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Irmão, para onde vais tu?

Sexta-feira, 26.01.18

 

Carnaval de Salvador, Bahia by Pierre Verger, Bras

 

A família não se escolhe, clama o povo na sua infinita e inabalável sabedoria. Terá sido o acaso, o destino, a maldita ou bendita providência, dependendo das épocas e da ponta do Atlântico de onde se olhe, que fizeram de Portugal e Brasil países irmãos. Olhando para os últimos anos de voltas e reviravoltas da democracia e politiquices por terras de Vera Cruz, creio que pouco mais se poderá esperar do que o crescimento das desigualdades sociais, do crime, da corrupção endémica e, muito provavelmente, de um banho de sangue pelos ódios e guerrilhas de baixa política a que temos vindo a assistir. A preocupação dos políticos brasileiros tem incidido em tudo menos no que deveria exactamente ser feito para combater as chagas culturais e civilizacionais entranhadas no tecido social e político desse país tão maltratado pelos seus.

Podendo parecer piadinha de mau gosto, defendo que um dos maiores problemas do Brasil é o excesso de sol, de boa vida, de sorrisos empanturrados em “geladinhas” e águas de coco, tão bem condensados nessas semanas de dolce fare niente e muito samba que o Carnaval oferece ao seu povo folião. Quando em 1950 Pierre Verger, por terras de Salvador da Bahia, fotografou a cena que ilustra este post, descerrou a placa que resumiu o Brasil em poucas palavras: o pecado escondido por trás da máscara, a inocência malandra e pronta para passar para lá da fronteira que a separa dessa tentadora linha que conduz ao outro lado da máscara.

 

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publicado por bolaseletras às 14:55

A nova arte

Terça-feira, 23.01.18

 

Aleppo, Syria, 2014.jpg

 

Dizia-me no outro dia um amigo, acerca de uma desgraça qualquer, de mais uma qualquer guerra, ou chacina, ou perseguição religiosa, que o ser humano se adapta a tudo. Hoje deparei-me com estas duas fotografias de Hosam Katan, fotojornalista nascido em 1994, em Alleppo, e pensei que nenhuma criança, nenhum ser humano deveria ter que se adaptar a brincar nos escombros do seu passado, nas ruínas da sua vida, ninguém deveria ser obrigado a sobreviver, muito menos com um sorriso nos lábios (porque teve que se adaptar à sua nova realidade, lá está) por entre o sangue dos seus. As fotografias foram tiradas em 2014 na terra mãe de Hosam e não duvido que ele não tenha tido alternativa que não fosse adaptar-se, a ferro e fogo, à sua nova realidade: transformar em arte a vida de merda que alguns homens e dirigentes políticos instituíram como a nova arte de um mundo moderno.

 

Allepo, Syria, 2015.jpg

 

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publicado por bolaseletras às 16:27

O pesadelo americano

Sexta-feira, 05.01.18

 

Trump.jpg

 

Para lá de todos os sonhos, projetos, projeções e promessas para 2018, creio que o que realmente poderia contribuir para um mundo melhor seria o desaparecimento da face da terra de Donald Trump. Esse sumiço deveria ter ainda a capacidade de apagar da memória de todos nós as ideias retrógadas, fascistas, racistas e lesa humanidade que ele propagou e com que contaminou tantas mentes. Trump não é mau só para o mundo outside America, Trump é um quisto no coração da velha América que, no meio de tantos defeitos, tinha também muitas qualidades. O trabalho parta correr com Trump deveria por isso começar no seio daqueles que o elegeram, acreditando eu que a grande maioria dessa populaça cega tenha já aberto os olhos. Vejam lá isso, guys!

 

“El sueño americano se está convirtiendo rápidamente en el espejismo americano”

Estados Unidos, uno de los países más ricos del mundo y la “tierra de la oportunidad”, se está convirtiendo en el campeón de la desigualdad. Esta es la frase con la que comienza el comunicado del pasado 15 de diciembre de Phillip Alston, el relator especial de Naciones Unidas para la extrema pobreza. Alston acabó en Skid Row, Los Ángeles, un viaje de dos semanas por California, Alabama, Georgia, West Virginia, Washington DC y Puerto Rico para observar el estado de la pobreza en el país más rico del mundo. Su conclusión es que “el sueño americano se está convirtiendo rápidamente en el espejismo americano”.

