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Kiko, 5 anos de ti

Segunda-feira, 17.04.17

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Cinco anos do boss baby Kiko Almeida. Energia sem fim, mimo interminável nos intervalos da curiosidade em forma de incessante movimento, lábios abertos, cicatrizes várias, os indesmentíveis sinais de que parar é morrer. Estes 5 anos não seriam os mesmos sem o mano Miguel, objecto de amor incondicional e de lutas sem fim, mas sem dúvida a melhor prenda que a vida e os pais lhe deram. Obrigado Kiko, vamos agora desacelerar um bocadinho meu diabinho adorável, ainda faltam umas décadas para devorar a vida toda até ao tutano, acredita que tudo não acaba amanhã. Enjoy the ride!

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publicado por bolaseletras às 16:02

Curiosity killed the cat

Terça-feira, 25.10.16

 

Igor Koshelev_2010.png

 Fotografia por Igor Koshelev

 

Sim, chegou aquela fase em que não há tempo para grandes dissertações, asserções e outras ões que tais aqui pela tasca, pelo que há o risco iminente da coisa dar para a parvoíce. O conteúdo da imagem acima é tonto, não parece fazer de todo sentido. Contudo, a estética de uma estranha e quase bucólica cena do quotidiano familiar destes dois jovens tem algo de fascinante. O homem ocupa o tradicional papel da mulher (a preocupação com as coisas práticas da vida) e a mulher tomou de assalto as preocupações, senão mais existenciais, pelo menos mais prazeirosas do mundo terreno. Quer dizer, se o resultado da refeição for supimpa e o que se adivinha que resulte da curiosidade da mulher for desastroso poderá o prazer encontrar-se entre as papilas gustativas e não mais abaixo, onde dizem que reside o Santo Graal da existência. If you know what I mean.

 

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publicado por bolaseletras às 17:20

Histórias da Carochinha

Quinta-feira, 22.09.16

 

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É um fenómeno a que assisto com um misto de estupefacção e incredulidade este de testemunhar a estupefacção e incredulidade de tanta boa gente surpreendida, magoada, desiludida, descrente na felicidade humana e na vitória do verdadeiro amor, sempre que há o desquite de um casal famoso que estava junto há mais de meia dúzia de anos. Sejamos curtos e grossos, tenhamos dois dedos de testa: quantos casais com os bolsos recheados de milhões viveram felizes para sempre (não vale casamentos de fachada), sem facadas consecutivas na prometida fidelidade, sem segredos inconfessáveis, sem desvios desviantes da estrada da harmonia conjugal? O dinheiro traz tentações, a tentação pulsa debaixo da pele, a natureza humana lida mal com a obrigação moral de se permanecer sentado num banquinho no centro de um infindável parque de diversões. A Angelina não é uma santa e o Brad tem pinta de tudo menos de menino de coro, mas o sonho do amor-perfeito vive nas cabecinhas e corações de tanto espectador sequioso de finais felizes. Não há histórias com finais felizes, minhas amigas e meus amigos, há apenas histórias que ainda não acabaram.

 

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publicado por bolaseletras às 12:11

Weekend!

Sexta-feira, 09.09.16

 

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Chega a sexta-feira e as gentes rejubilam! Intrigo-me eu e o universo pelos motivos de tanto júbilo e contagiante excitação. Vai a maralha arrasar as pistas de dança da capital da moda, escalar montanhas longínquas, fugir para uma ilha deserta e copular que nem martas? Ou será que esta loucura é apenas uma fuga à neurótica rotina semanal do trabalhinho, da corrida trabalho casa-casa trabalho, lava roupa, seca roupa, passa roupa, enche a barriga dos putos, deita-os aos berros, levanta-os cedo demais, corre para o trabalho, sprinta para casa, etc. e tal? Sim, interrompem-se cinco dias que não são o sonho de uma vida mas não se chega, nessas 48 horas que se seguem, aos píncaros que conduzem àquelas fotos incríveis no Instagram, escasseia o material e a vida que permita encher o facebook de pérolas que despoletem a inveja dos amigos que tanto adoramos e a quem tanto queremos mostrar o quão felizes, viajados e dinâmicos somos. Na melhor das hipóteses, compras no shopping, uma almoçarada em família/amigos com putos aos berros e demasiado cheiro a fumo, mais tarde ver a bola pelo meio de umas cervejolas e a coisa lá se vai compondo. Não, não exagero, pessoal, é mais ou menos isto, para quem tem prole não fugirá muito disto. O segredo é a forma como vivemos tudo isso, como nos rimos de tanta piroseira, como contornamos o que tende a cristalizar-se, como encontramos escapes que não nos deixem cair nessa outra rotina. A luta é constante, não há forma de lhe escapar. Boa sorte!

