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A miragem

Sexta-feira, 10.11.17

 

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Ele insistia em perseguir o sonho impossível, navegando incessantemente no imediato e na descontrolada atracção que as labaredas da paixão sobre si exerciam. O futuro não o reconhecia, só aceitava o presente, como se amanhã fosse um dia longínquo muito além do seu horizonte. Ela embarcara nessa viagem pelas mesmas razões, pois não resistia à dança inebriante do fogo. Um dia, cansada de não ver o horizonte para lá da cortina de fumo produzida pelas labaredas, decidiu que o futuro venceria a outrora irresistível voracidade do presente. Ele sentiu o presente despedaçar-se, mas compreendeu. Apesar dos seus desejos imediatos e da bebedeira do momento, aprendera a amar, mais do que tudo, a serenidade nos olhos dela. E essa serena felicidade (?) era tão valiosa e tão merecida que estilhaçara os limites do hoje para todo o sempre, rumo a um futuro onde a sua presença pouco mais era que uma miragem.

 

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publicado por bolaseletras às 14:37

Da série "questões a não colocar, em hipótese nenhuma, a esses bichos"

Sexta-feira, 27.10.17

 

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Há uns dias, uma amiga que partilha casa com uma colega, revoltada com as desgraças dos contratos com as MEO´s e TVCabo´s cá do burgo, perguntava-me, do auge da sua irritação, o que raio é que duas mulheres vão fazer à noite, sem TV e sem Wifi? Olhei para ela, tentando esconder bem no fundo de mim a resposta que me subiu diretamente à boca (não diretamente vinda do cérebro, esclareça-se, até porque se assim fosse tinha descido e não subido) e lá consegui disfarçar (???), sugerindo a manicure ou palavras cruzadas. Mas porque é que fazem estas perguntas tão difíceis a bichos tão estranhos como os homens?

 

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publicado por bolaseletras às 11:22

A boneca de porcelana

Segunda-feira, 23.10.17

  

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Como eram belos os tempos em que nada era imediato, tudo envolvia dedicação, como o simples gesto de acertar com a agulha do gira-discos na ranhura certa do vinil. Seduzir não era carregar num botão que nos dirigia automática e friamente para a música pré-definida, era cuidar do disco para que não tivesse riscos e afagar a agulha em cada música, era tocar sem pressa num corpo de porcelana, era toda uma envolvência que simbolizava o privilégio de viver esse momento único e irrepetível. Hoje tudo é fácil, os engates estão à distância de um touch, uma queca pode ser só um desabafo de quem está aborrecido. Que saudades do vinil.

 

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publicado por bolaseletras às 09:25

O mergulho

Terça-feira, 17.10.17

  

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Sabia que a sua natureza era mais forte do que todas as regras e grilhetas que a sociedade ou os que a rodeavam pretendiam impor-lhe. Gostava dela assim, selvagem, indiferente a convenções e tabus artificiais, mas pedia-lhe por vezes alguma contenção. Mais por a querer só para si, o seu precioso segredo, do que pelo choque cultural que a atitude de uma mulher selvagem pudesse provocar nos outros. Quando ela lhe sorriu da soleira da porta, anunciando que ia estrear a praia junto à nova casa, devolveu-lhe o sorriso e pediu-lhe apenas para usar o lenço de praia que lhe cobria as belezas inigualáveis que tinha o privilégio e o desmedido prazer de conhecer até ao tutano. Ela desfez-se naquela gargalhada de miúda marota que o deixava desarmado, replicando que não ia a lado algum sem o seu muito amado lenço. Da janela, viu-a afastar-se em saltinhos de gazela, chegar à praia obedientemente coberta pelo tão amado lenço, sentiu a alegria contagiante que o sol abrasador e o mar em forma de céu líquido lhe transmitiam, e não conseguiu conter a gargalhada perante o espectáculo único que foi a sua entrada mar adentro. Live and let live.