El relator cita las cifras del censo, según las cuales 40 millones de estadounidenses viven en la pobreza y de ellos 18,5 millones en extrema pobreza. Alston se mete en política y pasa a continuación a criticar los posibles efectos de la reforma fiscal de Donald Trump sobre los más pobres. Dice que el plan “va a desgarrar partes cruciales de una red de seguridad que ya estaba llena de agujeros”.

En el problema de los sin techo, en concreto, Alston considera que las cifras oficiales son inferiores a las reales. El relator critica la “criminalización” de la pobreza por los arrestos por delitos menores de personas que viven en la calle. Alston publicó una versión preliminar de su informe hace una semana. La versión definitiva se publicará en abril.

 

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publicado por bolaseletras às 17:23

Obrigado Mónica

Quarta-feira, 29.11.17

 

Monica Bellucci.jpg

 

É importante estarmos cientes de que o mundo não é um local geralmente aconselhável. Há guerras, há gente que passa fome, grassa a maldade e a inveja pelo sucesso do vizinho. Há miúdos capazes de nos dar um tiro nos cornos para nos roubar os ténis de marca. Há taxistas que chispam ódio dos olhos quando saímos no aeroporto de Lisboa e pedimos que nos deixem ali aos Olivais. Há mulheres que deixam de nos amar por dá cá aquela palha. Há homens que fingem que amam só para terem o privilégio da posse. E depois há, felizmente, a Monica Bellucci, que nos faz esquecer que o mundo pode ser um lugar mal frequentado.

 

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publicado por bolaseletras às 11:45

Sexta-feira, contra os excessos de energia

Quinta-feira, 26.10.17

  

friday.jpg

 

Por vezes só queremos mesmo que chegue sexta-feira. Por vezes nem nos apercebemos do cansaço físico e psíquico, de tão envolvidos que estamos nas tarefas, projetos e minudências que nos provocam esse estado. O excesso de desporto e de trabalho, a desmesurada preocupação com tudo e com todos, como se por acaso fossemos nós eventuais Deuses que pudéssemos mudar o rumo do que já está tantas vezes destinado. Por outro lado, esquecemo-nos demasiadas vezes que a energia de quem dá pode provocar atritos em quem recebe, resultando daí que a energia positivamente emitida pode ter efeitos negativos. Sexta-feira, venha ela.

 

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publicado por bolaseletras às 14:27

O mergulho

Terça-feira, 17.10.17

  

beach.jpg

 

Sabia que a sua natureza era mais forte do que todas as regras e grilhetas que a sociedade ou os que a rodeavam pretendiam impor-lhe. Gostava dela assim, selvagem, indiferente a convenções e tabus artificiais, mas pedia-lhe por vezes alguma contenção. Mais por a querer só para si, o seu precioso segredo, do que pelo choque cultural que a atitude de uma mulher selvagem pudesse provocar nos outros. Quando ela lhe sorriu da soleira da porta, anunciando que ia estrear a praia junto à nova casa, devolveu-lhe o sorriso e pediu-lhe apenas para usar o lenço de praia que lhe cobria as belezas inigualáveis que tinha o privilégio e o desmedido prazer de conhecer até ao tutano. Ela desfez-se naquela gargalhada de miúda marota que o deixava desarmado, replicando que não ia a lado algum sem o seu muito amado lenço. Da janela, viu-a afastar-se em saltinhos de gazela, chegar à praia obedientemente coberta pelo tão amado lenço, sentiu a alegria contagiante que o sol abrasador e o mar em forma de céu líquido lhe transmitiam, e não conseguiu conter a gargalhada perante o espectáculo único que foi a sua entrada mar adentro. Live and let live.

 

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publicado por bolaseletras às 11:51

O sinal

Quarta-feira, 04.10.17

 

olivais.jpg

 

Escrevi o texto seguinte há dois anos. Poderia tê-lo feito hoje, pois no domingo tudo se mantinha igual, no mesmo sítio, como se o tempo tivesse parado. Os rapazes continuam a adorar o ato de depositar o papel na urna (hoje já com maior consciência da importância do mesmo), os velhos continuam velhos, de passo lento e frágil, mas decididos, os seus olhos com o brilho que, creio, acompanha sempre os olhos dos velhos, como se não existissem muito mais razões no mundo para lhes fazer brilhar a alma e iluminar o olhar. No domingo passado não choveu como há dois anos, brilhou sim um sol abrasador, talvez o mais sublime sinal de que a esperança afinal faz sentido.

