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Pedrógão Grande - três meses depois

Quarta-feira, 20.09.17

  

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Pedrógão Grande - Reportagem do The Guardian

 

Passaram três meses da tragédia de Pedrógão Grande e pouco sabemos sobre o que falhou, o que podia ter sido feito para minorar as enormes perdas humanas e materiais. Não se conhecendo/reconhecendo/auditando o que falhou dificilmente serão avançados planos ou soluções concretas com qualidade para evitar tragédias semelhantes no futuro. Sem se debater e colocar no papel o que não foi e deveria ter sido feito (a prevenção que não existiu, as falhas no combate ao fogo, a falência ou insuficiência de meios) qualquer reforma legislativa ou de recursos humanos e materiais será uma falácia, uma forma de atirar areia para os olhos dos cidadãos. Até à próxima e inevitável tragédia.

As funções essenciais desempenhadas pelo estado, de defesa do território e das populaçãoes (a tão propalada protecção civil) revelam fragilidades mais que preocupantes e pouco ouvimos sobre o que será feito para melhorar e reformar o que tão torto está e que, pelo andar da carruagem, tarde ou nunca se endireitará. Não chegam demissões por motivos laterais, não chega responsabilizar contratos mal paridos e pior geridos. É preciso colocar o dedo na ferida, de modo a que doa, a que o país grite de revolta, a que alguém tenha a coragem de dar a volta ao texto e a vergonha de não deixar tudo ficar como está. Por nós, pelo país, pela memória dos que morreram.

 

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publicado por bolaseletras às 09:34

Pepsi? Não obrigado

Sexta-feira, 08.09.17

 

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Esta cena dos anúncios da coca-cola é perfeita para posts de sexta-feira. Bebida refrescante, moçoila ainda mais fresca, leveza na vista e no pensamento, apenas o risco calculado de ser chamado machista, acusado de olhar para as mulheres como um objecto, etc. e tal. Para piorar essa hipotética situação, arrisco-me a dizer que se não fossem algumas mulheres terrivelmente invejosas (algumas, poucas, uma minoria ínfima!) elas próprias disfrutariam das refrescantes bolhinhas de cafeína e açúcar a estimularem-lhes o corpo e a vida. Bom fim de semana!

 

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publicado por bolaseletras às 10:01

Pela diferenciação e não discriminação do mais belo sexo - Gisele Bündchen

Terça-feira, 05.09.17

 

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"In the beginning, you know, everyone told me, 'Your eyes are too small, the nose is too big, you can never be on a magazine cover.' But, you know what? The big nose is coming with a big personality.”   

 

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publicado por bolaseletras às 11:16

Pela diferenciação e não discriminação do mais belo sexo

Quinta-feira, 31.08.17

 

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Já não há saco para a histeria da igualdade de género, a polémica dos manuais da Porto Editora, os ataques virulentos nas redes sociais, a vontade infantil de criticar por tudo e por nada. É evidente que sou contra a discriminação das mulheres em prol dos broncos com quem partilho o género, é evidente que existem diferenças entre ambos os sexos e ainda bem! Isso não implica que as diferenças devam ser eliminadas no afã de eliminar qualquer tipo de discriminação. A discriminação está em todo o lado: na condição social, na idade, na cor da pele, na forma de vestir, no diabo a sete, e não é tornando tudo igual que vamos resolver a questão! Eu adoro mulheres, adoro tudo o que as diferencia de nós - a sensibilidade, a graciosidade, as pernas, os olhos, o sorriso, os seios, as nádegas, o sexto sentido, e não vou abdicar de gostar de tudo isso com medo de me apontarem o dedo do meio e me chamarem machista! A minha forma de expressar a minha admiração pelas mulheres e de abominar a sua discriminação é gostar de tudo isso que faz delas esse ser maravilhoso. E assim nasce uma nova série denominada “Pela diferenciação e não discriminação do mais belo sexo”. Deal with that!

