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Senhoras e senhores eleitores, uma atençãozinha...

Quinta-feira, 24.09.20

 

trump.jpg

Ontem foi um dia bem demonstrativo dos tempos estranhos que vivemos. Ontem, ao fim de 75 anos de existência, pela primeira vez os membros da ONU reuniram-se virtualmente, gentileza dessa nova sala de estar universal que é o Zoom, disseminada por obra e graça dos medos e efeitos da pandemia Covidiana. O que em tempos foi a mais relevante organização internacional, criada para colocar os países a falar uns com os outros e os afastar do mal, das guerras, do diabo a sete, é hoje uma organização minada por dentro, carcomida pelos egoísmos nacionalistas dos seus membros. Se tudo isto já não fazia antever a tomada de decisões corajosas e declarações inspiradoras saídas deste fórum global, o que por lá se ouviu foi um alarme divino, um concerto de trompas de anjos desesperados. Trump e Bolsonaro resolveram bradar aos céus a gestão exemplar que fizeram da pandemia, Putin choramingou pela falta de bondade e humanidade neste mundo cruel em que vivemos, o iraniano Rouhani criticou as maldades que grassam no mundo (colocando para trás das costas as atrocidades do regime que chefia), Macron disparou qual caçador possuído por litros de medronho, atacando tudo e todos.

O mundo está perigoso e líderes mundiais teimam em lançar achas para a fogueira, guiados por uma perigosa mistura de incompetência, ignorância e excesso de focagem nos seus nacionais umbigos. A democracia, a pior forma de governo, com exceção das demais (ah, Winston, tu é que a sabias toda) parece tornar-se efetivamente ainda pior na sua versão de democracia representativa, abrindo brechas para que outras formas de governo possam ganhar força. Minhas amigas, meus amigos, o Trump se fosse nosso colega de escola seria justamente vítima de bullying ou pior, o xor Jair chumbaria com mérito na primeira classe. Somos democraticamente representados por estas anémonas, o que significa que votámos neles. VEJAM LÁ ESSA MERDA, DASSSSSSSS!!!

 

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publicado por bolaseletras às 12:10

Quanto tempo mais?

Quinta-feira, 17.09.20

    

covid.png

 

Quando deixamos de poder respirar em liberdade pouco há mais em que pensar do que essa ausência de liberdade. A máscara que nos autoimpusemos é a medida da nossa mente, como se o horizonte para lá do bafo quente e claustrofóbico que incessantemente respiramos tivesse perdido a sua dimensão de sonho. As conversas começam e terminam no vírus, nas saudades de um modo de vida recente que sempre tomámos por garantido, no “foda-se, esqueci-me da máscara”, na raiva por não podermos visitar sem máscara e mil cuidados os nossos pais, por separarmos os filhos dos seus velhos amigos - as avós e os avós - em nome da saúde, da longevidade que, por este caminho, deixará de fazer tanto sentido assim. Entretanto, enquanto nos protegemos deste maldito vírus, que poupa os novos e mata os velhos, deixamos que mais gente morra de outras doenças, porque tiveram medo de procurar os habituais cuidados médicos a que recorriam para evitar e combater os outros milhares de doenças, porque os próprios cuidadores e serviços de saúde estiveram focados no vírus que enche os écrans dia e noite, o vírus que é a bitola do sucesso de políticos em constante frenesim para mostrarem ao mundo que não darão tréguas à disseminação do bicho, é o maldito e minúsculo vírus que decidirá quem liderará o mundo outrora livre.

Nas escolas os miúdos riem e brincam dentro de uma nova realidade, porque são plasticina que a tudo se adapta, mas sentem a artificialidade dos recreios, sofrem com o calor da máscara na sala de aula, perdem capacidades de aprendizagem porque os óculos embaciam, porque não estão para pedir a palavra e falar em esforço, porque os professores se enredam na dificuldade de passar a mensagem, porque tudo aquilo vai contra a sua natureza, contra a nossa natureza. A natureza que teimamos em negligenciar ameaça engolir-nos neste medo invisível. Quanto tempo demorará a salvífica vacina? Quantos mais vírus surgirão depois dessa suposta salvação? Quanto mais tempo levaremos a tirar a máscara que nos impede de ver que a causa de tudo isto somos nós?

