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Longa se torna a espera

Sexta-feira, 26.05.17

  

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Nunca sabemos a falta que nos fará aquela pessoa tão decisiva para a nossa vida, a nossa felicidade e que demasiadas vezes damos por garantida. O olhar de Myke Tyson parecia ser já premonitório de que o seu treinador e pai de substituição poderia muito em breve deixá-lo de novo órfão. Não sei se Tyson teve a sensatez, coragem e sensibilidade de lhe dizer o quanto ele significava para si, o quanto o amava. Estupidamente, dos actos que nos parece exigir mais coragem é aquele que deveria ser mais natural em nós: dizer a quem realmente interessa o quanto gostamos, o quanto a nossa vida é marcada pela sua existência na nossa vida. Não esperemos por termos os olhos turvos do medo da perda. Vejam lá isso.

 

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publicado por bolaseletras às 11:45

Provavelmente

Quinta-feira, 27.04.17

 

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Somos seres aparentemente “normais”, com vidas a maior parte das horas do dia dentro do espectro dessa aborrecida regularidade irritantemente previsível. É exactamente essa a razão que justifica a necessidade de, muito raramente, nos passarmos da marmita, transformando-nos em seres bipolares, e ousarmos o periclitante equilíbrio de viver no fio da navalha que é habitar sensações e mundos diametralmente antagónicos. O amor e o ódio por uma mesma pessoa num curto espaço de tempo - aquele que medeia entre um uivo de ódio e um beijo apaixonado que distam os escassos metros que separam a cozinha da cama – será o exemplo paradigmático. Mas haverá outros exemplos desta necessidade de libertação da absurda normalidade com que pautamos os nossos passos e medimos as nossas controladas palavras. Aquele livro que odiámos no Verão passado e que devoramos hoje como se a excelência da literatura se tivesse agora mesmo abatido sobre nós, aquele sabor forte e agressivo que quase nos fez vomitar há uns anos e agora não conseguimos não adorar. Aquela irritação inexplicável que submergia na pele sempre que ela falava e que hoje é música para os nossos ouvidos. Amamos e odiamos como quem respira e como quem retém a respiração com medo que tanto oxigénio seja demasiado para os nossos delicados pulmões. Amamos quase sempre dentro da norma, da propalada “normalidade”, com medo que tanto amor não nos caiba no coração. Provavelmente, é a semente desse medo a génese do ódio que não controlamos. Provavelmente.

 

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publicado por bolaseletras às 16:20

Charlie, Sophia e um segredo mal guardado

Sexta-feira, 21.04.17

  

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Corria o ano de 1966 e Charlie Chaplin e Sophia Loren eram imortalizados nesta imagem. Charlie, idoso e com todo o ar de quem acumulava em excesso o peso de toda uma vida preenchida a fazer rir, Sophia Loren esquecida da idade da figura dos tempos em que dispensávamos as palavras para rir até ao infinito, embevecida por um qualquer brilho que pensaríamos não mais existir no velho Charlot. Com aquele vestido, a sua inimitável beleza e a generosidade do seu decote, Sophia certamente saberia que não passaria despercebida a Charlie. Este, fazendo não dar conta da bênção que a humanidade lhe legara naquele eterno momento, finge nem reparar. Um dia, o mundo em geral e os homens em particular perceberão que a verdadeira e invencível arma da sedução é o humor, a capacidade de fazer uma mulher rir e esquecer-se das suas defesas enquanto se entrega a esses momentos de liberdade física e intelectual. Nesse dia, os homens largarão os ginásios e não mais gastarão fortunas em fatiotas catitas e em automóveis da moda e passarão a ter mais graça e a cair mais em graça.

 

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publicado por bolaseletras às 11:51

Kiko, 5 anos de ti

Segunda-feira, 17.04.17

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Cinco anos do boss baby Kiko Almeida. Energia sem fim, mimo interminável nos intervalos da curiosidade em forma de incessante movimento, lábios abertos, cicatrizes várias, os indesmentíveis sinais de que parar é morrer. Estes 5 anos não seriam os mesmos sem o mano Miguel, objecto de amor incondicional e de lutas sem fim, mas sem dúvida a melhor prenda que a vida e os pais lhe deram. Obrigado Kiko, vamos agora desacelerar um bocadinho meu diabinho adorável, ainda faltam umas décadas para devorar a vida toda até ao tutano, acredita que tudo não acaba amanhã. Enjoy the ride!

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publicado por bolaseletras às 16:02

A janela com vista para dentro de nós

Sexta-feira, 31.03.17

 

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Não mais se esquecera daquela imagem. O recorte das suas delicadas formas na penumbra da janela escancarada mas sem vista, debruçada sobre o frio cortante do beco de mais uma cinzenta manhã. O frio ignorara-o, pois passeava no corpo e na alma o fogo de uma noite de paixão. A vista de horizontes sem fim, de prados verdejantes e do esplendoroso sol tinha-a dentro de si, como dentro de si tinha as memórias que eram dele e para sempre dela, tudo o que de inesquecível a vida lhes legara.

