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Corona break

Sexta-feira, 06.03.20

  

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Traders wearing face masks are seen on the trading floor at a flower auction trading center following an outbreak of the novel coronavirus in the country, in Kunming, Yunnan province, China. - Fotografia via REUTERS

 

Porque é que realmente tememos este coronavírus? Pela saúde dos nossos, dos nossos velhos? Acredito que em parte sim, como creio que o medo do desconhecido, a falta de certezas, mexa com a nossa vida medianamente confortável, com a sensação de que guerras mortíferas e epidemias eram, até há pouco tempo, algo longínquo, um fantasma que só nos incomodava um pouco no barulho de fundo dos ecrãs que, monotonamente, acompanham as refeições lá de casa, preenchem os buracos do diálogo familiar estafado e, por isso, tantas vezes substituído por esses ruídos estranhos e distantes, por imagens que nos fazem socorrer do telecomando, para não assustar as criancinhas, para não termos que explicar-lhes aquelas desgraças e crueldades, estranhezas estapafúrdias à luz dos nossos dolentes dias, fenómenos do Entroncamento tão fantasticamente desenquadrados do nosso casulo familiar, escolar, profissional, como uma praga de um universo desconhecido, um filme de série B entregue aos exageros digitais dos modernos efeitos especiais.

Ou será que as nossas preocupações são essencialmente outras? Falo de taxas de crescimento, de incomes, de revenues, de viagens e eventos tragicamente cancelados, de PIB´s que estavam em vias de subir sem parar e agora estagnam nos esporões do filho da mãe do vírus. Falo de empresas preocupadas com quedas abruptas nas exportações, da matéria prima que escasseia porque vem lá dessas terras malditas do Oriente, falo de patrões e governos amofinados porque o filha da puta do vírus lhes veio baralhar os números, os orçamentos, as expectativas económicas. Isto é a vida dos dias de hoje, dirão alguns, o nosso quotidiano, o que nos põe a comidinha na mesa ao jantar e a marmita ao almoço à secretária, enquanto babamos em frente a um écrã imune a vírus. É a vidinha, dizem eles e alguns de nós.

É esta a vida que tememos perder? Aproveitemos para pensar nisso que, enquanto o Corona vai e vem folgam as costas.

 

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publicado por bolaseletras às 15:17

Sobre o corona vírus é isto

Terça-feira, 03.03.20

 

Deixemos falar quem sabe. O Nélson é um médico com enorme experiência e sapiência, daqueles que não vão à televisão falar sobre o fenómeno, porque recusa-se a contribuir para a histeria coletiva que dá audiências. Read and learn.

E porque vamos todos morrer

 

 

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publicado por bolaseletras às 15:02

Obrigado Vasco!

Sexta-feira, 21.02.20

 

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Hoje toda a gente vai gostar do Vasco. Eu em tempos idolatrei o Vasco (ahhh, o bom e velho Independente), noutros momentos irritei-me por suspeitar que ele era só mais um que só sabia dizer mal (ahhh, a curta passagem pela AR), mas sempre, sempre, lhe reconheci o génio, o espírito livre, a verve e a argúcia brilhantes, a total ausência de donos da sua voz livre, sempre livre, sempre grossa. Vais fazer falta, Vasco, a este país faz muita falta quem diga mal com sabedoria e sem medos, mesmo que alarvemente e por vezes perdendo a razão, quem cuspa nas trombas do politicamente correcto. Obrigado Vasco, descansa em paz, agora que não tens que te preocupar com este malfadado país.

 

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publicado por bolaseletras às 17:34

Até ao dia

Quinta-feira, 09.01.20

 

John_Henry_Fuseli_-_The_Nightmare[1].jpg

John Henry Fuseli, "The nightmare"

 

O desejo que outrora fora sonho recorrente era hoje o pesadelo das manhãs. Todas as alvoradas eram acompanhadas de um lento içar do leito, sob o peso da crueza das imagens sonhadas, os sons, a boca distorcida por um misto de dor e prazer. Deixara-a partir com a certeza que o ferro em brasa da sua força, da sua paixão, seria sempre imanente e presente na sua pele, no mais fundo de si. Viveu por entre esses desejos inexplicáveis, assentiu que o que lhe era mais precioso passasse a sonho em forma de pesadelo. Dir-se-ia uma estratégia masoquista e desesperada, uma derradeira réstia de esperança de que o nonsense lhe devolvesse o louco sonho que a razão sempre lhe negara. Mais uma noite, mais um fechar de olhos e um abrir do pesadelo. Até ao dia em que o louco sonho regressasse e lhe despedaçasse a triste razão. Até ao dia.

 

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publicado por bolaseletras às 14:40

Vamos a ele, malta!

Segunda-feira, 06.01.20

 

2020.jpg

 

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publicado por bolaseletras às 14:14

Já era bem porreiro, se assim fosse

Segunda-feira, 23.12.19

 

n1.jpg

"Só somos felizes, verdadeiramente felizes, quando é para sempre, mas só as crianças habitam esse tempo no qual todas as coisas duram para sempre. "

Adaptando esta feliz afirmação do José Eduardo Agualusa à época natalícia, diria que só as crianças verdadeiramente habitam a magia do Natal, só elas sentem esse feitiço indefinido que, ainda assim, nos toca a boa parte de nós, ainda que sem a maravilhosa inocência com que a vivem as nossas crianças. Não tenho votos natalícios, não vou sugerir rumos e estados de espírito, muito menos terei a pretensão de vos aconselhar paz e amor nesta época em que a fraternidade parece querer espreitar para fora da toca onde se esconde boa parte do ano. Se nos deixarmos ir na onda das crianças e sentirmos e dermos um pouco mais de amor do que nos restantes dias do ano, epá, isso já é bem porreiro. Feliz Natal, minhas queridas e meus queridos amigos.