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publicado por bolaseletras às 11:48

Nada de nada

Sexta-feira, 14.08.20

  

m.png

 

Por aqui o silêncio acompanha os tempos estranhos que vivemos. Não sabemos muito bem o que dizer, o futuro é incerto, todas as palavras parecem petulantes ou desnecessárias. A vida encarrega-se de desmentir essa ideia idiota de que somos os donos de uma qualquer razão. Tenho por exemplo o hábito de escrever sobre mulheres, relações, seduções, e o que sei eu da vida ou do fruto proibido, do amor ou da falta dele? Quem sou eu para me armar em sabedor de coisa alguma?

 

“- Porque escreves dessa maneira sobre mulheres?

- De que maneira?

- Tu sabes.

- Não, não sei.

- Pois bem, eu acho que é uma pena dos diabos que um homem que escreve tão bem como tu não saiba nada de nada sobre mulheres”

                                                                                       In “Mulheres”, de Charles Bukowski

 

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publicado por bolaseletras às 15:08

Mil máscaras

Sexta-feira, 22.05.20

 

covid2.jpg

Quatro paredes que encerram o medo nos recantos do nosso assético casulo. A vida mascarada de vida, o medo convertido no novo normal. Pelo canto do olhar desconfiado as saudades do sorriso aberto de há 3 meses, há 3 meses foda-se, há 3 meses a rapariga da pastelaria sorria enquanto corava e corava enquanto sorria, desfazia-se no calor dos meus galanteios como o creme do mil folhas se evaporava na minha boca a ferver do sorriso dela. Não, não há na minha vida nenhuma loira de generosos e fartos seios da pastelaria do bairro, há apenas a raiva por não ver sorrisos abertos e tímidos por detrás das cirúrgicas máscaras que nos converteram a todos em doentes ambulantes, em hipocondríacos cinzentos e macilentos, zombies sonâmbulos cuja ambição maior é fugir ao bicho, ao Covid, ao coveiro, à cova onde todos acabaremos, com ou sem máscara. O caminho que faremos até deitarmos as costelas na terra fria somos nós que o escolhemos. Preferem fazê-lo a sorrir e a beijar, ou a sentir o bafo do medo encostado a lábios secos e carentes do calor da boca do vosso amor, do engate do momento, da moça da pastelaria de mamas de mil sonhos e folhas? Vejam lá isso, porra.

 

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publicado por bolaseletras às 12:22

Strange days

Terça-feira, 12.05.20

 

Flavio Greco Paglia.jpg

Arte por Flavio Greco Paglia

O que ontem tomámos como garantido e que assim vinha sendo há anos pulverizou-se em escassas e distópicas semanas. Um vírus microscópico, uma ameaça invisível que torna visível a fragilidade humana, a infantilidade das certezas, a nossa incapacidade de adaptação. Os líderes mundiais que julgámos medianamente imbecis mas, ainda assim, foda-se, ainda assim, acreditávamos terem uma pinga de bom senso ou, pelo menos, a inteligência de se rodearem de conselheiros sábios, assumiram toda a imbecilidade megalómana que julgáramos impossível de atingir. Amigos normais que aprendemos a admirar sucumbem ao pânico e transformam-se, por artes de feitiçaria, em débeis imitações de adolescentes borbulhentos e geneticamente imaturos. Já ninguém se lembra porque tem a dispensa repleta de rolos de papel higiénico, há quem pague pequenas e patéticas fortunas por máscaras fashion. Uma amiga que admirava pela calma e sensatez dispara nas redes sociais, ganha garras e garra e ataca os confinados desesperados “Gajos casados que andam ao engate, só prova o quão cobardes são. Preferem a segurança aparente de uma relação falhada e depois tentam comer por fora. Não quero julgar ninguém, cada um faz o que quer, mas pelo menos aguentem quando levam negas, ok?”. Assomos de louca coragem (se é bom ou mau, não serei eu a julgar) confundidos por entre reações de pânico, como a de um conhecido bem posicionado nas hierarquias do poder que enviou uma mensagem de whatsapp, para as suas centenas de contactos, alertando, um dia antes da declaração do estado de emergência, para que todos fossem a correr aos supermercados e farmácias, porque ia tudo esgotar, íamos ficar meses sem poder sair, salvem-se e salvem os vossos, gritava ele, desesperado, marimbando-se para todos os outros, pobres mortais, que não tiveram acesso a essa informação privilegiada.

