Bolas e Letras
Era para ser sobre futebol e livros. Mas há tanto mundo mais, a mente humana dispersa-se perdidamente, o país tem tanto sobre que perorar, eu perco-me de amores bem para lá da bola e das letras: Evas, vinho, amor, amigos, cinema, viagens, eu sei lá!
A maturidade futebolística e o embrulho do Zé
Sinto-me hoje, sem especial dor ou suado esforço, um homenzinho no que à maturidade futebolística respeita. Marimbei-me na taça da Liga e nas paixões irracionais e dediquei-me à pura arte, AC Milan vs Inter. Em boa hora o fiz. O renascimento da magia de Ronaldinho, o voo do talvez actual melhor guarda-redes do mundo para negar o regresso ao topo da glória do compatriota, a impossibilidade possível de assistir à recusa inabalável do Zanetti em envelhecer, o Beckham que me irrita até à medula com as inúteis lateralizações de flanco para flanco e logo a seguir tira da cartola um cruzamento inimitável, os velhinhos Pirlo e Seedorf que hoje mais do que o que fazem nos recordam do que fizeram.
Mas hoje, acima de tudo, ficará para memória futura o delicioso entendimento entre Diego Milito e Goran Pandev, as tabelinhas, as desmarcações em sintonia, os passes açucarados entre si, tudo bem embrulhado, com lacinho e tudo, em dois golos decisivos e que só podiam ser deles. Ultrapassando uma expulsão de Sneijder a meio da 1ª parte (pouco me importa se a culpa foi dele ou do árbitro, isso é discussão para o futebolzinho cá do burgo), Mourinho dominou toda a história do jogo, colocou toda a sua inteligência e frieza em campo e, qual germânico, arrefeceu o fogo dos diabos vermelhos italianos. Pela milionésima vez, embrulhem lá mais esta prova. És o maior, Zé!
