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O plano

Quinta-feira, 28.12.17

 

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Aproxima-se novamente aquela maravilhosa altura do ano em que os planos de mudança rejubilam nas nossas mentes crentes e nas redes sociais, em que as certezas de que o homem ou a mulher que seremos amanhã será certamente bem melhor e mais preparado do que o que foi no ano prestes a fenecer. Definimos metas irreais crentes na superação do ser, fechamo-nos numa rota única que nos encaminhará para o tão almejado sucesso, encerramo-nos no quadrado dos nossos longínquos sonhos que, estranha e paradoxalmente, não poderiam ser mais limitados. Planeamos e limitamo-nos a esse rumo pré-definido como se não vivêssemos num mundo em constante e imparável mutação/ebulição, desconhecendo que o melhor plano só poderá ser aquele em que dizemos para nós mesmos: vou estar preparado para o desconhecido, vou ser flexível como um elástico para não quebrar ao primeiro desvio de rota. O plano é não ter plano, é gizar um plano a cada segundo, é destruir o plano pelas mãos de um novo plano. O plano é vivermos.

 

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publicado por bolaseletras às 14:55

Obrigado Mónica

Quarta-feira, 29.11.17

 

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É importante estarmos cientes de que o mundo não é um local geralmente aconselhável. Há guerras, há gente que passa fome, grassa a maldade e a inveja pelo sucesso do vizinho. Há miúdos capazes de nos dar um tiro nos cornos para nos roubar os ténis de marca. Há taxistas que chispam ódio dos olhos quando saímos no aeroporto de Lisboa e pedimos que nos deixem ali aos Olivais. Há mulheres que deixam de nos amar por dá cá aquela palha. Há homens que fingem que amam só para terem o privilégio da posse. E depois há, felizmente, a Monica Bellucci, que nos faz esquecer que o mundo pode ser um lugar mal frequentado.

 

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publicado por bolaseletras às 11:45

A negra fonte de luz

Sexta-feira, 03.11.17

 

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Há quem entenda que os dark places são necessários. Há quem só saiba sobreviver na escuridão na posse de uma lanterna, evitando o confronto com as trevas, contornando os incómodos recantos do desconhecido. Aqueles que neles mergulham em busca de algo, ou conduzidos pelo inevitável fluir da corrente contra a qual recusam debater-se, esses habituam-se conscientemente à escuridão que assim deixa de ser tão assustadora. Esse confronto, esse diálogo com as trevas, é a sua fonte de crescimento. A fonte para a sua luz passa a ser a sabedoria apreendida nas outrora assustadoras trevas.

 

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publicado por bolaseletras às 16:35

Isto acaba por fazer algum sentido

Quinta-feira, 02.11.17

 

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Não sou pessoa para grandes citações filosóficas e introspecções religioso-espirituais, mas isto que aqui é dito em cima, se pensarmos bem, pode aplicar-se a praticamente todos os problemas da nossa vida. Desde o drama da condição física periclitante do Fábio Coentrão, à catástrofe dos incêndios florestais, passando pelos dramas dos amores e dos desamores, tudo pode ser analisado e intervencionado à luz das três soluções alternativas propostas. Experimentem e vão ver que uma centelha de luz brilhará lá no fundo. Não me agradeçam a mim, acendam uma velinha a quem mais vos aprouver e reflictam, reflictam...

 

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publicado por bolaseletras às 09:27

Sexta-feira, contra os excessos de energia

Quinta-feira, 26.10.17

  

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Por vezes só queremos mesmo que chegue sexta-feira. Por vezes nem nos apercebemos do cansaço físico e psíquico, de tão envolvidos que estamos nas tarefas, projetos e minudências que nos provocam esse estado. O excesso de desporto e de trabalho, a desmesurada preocupação com tudo e com todos, como se por acaso fossemos nós eventuais Deuses que pudéssemos mudar o rumo do que já está tantas vezes destinado. Por outro lado, esquecemo-nos demasiadas vezes que a energia de quem dá pode provocar atritos em quem recebe, resultando daí que a energia positivamente emitida pode ter efeitos negativos. Sexta-feira, venha ela.

 

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publicado por bolaseletras às 14:27

O sinal

Quarta-feira, 04.10.17

 

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Escrevi o texto seguinte há dois anos. Poderia tê-lo feito hoje, pois no domingo tudo se mantinha igual, no mesmo sítio, como se o tempo tivesse parado. Os rapazes continuam a adorar o ato de depositar o papel na urna (hoje já com maior consciência da importância do mesmo), os velhos continuam velhos, de passo lento e frágil, mas decididos, os seus olhos com o brilho que, creio, acompanha sempre os olhos dos velhos, como se não existissem muito mais razões no mundo para lhes fazer brilhar a alma e iluminar o olhar. No domingo passado não choveu como há dois anos, brilhou sim um sol abrasador, talvez o mais sublime sinal de que a esperança afinal faz sentido.