O mundo não será destruído por aqueles que fazem o mal, mas por aqueles que assistem sem nada fazer”, publica uma amiga, atribuindo a sábia frase ao grande Einstein, só não sei se ela vai fazer algo com essa grandiloquente mensagem ou se vai apenas sorrir, com o ego afagado por si própria e pela sua incrível capacidade de espalhar sabedoria. Olho para os meus filhos, saudosos dos amigos e da escola, mas a saber disfrutar desta nova proximidade familiar, ainda que forçada, e pergunto-me quem serão os génios que querem devolver as crianças ao seu mundo, restituindo-lhes algum normal, com regras que apenas lhes ensinarão o caminho da desumanização. Não sou o Albert, mas sou rapaz para dizer que o futuro somos nós que o construímos e que o medo não é bom conselheiro para os dias que hão-de vir. Vejam lá isso.

 

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publicado por bolaseletras às 11:07

A fábula moderna da formiga e do elefante

Sábado, 04.04.20

formiga.jpg

O que mais faltava à humanidade, o que todos ansiamos escutar, ler, aprender um pouco mais, polemizar, atafulhar os nossos cérebros com mais um punhado de acendalhas para a fogueira do pânico colectivo, é, indubitavelmente, mais uma ladainha sobre a pandemia, o horror, o fim dos tempos ou o começo de um novo tempo. Mas não, recuso-me a enveredar por esse sentido sem retorno, a entrar nesse círculo vicioso habitado pelos coléricos donos da razão. Vou antes discorrer um pouco sobre a fábula da formiga e do elefante. A formiga somos nós, patéticos grãos de areia neste deserto de incertezas. Os elefantes, os pesos pesados que hipotecam os velhos tempos e nos conduzem, cegos e dilacerados pelo medo, a caminho de um novo futuro, o futuro perfeito, pois desconhecido e opaco. Se há arte em que os nossos líderes se tornaram peritos nesta modernidade sensaborona e desajeitada foi o de nos fazerem ignorar o elefante no meio da sala, da aldeiazinha, da vila, da cidade, da pátria, do mundo inteiro. Biliões de letras depois, milhões de palavras gastas, milhares de artigos científicos discorridos, opiniões sem fim à vista passadas e os elefantes crescem e esmagam-nos, cheios de si, alimentados pela nossa permissiva passividade.

De que elefantes falo? Meus amigos, a título de exemplo, permitam-me soletrar três nomes próprios, três elefantes gordurosos que as patéticas formigas colocaram no leme de três das maiores nações mundiais: Trump, Bolsonaro, Boris Johnson. Trump, Bolsonaro, Boris Johnson. Trampa, bosta, burrice pura. Como enfrentaram estes “líderes” a pandemia? Desvalorizando, ridicularizando, sublinhando a primazia dos cifrões sobre o valor central da humanidade, esse mesmo, a vida humana. Hoje, claro, recuam, mesmo que timidamente, perante a alarvidade inicial das suas convicções bárbaras e ignorantes, para nos cantarem canções de embalar sobre a inevitabilidade das mortes, o horror do vírus, como se não fossem os responsáveis por futuras e evitáveis centenas de milhar de mortes que patrocinaram e que não se dignaram a proteger.

Mas há mais elefantes. As causas das coisas. Tudo tem uma origem e teimamos em olhar para outro lado. Os artigos científicos sobre a perturbação de ecossistemas, sobre a exploração, o tráfico ilegal e o comércio legal de animais selvagens, esses parecem esquecidos e pouco relevantes. As provas inequívocas de que este e os anteriores Coronavírus têm origem nesses animais, no desequilíbrio e na promiscuidade com que o homem trata a natureza, trazendo para a cadeia humana vírus inconsequentes para animais selvagens, mas mortíferos para o homem, nada disso é colocado no topo das discussões, das prioridades preventivas para travar estas pandemias que assolam o mundo e ameaçam a vida humana. A origem do mal é um elefante gigante, invisível aos olhos de quem tem que nos defender e decidir.

Temos também o elefante da receita que pode ser a nossa morte. Começamos todos a perceber, formigas e elefantes, que fecharmo-nos nos casulos para que o vírus não entre em nós é abrir as portas a que a pobreza e a miséria possam entrar no futuro próximo dos anos que se seguem. Como vamos equilibrar, rapidamente, antes que o futuro se desmorone, a necessidade de nos protegermos com a urgência em continuarmos a viver e a produzir? O elefante da falta de respostas, da ausência de coragem/imaginação para questionar as receitas atuais, esmaga-nos lentamente.

