Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]


Até ao osso

Quarta-feira, 06.09.17

 

silencio.jpg

 

Mais do que a solidão buscava o silêncio. Mais do que o afago do sol desejava a imensidão do mar. Ansiava somente pela sensação de que tudo o resto era mar, azul, inteiro, fiável, eterno e imune ao passar das horas, dos dias, dos anos. Mais do que essa sensação sonhava que um dia essa seria a sua realidade: ela e o mar, ela e nada mais. Soubera, desde o momento em que descobrira o amor, que era inevitável que o fim fosse esse. Não tivera, contudo, forças para abdicar de o viver até ao tutano, até que só restasse osso, dor e mar.

   

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado por bolaseletras às 10:18

Emma Hartvig - o presente inacabado

Quinta-feira, 27.07.17

 

10.jpg

 

O último post indiciava que o blog abrira a porta à enxurrada de fotos de mulheres perfeitas e idílicas imagens de Verão. Falso, este blog não é de fiar. O cérebro tanto se desliga como no segundo a seguir borbulha de ideias, sufocado por dúvidas e prenhe de soluções imperfeitas. A fotógrafa sueca Emma Hartvig descobriu com a sua câmara o que boa parte da humanidade demora toda uma vida a reconhecer: não há corpos nem histórias de amor perfeitas, todas as histórias permanecem incompletas, o presente é um inacabado ponto de interrogação, a solidão tanto se vive só como acompanhado.

 

11.jpg

 

12.jpg

 

13.jpg

 

14.jpg

 

15.jpg

 

16.jpg

 

17.jpg

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado por bolaseletras às 09:08

Disfrutar - não ceder às maléficas e anestesiantes garras do maralhal

Sexta-feira, 14.07.17

1.jpg

 

Perdermo-nos no ruído dos outros é esquecermo-nos de nós. Será vantajoso, se é esse o esquecimento que buscamos. Podemos, contudo, optar por nos perdermos em nós. Numa praia deserta ou semi-habitada. No silêncio mais perfeito que só a submersão no nosso mar nos devolve. Aquela esplanada repleta de inspiração visual e morta de sons humanos. Rir sem razão e sem eco, só porque sim. O silêncio aconchegante da música. Como única companhia o sonho nas asas do desejo.

 

2.jpg

 

3.jpg

 

4.jpg

 

5.jpg

 

7.jpg

 

8.jpg

 

9.jpg

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado por bolaseletras às 14:30

A distância na linguagem dos clichés

Terça-feira, 03.01.17

 

z_distancia.jpg

 

“A distância não a encontramos no espaço que nos separa mas sim no silêncio com que povoamos esse espaço.”

 

Era capaz de ganhar a vida a inventar clichés quase tão geniais como este. Ou a ter a arrogância de pensar que os clichés com que interpreto a vida podem sequer roçar a genialidade.

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado por bolaseletras às 14:39

Por um 2017 em que efectivamente contemos

Segunda-feira, 02.01.17

15623914_917258428374950_5612265277858250752_n.jpg

 

Vieram as festas e a azáfama cega das jantaradas, das prendas, das compras e trocas, da falta de tempo para o aprofundamento das confortáveis futilidades da vida, e ficámos no canto a assistir, como se todo aquele alucinante movimento que nos afastou de nós próprios fosse o propósito de uma vida que parece não nos considerar na equação da nossa própria vida. Depois, chegou o início de algo novo e supostamente renovador, nem que seja apenas mais um leque de 365 conjuntos de 24 horas, e arrancamos a toda a velocidade, atropelando tudo e todos, espezinhando o nosso eu que clama baixinho por um momento, por uma pausa, por um olhar para dentro. Bom 2017 mas, por favor, não se esqueçam de vocês.

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado por bolaseletras às 11:42

Teaser

Quarta-feira, 07.12.16

  

Stan Getz, playing at Cosmo Alley, Los Angeles, 19

Há dias em que tudo é preto e branco sem se sentir demasiado o peso das sombras nem a leveza da claridade. Há horas que queríamos repletas de sons na penumbra de uma aconchegante solidão, como que o prelúdio de algo grandioso, uma valsa sem fim e sem princípio, um eterno intervalo que nos afasta das alamedas polvilhadas de cores berrantes e exageradas. Há dias em que só queríamos escutar o roçagar daquele vestido preto naquele corpo que esconde todas as cores do arco-íris.

 

z_reflexos.jpg

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado por bolaseletras às 17:17

O quadro

Terça-feira, 29.03.16

 

museu.jpg

 Fotografia de Mariel Cortés

 

Entrei naquela morada sem pensar, somente para fugir da loucura em que me sentia afundar. A fachada do edifício e as pessoas que nele entravam inspiraram-me calma, normalidade, a possibilidade de impor a mim mesmo uma pausa no turbilhão que ameaçava estilhaçar-me. Nas paredes navego por obras de arte, algumas paisagens bucólicas, cenas da vida quotidiana, retratos e auto-retratos que me conciliam com a vida como ela quase sempre é ou devia ser, imagens que me devolvem ao que se pode chamar “normalidade”. Percorro todas as salas do museu até alcançar a última. Não vejo ninguém a entrar ou a sair e entro desprevenido. O quadro dilacera-me e reconduz-me aos braços da luxúria e do pecado, a paz de espírito passageira estilhaça-se nas sugestões de guerra, ódio e sexo desenfreado, alheado do amor e do prazer. Não emito qualquer som mas a única pessoa que contempla o quadro sente-me, fixa-me, transfere com o olhar toda a força da sua loucura, ignorando que, naquele preciso momento, todo o meu ser já não suporta nem mais um grama de demência.

