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No palco dos sonhos

Sexta-feira, 17.02.17

  

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- Esta noite sonhei que estávamos numa peça de teatro. Fugimos da realidade e no palco, expostos a tudo e a todos, vivemos finalmente o sonho sempre adiado.

- Sonha meu querido. É para isso que serve a arte.

- Não minha sereia, a arte serve para criarmos o sonho perfeito. É a vida que o realiza, em todas as suas imperfeições.

- És um poeta.

- Diante de ti sou muito mais do que sou.

 

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publicado por bolaseletras às 12:13

"O sonho" (Pablo Picasso, 1932)

Quarta-feira, 18.01.17

 

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A mulher retratada no quadro foi amante de Picasso, de seu nome Marie-Thérèse. Os dois conheceram-se tinha Marie tenros 17 anos, quando Picasso a viu sair do metropolitano. Pablo agarrou Marie instintiva e repentinamente pelo braço e sussurrou-lhe: “Chamo-me Picasso. Nós os dois vamos fazer grandes coisas juntos”. Pablo não terá nascido nos Olivais, mas conhecia bem a velha máxima dos D. Juan desse mítico bairro: “O não é garantido, porque não arriscar”?

 

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publicado por bolaseletras às 09:53

8 ou 80

Quinta-feira, 29.09.16

  

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 arte por Edward Hopper

 

Olhamos com tanta leveza que nos arriscamos a nunca apreender o que nos é dado a conhecer, como se tudo o que nos é exterior fosse um mero detalhe, um pormenor irrelevante - porque não imanente - um corpo e uma realidade estranha ao que verdadeiramente nos interessa, aborrece e fascina: nós. Quando percebemos o erro entregamo-nos na observação aprofundada de tudo o que nos rodeia, maravilhados, diluídos em tudo o que nos é estranho, esquecendo-nos de fundir a nós próprios no que olhamos, esquecendo-nos de nós, capturando a felicidade e a realização ansiosamente perseguidas longe, bem longe de quem realmente somos. O oito e o oitenta do ser humano são o perfeito precipício para a sua queda sem retorno.

 

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publicado por bolaseletras às 09:43

Il Gattopardo

Quinta-feira, 01.09.16

 

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publicado por bolaseletras às 10:40

Uma tarde no museu

Sexta-feira, 17.06.16

  

A arte como maior arma de sedução.jpg

 

Provavelmente, muitos de nós já fomos passear sozinhos a um museu e, naturalmente, estimulados pelo ambiente artístico-onírico, alimentámos determinadas fantasias. Algo do género de sentir a emoção da arte a percorrer as veias e a aquecer o sangue, conduzindo à crença de que outras pessoas, de preferência compatíveis com as nossas preferências erótico-sexuais, partilhavam, naquele momento, naquele espaço confinado, da nossa emoção, da excitação que crescia dos campos da arte em direcção aos doces vales do erotismo. Nessa tarde não, ele só queria deambular por entre esquissos de inspiração, não para se inspirar, mas para se esquecer da fealdade do mundo em geral e, muito em particular, da merda de vida que o destino lhe dedicara nas últimas semanas. Apesar de distraído com um Brueghel hipnotizante, não descurou o movimento furtivo mas confiante daquele clássico yuppie, escravo de uma qualquer prestigiante empresa de consultadoria. Ela, bem menos formal e “normal”, saltitante no seu vestido leve e na sua cabeleira revolta, não se moveu quando o sentiu aproximar-se, sorriu até, num jeito estremecido e envolvido, quando ele lhe sussurrou algo ao ouvido. Os risinhos frutos das piadinhas suspiradas continuaram, uma brincadeira infantil e nada inocente já não filha da arte mas enteada do desejo. Minutos disso, ela dedicada a observar o quadro e a beber as apreciações da figuraça sobre o mesmo, ele já a revelar alguma impaciência, ou por não saber dar o salto para a etapa seguinte ou porque percebia que as barreiras da corrida não seriam facilmente transponíveis.