 

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publicado por bolaseletras às 11:51

Da série "Segredos mal escondidos"

Sexta-feira, 28.07.17

 

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publicado por bolaseletras às 15:21

Disfrutar - não ceder às maléficas e anestesiantes garras do maralhal

Sexta-feira, 14.07.17

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Perdermo-nos no ruído dos outros é esquecermo-nos de nós. Será vantajoso, se é esse o esquecimento que buscamos. Podemos, contudo, optar por nos perdermos em nós. Numa praia deserta ou semi-habitada. No silêncio mais perfeito que só a submersão no nosso mar nos devolve. Aquela esplanada repleta de inspiração visual e morta de sons humanos. Rir sem razão e sem eco, só porque sim. O silêncio aconchegante da música. Como única companhia o sonho nas asas do desejo.

 

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publicado por bolaseletras às 14:30

Como falar sem palavras

Quarta-feira, 21.06.17

 

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There is a language older by far and deeper than words. It is the language of bodies, of body on body, wind on snow, rain on trees, wave on stone. It is the language of dream, gesture, symbol, memory. We have forgotten this language. We do not even remember that it exists.        

    

Por Derrick Jensen, "A Language Older Than Words"

 

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publicado por bolaseletras às 11:34

Cabedal, cetim e taninos

Quarta-feira, 14.06.17

 

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Na esplanada sem graça e sem jeito dois amigos discutiam o porquê de se apaixonarem sempre pelas mulheres erradas, na sua muito particular visão do que era certo ou errado. Um alegava saber a razão de tais desgraças sentimentais, as mesmas se justificando porque sempre, mas sempre contra o bom senso que lhe falava mais baixo do que a luxúria, optar pela beleza exterior em detrimento das qualidade que fazem das mulheres as mais perfeitas mães e amigas. O outro amigo ria-se e abanava a cabeça como que aceitando que a desgraça revelada era afinal partilhada, pois afirmava convicto que a sua paixão existia por flashes. Isto é, quando o objecto da sua paixão reluzia a grande altura, concorrendo com o astro rei e não permitindo que aos seus olhos nenhuma outra mulher fosse tão sexy quanto ela, não conseguia resistir-lhe, mas quando se dava a descida à terra e ao reino dos mortais perdia-lhe o interesse, provocando nela um efeito reflexo até que a paixão esfriasse ao nível do abandono por comum acordo. O outro, percebendo a semelhança das cruzes que carregavam questionou-o, ainda assim, intrigado: “Mas olha lá, o que é para ti uma mulher sexy? Como é que vais fazer para que aos teus olhos ela seja eternamente sexy?” O parceiro na dor, parando 3 segundos para pensar, respondeu sem grandes cerimónias: “Epá, para mim basta-me que ela se vista sempre de blusão de cabedal negro e cuecas vermelhas de cetim e que, de preferência, tenha sempre à mão um copo de vinho, para apresentar sempre um sorriso nos lábios e esconder na mala as existenciais questões do eterno feminino!

 

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publicado por bolaseletras às 17:27

Da série cuidado com as mensagens de significado dúbio

Terça-feira, 02.05.17

 

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publicado por bolaseletras às 10:21

Charlie, Sophia e um segredo mal guardado

Sexta-feira, 21.04.17

  

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Corria o ano de 1966 e Charlie Chaplin e Sophia Loren eram imortalizados nesta imagem. Charlie, idoso e com todo o ar de quem acumulava em excesso o peso de toda uma vida preenchida a fazer rir, Sophia Loren esquecida da idade da figura dos tempos em que dispensávamos as palavras para rir até ao infinito, embevecida por um qualquer brilho que pensaríamos não mais existir no velho Charlot. Com aquele vestido, a sua inimitável beleza e a generosidade do seu decote, Sophia certamente saberia que não passaria despercebida a Charlie. Este, fazendo não dar conta da bênção que a humanidade lhe legara naquele eterno momento, finge nem reparar. Um dia, o mundo em geral e os homens em particular perceberão que a verdadeira e invencível arma da sedução é o humor, a capacidade de fazer uma mulher rir e esquecer-se das suas defesas enquanto se entrega a esses momentos de liberdade física e intelectual. Nesse dia, os homens largarão os ginásios e não mais gastarão fortunas em fatiotas catitas e em automóveis da moda e passarão a ter mais graça e a cair mais em graça.

 

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publicado por bolaseletras às 11:51





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