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Até ao dia

Quinta-feira, 18.05.17

 

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Hoje, bem cedo pela manhã, o sol, o rio com o brilho único que lhe empresta o astro rei, o vento a bater na face, nada a pensar, só pedalar, mais vento, o rio calmo e aconchegado na modorra daquele calor morno. Nunca temos tempo para nada, alegamos em defesa da nossa vida sedentária. Até ao dia em que decidimos que queremos mesmo ter tempo. Vejam lá isso!

 

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publicado por bolaseletras às 10:02

A cidade onde o café melhor sabe

Terça-feira, 22.11.16

  

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Não conheço o livro, não conheço a Marina, mas conheço bem o prazer de beber cafés pelos cafés de Lisboa. Esplanadas, estabelecimentos clássicos, tascas, botequins de bairro, quiosques sob a sombra de frondosas árvores, o sabor único dos grãos nem doces nem amargos, o cheiro que nos acorda antes sequer de as papilas se deixarem acordar pelo estímulo da cafeína. Há milhares de coisas mal neste país, mas começar o dia com um café num qualquer café desta cidade única dá-nos força para derrubar, desde logo, umas centenas de entraves e tornar o dia em algo prometedor. Não sou apologista que o café se beba em casa, no conforto artificial de uma qualquer máquina Nespresso. Mas, se tiver que ser, e nunca esquecer que o que tem que ser tem muita força, que o façam por uma boa razão, grão a grão…

 

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publicado por bolaseletras às 10:05

Uma noite em Lisboa

Terça-feira, 17.05.16

  

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A literatura de aeroporto tende a ser associada a literatura de nível duvidoso, aquela que compramos à pressa para passar o tempo e que esperamos não reúna qualidades que nos desgastem demasiado as meninges. Não foi disso que fui em busca quando comprei o livro "Uma noite em Lisboa", perdido numa estante da Fnac do aeroporto da Portela, mas também não procurava nenhum tratado sobre a condição humana. O título despertou-me a atenção, a curta descrição que a badana fez do autor, o alemão Erich Maria Remarque, que humildemente confesso nunca ter lido, fez-me sacar a nota do bolso. Introduz a badana que o autor "Nasceu a 22 de Junho de 1898 para se vir a tornar num dos mais importantes escritores do século  XX. Banido pelos nazis por ser alegadamente descendente de judeus franceses, viu os seus livros serem atirados para a fogueira e foi exilado em 1933 sob acusação de fazer propaganda contra o nacionalismo alemão".

Não sei se o autor foi um grande escritor do século passado (bom, do que já li posso afirmar que não envergonha os melhores), sei que alguém que foi inimigo do nazismo e a ele sobreviveu deve valer a pena ler. Pelo menos, como eu,  apaixonou-se por Lisboa:

 

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publicado por bolaseletras às 09:52

Meus bons e velhos Olivais

Quinta-feira, 24.03.16

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O DN fez um belíssimo esforço para mostrar um pouco do que se encerra por trás da lenda desta terra mítica que são os Olivais. A ideia arquitectónica e social que esteve na origem das ruas largas, com passeios para as pessoas e não para os carros, o verde das árvores e da relva a temperar o betão da estrada e o cimento dos prédios. Hoje a crise limita a água que nos dava aquele cheiro único da relva molhada dos Olivais, os miúdos que brincam nos generosos jardins, pátios e praças públicas são em muito menor número do que nos meus tempos de meninice. Hoje há mais velhos, menos agitação e o verde não é tão frondoso, nos Olivais. Mas não é assim no país todo? A ideia vingou, os que a beberam e dela viveram há 20, 30 ou 40 anos atrás recordam esses ideais com saudade e passam a palavra. Como eu passo aos meus filhos que são muito mais felizes desde que regressei a esta minha eterna casa. I love you, Olivais do meu coração!

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publicado por bolaseletras às 09:52

Ai Mouraria!

Domingo, 17.01.16

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Vagueio pela mouraria, pelo meio de velhotes imóveis, velhotas em amena cavaqueira nas soleiras das portas sempre abertas, por entre paquistaneses, indianos, chineses, ucranianos embriagados mas sorridentes. O ambiente é o de um bairro multicultural, sem sombra das lendas de perigos fantasmagóricos que as diferentes cores e culturas instigam a tanto lisboeta medroso. Turistas seniores, gente que renega a velhice e disfruta serenamente das cores e dos cheiros da lisboa mourisca. Deixo-me contagiar pela onda turística e vou disparando a câmara do telemóvel. É difícil não captar beleza por estas colinas de Lisboa, esta Lisboa que eu amo.

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publicado por bolaseletras às 16:52

Chora aí, ó pequenino!

Terça-feira, 04.08.15

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Esta imagem captei-a na passada sexta-feira, à hora a que se iniciavam as celebrações do aniversário de mais um amigo do peito que emigrou para longe de mim. A baixa da cidade, repleta de turistas, de luz, da luz inigualável de Lisboa, pulsava com a animação de quem descobre um tesouro, aqueles milhares de pessoas estavam verdadeiramente iluminadas por conhecer, saborear e beber Lisboa. A cidade dá-se aos que vêm de fora e abraça-os, generosa, sob o céu que reflecte o azul do Tejo. Os de cá que foram para lá, aqueles que sempre a adoraram e se emocionam quando a revêm, sabem que ela será sempre deles, por mais que a vida os afaste das muralhas, da calçada, das imperiais a contemplar os mais belos telhados do mundo. Por mais que a vida os aparte dos amigos estes nunca deixarão de ser “os amigos”. Até ao próximo reencontro sob a luz de Lisboa.

