Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]


Coelhinhos e coelhinhas

Quarta-feira, 12.04.17

Z_Kate Moss.jpg

 

Ainda me lembro de quando a época Pascal rimava com carestia e penitência, em que se abdicava dos prazeres da carne e se privilegiava refeições em que o peixe mandava na mesa (o que estavam a pensar, seus pecadores?) e se reflectia sobre os pecados cometidos, preparando a alma para a temida presença junto do prior no confessionário. Sim, eram assim os tempos da adolescência e juventude pascal para um jovem nos finais dos anos 80/inícios de 90 que consumia catequese, que não vivia alienado por tablets e por séries televisivas, e para quem o Santo Graal da existência era sinónimo de trepar árvores com os amigos e perseguir uma bola e canelas alheias até ao sol se deitar. Hoje a Páscoa são escapadinhas à neve, viagens para terras onde o sol ofuscou as penitências e reflexões pascais, apenas mais uma pausa na rotina do casa-trabalho / trabalho-casa. Valha-nos a boa e eterna Kate Moss, para nos lembrar que a Páscoa não são só coelhinhos de chocolate mas também coelhinhas de boas carnes e suculentos ossinhos. Fiquemo-nos com a primeira parte do post para refletirmos sobre o que andamos a fazer com as nossas tradições, passando logo a seguir para a descompressão KateMossiana que nos ajuda a aliviar o peso de em permanência buscarmos o sentido da vida.

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado por bolaseletras às 10:39

Da passagem do tempo e da vontade de o festejar

Terça-feira, 10.01.17

  

z_party 2.jpg

 

Sempre adorei as festas dos outros. Aniversários, casamentos, despedidas de solteiro, tudo o que envolvesse convívio bravo, aberto e fraterno, com boa comida e melhor bebida. Já no que toca a festejar o meu aniversário com pompa e circunstância já não o faço aí desde os 16 aninhos. Casamentos então nem vê-los, que eu gosto de arroz no cabelo mas é dos outros. Isto a propósito de mais um aniversário que amanhã chega e que conto passar discretamente, sem festividades nem grandes alaridos. Sempre fui dizendo que sou assim porque não gosto de palmadinhas nas costas em demasia nem de ser o centro das atenções. Não será defeito, talvez apenas feitio. Mas os anos passam e o auto-conhecimento das razões que pensávamos bem sabidas aprofunda-se. Será que a idade a avançar piora ainda mais esta má relação que tenho com os meus aniversários, mesmo que inconscientemente? Sim, é possível. Se há 30 anos um aniversário era promessa de mais uns centímetros, se há 25 era esperança de mais liberdade (isso, chegar mais tarde a casa), há 20 já a coisa piava mais fino, pois o peso da responsabilidade já amachucava e me entregava ao mundo. Hoje vejo mais além e, lá à frente, não vejo mais centímetros ou mais liberdade, mas sinto ainda mais o peso da responsabilidade agora que tenho que zelar pelo sono e pelos sonhos dos meus filhos. É mau, isso? Não, é o que é e o que tem que ser, e pode ser encarado com um sorriso nos lábios. Só não me peçam para lançar serpentinas, explodir com garrafas de champanhe e apagar velinhas. O que é demais é demais. Já agora, obrigado aos que me aturam vai para uma data de anos, alguns deles, pobres coitados, fará amanhã 42 anos. Beijos e abraços que amanhã a tasca está fechada, não para luto mas para profunda reflexão (ou para por o sono em dia).

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado por bolaseletras às 14:47

Aqui vou eu para a Costa, aqui vou eu cheio de pica...

Quinta-feira, 16.06.16

  

tijolo.jpg

 

Há momentos em que me recordo intensamente dos doces tempos de juventude em que tudo era leve e em que a palavra “responsabilidade” pertencia a um mundo longínquo, lá longe, aquele planeta estranho em que os adultos viviam ensarilhados. Lembro-me de sair às 8h da manhã com os amigos, apanhar o autocarro 28 até ao barco que nos levaria à Trafaria, depois a pé com as mochilas, o tijolo a bombar, em direcção ao dolce fare niente de S. João da Caparica. Nestes dias em que o tempo para tudo é quase nada dava tudo por um dia de papo para o ar na praia de S. João, entrecortado pelos mergulhos e as carreirinhas na água gelada da Costa, pelas intermináveis peladinhas na areia da maré baixa. Those were the fucking days.