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado por bolaseletras às 15:16

Terapia

Quinta-feira, 04.02.16

   

terapia.jpg

 

Os portugueses precisam de olhar para si e perceber o que os novos tempos lhes trazem. As angústias hoje são outras, os estados depressivos alastram como um vírus imbatível. Há quem fale, há quem chore, mas desconfio que a maioria esconde a dor de sofrer sem sequer perceber porquê. A RTP, conduzida pela mão sabedora de Virgílio Castelo, teve a excelente ideia e correu o risco de levantar o véu sobre essa dor, os seus ínvios caminhos, sobre um possível tratamento/alívio da mesma. Não falo da terapia, falo de deitar cá para fora, de falar. Por mais de uma vez disse a pessoas que se afundavam nesse nevoeiro de sentimentos que, caso não quisessem falar com um profissional, que escolhessem um amigo, um bom ouvinte, para falarem, para deitarem cá para fora, para chorarem. Como diz e bem o bom do Virgílio, é na dor que crescemos, mas se queremos ser felizes precisamos de afectos, de gente na nossa vida.

 

“O que fazemos de mais importante é nascer e morrer, e aí estamos sozinhos. (…) Há uma rede que se vai criando, porque fazer isto tudo é uma trabalheira enorme e não tem metade da graça. Mas quando olhamos para trás e pensamos na nossa vida, apercebemo-nos que é sempre na dor que crescemos. E nesses momentos, mais uma vez, estamos sozinhos. Tudo o que é estrutural na vida é feito sozinho, mas de facto aquilo que a física quântica está a provar agora é que podemos estar sozinhos mas fazemos parte do mesmo processo e não há energia que um de nós desencadeie que não tenha uma resposta do outro lado. E por isso essa rede de afectos que vamos construindo ao longo da vida é natural. Como diz a canção brasileira, “ninguém é feliz sozinho”.

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado por bolaseletras às 10:02

O frio lá fora

Segunda-feira, 01.02.16

littlecoal_2015-12-19_13-56-13.jpg

Noites frias que nos encerram em casa. O calor do lar, o frio que deixamos nas ruas, as pessoas que se isolam na desculpa perfeita. Darmos e recebermos nem sempre é fácil, sairmos do conforto das nossas convicções e aceitarmos os outros. Como crescer sem essas trocas, sem interagir com a diferença, sem tocarmos no que não acreditamos? A crescente tentação de mergulharmos na confortável filosofia do "conhece-te a ti mesmo" não será uma muito bem encenada fuga a esse processo único de crescimento que é conhecer o mundo e os outros? Ou, simplesmente, quem se busca a si mesmo oculta em frases bonitas e conceitos inexpugnáveis a comparação com o que desconhece? Diz-me quanto te dás, dir-te-ei quem és.

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado por bolaseletras às 21:20

A austeridade em tons cor de laranja

Terça-feira, 01.12.15

  

Transportes públicos.jpg

 

O céu cor de cinza era um convite às caras fechadas, aos olhares vazios, ao silêncio que imperava no rotineiro trajecto casa-trabalho-trabalho-casa. Os velhos comportavam-se como velhos, numa espera soturna e religiosamente ascética, ausente de expressões e emoções, como estátuas carcomidas pelo tempo que aguardavam o regresso ao casulo solitário ou a chegada da eterna espera, a estrada sem fim do desconhecido. Os adultos, nem demasiado velhos nem irremediavelmente afastados da juventude (há ainda esperança para alguns que de quando em vez regressam à idade da luz), cumpriam o ritual como quem se prepara para dormir, sem vontade de gastar mais palavras ou sorrisos. Aquela era uma pausa nas interacções humanas e era assim que devia ser. Os jovens refugiavam-se na música que atavam aos ouvidos como se apertassem os atacadores dos sapatos – apenas mais uma tarefa na linha de montagem diária -, as crianças, contagiadas pela austeridade emocional, encolhiam-se no colo das mães, se sentadas, ou atarrachavam-se aos seus joelhos em horas de ponta. Estou plenamente convencido que a abolição dos autocarros seria um pequeno passo para o caos urbano mas um grande passo para a humanidade.

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado por bolaseletras às 14:41





mais sobre mim

foto do autor




Flag counter (desde 15-06-2010)

free counters


favorito


links

Best of the best - Imperdíveis

Bola, livres directos & foras de jogo

Favoritos - Segunda vaga

Cool, chique & trendy

Livros, letras & afins

Cinema, fitas & curtas

Radio & Grafonolas

Top disco do Miguelinho

Política, asfixias & liberdades

Justiça & Direito

Media, jornais & pasquins

Fora de portas, estrangeirices & resto do mundo

Mulheres, amor & sexo

Humor, sorrisos & gargalhadas

Tintos, brancos & verdes

Restaurantes, tascas & petiscos

Cartoons, BD e artes várias

Fotografia & olhares

Pais & Filhos


arquivos

  1. 2017
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2016
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2015
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2014
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2013
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2012
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2011
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D
  92. 2010
  93. J
  94. F
  95. M
  96. A
  97. M
  98. J
  99. J
  100. A
  101. S
  102. O
  103. N
  104. D
  105. 2009
  106. J
  107. F
  108. M
  109. A
  110. M
  111. J
  112. J
  113. A
  114. S
  115. O
  116. N
  117. D
  118. 2008
  119. J
  120. F
  121. M
  122. A
  123. M
  124. J
  125. J
  126. A
  127. S
  128. O
  129. N
  130. D

pesquisar

Pesquisar no Blog