. Finda a entrevista, o líder acompanhou-me à entrada, braço sobre o meu ombro. De repente, fez-me rodar e encontrei-me frente ao jovem de casacão, já de pé. "O senhor jornalista sabe quem é?", perguntou o líder. Adivinhei mas disse que não. "É o Wilson que vocês em Lisboa dizem que matei. Não o quer entrevistar?", disse o líder, e logo apareceram dois microfones. "Não entrevisto presos", disse eu. O jovem tinha os olhos mortos e foi mesmo morto, semanas depois, ele e a família.

 

Um dia, eu ia de elétrico e vinham duas peixeiras da Ribeira. Elas eram cabo-verdianas e falavam crioulo entre elas. Ao passar pelo Rato (os elétricos ainda por lá passavam), um passageiro endoidou de ódio e pôs-se a mandar as mulheres "para a terra delas." Havia lugares vagos mas elas não tinham ousado sentar-se por causa do cheiro das saias largas. Os insultos do homem apanhou--as com português curto e calaram qualquer resposta. Pousaram os olhos no trabalho, nas canastras deitadas no chão. Nem pareceu terem dado conta dos pescoços que não se viraram. Mas deram.

 

Um dia, eu estava com um militar, que então era do meu lado, a dizer a uma pessoa detida, porque do outro lado, que sim, podia pedir ao soldado de plantão para ir comprar cigarros à messe. Regressado o soldado, o preso deu--se conta de que, afinal, também não tinha fósforos: seria que lhe podiam acender o cigarro? "Ah, era para fumar? Isso, na cela, não pode", ouvi o "meu" militar a dizer, gozando com o detido confuso.

 

Um dia, era noite de verão, eu ouvia um homem a assobiar numa esplanada. Ele estava sozinho à mesa e bebia cerveja. Assobiava mambos e boleros, as janelas abriam-se e às varandas assomavam suspiros. Ele sabia e gostava do seu sucesso, na sua rua, mas fazia de conta que não o via. No fim de um bolero de Lucho Gatica, ele ia aclarar a garganta com um gole mas o copo voou até ao chão da esplanada. A mulher do homem do assobio estava com uma mão à cintura e a outra a apontar a casa: ala! Ela nunca produziu outro som, senão o copo a estilhaçar-se. Sempre calada, com o silêncio da autoridade que nunca conheceu resposta. Ele ia à frente dela, cabeça enfiada nos ombros, olhando o passeio, indiferente à rua e à humilhação. Mas não estava.

 

Um dia, um guarda-costas que me acompanhava em Argel, perguntou-me se eu sabia o que era uma bûche de Natal. Disse-lhe que sim. Era o bolo em forma de tronco de árvore que os franceses comem no fim do ano (como o nosso bolo-rei). Por essa altura, os terroristas islâmicos punham bombas por toda a Argélia e degolavam os ímpios que se expunham. O meu guarda-costas era bom muçulmano, mas tinha saudades da bûche, da infância com vizinhos franceses. No Natal passado tinha sabido de uma padaria que as vendia às escondidas. Foi lá, saiu pela porta de trás mas julgou adivinhar olhares ameaçadores. Abriu a camisa e escondeu o bolo, coseu-se às paredes e apressou o passo. Entrou em casa e tirou o bolo amassado, o chocolate já delambido - os filhos e a mulher olhavam-no, e ele chorou, derrotado. O meu guarda-costas era tropa de elite.

 

Um dia, depois desses dias que me formaram, hoje, eu dei--me conta de que um homem que varreu os adversários do seu partido amesquinhando-os, que apoucou deficientes, que rebaixou o heroísmo autêntico na guerra de um correligionário seu (ele, que para fugir dessa mesma guerra pretextou doenças que não tinha), que se me apresentou, em palcos públicos, sem compaixão por pais que perderam o filho, que achincalhou as doenças, verdadeiras ou inventadas por ele, da adversária, que levou a humilhação como a arma principal da luta política, um dia, dizia eu, vou ver esse homem a tomar o poder mais poderoso do mundo. Contra ele recuso-me, neste dia, a discutir as ideias dele, políticas, económicas ou ecológicas. A partir de amanhã, certamente. Hoje, tenho a dizer, tão-só, que é um dia desgraçado.”

 

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publicado por bolaseletras às 20:59

Que mundo é este? Que Europa terá de ser a nossa para o enfrentar?