 

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publicado por bolaseletras às 11:11

7 anos do pequeno Miguel

Quinta-feira, 30.06.16

 

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Há alguns anos que assinalo aqui o aniversário dos meus dois petizes com textos mais ou menos lamechas, em jeito de retrospetiva sobre o que é isto de ter filhos e, sobretudo, de ser pai. Mais do que um texto para memória futura (imagino-os a ler isto com 20 anos e a rirem-se na minha cara, mas a vida é assim) acho que o faço, se calhar inconscientemente – até agora, momento em que poderei ter ganho um bocadinho de consciência sobre a razão do assinalar destes dias – como forma de refletir sobre esta gloriosa e nobre missão que é ser pai, educar e, sobretudo, não estilhaçar os sonhos futuros de jovens crianças. O que posso dizer sobre o meu pequeno Miguel que hoje faz 7 anos? Que foi com ele que aprendi um novo conceito de amor, aquele que nasce de uma sensação de ligação carnal (o coração é feito de carne) a um pequeno ser sem vontade própria, sem defesa, envolto naquela aura de fragilidade que é o cúmulo da inocência. Ao longo destes 7 anos acho que o maior esforço foi tentar perceber o ser que se foi desenvolvendo, a sua personalidade em construção, o peso certo entre o ralhete e o mimo, sem estragar nem para um lado nem para o outro. Ah, e fundamental, fazer isto abdicando de muitos dos hábitos de vida que tinha sem abdicar da minha felicidade e realização própria, mas integrando nesse novo ciclo novas formas de felicidade e de realização. O Miguel cresceu, venceu boa parte da sua timidez natural, surpreendeu muita gente em certos pontos da sua evolução (quase sempre no sentido positivo do que significa crescer) e não desiste de dar sempre um passo mais à frente, mais acima. Pai babado, eu? Acho que sou mais um pai feliz porque quase sempre o vejo feliz, creio que não preciso de muito mais do que isso. Parabéns Miquinhas, obrigado por tudo, obrigado por 7 anos de amor incondicional.

 

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publicado por bolaseletras às 09:15

Enquanto isso, no Europeu

Domingo, 12.06.16

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A família foi visitar a família emigrada e eu, não obstante a falta que me faz a ausência de horas de sono e sossego (sim, é incrível, ainda assim tenho saudades) agradeço terem-me deixado só com uma das minhas maiores paixões: um europeu de futebol. Para a coisa não se tornar enfadonha, resumo estes 3 primeiros dias de torneio - muito prometedores, na minha opinião - da seguinte forma. Com o pontapé de arranque percebemos que a França não é o papão dos outros anos (aqueles centrais, aqueles 3 excelentes médios demasiado semelhantes), mas que com a redenção de Payet tudo será possível. Um jogo de futebol não é mais importante do que a vida mas a saga dos gémeos Xakha que se defrontaram no Albânia - Suíça confirmam que o futebol é a própria vida. Bale é Gales e Gales é Bale. Está por fazer uma tese de doutoramento que explique ao detalhe o efeito da cerveja nos neurónios dos ingleses. Está por perceber como é que na cidade sob maior risco de violência, Marselha, a polícia não deu por 300 russos que se juntaram para espancar ingleses alcoolizados. Ah, claro, e a Inglaterra não desiludiu as certezas de que ia desiludir na estreia. A Croácia tem técnica para dar e vender mas tudo isso se podia resumir em 6 letrinhas: M-O-D-R-I-C. O pior jogo foi o Polónia vs Irlanda do Norte, a vontade dos homens de verde por muita que seja não chega e põe-nos a pensar sobre esta modernice das 24 selecções. Para acabar, o Alemanha vs Ucrânia. E é mesmo isso, tudo tem alguma emoção até aparecer a Alemanha, porque o futebol são 11 contra 11, mas com estes 11 rapazes dificilmente a Alemanha não repetirá o título de campeã da Europa. Disfrutemos até lá, pode até ser que eu esteja enganado.

