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Da série "coisas que o pequeno holandês parece não apreciar"

Quarta-feira, 22.03.17

 

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publicado por bolaseletras às 11:12

Isto é uma capa

Sábado, 04.02.17

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publicado por bolaseletras às 14:53

A casa de Vinicius e a Nação de Donald

Quarta-feira, 01.02.17

  

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Era uma nação

muito engraçada

não tinha juízo

não tinha nada

ninguém podia

entrar nela, não

porque o Donald

não dava a mão

 

Ninguém podia

viver o sonho

porque a América

vive um pesadelo medonho

ninguém podia

fazer pipi

porque o Donald

é quem manda ali

 

Mas era feita

com muito jeito

a morte lenta

desse amor perfeito.

 

z_nação por terra.jpg

 

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publicado por bolaseletras às 12:01

Retrato gourmet de porco pós-moderno em cama de nação abananada

Domingo, 29.01.17

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publicado por bolaseletras às 10:19

S-U-C-K-E-R-S!

Quinta-feira, 26.01.17

 

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Suckers, idiotas, arrogantes, cegos, ingénuos. Não os que votaram em Trump, mas sim os que se recusaram a ler os sinais de insatisfação do povo, os que juraram a pés juntos que tamanha besta nunca poderia chegar a presidente da maior potência mundial. Idiotas os que nada fizeram para mudar as causas do descontentamento das pessoas, arrogantes os que julgaram que as pessoas se conformariam ao pouco que os de sempre tinham para lhes dar, cegos os que não quiseram ver os sinais claros de que a vontade de mudança fervilhava, ingénuos os que se julgaram infalíveis. A culpa não é de Trump, é de quem fez com que ele fosse lá colocado! E quem contribuiu para isso fomos todos nós, meus amigos, todos nós que em nada contribuímos para que todos nós vivêssemos um bocadinho melhor.

 

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publicado por bolaseletras às 11:03

Dias desgraçados

Sexta-feira, 20.01.17

  

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O melhor cronista português, Ferreira Fernandes, a escrever sobre o quão injusto pode ser o mundo e maus os homens. Sobre Trump e os dias desgraçados que escolhemos viver. Tão belo e tão triste.

 

“Um dia, vi um homem parar um carro pobre, numa estrada de terra vermelha, à entrada de uma ponte. Sobre um pilar estava uma bacia de esmalte rachado e nela laranjas pequenas. "Quanto?", perguntou o homem com uma camisa modesta. O miúdo negro disse: "Dois angolares." Sem outra palavra, o homem abriu a mala do carro. O miúdo fez rolar as laranjas na mala. O homem pôs na palma da mão estendida uma moeda de cinco tostões, um quarto do preço pedido. O miúdo nem esboçou um protesto, ficou na berma a ver o carro partir e a sentir a poeira assentar.

 

Um dia, li um camponês russo a falar com um dos irmão Karamazov. Tudo no camponês era subserviência. E tinha o filho ao lado. O Karamazov não bateu, esmurrou ou pontapeou o camponês - gestos brutos que poderiam ter passado por luta violenta. Esbofeteou-o, com pancada seca e calma, de quem sabe que nunca teria reação. Nada doeu mais do que o filho ao lado.

 

Um dia, na ala militar do aeroporto de Bogotá, estive na conferência de imprensa dada pelo embaixador americano. Ele falou sobre a luta contra os narcotraficantes e a esperança de apanhar em breve Pablo Escobar, o capo de Medellín. Depois, o embaixador disse que tinha mais declarações a fazer mas essas eram para os americanos e os da imprensa estrangeira. Os jornalistas colombianos saíram, cabisbaixos, expulsos em sua casa.

 

Um dia, entrevistei um líder guerrilheiro, num jango, enorme cubata circular. O líder esperava--me ao fundo, e as paredes do jango estavam cheias de dirigentes guerrilheiros e conselheiros do líder. Ao entrar, reparei, nunca soube porquê, num jovem de barba escassa e casacão escuro (era cacimbo, inverno austral), sentado à entrada. Finda a entrevista, o líder acompanhou-me à entrada, braço sobre o meu ombro. De repente, fez-me rodar e encontrei-me frente ao jovem de casacão, já de pé. "O senhor jornalista sabe quem é?", perguntou o líder. Adivinhei mas disse que não. "É o Wilson que vocês em Lisboa dizem que matei. Não o quer entrevistar?", disse o líder, e logo apareceram dois microfones. "Não entrevisto presos", disse eu. O jovem tinha os olhos mortos e foi mesmo morto, semanas depois, ele e a família.

 

Um dia, eu ia de elétrico e vinham duas peixeiras da Ribeira. Elas eram cabo-verdianas e falavam crioulo entre elas. Ao passar pelo Rato (os elétricos ainda por lá passavam), um passageiro endoidou de ódio e pôs-se a mandar as mulheres "para a terra delas." Havia lugares vagos mas elas não tinham ousado sentar-se por causa do cheiro das saias largas. Os insultos do homem apanhou--as com português curto e calaram qualquer resposta. Pousaram os olhos no trabalho, nas canastras deitadas no chão. Nem pareceu terem dado conta dos pescoços que não se viraram. Mas deram.