Cá pelo burgo os elefantes são mais pequenos mas igualmente ignorados. A falta de meios, o desinvestimento no serviço nacional de saúde, são ocultados por detrás de elefantes habilmente alimentados. A falta de testes passou a ser apresentada como a necessidade de apenas testar aqueles que têm sintomas, isto apesar de a OMS bradar aos sete ventos que a prioridade é testar, testar, testar. Os casos de sucesso em que a pandemia foi travada ou retardada com mais sucesso, suportados pelo uso generalizado de máscaras pela população, não valem de nada quando o elefante da falta de meios/máscaras cá pelo nosso cantinho verdejante e solarengo são transformados em alegorias elefantinas de “a máscara até pode ser contraproducente se mal usada” (como se fôssemos crianças idiotas) ou “a máscara só serve para quem tem o vírus não o passar para os outros”.

Os elefantes caminham vagarosa e pesadamente sobre o trilho das formigas. Aqueles são poucos mas poderosos, diz-se, estas são imensas mas impotentes, será? Ou apenas cobardes? Ou ignorantes? Ou confortável e cegamente confiantes naqueles perigosos paquidermes? Porque não tentamos mudar o rumo do nosso futuro, é a questão que realmente me atormenta. Ontem de noite sublinhei este trecho de “Os cus de Judas”, de Lobo Antunes. Se calhar é isto, tristemente é isto:

O que os outros exigem de nós, entende, é que os não ponhamos em causa, não sacudamos as suas vidas miniaturais calafetadas contra o desespero e a esperança, não quebremos os seus aquários de peixes surdos a flutuarem na água limosa do dia a dia, aclarada de viés pela lâmpada sonolenta do que chamamos virtude e que consiste apenas, se observada de perto, na ausência morna de ambições”.

 

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publicado por bolaseletras às 19:39

Nick Cave - More news from nowhere (para combater a puta da pandemia)

Sexta-feira, 03.04.20

I walk into the corner of my room
see my friends in high places
I dont know which is which or who is whom
theyve stolen each others faces
Janet is there w/ her hi-hatting hair
full of bedroom feathers
Janet is known to make dead men groan
in any kind of weathers
I crawl over to her
I say –hey baby I say –hey Janet
–you are the one/ you are the sun
& I’m yr dutiful planet–
but she aint down w/ any of that
shes heard that shit before
I say –ah ha o yeah youre right
cause I see Betty X standing by the door
w/ more news from nowhere
more news from nowhere
& its getting strange in here
yeah it gets stranger every year
more news from nowhere
more news from nowhere
now Betty X is like Betty Y
minus that fatal chromosome
her hair is like the wine dark sea
on which sailors come home
I say –hey baby– I say –hey Betty X
(I lean close up to her throat)
–this light you are carrying is like a lamp
hanging from a distant boat
–It is my light– said Betty X
Betty X says –this light aint yours!!!
& so much wind blew through her words
that I went rolling down the hall
for more news from nowhere
more news from nowhere
& its strange in here
yeah it gets stranger every year
more news from nowhere
more news from nowhere
I turn another corner/ I go down a corridor
& I see this guy
he must be about 100 foot tall
& he only has one eye
he asks me for my autograph
I write –nobody– & then
I wrap myself up in my woolly coat
& blind him w/ my pen
cause someone must of stuck something in my drink
everything was getting strange looking
1/2 the people had turned into squealing pigs
that the other 1/2 were cooking
–let me out of here!!!– I cried
& I went pushing past
& I saw Miss Polly!!! singing with some girls
I cried, –strap me to the mast!!!!!–
for more news from nowhere
more news from nowhere
its getting strange in here
& it gets stranger every year
more news from nowhere
more news from nowhere
then a black girl w/ no clothes on
danced across the room
we charted the progress of the planets
around that boogie-woogie moon
I called her my nubian princess
I gave her some sweet-back bad-ass jive
I spent the next seven yrs between her legs
pining for my wife
but by and by it all went wrong
I felt all washed-up on the shore
she stared down at me from up in the storm
as I sobbed upon the floor
for more news from nowhere
more news from nowhere
& dont it make you feel alone
& dont it make you wanna get right-on home
more news from nowhere
more news from nowhere
here comes Alina w/ two black eyes
she’s given herself a transfusion
she’s filled herself w/ panda blood
to avoid all the confusion
I said –the sun rises & falls w/ you–
& various things about love
but a rising violence in me
cut all my circuits off
Alina she starts screaming
her cheeks are full of psychotropic leaves
her extinction was nearly absolute
when she turned her back on me
for more news from nowhere
more news from nowhere
& its getting strange in here
yeah it gets stranger every year
more news from nowhere
more news from nowhere
I bumped bang crash into Deanna
hanging pretty in the door frame
all the horrors that have befallen me
well Deanna is to blame
every time I see you babe
you make me feel so all alone
& I wept my face into her dress
long after she’d gone home
w/ more news from nowhere
more news from nowhere
& dont it make you feel alone
dont it make you wanna get right back home
more news from nowhere
more news from nowhere
dont it make you feel so sad
dont the blood rush to yr feet
to think that everything you do today
tomorrow is obsolete
technology & women
& little children too
dont it make you feel blue
dont it make you feel blue
for more news from nowhere
more news from nowhere
dont it make you feel alone
dont it make you wanna get right back home
more news from nowhere
more news from nowhere
goodbye/goodbye/goodbye