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publicado por bolaseletras às 21:56

Kiko - 4 anos de encantamento

Domingo, 17.04.16

  

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Uma velhota cumprira há pouco o seu ritual matinal de espalhar na relva alguns bocados de pão para alimentar os pombos da vizinhança. O Francisco, louco pela natureza e os bichos que a povoam, parou e esteve alguns minutos a observar os pombos a debicar os pedaços de pão. Faz hoje 4 anos que é assim, o pequeno Kiko passa os dias a encantar-se com tudo o que mexe e, se não mexe, é garantido que ele vai encontrar maneira de pôr a coisa a mexer. Desde as cascas de caracóis vazias que ele adora apanhar nos canaviais da praia e despedaçar sob as solas dos ténis, aos cães que abraça indiscriminadamente (vá lá que começou a respeitar mais aqueles cães que acusa de serem tímidos e não lhe darem grandes sorrisos…), aos seus amigos melros (todos os melros que existem no nundo são amigos dele, onde quer que seja, não me perguntem porquê), aos bichos de conta que adora ver rolar por tudo o que é ribanceira. Eu sei que os nossos miúdos são sempre os mais engraçados, únicos e amorosos do mundo, eu sei. O Kiko não é nada disto, é um pouco para além disso tudo…como costuma dizer uma das avós, o Kiko é “alma velha”, porque parece já saber tudo, porque as suas reacções tantas vezes deixam perceber que ele já sabe muito bem o que esperamos ou não esperamos dele. Por isso mesmo faz sempre os possíveis por nos surpreender. Parabéns Kiko, embora eu saiba que quando não estás para aí virado chamar-te Kiko dará inevitavelmente origem à irascível resposta “Eu não sou Kiko, eu sou Francisco Almeida”! Parabéns e obrigado por tudo o que não páras de me dar, meu querido filho. Que tudo o que te faz feliz, tudo o que o mundo e a vida te dão, não deixe nunca de te encantar.

 

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publicado por bolaseletras às 10:26

Obrigado Miguel!

Segunda-feira, 25.01.16

  

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Tenho uma admiração ancestral e irracional pelo Miguel Esteves Cardoso. Ancestral porque comecei a ler a sério com o que ele escrevia pelo “Independente”, crónicas, e até alguns livros. Irracional porque o Miguel me irrita profundamente, pois por mais genialidade que encontre em alguns dos seus textos (e nos últimos tempos o seu génio revela-se na simplicidade do que escreve e nos oferece) nunca deixo de pensar que o Miguel podia ir ainda mais longe, mais fundo, dar-nos mais, dar-nos ainda mais diferente e mais brilhante, revelar-nos o que raros pensadores conseguem – colocar-nos diante dos olhos e no cerne do nosso ser pensante aquilo que realmente nos abana e mexe connosco. Neste texto de há uns dias, o Miguel, procurando oferecer um miminho às suas duas filhas aniversariantes, explica-nos sem nos explicar, em poucas palavras, o mistério maravilhoso que é ser pai e o mistério não menos maravilhoso, mas envolto em dualidades que insistimos em esquecer (porque agora somos sobretudo pais) do que é ser filho. Obrigado Miguel, desta vez chegaste lá, com uma simplicidade desarmante, sem rodriguinhos nem palavras a mais.

 

“Desde o dia em que nasceram amo incondicionalmente a Sara e a Tristana que hoje fazem anos.

