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Quinta do Mocho

Quinta-feira, 20.07.17

 

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Perdido pelos subúrbios ainda mais subúrbios do que o subúrbio que é essa altaneira terra que dá pelo nome de Sacavém, deparo-me com este espetáculo que me deixa sem reação. Há street art e há street art, mas esta abalou-me, mexeu comigo. Não sei se foi pelo inesperado da coisa, se pela grandiosidade do contraste entre a decadência dos prédios e dos equipamentos urbanos com a magnificência daqueles murais em forma de arte, sei que não estava de todo preparado para aquilo. Vagueei lentamente pelas ruas da Quinta do Mocho enquanto fotografava as paredes de tijolo mal tratado e de cimento pior amanhado, magicamente transformadas pelo génio criador e inspirado de artistas de rua. Não pensava em nada, simplesmente mergulhava naquela leve sensação de quem nada sente por estar tão ocupado a sentir. Percebi que os moradores, 100% africanos, pouco me ligavam, pouco ligavam à beleza e imponência das pinturas, pouco atendiam aos minutos que passavam. A arte mudou-lhes as paredes, mas não lhes mudou as vidas nem lhes aqueceu o coração, pelo menos era o que sentia daquela curta interacção. Talvez lhes faltasse alguém ao lado para sentir o calor da dádiva. Talvez a beleza só faça sentido quando partilhada.

 

 

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publicado por bolaseletras às 16:35

O Sting é que a sabia toda

Quarta-feira, 19.07.17

 

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Sobre a polémica dos ciganos que vivem numa sociedade paralela integrados na nossa sociedade e sobre os homossexuais pouco Gentilmente destratados por um senhor com a idade de quem já deu a volta ao relógio e se instalou na confortável poltrona da idade da inocência tenho uma data de inócuas considerações a tecer. Tenho amigos homossexuais e nunca convidei ciganos para entrar lá em casa, mormente tenha jogado ao berlinde com alguns, levado uns cascudos de outro e conseguido escapar ao sangue violento de um vendedor colérico na feira do Relógio. Tenho isto a dizer que nada diz porque não me apetece defender teorias, tomar partido, insultar ideologias. Por mim, farto de gente que bate no peito e se arvora em dona incontestável da sua razão, todas as opiniões serão válidas se permitirem que todos nós consigamos viver com amigos do outro lado da barricada, mesmo que discordando até à medula disto ou daquilo, mesmo que não troquemos alianças ou visitas lá a casa. Quanto aos cascudos e à violência já não sou tão complacente como era em miúdo assustadiço e pouco dado a actos heroicos: olho por olho dente por dente, que isso de dar a outra face é nos filmes por altura do Natal. São monstros, os ciganos? Creio que não, mas regressando à infância com os olhos de hoje diria que são pouco mais que miúdos assustadiços que percebem que quem os olha de fora tem ainda mais medo que eles. Esta profunda reflexão atingiu-me as meninges após a distraída leitura de um comentário perdido por entre mais uma polémica facebookiana, pelo que tenho a acrescentar que isto é muito mais do que me apetecia falar sobre o assunto. Esperem, antes de colar aqui com cuspo o tal comentário perdido, apetece-me deixar apenas mais uma achega – tudo isto me faz lembrar um verso inesquecível de uma canção do Sting: “I hope the russians love their children too”.

 

“Chamava-se David Marcelino e era "o" cigano do 1ºA, minha turma do Camões do Areeiro. "Dunas" nunca tive mas palmou-me o estojo de dois andares que me tinham dado os meus pais como presente combinado de natal e anos. Aquilo era uma coisa linda. Cabrão. Também me deu algumas coisas: lembro-me particularmente de um olho negro, resultado de mo ter afagado com o pé, num gesto que só conhecíamos dos filmes do Bruce "Lim". Tudo por causa de uma super-gorila de morango, ácidas que eu sei lá mas as minhas preferidas e, pelos vistos, do David também. Depois, um dia de manhã, chegou à escola a chorar (lá dos problemas que tinha em casa mas que nunca partilhava) e ficou igual a nós, os que choravam. Nós com medo dele, ele com medo do pai. Recolhidas as lágrimas, nem se distinguiam. Chegados ao 2ºA já éramos amigos. Não jogava um caralho à bola.”

 

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publicado por bolaseletras às 15:24

Quem guarda os nossos guardas?

Terça-feira, 11.07.17

  

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Os 18 (18!!!) agentes de uma esquadra da PSP de Alfragide, todos os agentes dessa esquadra (todos!!!) foram acusados pelo Ministério Público, entre outros crimes, pela prática de crimes de tortura e racismo contra alguns jovens de etnia africana. Independentemente da punição exemplar, disciplinar e criminal, que venha a ser aplicada a estes elementos - caso as acusações venham a provar-se em sede de julgamento, claro está - é preciso, por uma vez, irmos mais longe. Quem, como, com que critérios são recrutados os agentes de autoridade que confiamos defenderão as nossas vidas e bens e a segurança dos nossos filhos? Estes 18 agentes de autoridade (custa tanto escrever isto, considerar que esta gente é agente de alguma coisa, quanto mais de autoridade) são sujeitos a que provas que comprovem a sua honorabilidade, humanidade, educação, etc. e tal, para o exercício de uma das missões mais nobres do Estado? Ou importará apenas a sua destreza física e conhecimentos técnicos? Quem são os responsáveis máximos por validar os critérios e regras que regulam o recrutamento desta gente? Quem permitiu esta desbunda total? Por uma vez, foquemo-nos nas questões por trás das questões imediatas e retiremos consequências sérias de mais uma vergonha nacional. O que é demais é demais.