 

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publicado por bolaseletras às 09:34

O regresso

Terça-feira, 29.08.17

 

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Há verões que não voltam, há sensações que se perdem no tempo obscuro das nossas ténues recordações. As escassas semanas que nos concedemos da vida que sonhamos são a amostra da nossa impotência face ao peso da vida que nos verga nos restantes 340 dias do ano. Não haverá soluções e escassas serão as artes mágicas que atenuem a sensação de impotência que comporta o regresso das férias. Talvez vivermos melhor o dia a dia, encararmos as chatices laborais, familiares e escolares como um desafio à nossa capacidade criativa, colocarmos um pouco de magia em tudo aquilo que parece aborrecido e repetitivo, enfrentarmos os rituais diários com um leve sorriso trocista, descobrir-lhes a graça e pincelar-lhes o cinzentismo com o arco-íris que nos ficou dos dias de mar e de sol. Porque não, simplesmente, tirar uns minutos pela manhã para escrever umas parvoíces ou para refletir sobre tudo e sobre nada? Experimentem.

 

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publicado por bolaseletras às 10:23

Arranha-céus, por J.G. Ballard

Domingo, 06.08.17

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Em tempo de praias a abarrotar, de gente que se digladia para pedir uma imperial num qualquer balcão, nestes estranhos dias em que a canícula enlouquece os habitantes de automóveis que formam filas sem fim, quase que arrisco dizer que este livro poderia ser uma aproximação a uma horrenda realidade futura não tão distante como isso. Os 2.000 habitantes de um arranha-céus auto-suficiente percebem que a constante exposição do homem ao homem, com os seus interesses visceral e propositadamente opostos (ah, a doce atracção da luta por algo) é a melhor forma de proporcionar a aniquilação final do homem pelo homem. Ballard embala-nos nesta fábula do mal, contagiando-nos pela secura e naturalidade com que narra o crescendo do ódio e da banalidade do mesmo. Não queremos acreditar que um futuro próximo nos possa trazer algo semelhante mas olhamos para o passado não tão longínquo e reconhecemos o mal. Apenas o cenário mudou, para um supostamente moderno e aconchegante arranha-céus. Não nos deixemos iludir.

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publicado por bolaseletras às 23:44

Quinta do Mocho

Quinta-feira, 20.07.17

 

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Perdido pelos subúrbios ainda mais subúrbios do que o subúrbio que é essa altaneira terra que dá pelo nome de Sacavém, deparo-me com este espetáculo que me deixa sem reação. Há street art e há street art, mas esta abalou-me, mexeu comigo. Não sei se foi pelo inesperado da coisa, se pela grandiosidade do contraste entre a decadência dos prédios e dos equipamentos urbanos com a magnificência daqueles murais em forma de arte, sei que não estava de todo preparado para aquilo. Vagueei lentamente pelas ruas da Quinta do Mocho enquanto fotografava as paredes de tijolo mal tratado e de cimento pior amanhado, magicamente transformadas pelo génio criador e inspirado de artistas de rua. Não pensava em nada, simplesmente mergulhava naquela leve sensação de quem nada sente por estar tão ocupado a sentir. Percebi que os moradores, 100% africanos, pouco me ligavam, pouco ligavam à beleza e imponência das pinturas, pouco atendiam aos minutos que passavam. A arte mudou-lhes as paredes, mas não lhes mudou as vidas nem lhes aqueceu o coração, pelo menos era o que sentia daquela curta interacção. Talvez lhes faltasse alguém ao lado para sentir o calor da dádiva. Talvez a beleza só faça sentido quando partilhada.

 

 

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publicado por bolaseletras às 16:35

O Sting é que a sabia toda

Quarta-feira, 19.07.17

 

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Sobre a polémica dos ciganos que vivem numa sociedade paralela integrados na nossa sociedade e sobre os homossexuais pouco Gentilmente destratados por um senhor com a idade de quem já deu a volta ao relógio e se instalou na confortável poltrona da idade da inocência tenho uma data de inócuas considerações a tecer. Tenho amigos homossexuais e nunca convidei ciganos para entrar lá em casa, mormente tenha jogado ao berlinde com alguns, levado uns cascudos de outro e conseguido escapar ao sangue violento de um vendedor colérico na feira do Relógio. Tenho isto a dizer que nada diz porque não me apetece defender teorias, tomar partido, insultar ideologias. Por mim, farto de gente que bate no peito e se arvora em dona incontestável da sua razão, todas as opiniões serão válidas se permitirem que todos nós consigamos viver com amigos do outro lado da barricada, mesmo que discordando até à medula disto ou daquilo, mesmo que não troquemos alianças ou visitas lá a casa. Quanto aos cascudos e à violência já não sou tão complacente como era em miúdo assustadiço e pouco dado a actos heroicos: olho por olho dente por dente, que isso de dar a outra face é nos filmes por altura do Natal. São monstros, os ciganos? Creio que não, mas regressando à infância com os olhos de hoje diria que são pouco mais que miúdos assustadiços que percebem que quem os olha de fora tem ainda mais medo que eles. Esta profunda reflexão atingiu-me as meninges após a distraída leitura de um comentário perdido por entre mais uma polémica facebookiana, pelo que tenho a acrescentar que isto é muito mais do que me apetecia falar sobre o assunto. Esperem, antes de colar aqui com cuspo o tal comentário perdido, apetece-me deixar apenas mais uma achega – tudo isto me faz lembrar um verso inesquecível de uma canção do Sting: “I hope the russians love their children too”.