Sexta-feira, 15.07.16

 

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Quanto mal será preciso suportar no coração para matar dezenas de inocentes sem um piscar de olhos? Quanto ódio será necessário sentir a uma parcela da humanidade, a um conjunto de valores, a um estilo de vida e de civilização para chacinar impiedosamente pessoas inocentes e crianças? Sabemos que uma sociedade nunca será 100% segura, mas no nosso “mundinho”, na nossa cidade, nos nossos aeroportos, nos nossos estádios, nas nossas casas de espectáculo, no nosso bairro, não era assim que vivíamos há uns anos, a espreitar por cima do ombro, a tentar perceber o que se esconde por detrás daquela cor de pele mais escura ou daquele turbante. Provavelmente nós, portugueses, ainda não vivemos assim neste quase paraíso de segurança, mas vivem os nossos vizinhos e nós quando viajamos. Algo mudou, algo vai ter que mudar e o mundo como hoje o conhecemos não mais será o mesmo. Sabíamos que um dia atingiríamos o limite. Não gosto da política do olho por olho, dente por dente, porque quase sempre isso nos faz descer ao nível que verberamos. Mas algo vai ter que mudar. Deixo aqui este duro texto do Rui Ramos, para início de reflexão:

 

Haverá um momento em que já não chegarão os lugares comuns, a começar pelo mais cansado de todos: o apelo para não fazermos o “jogo dos terroristas”. Haverá um momento em que as vigílias e demais cerimónias do “Je suis” consolarão cada vez menos gente. Haverá um momento em que já quase ninguém terá paciência para mais um exercício de auto-flagelação a propósito da guerra do Iraque de 2003 ou do acolhimento dos imigrantes. Nesse momento, a vida nas sociedades ocidentais, tal como nos habituámos a ela, estará comprometida. Não será possível manter os padrões actuais de liberdade, tolerância e pluralismo numa sociedade sacudida por matanças regulares de cidadãos.”

O texto completo em: http://observador.pt/opiniao/esta-europa-pode-acabar-em-nice/

 

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publicado por bolaseletras às 09:12

Anita Ekberg, Fellini, amor, ódio, fama e esquecimento

Terça-feira, 12.04.16

 

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"When the film was presented in New York, the distributor reproduced the fountain scene on a billboard as high as a skyscraper. My name was in the middle in huge letters, Fellini's was at the bottom, very tiny. Now the name of Fellini has become very great, mine very little." - Anita Ekberg

 

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publicado por bolaseletras às 10:18

Um mundo ao contrário

Segunda-feira, 04.04.16

 

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Os días sucedem-se alucinantes na velocidade com que nos esmagam. O que ontem era assumido hoje esfumou-se na urgência imprevista, na incontornável obrigação de decidir em segundos, como se a melhor decisão fosse aquela que recrimina a ponderação e o tempo para a maturar. Abominam-se os estados de espírito estáveis. Se hoje sentimos o mesmo que ontem somos seres enfadonhos e tristemente previsíveis. Odiar hoje o que amámos ontem é o pão nosso de cada dia e o incrível vice-versa a manteiga que amolece o pão que o diabo amassou. Os beijos ontem desejados estilhaçaram-se nas 24 horas que passaram, deles resta apenas uma ténue neblina de esquecimento que estende um manto sobre almas e corpos que se atropelam, aglomerados de juízos e contra-juízos em circuitos entrecruzados onde só a permanente violação dos limites da reflexão e do sentir é consentida. Um mundo ao contrário.

 

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publicado por bolaseletras às 10:54

O quadro

Terça-feira, 29.03.16

 

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 Fotografia de Mariel Cortés

 

Entrei naquela morada sem pensar, somente para fugir da loucura em que me sentia afundar. A fachada do edifício e as pessoas que nele entravam inspiraram-me calma, normalidade, a possibilidade de impor a mim mesmo uma pausa no turbilhão que ameaçava estilhaçar-me. Nas paredes navego por obras de arte, algumas paisagens bucólicas, cenas da vida quotidiana, retratos e auto-retratos que me conciliam com a vida como ela quase sempre é ou devia ser, imagens que me devolvem ao que se pode chamar “normalidade”. Percorro todas as salas do museu até alcançar a última. Não vejo ninguém a entrar ou a sair e entro desprevenido. O quadro dilacera-me e reconduz-me aos braços da luxúria e do pecado, a paz de espírito passageira estilhaça-se nas sugestões de guerra, ódio e sexo desenfreado, alheado do amor e do prazer. Não emito qualquer som mas a única pessoa que contempla o quadro sente-me, fixa-me, transfere com o olhar toda a força da sua loucura, ignorando que, naquele preciso momento, todo o meu ser já não suporta nem mais um grama de demência.