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado por bolaseletras às 12:08

A falta que me faz o tempo em que o tempo não me fazia falta

Quarta-feira, 27.01.16

     

1.jpg

 

Nota para memória futura: convencer os meus filhos daqui a uns aninhos, inicialmente com argumentos lógicos e facilmente assimiláveis por jovens imberbes e inconscientes, depois, se necessário, com gritos desesperados e lancinantes embrulhados em chantagens tonitruantes (tudo a vosso bem, meus queridos rapazes) que a melhor forma de preencher os tempos mortos em que passam o tempo a martirizar-se com as grandes angústias da adolescência ou a carpir mágoas pelos amores correspondidos e pelos desamores (*#)odidos, é ler, ler sem parar, encher a cabeça de histórias, ideias, de combustível para o cérebro e para a acção bem fundamentada. Não quero que cheguem à vetusta idade do vosso pobre pai com a triste convicção de que ficaram tantos livros por ler, não por falta de tempo mas por completa estupidez no preenchimento dos vazios de tempo que deixou escorrer por entre os dedos. Isto não é por mal, rapazes, é só porque gosto de vocês acima de tudo. Vejam lá isso.

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado por bolaseletras às 15:33

O regresso da poesia - Saudade

Sexta-feira, 11.09.15

saudade.jpg

Na adolescência escrevia poemas com a frequência com que o Jardel metia a redondinha lá onde a coruja dorme. A juventude chegou e isso da poesia perdeu espaço para as coisas práticas da vida (copos, miúdas, copos e miúdas). A capa de gajo sensível que as moçoilas sempre apreciaram em mim (aquelas que valiam a pena) foi perdendo brilho à medida que os genes olivalenses ganhavam força, que macho que é macho anda lá agora a escrever parvoíces em forma de verso. Hoje, ainda longe da fase da vida Mário Soares “Estou-me a cagar para o que digo e para o que pensam do que eu digo”, terá chegado a altura de voltar atrás no tempo e, talvez, quem sabe, voltar a ser um pouco mais do que realmente sou. O que ontem foi um texto sobre a saudade, floriu e desabrochou num poema de saudade. Nunca é tarde para voltarmos a ser adolescentes, nunca é tarde para um poema.

 

Dizem que a saudade não se traduz

que a língua inglesa a desconhece

que é só nossa

esta ausência indefinível

esta dor sem cheiro.

Dói quem a vida nos abandonou

dói quem fica mas para sempre se perdeu.

 

Tenho saudades de tudo.

Dos dias sugados a jogar à bola na rua

dos amigos dispersos para lá dos oceanos

dos beijos que não dei

dos que dei e são já passado.

Saudade é bradar ao vento que o que hoje temos não chega

o que hoje se esvai só

nos lega o vazio

o que recebemos é sempre menos do que ontem tivemos.

Somos um povo estranho

marinheiros perdidos na inconsciência desta lusitana maldição.

 

Saudade é ser Verão todo o ano

sentir as memórias do sal a beijar o corpo

a espuma do mar a secar-nos na pele.

Saudade é impedir que os caminhos da memória

esbarrem numa parede nua e fria

é esgotar as palavras que estavam por dizer ou inventar

é deixar as memórias no lume brando da fogueira

que conforta as noites frias.

 

Tenho saudades dos joelhos esfolados na gravilha

dos beijos que dei ou que apenas sonhei.

 

O que somos é feito do passado que tecemos.

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado por bolaseletras às 15:30

"People are Strange" - The Doors

Sexta-feira, 24.07.15

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado por bolaseletras às 09:51

Dificilmente não são a melhor banda do universo e arredores, dificilmente esta não é a melhor canção de todos os tempos

Sexta-feira, 24.07.15

z_dificilmente não  são a melhor banda do univer

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado por bolaseletras às 09:49

A flor desperdiçada da juventude?

Segunda-feira, 13.07.15

z_juventude.jpg

Passava os olhos por um qualquer blog desses armados ao sério e com profundas raízes na pseudo-intelectualidade das coisas que são tão mais simples do que aparentam, que acabei por me enredar num emaranhado de teias de letras pelo que, inevitavelmente, acabei a interrogar-me sobre a justeza de uma reflexão que por lá brotava. Queixava-se o autor do desperdício que é viver a juventude, fase da existência em que a força brutal inspirada pela fome de viver é tanta, mas tanta que se torna inglório não saber para e como direcionar tanta energia indomável. Isto faz todo o sentido quando mais tarde olhamos para trás e percebemos o que andámos a fazer com toda aquela tesão pela vida que nos consumia. Ainda assim, quero acreditar que se tivéssemos o discernimento e a maturidade para utilizarmos da melhor forma essa potência descontrolada, rapidamente nos tornaríamos em adultos felizes, depois realizados, depois estabilizados e, lenta e inelutavelmente, em adultos consumados e aborrecidos. Nem tudo o que parece é, nem tudo o que deveria ser é realmente o melhor.