Foi então que aconteceu. Desviou o olhar dela, fixou o quadro, e mordeu-lhe as carnes com a mão endoidecida, como se o membro não fosse já dele mas de um primata dos primórdios dos tempos. Ela manteve-se serena, não se moveu, era quase imperceptível perceber se naquela sala, naquele momento, o que reinava era a surpresa, o desagrado mesclado com ódio, ou a simples indiferença dorida de quem se desilude com o semelhante e reconhece a selvajaria como o pão nosso de cada dia. Aqueles escassos segundos que pareceram eternos terminaram com a mão dele, inerte e sem rumo, a esconder-se no bolso do blaser cinzento e envergonhado. Ela olhou-o no fundo dos olhos e sussurrou, não com a boca mas com o gelo do fundo dos seus olhos, “pobre e impotente coitado”. Ele, como um animal acossado, respondeu com a voz mais fina do que desejara: “Já vi que não estás habituada a homens decididos. Pior para ti, não tenho tempo a perder”. Ela esfregou-lhe na face uma gargalhada embrulhada em papel brilhante de desprezo e cuspiu-lhe “Decidido és, inequivocamente, homem não és certamente, e o tempo que não tens a perder será para sempre um tempo perdido”. Ele nunca perceberia o significado daquele quadro e ela nunca mais iria sozinha a um museu.

 

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publicado por bolaseletras às 17:28

Night Windows, 1928, por Edward Hopper

Quinta-feira, 03.12.15

  

Night Windows, 1928, Oil on canvas by Edward Hoppe

 

Um quadro é um quadro e diz-nos o que a nossa sensibilidade nos deixar e o que estivermos preparados para absorver de uma mera pintura. Para percebermos que um quadro pode não ser só um quadro, mas tudo aquilo que estivermos preparados a retirar dele, abrindo as portas da nossa sensibilidade, deixo aqui uma descrição sucinta do significado desta obra de Hopper, retirada da exposição “American Modern: Hopper to O'Keeffe”, que entre agosto de 2013 e janeiro de 2014 abrilhantou o já de si brilhante MoMA:

 

“Attending to private affairs in her apartment, the anonymous woman in Night Windows is unaware of any viewer’s gaze. The painting exposes the voyeuristic opportunities of the modern American city, and the contradiction it offers between access to the intimate lives of strangers and urban loneliness and isolation. The city at night is a frequent subject in Hopper’s work of the late 1920s and early ‘30s. Here, the composition of three windows allows for a dramatic setting of illuminated interior against dark night, a juxtaposition the artist identified as “a common visual sensation."”

 

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publicado por bolaseletras às 08:04

Louvre? Prado? Museu Nacional de Arte Antiga, ali às janelas verdes? Dão-se alvíssaras!

Quarta-feira, 08.07.15

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publicado por bolaseletras às 13:45

Não há lugar que a beleza não possa habitar

Quarta-feira, 01.07.15

É isso que me sugerem as transformações do artista Vhils (Aka Alexandre Farto). Mais palavras para quê?

 

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 Rabo de Peixe, Açores

 

 

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 Quinta do Mocho, Loures 

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publicado por bolaseletras às 14:50

Rijksmuseum, Amsterdam

Quinta-feira, 07.05.15

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publicado por bolaseletras às 14:32

Mais cego é aquele que não quer ver

Sábado, 11.04.15

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John Bramblitt será o expoente máximo do inspirador movimento que muito boa gente tem apelidado de “fuga à zona de conforto”. Depois de ter ficado cego já na idade adulta decidiu começar a pintar. Aprendeu a distinguir a cor das tintas sentindo as suas texturas, a aplicar a tinta delineando uma imagem e a usar os dedos para conduzir as pinceladas. Os quadros inspiram-se nas suas experiências da época em que ainda detinha o sentido da visão, mas também em pessoas para as quais bastava sentir os contornos da face com os seus dedos. Se isto não é inspirador não sei o que poderá ser. Fiquem com a arte deste genial pintor.

 

p.s. – O texto foi toscamente adaptado e traduzido daqui: http://www.amusingplanet.com/2015/03/john-bramblitt-blind-painter.html

 

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publicado por bolaseletras às 12:58





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