 

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publicado por bolaseletras às 15:16

Anjo e diabo

Domingo, 20.03.16

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Branco e negro, anjo e diabo, os clássicos bem e mal como os dois ingredientes da nossa alma atormentada, da nossa natureza imperfeita. Serão assim tão diametralmente opostos? Na loucura ardente da paixão não haverá no fundo uma corajosa afirmação de sanidade? Será realmente são quem renega os devaneios da carne? No mal não há mais bem do que reconhecemos à superfície? Para odiar há que temer a força do bem, dedicar a vida a derrubá-lo, à sua ofuscante superioridade moral. A percepção do bem não será mais vincada em quem cultiva o ódio do que em quem pratica o bem desinteressada e inconscientemente? As duas faces de uma moeda, a mesma moeda, una e indivisível como a alma e a carne.

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publicado por bolaseletras às 20:59

"A zona de interesse" - Sobre a religião e a falta dela, na incessante busca da génese da escuridão

Quinta-feira, 19.11.15

  

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Voltamos à “Zona de interesse” de Martin Amis, aos crimes do nazismo, ao mal sem explicação. Face aos tempos que vivemos é pertinente explorar a ligação entre a religião e o mal, quer do ponto de vista da guerra das religiões, quer, como no caso em apreço, do ângulo proporcionado pelo conflito entre a religião e a descrença absoluta, e, consequentemente, qual o papel de todos estes antagonismos absurdos na génese do mal. Tenho um amigo invulgarmente inteligente que há anos tece o mesmo singelo comentário na análise dos males do mundo: “A culpa é da religião”. Acrescento eu, se a culpa não é dela é da ausência dela, pelo que, indirectamente, a religião acaba por estar sempre envolvida nas desgraças da humanidade. Diz o povo, na sua infinita sabedoria, “morto por ter cão ou por não ter” (substituam cão por religião e vão ver que chegamos ao mesmo sítio).

  

Caracas, Venezuela, 2006, Christopher Anderson.jpg

 Caracas, Venezuela, 2006, fotografia por Christopher Anderson

 

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publicado por bolaseletras às 07:59

Olho por olho, dente por dente?

Segunda-feira, 16.11.15

 

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Não tenho bem a certeza porque é que a frase acima, que já de si não é simples nem pura, me conduziu à imagem abaixo, toda ela indiciadora do que comumente se designa por impuro, pouco dada a simplicidades e bem mais amiga do complexo universo de Helmut Newton, que produziu este estranho quadro no início da década de 70, num qualquer apartamento de Paris. A perversidade que se adivinha por detrás das quatro paredes não será estranha a quaisquer outros casulos domésticos. Esse toque erótico-maligno, mais ou menos indecoroso, bem presente ou melhor escondido sob a pele dos nossos tabus, existirá sempre abrigado da moral da “vida em público”. Ainda assim, olhando para os recentes acontecimentos de Paris, é legítimo questionarmo-nos sobre onde reside agora o mais fundo da perversidade dos homens. É nos pecadilhos carnais que se adivinham nas sombras invisíveis que os cortinados escondem, ou é no sangue que escorre, lento e frio, para as sarjetas que outrora apenas recebiam as águas de Outono? Bin Laden, esse profeta das trevas, disse um dia: “Nós temos jovens que amam a morte mais do que vós amais a vida”. Como lutar contra isto? Como não ceder ao apelo do ódio, do olho por olho, do dente por dente?

 

Helmut Newton, Paris, 1979.jpg

P.s – Cruzei-me com esta imagem na passada tarde de sexta-feira, poucas horas antes do massacre de Paris. Encontrei nela uma perversa beleza que não soube traduzir, senti ao contemplá-la um ligeiro arrepiar na espinha sem razão aparente.

 

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publicado por bolaseletras às 13:59

Apesar do mal, teremos sempre Paris

Sábado, 14.11.15

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Tenho alguma dificuldade em alinhar um discurso coerente quando as emoções não abrandaram ainda para lume brando. Creio que é humano, embora cada vez menos saiba o que é ser hoje razoavelmente humano. Oiço em silêncio os discursos securitários de experts nisto e naquilo, as promessas de acções e planos infalíveis dos líderes do mundo que passa nas televisões e pergunto-me se ninguém percebeu ainda que massacres como este, com maiores ou menores motivações religiosas ou ideológicas, vão estar sempre ali, na curva, ao espreitar da esquina. O corvo negro que nunca deixará de turvar-nos a esperança paira sobre sobre as nossas incertas existências. Não adianta temê-lo, nao adianta não viver para adiar a sua descida dos céus. Loucos, fanáticos, gente genética ou "ambientalmente" má existirá sempre ao nosso redor. Podemos ter mais ou menos sorte em não nos cruzarmos com esses cruzados do ódio, podemos erguer barreiras, tentar amaciá-los ou educá-los, mas o mal nunca deixará de existir. Ter esta consciência pode ser ainda mais doloroso do que a não ter. A ignorância é uma benção. CONTIGO PARIS!

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publicado por bolaseletras às 18:43





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