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado por bolaseletras às 11:46

Super preocupações

Quarta-feira, 24.06.15

 z_cap Am_por Martin Beck.jpg

Anda por aí uma torrente de textos, técnicos e menos técnicos, escritos por pediatras de renome a psicólogos de excelência, que nos falam dos inomináveis perigos e das terríveis consequências de colocarmos demasiada pressão sobre os ombros dos nossos petizes, da violência que é a excessiva preocupação parental com o sucesso académico e profissional vindouro dos seus diamantes. É verdade, a voracidade do que a sociedade nos pede pode ser asfixiante e de tanto querermos o melhor para os rebentos arriscamo-nos a rebentar com eles. E a culpa é só nossa e da sociedade? Então e os super-heróis modelares, perfeitos, irrepreensíveis que lhes são impostos na televisão, nos livros, no cinema, nos posters, nos bonecos com que os inundamos? Que tal se lhes fosse conhecido um defeito, umas fitas à hora de levantar, uma vergonhosa aversão por leguminosas e uma porção de medos profundos e receios injustificados? Que tal se essa malta cheia de super-poderes fosse mais de carne e osso e menos de ferro e Kryptonite, hum? Como tudo na vida, a receita pode até ser mais simples do que à partida parece. Vejam lá isso.

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado por bolaseletras às 12:32

Da poesia e da falta dela

Quarta-feira, 20.05.15

Louis Faurer, Looking Toward RCA Building at Rocke

  Fotografia por Louis Faurer - "Looking Toward RCA Building at Rockefeller Center, New York City, 1949"

 

Há anos que não escrevo um poema porque nem todos os anos são anos de escrever poemas. Os poemas nascem do encantamento ou da dor original, dos nossos olhos brilharem com o primeiro amor, do primeiro sangramento que a vida nos inflige. Paixão e traição, por mais cinematográficas que sejam, são a realidade que perpassa pelo descerrar de olhos lento, maravilhado, mas tantas vezes agonizante que é a montanha russa da adolescência e da tenra mas não tão terna juventude. De repente, sem prévia preparação do corpo e da alma, tudo muda, os dramas dissipam-se e aquelas curtas ou longas-metragens mirabolantes de cores mil fundem-se numa só cor, tantas vezes cinzenta, demasiadas vezes apenas preta ou branca. O estado adulto, aquele em que a crua responsabilidade substitui os sonhos indomáveis, mata a poesia. Não tem que ser assim, mas é muito fácil que se nos distrairmos venha efectivamente a ser assim. Vejam lá isso.

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado por bolaseletras às 18:08





mais sobre mim

foto do autor




Flag counter (desde 15-06-2010)

free counters



links

Best of the best - Imperdíveis

Bola, livres directos & foras de jogo

Favoritos - Segunda vaga

Cool, chique & trendy

Livros, letras & afins

Cinema, fitas & curtas

Radio & Grafonolas

Top disco do Miguelinho

Política, asfixias & liberdades

Justiça & Direito

Media, jornais & pasquins

Fora de portas, estrangeirices & resto do mundo

Mulheres, amor & sexo

Humor, sorrisos & gargalhadas

Tintos, brancos & verdes

Restaurantes, tascas & petiscos

Cartoons, BD e artes várias

Fotografia & olhares

Pais & Filhos


arquivos

  1. 2017
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2016
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2015
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2014
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2013
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2012
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2011
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D
  92. 2010
  93. J
  94. F
  95. M
  96. A
  97. M
  98. J
  99. J
  100. A
  101. S
  102. O
  103. N
  104. D
  105. 2009
  106. J
  107. F
  108. M
  109. A
  110. M
  111. J
  112. J
  113. A
  114. S
  115. O
  116. N
  117. D
  118. 2008
  119. J
  120. F
  121. M
  122. A
  123. M
  124. J
  125. J
  126. A
  127. S
  128. O
  129. N
  130. D

pesquisar

Pesquisar no Blog