 

“Alguns anos depois, votar na escola onde fiz o ciclo preparatório (a boa e velha “Fernando Pessoa”, aos Olivais). Ver os meus dois filhos depositarem o voto dos pais nas urnas. Cedo, que com filhos pequenos a preguiça foi encarcerada na urna. É cedo que os nossos velhos vão votar, devagar, passo frágil, mas decidido. Olhos sem brilho, cabisbaixos, como se a esperança definhasse na exacta medida dos jovens que rareiam nas mesas de voto. Os meus filhos radiantes pela nova experiência. A esperança a despontar por entre os pingos da chuva.”

 

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publicado por bolaseletras às 17:18

O mergulho

Terça-feira, 03.10.17

 

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O mergulho para lá da realidade conhecida é sempre um mergulho no escuro. Ponderamos, antecipamos, pesamos os prós e os contras, elaboramos meticulosas análises SWOT, mas nunca conseguiremos prever o que nos aguarda nas coordenadas até então incógnitas, nunca desvendaremos os ditames do destino. O que nos move, nos conduz em direcção à mudança, é a sensação de que o agora e o aqui nos desconsolam. Acreditamos que lá à frente, do outro lado de onde estamos, só pode ser diferente, quase de certeza para melhor. Hesitamos sem saber porquê, conduzidos pelos aborrecidos caminhos que o maldito bom senso nos atravessa na estrada de sonho, enquanto o vento que passa sussurra não ser possível saber se algo que desconhecemos será melhor do que aquilo de que actualmente pretendemos fugir. Este medo pode ser um confortável e cobarde convite ao imobilismo, ou pode ser o que nos move em direcção ao agridoce desconhecido. A decisão de ir ou ficar está sempre em nós, na fibra de que somos feitos.

 

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publicado por bolaseletras às 17:00

Recomeçar, sem nada deixar

Quinta-feira, 28.09.17

 

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Nunca dissera adeus. Em todos os momentos em que tivera que deixar algo ou alguém evitara sempre as despedidas. Não que as receasse, a sua dor, a sensação de perda, mas exactamente o contrário. Para ela nada fica para trás, tudo faz parte da estrada sem fim, tudo é matéria e não matéria que o corpo, a alma e o espírito absorvem naturalmente. Como se o seu ser fosse uma sanguessuga invertida, um parasita no bom sentido, pois a tudo se entregava, tudo possuía com a força da sua tímida mas destemida paixão de viver. A contradição aparente entre a timidez e a paixão eram toda ela. Os extremos habitados por um furacão que dormia nos seus braços de águas cálidas. Nunca olhara para trás. Não precisara. Estava sempre defronte de si, em si, o que já fora. O novo mundo era seu, agora, e na hora em que partisse. Cheirava a mar e a areia molhada. O beijo quente do pôr do sol ofereceu-lhe um sorriso, o primeiro de muitos.

 

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publicado por bolaseletras às 14:46

Cohen, Leonard Cohen (ganhem, por favor e por vocês, estes 5 minutos e meio de vida)

Quarta-feira, 30.08.17

 

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publicado por bolaseletras às 09:35

O regresso

Terça-feira, 29.08.17

 

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Há verões que não voltam, há sensações que se perdem no tempo obscuro das nossas ténues recordações. As escassas semanas que nos concedemos da vida que sonhamos são a amostra da nossa impotência face ao peso da vida que nos verga nos restantes 340 dias do ano. Não haverá soluções e escassas serão as artes mágicas que atenuem a sensação de impotência que comporta o regresso das férias. Talvez vivermos melhor o dia a dia, encararmos as chatices laborais, familiares e escolares como um desafio à nossa capacidade criativa, colocarmos um pouco de magia em tudo aquilo que parece aborrecido e repetitivo, enfrentarmos os rituais diários com um leve sorriso trocista, descobrir-lhes a graça e pincelar-lhes o cinzentismo com o arco-íris que nos ficou dos dias de mar e de sol. Porque não, simplesmente, tirar uns minutos pela manhã para escrever umas parvoíces ou para refletir sobre tudo e sobre nada? Experimentem.

 

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publicado por bolaseletras às 10:23





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