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Sexta-feira, contra os excessos de energia

Quinta-feira, 26.10.17

  

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Por vezes só queremos mesmo que chegue sexta-feira. Por vezes nem nos apercebemos do cansaço físico e psíquico, de tão envolvidos que estamos nas tarefas, projetos e minudências que nos provocam esse estado. O excesso de desporto e de trabalho, a desmesurada preocupação com tudo e com todos, como se por acaso fossemos nós eventuais Deuses que pudéssemos mudar o rumo do que já está tantas vezes destinado. Por outro lado, esquecemo-nos demasiadas vezes que a energia de quem dá pode provocar atritos em quem recebe, resultando daí que a energia positivamente emitida pode ter efeitos negativos. Sexta-feira, venha ela.

 

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publicado por bolaseletras às 14:27

O mergulho

Terça-feira, 17.10.17

  

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Sabia que a sua natureza era mais forte do que todas as regras e grilhetas que a sociedade ou os que a rodeavam pretendiam impor-lhe. Gostava dela assim, selvagem, indiferente a convenções e tabus artificiais, mas pedia-lhe por vezes alguma contenção. Mais por a querer só para si, o seu precioso segredo, do que pelo choque cultural que a atitude de uma mulher selvagem pudesse provocar nos outros. Quando ela lhe sorriu da soleira da porta, anunciando que ia estrear a praia junto à nova casa, devolveu-lhe o sorriso e pediu-lhe apenas para usar o lenço de praia que lhe cobria as belezas inigualáveis que tinha o privilégio e o desmedido prazer de conhecer até ao tutano. Ela desfez-se naquela gargalhada de miúda marota que o deixava desarmado, replicando que não ia a lado algum sem o seu muito amado lenço. Da janela, viu-a afastar-se em saltinhos de gazela, chegar à praia obedientemente coberta pelo tão amado lenço, sentiu a alegria contagiante que o sol abrasador e o mar em forma de céu líquido lhe transmitiam, e não conseguiu conter a gargalhada perante o espectáculo único que foi a sua entrada mar adentro. Live and let live.

 

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publicado por bolaseletras às 11:51

O sinal

Quarta-feira, 04.10.17

 

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Escrevi o texto seguinte há dois anos. Poderia tê-lo feito hoje, pois no domingo tudo se mantinha igual, no mesmo sítio, como se o tempo tivesse parado. Os rapazes continuam a adorar o ato de depositar o papel na urna (hoje já com maior consciência da importância do mesmo), os velhos continuam velhos, de passo lento e frágil, mas decididos, os seus olhos com o brilho que, creio, acompanha sempre os olhos dos velhos, como se não existissem muito mais razões no mundo para lhes fazer brilhar a alma e iluminar o olhar. No domingo passado não choveu como há dois anos, brilhou sim um sol abrasador, talvez o mais sublime sinal de que a esperança afinal faz sentido.

 

“Alguns anos depois, votar na escola onde fiz o ciclo preparatório (a boa e velha “Fernando Pessoa”, aos Olivais). Ver os meus dois filhos depositarem o voto dos pais nas urnas. Cedo, que com filhos pequenos a preguiça foi encarcerada na urna. É cedo que os nossos velhos vão votar, devagar, passo frágil, mas decidido. Olhos sem brilho, cabisbaixos, como se a esperança definhasse na exacta medida dos jovens que rareiam nas mesas de voto. Os meus filhos radiantes pela nova experiência. A esperança a despontar por entre os pingos da chuva.”

 

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publicado por bolaseletras às 17:18

Quando a realidade supera a ficção

Segunda-feira, 02.10.17

 

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Primeiro que tudo gostaria de vincar que acho de uma estupidez inqualificável o drama criado pelo facto de no dia das eleições ocorrerem jogos de futebol, nomeadamente o Sporting vs Porto. Mas esta gente da CNE e afins acha que somos algumas crianças irresponsáveis que, por dá aquela palha, negligencia o nobre dever/direito de eleger democraticamente os seus representantes? Já agora só falta dizer que, distraídos com os dribles hipnóticos do Brahimi e as defesas miraculosas de S. Patrício, haveria gente letrada que poderia sentar no cadeirão do poder gente de má estirpe, quiçá ex-condenados populistas e comprovadamente mais ciosos da sua fortuna e bem estar pessoal do que com o cumprimento zeloso dos seus deveres públicos. Tende juízo, senhores, o povo é sereno e quem mais ordena!

 

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publicado por bolaseletras às 17:03

Pedrógão Grande - três meses depois

Quarta-feira, 20.09.17

  

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Pedrógão Grande - Reportagem do The Guardian

 

Passaram três meses da tragédia de Pedrógão Grande e pouco sabemos sobre o que falhou, o que podia ter sido feito para minorar as enormes perdas humanas e materiais. Não se conhecendo/reconhecendo/auditando o que falhou dificilmente serão avançados planos ou soluções concretas com qualidade para evitar tragédias semelhantes no futuro. Sem se debater e colocar no papel o que não foi e deveria ter sido feito (a prevenção que não existiu, as falhas no combate ao fogo, a falência ou insuficiência de meios) qualquer reforma legislativa ou de recursos humanos e materiais será uma falácia, uma forma de atirar areia para os olhos dos cidadãos. Até à próxima e inevitável tragédia.