 

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publicado por bolaseletras às 14:42

Madrid

Sábado, 15.04.17

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Abstraindo dos estereótipos dos turistas irritantes, viciados no instagranismo e nas demais parvoeiras digitais que os impedem de mergulhar na vida dos sítios para onde viajam, Madrid é uma cidade fascinante. Esse fascínio reside em boa parte nas ruelas, bares, tabernas, comedoiros e afins que pintalgam a cidade como cogumelos, no ritual de conversar, petiscar e bebericar enquanto o sol aquece a vontade de nada mais fazer que não seja isso mesmo: falar, comer e beber. As hordas de emigrantes e sem abrigo vão sendo controlados e enxotados por polícias musculados para que os ritmos e rituais dos residentes e dos turistas não sejam prejudicados, Madrid sobrevive à força destruidora do turismo de massas e da globalização muito à custa do tinto fresco, da sidra e das cañas que nos embalam em sonhos de uma vida para sempre nas esplanadas das suas ruelas e becos.

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publicado por bolaseletras às 13:09

Conselhos para um início de semana mais tranquilo

Segunda-feira, 10.04.17

 

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publicado por bolaseletras às 11:13

Luxos raros

Sexta-feira, 07.04.17

 

Porque há sempre uma televisão ligada. Porque para as crianças não é um luxo, é dormir enquanto se está acordado. Porque força o pensamento e a introspecção. Porque tememos o que revela. 

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publicado por bolaseletras às 10:11

Por entre a luz e as sombras

Sábado, 18.03.17

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No adeus ao Luxemburgo nada de novo nos habituais contrastes que marcam um país de brilho e de sombras. Os fatos acetinados e perfeitamente ajustados aos emproados executivos são a marca de imagem de uma sociedade exteriormente perfeita na sua inegável eficácia e elogiada produtividade. Os sapatos brilhantes e robustos, ao preço de um carro em segunda mão cá pelo burgo, disfarçam mal o que se esconde por trás das vidraças harmoniosamente perfeitas que se multiplicam nas fachadas dos infindáveis quarteirões de escritórios, de fundos, de seguradoras, de bancos, de serviços financeiros. Quem se afasta um pouco desse mundo de lantejoulas arrisca-se a dar com as trombas no outro lado do espelho. Numa qualquer circular externa que conduz o Luxemburgo à sua não perfeita cintura industrial (mais serviços, mas mais baratos), um baldio perdido por entre vias rápidas e pintalgado por cinzentos contentores serve de teatro a meia dúzia de farrapos humanos que se injectam em plena luz do dia, a uma mulher com corpo de criança etíope que mal sustém o equilíbrio enquanto procura defecar com as calças pelos joelhos. As caras dentro do autocarro fingem não ver o que entra pelos olhos dentro, eu não consigo desviar o olhar porque o cheiro a realidade cheira, ainda assim, menos mal do que o fedor da desumana sobranceria financeira.

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publicado por bolaseletras às 10:24

A vida em full HD

Quinta-feira, 09.02.17

 

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As ruas estão hoje mais vazias. Não falo das ruas da moda, onde se encontram as lojas do momento e os bares que estão na berra, falo das ruas onde antes se brincava ou simplesmente se passeava, sem intuitos consumistas ou de ver e ser visto. As ruas onde simplesmente se andava, para sentir o sol na cara ou o vento frio que nos faz sentir vivos. Os cinemas estão mais vazios ou fecharam. Está tudo online. As televisões, por entre as suas centenas de canais albergam tudo o que possamos querer ver e até o que nem sequer sonhamos que existe. Este facilitismo, este novo mundo à distância de um clic ou de um touch corrói gradualmente a vontade de sair de casa. É fácil adaptarmo-nos ao comodismo. Compramos televisões maiores, tablets mais rápidos e com uma qualidade de imagem acima da que a realidade nos fornece, uma poltrona que faz de sofá e se necessário até nos massaja as costas e entregamo-nos ao conforto das quatro paredes aquecidas e das luzes ininterruptas que nos afagam as meninges. O cheiro da relva e os risos das crianças a subir às árvores guardamo-los na memória. Com sorte, a próxima série é sobre essas memórias e em full HD.

 

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publicado por bolaseletras às 09:55

Isto é uma capa

Sábado, 04.02.17

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publicado por bolaseletras às 14:53

S-U-C-K-E-R-S!

Quinta-feira, 26.01.17

 

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Suckers, idiotas, arrogantes, cegos, ingénuos. Não os que votaram em Trump, mas sim os que se recusaram a ler os sinais de insatisfação do povo, os que juraram a pés juntos que tamanha besta nunca poderia chegar a presidente da maior potência mundial. Idiotas os que nada fizeram para mudar as causas do descontentamento das pessoas, arrogantes os que julgaram que as pessoas se conformariam ao pouco que os de sempre tinham para lhes dar, cegos os que não quiseram ver os sinais claros de que a vontade de mudança fervilhava, ingénuos os que se julgaram infalíveis. A culpa não é de Trump, é de quem fez com que ele fosse lá colocado! E quem contribuiu para isso fomos todos nós, meus amigos, todos nós que em nada contribuímos para que todos nós vivêssemos um bocadinho melhor.

 

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publicado por bolaseletras às 11:03





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