 

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publicado por bolaseletras às 12:35

Corona break

Sexta-feira, 06.03.20

  

corona.jpg

Traders wearing face masks are seen on the trading floor at a flower auction trading center following an outbreak of the novel coronavirus in the country, in Kunming, Yunnan province, China. - Fotografia via REUTERS

 

Porque é que realmente tememos este coronavírus? Pela saúde dos nossos, dos nossos velhos? Acredito que em parte sim, como creio que o medo do desconhecido, a falta de certezas, mexa com a nossa vida medianamente confortável, com a sensação de que guerras mortíferas e epidemias eram, até há pouco tempo, algo longínquo, um fantasma que só nos incomodava um pouco no barulho de fundo dos ecrãs que, monotonamente, acompanham as refeições lá de casa, preenchem os buracos do diálogo familiar estafado e, por isso, tantas vezes substituído por esses ruídos estranhos e distantes, por imagens que nos fazem socorrer do telecomando, para não assustar as criancinhas, para não termos que explicar-lhes aquelas desgraças e crueldades, estranhezas estapafúrdias à luz dos nossos dolentes dias, fenómenos do Entroncamento tão fantasticamente desenquadrados do nosso casulo familiar, escolar, profissional, como uma praga de um universo desconhecido, um filme de série B entregue aos exageros digitais dos modernos efeitos especiais.

Ou será que as nossas preocupações são essencialmente outras? Falo de taxas de crescimento, de incomes, de revenues, de viagens e eventos tragicamente cancelados, de PIB´s que estavam em vias de subir sem parar e agora estagnam nos esporões do filho da mãe do vírus. Falo de empresas preocupadas com quedas abruptas nas exportações, da matéria prima que escasseia porque vem lá dessas terras malditas do Oriente, falo de patrões e governos amofinados porque o filha da puta do vírus lhes veio baralhar os números, os orçamentos, as expectativas económicas. Isto é a vida dos dias de hoje, dirão alguns, o nosso quotidiano, o que nos põe a comidinha na mesa ao jantar e a marmita ao almoço à secretária, enquanto babamos em frente a um écrã imune a vírus. É a vidinha, dizem eles e alguns de nós.

É esta a vida que tememos perder? Aproveitemos para pensar nisso que, enquanto o Corona vai e vem folgam as costas.

 

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publicado por bolaseletras às 15:17

Sobre o corona vírus é isto

Terça-feira, 03.03.20

 

Deixemos falar quem sabe. O Nélson é um médico com enorme experiência e sapiência, daqueles que não vão à televisão falar sobre o fenómeno, porque recusa-se a contribuir para a histeria coletiva que dá audiências. Read and learn.

E porque vamos todos morrer

 

 

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publicado por bolaseletras às 15:02

Obrigado Vasco!

Sexta-feira, 21.02.20

 

vasco.jpg

Hoje toda a gente vai gostar do Vasco. Eu em tempos idolatrei o Vasco (ahhh, o bom e velho Independente), noutros momentos irritei-me por suspeitar que ele era só mais um que só sabia dizer mal (ahhh, a curta passagem pela AR), mas sempre, sempre, lhe reconheci o génio, o espírito livre, a verve e a argúcia brilhantes, a total ausência de donos da sua voz livre, sempre livre, sempre grossa. Vais fazer falta, Vasco, a este país faz muita falta quem diga mal com sabedoria e sem medos, mesmo que alarvemente e por vezes perdendo a razão, quem cuspa nas trombas do politicamente correcto. Obrigado Vasco, descansa em paz, agora que não tens que te preocupar com este malfadado país.

 

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publicado por bolaseletras às 17:34





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