As funções essenciais desempenhadas pelo estado, de defesa do território e das populaçãoes (a tão propalada protecção civil) revelam fragilidades mais que preocupantes e pouco ouvimos sobre o que será feito para melhorar e reformar o que tão torto está e que, pelo andar da carruagem, tarde ou nunca se endireitará. Não chegam demissões por motivos laterais, não chega responsabilizar contratos mal paridos e pior geridos. É preciso colocar o dedo na ferida, de modo a que doa, a que o país grite de revolta, a que alguém tenha a coragem de dar a volta ao texto e a vergonha de não deixar tudo ficar como está. Por nós, pelo país, pela memória dos que morreram.

 

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publicado por bolaseletras às 09:34

Pepsi? Não obrigado

Sexta-feira, 08.09.17

 

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Esta cena dos anúncios da coca-cola é perfeita para posts de sexta-feira. Bebida refrescante, moçoila ainda mais fresca, leveza na vista e no pensamento, apenas o risco calculado de ser chamado machista, acusado de olhar para as mulheres como um objecto, etc. e tal. Para piorar essa hipotética situação, arrisco-me a dizer que se não fossem algumas mulheres terrivelmente invejosas (algumas, poucas, uma minoria ínfima!) elas próprias disfrutariam das refrescantes bolhinhas de cafeína e açúcar a estimularem-lhes o corpo e a vida. Bom fim de semana!

 

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publicado por bolaseletras às 10:01

Pela diferenciação e não discriminação do mais belo sexo - Gisele Bündchen

Terça-feira, 05.09.17

 

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"In the beginning, you know, everyone told me, 'Your eyes are too small, the nose is too big, you can never be on a magazine cover.' But, you know what? The big nose is coming with a big personality.”   

 

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publicado por bolaseletras às 11:16

Pela diferenciação e não discriminação do mais belo sexo

Quinta-feira, 31.08.17

 

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Já não há saco para a histeria da igualdade de género, a polémica dos manuais da Porto Editora, os ataques virulentos nas redes sociais, a vontade infantil de criticar por tudo e por nada. É evidente que sou contra a discriminação das mulheres em prol dos broncos com quem partilho o género, é evidente que existem diferenças entre ambos os sexos e ainda bem! Isso não implica que as diferenças devam ser eliminadas no afã de eliminar qualquer tipo de discriminação. A discriminação está em todo o lado: na condição social, na idade, na cor da pele, na forma de vestir, no diabo a sete, e não é tornando tudo igual que vamos resolver a questão! Eu adoro mulheres, adoro tudo o que as diferencia de nós - a sensibilidade, a graciosidade, as pernas, os olhos, o sorriso, os seios, as nádegas, o sexto sentido, e não vou abdicar de gostar de tudo isso com medo de me apontarem o dedo do meio e me chamarem machista! A minha forma de expressar a minha admiração pelas mulheres e de abominar a sua discriminação é gostar de tudo isso que faz delas esse ser maravilhoso. E assim nasce uma nova série denominada “Pela diferenciação e não discriminação do mais belo sexo”. Deal with that!

 

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publicado por bolaseletras às 09:34

O regresso

Terça-feira, 29.08.17

 

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Há verões que não voltam, há sensações que se perdem no tempo obscuro das nossas ténues recordações. As escassas semanas que nos concedemos da vida que sonhamos são a amostra da nossa impotência face ao peso da vida que nos verga nos restantes 340 dias do ano. Não haverá soluções e escassas serão as artes mágicas que atenuem a sensação de impotência que comporta o regresso das férias. Talvez vivermos melhor o dia a dia, encararmos as chatices laborais, familiares e escolares como um desafio à nossa capacidade criativa, colocarmos um pouco de magia em tudo aquilo que parece aborrecido e repetitivo, enfrentarmos os rituais diários com um leve sorriso trocista, descobrir-lhes a graça e pincelar-lhes o cinzentismo com o arco-íris que nos ficou dos dias de mar e de sol. Porque não, simplesmente, tirar uns minutos pela manhã para escrever umas parvoíces ou para refletir sobre tudo e sobre nada? Experimentem.

 

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publicado por bolaseletras às 10:23

Arranha-céus, por J.G. Ballard

Domingo, 06.08.17

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Em tempo de praias a abarrotar, de gente que se digladia para pedir uma imperial num qualquer balcão, nestes estranhos dias em que a canícula enlouquece os habitantes de automóveis que formam filas sem fim, quase que arrisco dizer que este livro poderia ser uma aproximação a uma horrenda realidade futura não tão distante como isso. Os 2.000 habitantes de um arranha-céus auto-suficiente percebem que a constante exposição do homem ao homem, com os seus interesses visceral e propositadamente opostos (ah, a doce atracção da luta por algo) é a melhor forma de proporcionar a aniquilação final do homem pelo homem. Ballard embala-nos nesta fábula do mal, contagiando-nos pela secura e naturalidade com que narra o crescendo do ódio e da banalidade do mesmo. Não queremos acreditar que um futuro próximo nos possa trazer algo semelhante mas olhamos para o passado não tão longínquo e reconhecemos o mal. Apenas o cenário mudou, para um supostamente moderno e aconchegante arranha-céus. Não nos deixemos iludir.

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publicado por bolaseletras às 23:44





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