Simplifica-se muito quando se diz que se amam os filhos mal se olha para eles. Assim o mérito parece todo dos pais: são eles que amam mesmo quando os bebés, oportunistas, apenas têm uma vaga ideia que precisam dos pais.

A verdade é muito mais bonita. A verdade é que os pais amam os filhos porque se apaixonam por eles porque os filhos fazem-se amar, tornando-se irresistíveis.

Os filhos desapaixonam-se dos pais. No princípio os pais são as únicas pessoas no mundo; depois são, brevemente, as melhores. Segue-se uma lenta desilusão que, com a adolescência, dói como um barrete de um bebé enfiado à força na cabeça de um vil guerrilheiro de treze anos.

Depois, se nos portarmos bem e tivermos sorte, lá se reconciliam a amar-nos, muito teoricamente, com muitos protestos e poucas demonstrações.

Já os pais, à medida que vão conhecendo as pessoas que são os filhos, tanto se podem apaixonar como desapaixonar-se. Depende dos filhos. A verdade da vida, quase nunca dita, é esta: a culpa é dos filhos.

Eu sou muito mais pai da Sara e da Tristana do que elas são minhas filhas. Não é tanto o substantivo como o pronome. E amo-as muito mais do que elas me amam - mas só porque é impossível amá-las menos. Pelas pessoas que são. Cada vez mais me apaixonam mais.

Embora elas também sejam - é preciso dizê-lo - as melhores filhas que algum pai de merda já teve.”

 

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publicado por bolaseletras às 10:52

2016, aqui vamos nós!

Sexta-feira, 01.01.16

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Começo o ano com os meus filhos a olharem o horizonte, sem medos, com fome de viver e saber, imbuídos de uma esperança que não se explica, crentes de que o dia de amanhã será um dia com risos de pura felicidade. Para além disso hão-de chorar, enfrentar injustiças, conhecer o mal que não conseguimos erradicar do mundo, mas os risos, o amor e a fome de vida e de felicidade hão-de sobrepor-se a tudo isso. Que eu saiba transmitir-vos a sabedoria de encarar a vida com um sorriso nos lábios, meus príncipes. Venha 2016!

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publicado por bolaseletras às 12:05

Sinais

Segunda-feira, 02.11.15

  

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   Jean-Philippe Charbonnier, "Lovers", Paris 1950s 

 

Não basta um amor e uma cabana mas também não são precisos palácios para passear o amor. Vem isto a propósito do bom e velho ditado “casa onde não há pão toda a gente ralha e ninguém tem razão”. Sim, anda por aí muito boa gente que insiste em desgastar a relação porque a tão propalada crise mingou ainda mais as migalhas que sobravam da refeição, pelo que sem dinheirinho o sorriso esmorece, que é como quem diz “sem mãozinhas não se fazem bolinhos” ou “sem moedinhas não há cá pão para malucos”. Sou rapaz para compreender que um casal, uma família, dois pombinhos a começarem a vida em comum discutam porque o dinheiro falta, porque há opções a ser feitas, cortes com que avançar, luxos ou hábitos a meter na gaveta (não esquecer de esconder a chave, malditas tentações). O problema não é tanto da falta de dinheiro, permitam-me dizer, mas sim de nos termos habituado a viver com comodidades com que já não sabemos não viver (Internet, pacotes de séries e filmes, carripana renovada de poucos em poucos anos, roupinha da moda, móveis de bom design, restaurantes, brunchs, lanchinhos na esplanada, etc. e tal). Depois, há outro problema em paralelo: o que antes era uma aliança para combater os problemas em equipa e um ombro para apoio, é agora visto como fonte de divergências e interesses contraditórios. A família, esse núcleo duro que enfrentava tempestades com um sorriso nos lábios, treme agora ao mais mínimo sopro do lobo mau, como se mais não fosse que um frágil casebre de palha. Não foram os tempos que mudaram, foi a têmpera e a fibra das pessoas e, consequentemente, dos núcleos familiares, que definhou. Devíamos passar a dizer menos “sinais dos tempos” e a perceber que estes são mais “sinais das pessoas”.

 

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publicado por bolaseletras às 13:49





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