 

“Alguns anos depois, votar na escola onde fiz o ciclo preparatório (a boa e velha “Fernando Pessoa”, aos Olivais). Ver os meus dois filhos depositarem o voto dos pais nas urnas. Cedo, que com filhos pequenos a preguiça foi encarcerada na urna. É cedo que os nossos velhos vão votar, devagar, passo frágil, mas decidido. Olhos sem brilho, cabisbaixos, como se a esperança definhasse na exacta medida dos jovens que rareiam nas mesas de voto. Os meus filhos radiantes pela nova experiência. A esperança a despontar por entre os pingos da chuva.”

 

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publicado por bolaseletras às 17:18

Quando a realidade supera a ficção

Segunda-feira, 02.10.17

 

isaltino.jpg

 

Primeiro que tudo gostaria de vincar que acho de uma estupidez inqualificável o drama criado pelo facto de no dia das eleições ocorrerem jogos de futebol, nomeadamente o Sporting vs Porto. Mas esta gente da CNE e afins acha que somos algumas crianças irresponsáveis que, por dá aquela palha, negligencia o nobre dever/direito de eleger democraticamente os seus representantes? Já agora só falta dizer que, distraídos com os dribles hipnóticos do Brahimi e as defesas miraculosas de S. Patrício, haveria gente letrada que poderia sentar no cadeirão do poder gente de má estirpe, quiçá ex-condenados populistas e comprovadamente mais ciosos da sua fortuna e bem estar pessoal do que com o cumprimento zeloso dos seus deveres públicos. Tende juízo, senhores, o povo é sereno e quem mais ordena!

 

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publicado por bolaseletras às 17:03

Pedrógão Grande - três meses depois

Quarta-feira, 20.09.17

  

pedrógão.jpg

  

Pedrógão Grande - Reportagem do The Guardian

 

Passaram três meses da tragédia de Pedrógão Grande e pouco sabemos sobre o que falhou, o que podia ter sido feito para minorar as enormes perdas humanas e materiais. Não se conhecendo/reconhecendo/auditando o que falhou dificilmente serão avançados planos ou soluções concretas com qualidade para evitar tragédias semelhantes no futuro. Sem se debater e colocar no papel o que não foi e deveria ter sido feito (a prevenção que não existiu, as falhas no combate ao fogo, a falência ou insuficiência de meios) qualquer reforma legislativa ou de recursos humanos e materiais será uma falácia, uma forma de atirar areia para os olhos dos cidadãos. Até à próxima e inevitável tragédia.

As funções essenciais desempenhadas pelo estado, de defesa do território e das populaçãoes (a tão propalada protecção civil) revelam fragilidades mais que preocupantes e pouco ouvimos sobre o que será feito para melhorar e reformar o que tão torto está e que, pelo andar da carruagem, tarde ou nunca se endireitará. Não chegam demissões por motivos laterais, não chega responsabilizar contratos mal paridos e pior geridos. É preciso colocar o dedo na ferida, de modo a que doa, a que o país grite de revolta, a que alguém tenha a coragem de dar a volta ao texto e a vergonha de não deixar tudo ficar como está. Por nós, pelo país, pela memória dos que morreram.

 

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publicado por bolaseletras às 09:34

Pepsi? Não obrigado

Sexta-feira, 08.09.17

 

pepsi.jpg

 

Esta cena dos anúncios da coca-cola é perfeita para posts de sexta-feira. Bebida refrescante, moçoila ainda mais fresca, leveza na vista e no pensamento, apenas o risco calculado de ser chamado machista, acusado de olhar para as mulheres como um objecto, etc. e tal. Para piorar essa hipotética situação, arrisco-me a dizer que se não fossem algumas mulheres terrivelmente invejosas (algumas, poucas, uma minoria ínfima!) elas próprias disfrutariam das refrescantes bolhinhas de cafeína e açúcar a estimularem-lhes o corpo e a vida. Bom fim de semana!

 

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publicado por bolaseletras às 10:01





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