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publicado por bolaseletras às 09:39

Portugal, a flor e a foice - A fábula lisboeta da formiga e da cigarra

Segunda-feira, 01.09.14

 

Lisboa - Chafariz d'El Rey (1570-1580)

 

“Os testemunhos deixados pelos estrangeiros que então viviam ou visitavam Lisboa são conformes na descrição da depravação dos costumes, da carestia da vida, do desprezo com que eram consideradas as profissões. O sonho era embarcar para o Oriente, enriquecer na pirataria e voltar com título de fidalgo.

Olhe-se este retrato: «O que tornava da Índia rico passeava na Rua Nova como num estado oriental. Precediam-no dois lacaios, seguidos por um terceiro com o chapéu de plumas e fivelas de brilhantes, um quarto com o capote e, em roda da mula, preciosa de jaezes e luzidia, um quinto segurava a rédea, um sexto ia ao estribo, amparando o sapato de seda, um sétimo levava a escova para afastar as moscas e varrer o pó, um oitavo a toalha de linho para limpar o suor à besta, à porta da igreja, enquanto o amo ouvia missa. Eram ao todo oito escravos pretos, vestidos de fardas de cores agaloadas de ouro ou prata.»”

 

Esta Lisboa vibrantemente patética, no auge do esbanjamento das riquezas imediatas que os territórios além-mar nos trouxeram, é a Lisboa dos novos-ricos, dos parolos, dos emigrantes que regressam de Mercedes e já sem calos nas mãos, da gente que ganha a lotaria ou uma herança e no dia seguinte altera toda a sua vida para mostrar ao vizinho e ao mundo que a miséria já não mora ali. O ter serve sobretudo para ser colocado em montra, a preocupação é com o desfile do brilho de hoje sem cuidar dos dias de Inverno que virão. Hoje, ontem, no século XVI, um país e um povo que se pela pelo sainete e pelo bailarico, mesmo que amanhã tenha que comer a côdea que o diabo nem se deu ao trabalho de amassar.

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publicado por bolaseletras às 18:00

Lisboa, por Eduardo Gageiro

Sábado, 07.09.13

 

 

É possível apaixonarmo-nos por uma cidade? Pela sua gente, pelas suas esquinas mal iluminadas, pela luz do sol reflectida na calçada que quase nos cega, pelo rio imponente que, estranhamente, nos acalma os medos? É possível encantarmo-nos pelos velhos de sorriso carcomido, pela bonomia dos pregões que ainda resistem nas ruelas, pela voz dorida do fado que teimamos em não deixar morrer? Lisboa, menina e moça, é possível não enlouquecer por ti?

 

 

 

 

 

 

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publicado por bolaseletras às 22:08

Debaixo da terra, debaixo da pele

Terça-feira, 03.07.12
 

Neil Goldberg, um artista que, como todos os outros, procura o Santo Graal da eterna originalidade, mergulhou nas entranhas da terra e procurou a poesia no metropolitano de Nova Iorque. Para tal, pediu a alguns passageiros para permanecerem imóveis na plataforma enquanto a carruagem se aproximava. Poesia por entre o cinzento das pessoas, o ferro sem cor, o metal gélido, poesia no mundo da anti-poesia. Não sei se é pela falta de sol ou pela tristeza congénita dos lisboetas, mas nas entranhas da rede metropolitana de Lisboa a poesia é pecado, o sorriso está proibido, os olhos carregados de dor, de indiferença ou de singelo mas dorido aborrecimento são a única forma de arte possível de encontrar. Mas como as formas de arte não incluem este expressionismo sem cor temo que no metro de Lisboa a poesia esteja interdita. E já era assim antes da propalada crise, não adianta pensar em explicações conjunturais. A crise habita em nós como uma sanguessuga imortal.

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publicado por bolaseletras às 12:49

O poço da morte engolido pelo comboio fantasma

Quarta-feira, 15.12.10

 

Não haverá bom lisboeta pelos middle thirties que não morra de saudades da feira popular. Haverá certamente alguns maus alfacinhas, macambúzios e enfadados, que odiavam secretamente o algodão doce, o diabólico poço da morte e os carrinhos de choque geridos pela ciganada que se passou toda para a feira do relógio. Confesso que nunca me preocupei a fundo em saber a razão porque acabaram com a feira, mas arrisco 1% da minha fortuna que a ganância, as vistas curtas e os insaciáveis desejos de lucro fácil e avesso ao interesse público estarão no topo das justificações. Não me venham para aí dizer que 1% será uma ninharia, até porque não conhecem a minha inestimável fortuna, até porque se forem a ver a Sr.ª Merkel anda para aí armada em forreta quando a Alemanha também só dá um 1% do seu PIB para o orçamento europeu.

 

Agora, para reviver as emoções dos carrinhos de choque ou as alucinações dos carrosséis mal aparafusados a transpirar ferrugem, tenho que me deslocar às terrinhas do nosso Portugal. Aí não há miúdas giras a soltar gritinhos por entre meias de renda e minissaias atrevidas, há as velhinhas com os poucos netinhos que sobram ou os emigrantes que regressam em busca da moça que sobrou. O provincianismo da feira popular no centro da capital faz falta aos lisboetas. Até já o açúcar escasseia quanto mais o algodão doce que nos besuntava os beiços. Tempos de merda, estes, sem os beijos roubados no  túnel do comboio fantasma.

 

 

 

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publicado por bolaseletras às 17:22





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