 

“Chamava-se David Marcelino e era "o" cigano do 1ºA, minha turma do Camões do Areeiro. "Dunas" nunca tive mas palmou-me o estojo de dois andares que me tinham dado os meus pais como presente combinado de natal e anos. Aquilo era uma coisa linda. Cabrão. Também me deu algumas coisas: lembro-me particularmente de um olho negro, resultado de mo ter afagado com o pé, num gesto que só conhecíamos dos filmes do Bruce "Lim". Tudo por causa de uma super-gorila de morango, ácidas que eu sei lá mas as minhas preferidas e, pelos vistos, do David também. Depois, um dia de manhã, chegou à escola a chorar (lá dos problemas que tinha em casa mas que nunca partilhava) e ficou igual a nós, os que choravam. Nós com medo dele, ele com medo do pai. Recolhidas as lágrimas, nem se distinguiam. Chegados ao 2ºA já éramos amigos. Não jogava um caralho à bola.”

 

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publicado por bolaseletras às 15:24

Quem guarda os nossos guardas?

Terça-feira, 11.07.17

  

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Os 18 (18!!!) agentes de uma esquadra da PSP de Alfragide, todos os agentes dessa esquadra (todos!!!) foram acusados pelo Ministério Público, entre outros crimes, pela prática de crimes de tortura e racismo contra alguns jovens de etnia africana. Independentemente da punição exemplar, disciplinar e criminal, que venha a ser aplicada a estes elementos - caso as acusações venham a provar-se em sede de julgamento, claro está - é preciso, por uma vez, irmos mais longe. Quem, como, com que critérios são recrutados os agentes de autoridade que confiamos defenderão as nossas vidas e bens e a segurança dos nossos filhos? Estes 18 agentes de autoridade (custa tanto escrever isto, considerar que esta gente é agente de alguma coisa, quanto mais de autoridade) são sujeitos a que provas que comprovem a sua honorabilidade, humanidade, educação, etc. e tal, para o exercício de uma das missões mais nobres do Estado? Ou importará apenas a sua destreza física e conhecimentos técnicos? Quem são os responsáveis máximos por validar os critérios e regras que regulam o recrutamento desta gente? Quem permitiu esta desbunda total? Por uma vez, foquemo-nos nas questões por trás das questões imediatas e retiremos consequências sérias de mais uma vergonha nacional. O que é demais é demais.

 

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publicado por bolaseletras às 14:42

Madrid

Sábado, 15.04.17

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Abstraindo dos estereótipos dos turistas irritantes, viciados no instagranismo e nas demais parvoeiras digitais que os impedem de mergulhar na vida dos sítios para onde viajam, Madrid é uma cidade fascinante. Esse fascínio reside em boa parte nas ruelas, bares, tabernas, comedoiros e afins que pintalgam a cidade como cogumelos, no ritual de conversar, petiscar e bebericar enquanto o sol aquece a vontade de nada mais fazer que não seja isso mesmo: falar, comer e beber. As hordas de emigrantes e sem abrigo vão sendo controlados e enxotados por polícias musculados para que os ritmos e rituais dos residentes e dos turistas não sejam prejudicados, Madrid sobrevive à força destruidora do turismo de massas e da globalização muito à custa do tinto fresco, da sidra e das cañas que nos embalam em sonhos de uma vida para sempre nas esplanadas das suas ruelas e becos.

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publicado por bolaseletras às 13:09





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