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Madrid

Sábado, 15.04.17

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Abstraindo dos estereótipos dos turistas irritantes, viciados no instagranismo e nas demais parvoeiras digitais que os impedem de mergulhar na vida dos sítios para onde viajam, Madrid é uma cidade fascinante. Esse fascínio reside em boa parte nas ruelas, bares, tabernas, comedoiros e afins que pintalgam a cidade como cogumelos, no ritual de conversar, petiscar e bebericar enquanto o sol aquece a vontade de nada mais fazer que não seja isso mesmo: falar, comer e beber. As hordas de emigrantes e sem abrigo vão sendo controlados e enxotados por polícias musculados para que os ritmos e rituais dos residentes e dos turistas não sejam prejudicados, Madrid sobrevive à força destruidora do turismo de massas e da globalização muito à custa do tinto fresco, da sidra e das cañas que nos embalam em sonhos de uma vida para sempre nas esplanadas das suas ruelas e becos.

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publicado por bolaseletras às 13:09

As notícias sobre a sua morte foram manifestamente exageradas

Quarta-feira, 13.04.16

 

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Há umas semanas fui a Madrid ver o Atlético de Madrid anestesiar e humilhar o Real em pleno Santiago Bernabéu. Horas mais tarde, na noche madrilena, entabulei uma conversa com um espanhol adepto do Real que faz todo o sentido contar hoje, um dia depois de Cristiano Ronaldo explicar ao mundo, mais uma vez, que o Real dos últimos 5 anos é o Real de Cristiano. Bebia eu um descontraído gin com a malta olivalense quando um beto espanhol, daqueles com pinta de duque mal disfarçadamente falido, pelos seus 40 anos, lança um desdenhoso "ah, soys portugués" acompanhado de um sorriso armado ao superior. Olho-o nos olhos e respondo-lhe que sim, mas não daqueles portugueses de bigode e cheiro a suor que eles gostam de glosar. O tipo engole em seco, deixa-se de parvoíces e falamos do que realmente interessa quando a noite vai alta e o vapores etílicos elevados - isso, futebol, puro e duro. Ele diz-me que não compreende como é que tantos madridistas se atrevem a criticar o melhor jogador de sempre que passou pelo Real Madrid, um tipo que marcou mais de 30 golos em cada um dos últimos 5 anos, um "chavalo" que evitou a banalidade certa do Real Madrid, levando invariavelmente a equipa ao colo rumo a goleadas, vitórias e títulos. Sorrio e respondo-lhe que ele sabe a resposta para essas críticas absurdas. Ele abana a cabeça e confirma, baixinho, envergonhado, "Si, porque es portugués". Brindamos, sorrimos, ambos sabendo porque o fazemos, e ele desata a falar da dor que sentiu no Euro 2004, da maravilha que era aquela equipa portuguesa de Rui Costa, Figo, Deco, Cristiano ainda criança, Pauleta, Ricardo Carvalho, Nuno Gomes...Não lhe falo das fantásticas selecções espanholas dos últimos anos, é uma questão de respeito futebolístico, não podia elogiar uma selecção com a matriz de futebol do Barcelona. Despedimo-nos com a certeza de que igual a Cristiano não voltaremos a ver. Recusamo-nos a falar de Messi, sem sequer darmos por isso. Ali falava-se do Real Madrid, de Portugal, do futebol feito paixão de Cristiano, ali não cabia o futebol mecanicamente perfeitinho do gnomo do tiki taka. Cristiano Ronaldo, meus senhores, o melhor jogador português de todos os tempos. Se virá a ser ainda bem mais do que isso esperemos pela História que o há-de contar.

 

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publicado por bolaseletras às 09:34

Holanda 5 - Espanha 1!!!

Sexta-feira, 13.06.14

 

Há um momento do Espanha-Holanda de que ninguém se lembrará daqui a uns dias e que podia inverter toda a história de que agora se fala, do fim do tiki taka, da queda do mito Casillas, do fim do sonho de Sergio Ramos de ganhar a bola de ouro. O resultado está 1-0, David Silva falha o 2-0 com um chapéu defendido in extremis pelo guarda-redes holandês e, poucos minutos depois, Van Persie faz aquele que para mim é o melhor golo-chapéu de cabeça. Casillas não foi à bola nem ficou na baliza, foi mais uma vez apanhado a meio caminho e a Holanda arrancou assim para uma vitória épica.

 

Felizmente este está por ora a ser o campeonato das estrelas, dos avançados, dos grandes jogadores. Neymar, o brinca na areia que é muito mais do que isso, que alia a inteligência ao jogo malandro; Robben, o tipo que dizem que faz sempre a mesma finta, da direita para o meio, da direita para o meio, e que ainda assim quase sempre faz esse golo; Van Persie, que dizem estar velho, com ciática e perto do fim, mas que voa como se as asas não lhe pesassem. Se este campeonato do mundo acabasse agora não acabava nada mal!

