Bolas e Letras
Era para ser sobre futebol e livros. Mas há tanto mundo mais, a mente humana dispersa-se perdidamente, o país tem tanto sobre que perorar, eu perco-me de amores bem para lá da bola e das letras: Evas, vinho, amor, amigos, cinema, viagens, eu sei lá!
Ruben, Carlos, Silvestre e a esperança que o professor não tenha medo de arriscar
Vi os jogos de Benfica e Porto aos bochechos, que o moçoilo de 7 meses cada vez mais apela à atenção e dedicação paterna. De qualquer forma, depois de 2 ou 3 lances de génio do Senhor Carlos Xistra na Madeira, vi logo que o destino estava marcado e que o Porto só sairia da pérola do Atlântico com a vitória no bolso. No Porto muito faro de golo de Falcão, muita rotação de Álvaro Pereira, um bom e aconselhável Varela e, ao segundo jogo pelo Porto, a prova de que um jogador pode transfigurar uma equipa. Ruben Micael é esse jogador, um médio intelegentíssimo e que transborda classe, um homem que Carlos Queiroz não se pode dar ao luxo de desperdiçar. Varela também poderá ser útil à selecção, estude bem a coisa professor!
Quanto ao Benfica, só consegui ir espreitando a segunda parte. Destaca-se inequivocamente Carlos Martins, um enfant terrible do futebol português que o Sporting não conseguiu domar, um médio como não há em Portugal, como o comprova o facto do poder de fogo ser um dos grandes défices da nossa selecção. Queira Deus (e, já agora, Jesus) que o benfica continue a dar-lhe minutos, para que possa finalmente afirmar-se e provar que é, definitivamente, um jogador especial e indispensável para o Benfica e a selecção. Sublinho ainda a vergonhosa agressão de Javi Garcia a um jogador do Guimarães, que, mais uma vez, passou incólume aos senhores do apito. Mais uma sem vergonhice a somar, no final do ano vamos ter um saco cheio, meus senhores.
A terminar, reforçar a vontade de que o professor Queiroz não tenha medo de arriscar. Não duvido que ninguém como ele saberá que jogadores fazem falta à selecção e ao seu sistema de jogo, só espero que as habituais opções e a historieta de manter o "espírito dos que já pertencem ao grupo", afastem jogadores que podem dar um novo fôlego a uma selecção ainda órfã de Luís Figo, Rui Costa, etc. Vá professor, o nome do Ruben é ridículo mas o seu futebol é precioso!