 

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publicado por bolaseletras às 14:32

Nina Simone - Ain't Got No, I Got Life

Sexta-feira, 06.12.19

 

Ain't got no home, ain't got no shoes
Ain't got no money, ain't got no class

Ain't got no skirts, ain't got no sweaters
Ain't got no perfume, ain't got no love
Ain't got no faith
Ain't got no culture
Ain't got no mother, ain't got no father

Ain't got no brother, ain't got no children
Ain't got no aunts, ain't got no uncles
Ain't got no love, ain't got no mind
Ain't got no country, ain't got no schooling
Ain't got no friends, ain't got no nothing

Ain't got no water, ain't got no air
Ain't got no smokes, ain't got no chicken
Ain't got no...
Ain't got no water
Ain't got no love

Ain't got no air
Ain't got no God
Ain't got no wine
Ain't got no money

Ain't got no faith
Ain't got no God
Ain't got no love
Then what have I got
Why am I alive anyway?
Yeah, hell
What have I got
Nobody can take away

I got my hair, got my head
Got my brains, got my ears
Got my eyes, got my nose

Got my mouth
I got my...

I got myself
I got my arms, got my hands
Got my fingers, got my legs
Got my feet, got my toes
Got my liver
Got my blood
I've got life
I've got lives

I've got headaches, and toothaches
And bad times too like you
I got my hair, got my head

Got my brains, got my ears
Got my eyes, got my nose

Got my mouth
I got my smile
I got my tongue, got my chin
Got my neck, got my boobs
Got my heart, got my soul
Got my back
I got my sex
I got my arms, got my hands
Got my fingers, got my legs
Got my feet, got my toes
Got my liver
Got my blood
I've got life
I've got my freedom
Ohhh
I've got life!

 

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publicado por bolaseletras às 09:47

O primeiro beijo

Quinta-feira, 05.12.19

 

Stephen Shames, Bike Jump, from series Outside the

Fotografia por Stephen Shames, "Bike Jump", da série "Outside the Dream Child Poverty in America, 1985"

 

Terá havido um momento no tempo, no desenvolvimento da sociedade e das relações humanas, em que se deu o clique. Alguém, uma qualquer besta quadrada e insensível, decidiu espalhar a boa nova de que a ordem social aconselhava seriedade e tino, padrões lineares e facilmente repetíveis que matassem à nascença as mais ínfimas possibilidades de maluqueira, como que uma nuvem carregadinha de abúlicos enfados imbuída da nobre missão de silenciar gargalhadas, de sufocar desbragadas gargantas.

Há quem se admire com a existência de sorrisos e esgares de felicidade por entre bairros de tijolos envelhecidos, nas faces de crianças sujas e timidamente alimentadas. Há quem estranhe o mistério de os ricos e afamados demasiadas vezes meterem uma bala na cornatura, como se a joie de vivre fosse proporcional ao volume do livro de cheques. Como se chutar uma remendada bola no meio de um lamaçal, rodeados de amigos, não inspirasse mais felicidade do que uma ceia inimitável num qualquer chateau desses paraísos exclusivos tão invejados. Como se o primeiro beijo e a queca de estreia, mal amanhada mas inesquecível, não dessem uma abada à última visita à casa de mademoiselles de pele lustrosa e seios aperfeiçoados, daquelas que levam os olhos da cara por meia hora de luxúria artificial. A puta da vida devia ser tão simples. Vejam lá isso.

 

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publicado por bolaseletras às 17:14

Jones, Grace Jones

Quarta-feira, 04.12.19

  

Grace Jones at Studio 54 photographed by Adrian Bo

Grace Jones, no Estúdio 54, fotografada por Adrian Boot (1981)

 

“I was born into a very religious family where everything was about setting the right example for the community and having to obey orders blindly. I felt that everyone was growing up in the world, except me. This is probably one of the reasons why I had such a rebellious attitude towards any form of authority.”

“Women and men grow up with both sexes. Our mothers and fathers mean a lot to us, so it's just a question of finding a balance between their influences. I've found mine. And it tends to be more on the male side. I mean male side the way we understand it in the West.”

“Hiding, secrets, and not being able to be yourself is one of the worst things ever for a person. It gives you low self-esteem. You never get to reach that peak in your life. You should always be able to be yourself and be proud of yourself.”

 

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publicado por bolaseletras às 14:38

O som do silêncio

Segunda-feira, 02.12.19

 

night birds por Yoshiharu Tsuge.jpg

Night birds, arte por por Yoshiharu Tsuge

 

O consolo da noite reside em impercetíveis sensações

sonhos sem memórias de existência

o som dos pássaros cor de breu

silêncio quente como o gelo.

 

No reverso do espelho a luz do dia

demasiada nitidez

a sufocante ausência de silêncio.

 

A noite devolve o canto inaudível dos pássaros

melodia dos sonhos

o doce conforto da inexistência.

 

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publicado por bolaseletras às 14:54





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