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publicado por bolaseletras às 22:17

O mundo está perigoso - A jangada de pedra

Terça-feira, 22.10.13

 

 

«Dois takes seguidos da Lusa mostram que a “Jangada de Pedra” do século XXI se partiu ao meio:

 

“Riqueza das famílias espanholas aumenta 19% e recupera nível antes da crise. Portugal com dívida pública de 124,1% e défice de 6,4% - Eurostat”»

 

Leio este comentário de um amigo jornalista no mural de lamentações que hoje em dia é o facebook e pergunto-me o que falta para que este país se parta, não ao meio, mas em estilhaços. Os espanhóis souberam bater o pé aos fanáticos ideólogos da troika, em Espanha nunca o povo deixou que os fanatismos de economistas casmurros valessem mais do que o medo de não serem financiados. Muitos pensam que os nossos governantes não têm alternativa, se a troika manda há que pôr a cabecinha entre as orelhas e obedecer cegamente. Mas será que esta gente pensa que interessa à troika deixar o país cair? Mas será que é preciso ser um génio para perceber que os constantes cortes nos ordenados, pensões, o diabo a sete, nunca resultarão numa descida de despesa proporcional, ou sequer semelhante, ao que se perderá em receita, em consumo interno? Não é preciso ser-se génio, basta não se ser uma combinação manhosa de rapazolas amedrontados e impreparados.

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publicado por bolaseletras às 17:40

Arturo Pérez-Reverte

Terça-feira, 09.08.11

 

 

Nada lera até hoje de Arturo Pérez-Reverte, o que parecendo uma falta grave é, na minha perspectiva egoísta, uma enorme alegria. Não porque o escritor espanhol desmerecesse o meu tempo e dedicação de leitor, mas, precisamente ao contrário, porque descobri um universo literário que estou convencido muito prazer me irá proporcionar de futuro. Muitos dizem que com “O Assédio” Pérez-Reverte atingiu o pico da sua genialidade, posso apenas confirmar que ainda não tendo chegado a meio do livro, este será dos mais bem escritos e delineados livros que já li. Acreditem que não é de ânimo leve que faço estas afirmações, é mesmo fascinado por uma história fabulosamente contada, por me deparar com personagens com uma densidade psicológica que há muito não tinha o prazer de encontrar, por sentir que as reflexões sobre a condição humana que pairam como nevoeiro nos parágrafos de “O Assédio” não são forçadas, mas sim naturais consequências das acções e omissões, das vergonhas e dos actos heróicos de um inesquecível caleidoscópio de homens e mulheres.

 

Não vou debruçar-me muito sobre quem é Pérez-Reverte, não vos maçando mas também não vos poupando uma visita ao Google e à Wikipedia (nos dias de hoje, parece que toda a sabedoria por lá anda, o chamado conhecimento na hora que se fosse uma cadeia de hambúrgueres se poderia chamar fast knowledge). Para conhecer o homem e as suas ideias sem o filtro da subjectividade humana, fui ler algumas entrevistas do escritor. Ficam aqui algumas das ideias que creio confirmam estarmos perante um homem de convicções, sem mordaças na boca e de espírito crítico bem aguçado – meio caminho andado para a boa literatura.

 

 

 

"La clase política de España y de Europa en general, no está a la altura de las circunstancias".

 

“Un político ignorante, como hemos tenido ministros de Cultura y de Educación con un nivel cultural muy bajo, se torna peligroso. Son técnicos, pero con base muy poco sólida. Mi miedo siempre es que la ignorancia unida al poder político, y la incultura unida a la incapacidad de legislar, produce efectos devastadores.”

 

“Mi impresión es que el siglo XX fue el siglo de la esperanza, donde había revoluciones por hacer, había cambios por intentar, victorias por conseguir, luchas por librar, pero esa esperanza fue derrotada. La segunda mitad del siglo XX y el principio del siglo XXI, ha sido la derrota de las grandes ideas que podrían haber trazado un horizonte más digno para la sociedad. Hemos perdido la batalla, somos siervos de un sistema que nos controla y nos asfixia, por eso me temo que ahora cuando hablan de movimiento, revolución, de sublevaciones, el asunto es que ya no es posible hacer una sublevación ideológica. No hay ninguna ideología que mueva a los oprimidos, a los pobres, a los parias de la tierra. La revolución de ahora solo puede ser la de la desesperación, la del rencor, la del ajustar cuentas. De darse una será mucho más brutal, porque no aspira a cambiar la sociedad, sino que aspira a vengarse.”

 

E para terminar, nas palavras infra de Pérez-Reverte sobre a situação política actual de Espanha, substituam por favor o pós-franquismo pelo pós-25 de Abril e a Espanha real pelo Portugal real. Se encontrarem alguma diferença digam-me por favor, só para ver se sou eu que ando distraído:

“A los políticos de ideología, con impulso, con ganas de transformar la sociedad que vivimos en el posfranquismo, la ha rebasado una casta política desvinculada de la realidad y que se han convertido en una especie de "funcionarios" de la política con muy poco contacto con la vida real, que no han trabajado nunca, que nunca han tenido un trabajo normal, que han entrado de jóvenes en el partido político y están divorciados de la realidad social, de la España real. Ese divorcio, entre casta política y la España real, es lo que ha provocado los problemas de los últimos años que se refleja en cultura, en sociedad, en todo.”

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publicado por bolaseletras às 15:25





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