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Obrigado BB, descansa em paz

Quarta-feira, 10.05.17

 

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“Só e apenas a mulher quase faz acreditar, a este velho ateu, na existência de Deus.”

“A História é uma comparação permanente. E aqueles que a não conhecem estão condenados a repeti-la.”

“O meu avô dizia-me para desconfiar sempre dos homens que não bebem e daqueles que andam sempre com ar grave. Segundo ele, os segundos escondem sempre qualquer coisa.”

“Andamos, há muitos anos, a viver de realidades cada vez mais virtuais, sem afeição recíproca, afastadas das pessoas, e criando modos de existir não coincidentes uns com os outros. A ideia de comunidade foi aniquilada, e o conceito de sociedade sofreu um desvio falho de determinações e, por isso, fatal. Que nos resta? Tentar compreender os sinais das novas gerações.”

“O escritor é um ladrão desavergonhado.”

“Não há mortes naturais. Todas as mortes são injustas como uma culpa infundada, e inúteis como uma heresia.”

 

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publicado por bolaseletras às 10:09

Da série mini mini mini contos de encantar

Quinta-feira, 20.04.17

 

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publicado por bolaseletras às 11:29

Profissão: brincador

Sexta-feira, 02.12.16

  

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«Quando for grande, não quero ser médico, engenheiro ou professor. Não quero trabalhar de manhã à noite, seja no que for. Quero brincar de manhã à noite, seja com o que for. Quando for grande, quero ser um brincador. Ficam, portanto, a saber: não vou para a escola aprender a ser um médico, um engenheiro ou um professor. Tenho mais em que pensar e muito mais que fazer. Tenho tanto que brincar, como brinca um brincador, muito mais o que sonhar, como sonha um sonhador, e também que imaginar, como imagina um imaginador… A mãe diz que não pode ser, que não é profissão de gente crescida. E depois acrescenta, a suspirar: “é assim a vida”. Custa tanto a acreditar. Pessoas que são capazes, que um dia também foram raparigas e rapazes, mas já não podem brincar. A vida é assim? Não para mim. Quando for grande, quero ser brincador. Brincar e crescer, crescer e brincar, até a morte vir bater à minha porta. Depois também, sardanisca verde que continua a rabiar mesmo depois de morta. Na minha sepultura, vão escrever: “Aqui jaz um brincador. Era um homem simples e dedicado, muito dado, que se levantava cedo todas as manhãs para ir brincar com as palavras.»

 

Excerto do livro de Álvaro Magalhães, "O brincador"

 

 

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publicado por bolaseletras às 09:43

Os cus de Judas (e as nádegas fofas das criadas)

Segunda-feira, 14.11.16

 

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A tropa há-de torná-lo um homem, os homens que o antecederam e foram à tropa nunca deixarão de ser miúdos traquinas, as mulheres desses homens fingem que o mundo é perfeito e que esses a quem chamam seus homens não são a encarnação de pequenos e eternos diabretes. Lobo Antunes entremeia por entre frases complexas e reflexões tantas vezes demasiado profundas um humor de filigrana, que se descobre nas palavras dançantes e nos retratos pintados a lápis de cores da infância, como se hesitasse entre a maturidade inatacável e a tentação pela rebeldia juvenil. Não sei se tal será propositado – pretendendo o autor tudo abarcar, tudo ser, nada deixar por explorar – ou se Lobo Antunes não será mesmo tudo isso, um furacão de maturidades e ingenuidades, um turbilhão de sentenças circunspectas e de gargalhadas alarves. Tudo isto é Lobo Antunes, tudo isto atrai e afasta os que o adoram e odeiam, tudo isto é a cola que une os cacos de um escritor genial e – muito por esse excesso de genialidade – inacessível.

 

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publicado por bolaseletras às 09:43

O cheiro do cu de Judas

Sexta-feira, 04.11.16

  

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Não me venham com palavras plásticas que se leem com os dedos nos tablets da moda, com obras de arte comprimidas nos Kindle aprumadinhos e sem cheiro. Ler é desfolhar páginas já amarelas, é inebriarmo-nos com o cheiro do papel a tresandar a muitas vidas e anos de dedos vorazes ou de prateleiras pardacentas, é tratar o livro com o carinho necessário para que não se desfaça num mar de folhas descoladas, é acomodar a lombada no nosso colo como se fosse um filho recém nascido. Ler Lobo Antunes é mergulhar 20 minutos diários (não mais que isso, as injeções de palavras e sensações podem conduzir a overdoses literárias) num outro mundo que esmiúça o nosso mundo até ao âmago da sua complexa simplicidade.

 

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publicado por bolaseletras às 10:27

"Os cus de Judas" - no Jardim Zoológico da magia das palavras

Quarta-feira, 02.11.16

 

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Começa assim “Os cus de Judas” de António Lobo Antunes, numa reminiscência das sensações da infância/juventude (?) de tempos passados no velhinho Jardim Zoológico de Lisboa. Os sons não eram os que esperávamos de animais mas os de vozes de gaze e sílabas de algodão, os pescoços da girafa não eram compridos como escadas mas sim a altiva e inatingível solidão de esparguete da girafa. Lobo Antunes é único, observa e reflecte com um filtro de beleza e um nível de detalhe que dificilmente alcançaremos. Lê-lo hoje é percebê-lo como não consegui fazer há uns anos atrás, é ter os sentidos mais apurados porque a vida já me ensinou outras nuances sobre a beleza e a fealdade, sobre a riqueza da linguagem e sobre a essencialidade de nunca considerar que uma palavra foi escrita a mais, pois se alguém achou que ela devia existir é porque algo provocou essa sensação, essa necessidade de a plasmar no papel, na vida.