 

Um dia, eu estava com um militar, que então era do meu lado, a dizer a uma pessoa detida, porque do outro lado, que sim, podia pedir ao soldado de plantão para ir comprar cigarros à messe. Regressado o soldado, o preso deu--se conta de que, afinal, também não tinha fósforos: seria que lhe podiam acender o cigarro? "Ah, era para fumar? Isso, na cela, não pode", ouvi o "meu" militar a dizer, gozando com o detido confuso.

 

Um dia, era noite de verão, eu ouvia um homem a assobiar numa esplanada. Ele estava sozinho à mesa e bebia cerveja. Assobiava mambos e boleros, as janelas abriam-se e às varandas assomavam suspiros. Ele sabia e gostava do seu sucesso, na sua rua, mas fazia de conta que não o via. No fim de um bolero de Lucho Gatica, ele ia aclarar a garganta com um gole mas o copo voou até ao chão da esplanada. A mulher do homem do assobio estava com uma mão à cintura e a outra a apontar a casa: ala! Ela nunca produziu outro som, senão o copo a estilhaçar-se. Sempre calada, com o silêncio da autoridade que nunca conheceu resposta. Ele ia à frente dela, cabeça enfiada nos ombros, olhando o passeio, indiferente à rua e à humilhação. Mas não estava.

 

Um dia, um guarda-costas que me acompanhava em Argel, perguntou-me se eu sabia o que era uma bûche de Natal. Disse-lhe que sim. Era o bolo em forma de tronco de árvore que os franceses comem no fim do ano (como o nosso bolo-rei). Por essa altura, os terroristas islâmicos punham bombas por toda a Argélia e degolavam os ímpios que se expunham. O meu guarda-costas era bom muçulmano, mas tinha saudades da bûche, da infância com vizinhos franceses. No Natal passado tinha sabido de uma padaria que as vendia às escondidas. Foi lá, saiu pela porta de trás mas julgou adivinhar olhares ameaçadores. Abriu a camisa e escondeu o bolo, coseu-se às paredes e apressou o passo. Entrou em casa e tirou o bolo amassado, o chocolate já delambido - os filhos e a mulher olhavam-no, e ele chorou, derrotado. O meu guarda-costas era tropa de elite.

 

Um dia, depois desses dias que me formaram, hoje, eu dei--me conta de que um homem que varreu os adversários do seu partido amesquinhando-os, que apoucou deficientes, que rebaixou o heroísmo autêntico na guerra de um correligionário seu (ele, que para fugir dessa mesma guerra pretextou doenças que não tinha), que se me apresentou, em palcos públicos, sem compaixão por pais que perderam o filho, que achincalhou as doenças, verdadeiras ou inventadas por ele, da adversária, que levou a humilhação como a arma principal da luta política, um dia, dizia eu, vou ver esse homem a tomar o poder mais poderoso do mundo. Contra ele recuso-me, neste dia, a discutir as ideias dele, políticas, económicas ou ecológicas. A partir de amanhã, certamente. Hoje, tenho a dizer, tão-só, que é um dia desgraçado.”

 

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publicado por bolaseletras às 20:59

Muito obrigado, Senhor Presidente

Domingo, 08.01.17

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publicado por bolaseletras às 21:42

Síria

Quinta-feira, 08.12.16

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Não resistir à dor alheia e deixar as lágrimas ferir-nos a pele. Mais fundo, sentir a dor alheia dentro de nós, soçobrar e permitir que ela tome conta do que sentimos. Sentir que aqueles dois corpos sob a terra são pais do nosso filho que jaz entre eles. Não dorme, não mais dormirá, jaz apenas, inerte para a vida mas vivo. Só queres chocar, diz-me alguém, é desnecessário mostrar desta forma atroz a violência e as suas consequências. Chocar. Chorar. Fazê-lo incessantemente. Até que a acção brote da dor e das lágrimas. Agir.

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publicado por bolaseletras às 14:15

About Trump

Quarta-feira, 09.11.16

 

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Ainda agora estamos na ressaca da vitória de Donald Trump nas eleições norte-americanas e já vomito comentários, posts, artigos de comentadeiros encartados e publicações de tudo o que é anónimo ou conhecido enlouquecido nas redes sociais, vociferando contra os americanos, contra Trump, contra tudo e contra todos, que é como quem diz abominando (sem se aperceberem) a democracia que permite eleger uma aberração como Trump. Muito pouca gente parece preocupada em perceber o que se passou e porque se passou. Ah e tal os americanos estão quase em pleno emprego, não pode haver assim tanta gente descontente com o sistema e com os políticos que o sustentam e habitam há séculos. Será que alguém já se preocupou em saber que empregos são esses, que salários miseráveis são os auferidos, que vidas miseráveis vivem os milhões que votaram em Trump? Trump percebeu isso e, além de falar por um lado para uma minoria de empresários e gente rica que vai pagar menos impostos, falou também aos ouvidos dos desprezados da política e da sociedade, cantou-lhes a doce balada do bandido convencendo-os de que é contra o sistema que os levou até ali e, mesmo não lhes dizendo o que em concreto fará para lhes mudar a vida, encheu-os de chavões estudados ao milímetro pelos gurus da comunicação que lhes fizeram tilintar a última coisa que lhes resta: a esperança de que algo de diferente venha aí, porque o que sempre conheceram deixou-os no lodo de sempre. É tão simples que até dói. Deve ser por isso que tanta gente grita, de dor pela estupidez de não querer ver.

 

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publicado por bolaseletras às 10:32

With love, to Mr. Trump!

Sexta-feira, 21.10.16

 

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publicado por bolaseletras às 09:40





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