 

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publicado por bolaseletras às 10:26

Bardamerda para a escassez de amor e o excesso de ódio

Segunda-feira, 06.03.17

 

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Quero-te assim, meu querido leão, cheio de garra e energia, sem receio do mundo e dos outros, sempre em busca da glória! Quero que venças sem atropelar os outros, sem os odiar. Quero que venças com amor, porque és melhor e não porque odeias com mais força! Vencer não significa esmagar, ter adversários não é o mesmo que ter inimigos. Se só te amar a ti contra tudo e contra todos nunca vencerei nada porque os outros não serão adversários mas sim meros alvos a abater. Não estarei a competir mas sim a guerrear, não saberei dar um abraço depois de uma contenda justa e aguerrida. E eu quero que o meu Sporting seja isso, quero que os meus filhos cresçam sabendo que o seu Sporting é um clube com garra mas com coração, que ama bem mais do que odeia. Veja lá isso Presidente, experimente pensar antes de falar. Dizem que por vezes dá frutos proveitosos.

 

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publicado por bolaseletras às 11:20

No palco dos sonhos

Sexta-feira, 17.02.17

  

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- Esta noite sonhei que estávamos numa peça de teatro. Fugimos da realidade e no palco, expostos a tudo e a todos, vivemos finalmente o sonho sempre adiado.

- Sonha meu querido. É para isso que serve a arte.

- Não minha sereia, a arte serve para criarmos o sonho perfeito. É a vida que o realiza, em todas as suas imperfeições.

- És um poeta.

- Diante de ti sou muito mais do que sou.

 

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publicado por bolaseletras às 12:13

Cuidado com os bombons!

Terça-feira, 14.02.17

  

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Há décadas que não ligo ao dia dos namorados. Há muitos, muitos anos, era eu um jovem em fuga da adolescência borbulhenta, recordo-me vagamente de ter oferecido uma caixa de bombons a uma namorada, nessa data especulativa e comemorativa e, nesse próprio dia, nos termos chateado e terminado tudo. Zangado e guloso, guloso e zangado, fechei a coisa em beleza perguntando se ela sempre ia comer os chocolates…não levem as mãos à cabeça, minhas amigas, isso não foi vingança ou maldade pura, foi só porque não gosto de desperdiçar comida. Deixando para trás esse episódio surreal que ardentemente desejo que seja uma traição da memória, que nos pega partidas tramadas, queria apenas dizer aos namorados, aos solteiros, aos divorciados e viúvos, do sexo feminino e masculino, sem distinção de raças, credos e opções sexuais, à população em geral, que a felicidade pode estar em todo o lado e em lado nenhum mas, se não a tivermos dentro de nós, dificilmente a encontraremos fora de nós e dentro de outros pombinhos ou pombinhas. Vejam lá isso e não gastem dinheiro em bombons, dizem que pode dar mau resultado.

 

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publicado por bolaseletras às 11:50

"Caminharemos de olhos deslumbrados", por Ary dos Santos

Sexta-feira, 10.02.17

  

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Caminharemos de olhos deslumbrados

E braços estendidos

E nos lábios incertos levaremos

O gosto a sol e a sangue dos sentidos.

 

Onde estivermos, há-de estar o vento

Cortado de perfumes e gemidos.

Onde vivermos, há-de ser o templo

Dos nossos jovens dentes devorando

Os frutos proibidos.

 

No ritual do verão descobriremos

O segredo dos deuses interditos

E marcados na testa exaltaremos

Estátuas de heróis castrados e malditos.

 

Ó deus do sangue! deus de misericórdia!

Ó deus das virgens loucas

Dos amantes com cio,

Impõe-nos sobre o ventre as tuas mãos de rosas,

Unge os nossos cabelos com o teu desvario!

 

Desce-nos sobre o corpo como um falus irado,

Fustiga-nos os membros como um látego doido,

Numa chuva de fogo torna-nos sagrados,

Imola-nos os sexos a um arcanjo loiro.

 

Persegue-nos, estonteia-nos, degola-nos, castiga-nos,

Arranca-nos os olhos, violenta-nos as bocas,

Atapeta de flores a estrada que seguimos

E carrega de aromas a brisa que nos toca.

 

Nus e ensanguentados dançaremos a glória

Dos nossos esponsais eternos com o estio

E coroados de apupos teremos a vitória

De nos rirmos do mundo num leito vazio.

 

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publicado por bolaseletras às 11:01

No pressure

Terça-feira, 07.02.17

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Sem tempo para passar do Palhinha para o Trump, para postar umas miúdas giras ou para perorar sobre a salvação da nação, recordo esta fotografia perdida tirada algures em Faro. Precisamos de novos homens, de renovadas motivações, de sermos mais sapiens numas coisas e mais animais noutras, bem como o vice versa da predominância da racionalidade sobre a animalidade. Menos sexo e mais amor, menos cérebro e mais instinto, mais equilíbrio sem esquecer a importância dos desiquilíbrios. É mais ou menos isto, hoje, amanhã logo se vê. No pressure.

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publicado por bolaseletras às 21:36





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