 

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publicado por bolaseletras às 10:35

Blowing in the wind

Sexta-feira, 14.10.16

  

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How many roads must a man walk down

Before you can call him a man?

How many seas must a white dove sail

Before she sleeps in the sand?

Yes, and how many times must cannonballs fly

Before they're forever banned?

The answer, my friend, is blowin' in the wind

The answer is blowin' in the wind.

 

Yes, and how many years can a mountain exist

Before it's washed to the seas?

Yes, and how many years can some people exist

Before they're allowed to be free?

Yes, and how many times can a man turn his head

And pretend that he just doesn't see?

The answer, my friend, is blowin' in the wind

The answer is blowin' in the wind.

 

Yes, and how many times must a man look up

Before he can see the sky?

Yes, and how many ears must one man have

Before he can hear people cry?

Yes, and how many deaths will it take till he knows

That too many people have died?

The answer, my friend, is blowin' in the wind

The answer is blowin' in the wind.

  

Nunca liguei muito ao prémio Nobel da Literatura. Para mim um bom livro e um bom escritor são bons se seguem os mesmos critérios que me fazem eleger um vinho como bom: um bom vinho é aquele que eu gosto. A excitação por já ter bebido um livro de um nobelizado não me habita as meninges e não corro esbaforido à livraria mais perto após ouvir o anúncio do Nobel da literatura. Bom, neste caso teria de correr para um loja de CD´s, porque a academia sueca decidiu armar ao moderninha e surpreendente. Confesso que não embalo nas críticas primárias pelo Nobel dado ao Bob Dylan, mas também não tenho orgasmos prematuros como muitos dos que defendem a justiça do prémio a esse monstro do que chamam “o expoente máximo da tradição musical norte-americana” ou coisa que o valha. Não tendo portanto muito a dizer sobre o assunto tenho no entanto a dizer que as linhas acima, mesmo que não acompanhadas pela fantástica melodia Dyliana, são dignas de um qualquer prémio Nobel, que não sendo da paz, também não desmerece a literatura.

 

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publicado por bolaseletras às 10:15

HÁ ESPERANÇA PARA MIM!

Quinta-feira, 13.10.16

 

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publicado por bolaseletras às 12:16

De regresso a Lobo Antunes

Terça-feira, 27.09.16

 

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Há cerca de 20 anos andei a bater com a cabeça na parede do estilo brilhante, irritante, inexpugnável, desconcertante e peneirento do António Lobo Antunes. Frustrado por um elaborado requinte que não se encaixava na minha forma de ver a literatura e a vida que Lobo Antunes insistia em encaixar nas suas filigranas de palavras, votei ao degredo a obra desse génio controverso. Há uns dias peguei no "Os cus de Judas", respirei fundo e auto motivei-me para dar uma nova oportunidade a essa minha frustração da velha juventude. Logo nas primeiras páginas percebi o que tanto me irritara há 20 anos e não soubera perceber: Lobo Antunes é infinitamente genial, na forma como tece as palavras e ideias de forma tão perfeita, tão única, tão superior a todos os estilos palavrosos que conhecemos, mas é-o de forma arrebatadora e insistentemente excessiva, que não nos deixa respirar, que não deixa a história que magnificamente descreve evoluir com naturalidade. Toda a grandeza da escrita de Lobo Antunes soaria muito melhor se o autor se distraísse um pouco da sua genialidade, se não dedicasse 90% das páginas a mostrar-nos o quão genial é. Tudo o que é demais enjoa, é bem verdade, o que não invalida a genialidade do escritor. Com tempo e paciência irei em próximos posts polvilhar este espaço com pérolas de "Os cus de Judas", com os diamantes perfeitos e demasiadamente lapidados do mestre Antunes.

 

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publicado por bolaseletras às 11:50

Uma noite em Lisboa

Terça-feira, 17.05.16

  

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A literatura de aeroporto tende a ser associada a literatura de nível duvidoso, aquela que compramos à pressa para passar o tempo e que esperamos não reúna qualidades que nos desgastem demasiado as meninges. Não foi disso que fui em busca quando comprei o livro "Uma noite em Lisboa", perdido numa estante da Fnac do aeroporto da Portela, mas também não procurava nenhum tratado sobre a condição humana. O título despertou-me a atenção, a curta descrição que a badana fez do autor, o alemão Erich Maria Remarque, que humildemente confesso nunca ter lido, fez-me sacar a nota do bolso. Introduz a badana que o autor "Nasceu a 22 de Junho de 1898 para se vir a tornar num dos mais importantes escritores do século  XX. Banido pelos nazis por ser alegadamente descendente de judeus franceses, viu os seus livros serem atirados para a fogueira e foi exilado em 1933 sob acusação de fazer propaganda contra o nacionalismo alemão".

Não sei se o autor foi um grande escritor do século passado (bom, do que já li posso afirmar que não envergonha os melhores), sei que alguém que foi inimigo do nazismo e a ele sobreviveu deve valer a pena ler. Pelo menos, como eu,  apaixonou-se por Lisboa:

 

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publicado por bolaseletras às 09:52





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