Bolas e Letras
Era para ser sobre futebol e livros. Mas há tanto mundo mais, a mente humana dispersa-se perdidamente, o país tem tanto sobre que perorar, eu perco-me de amores bem para lá da bola e das letras: Evas, vinho, amor, amigos, cinema, viagens, eu sei lá!
Longe de ti e de mim
Fotografia de Abbey Drucker
Já não preciso de abraçar aquele copo para te esquecer. Afogar-me nos seus soporíferos vapores já não me distrai a dor. Todo eu já esquecimento de ti e de mim, a pureza desta eterna sonolência dispensa agora um estado de superlativa bebedeira. O copo sou já eu, o veneno que me polui entranhou-se no meu sangue. Basta-me estar aqui sentado, recordar e sofrer recordar e sofrer recordar e sofrer. Todo este ciclo de auto-destruição dispensa mais acções, o trabalho está feito e bem feito. Canonizei-me nos meus queridos rituais de auto-mutilação da alma, fiz de ti a minha cruz, o meu monte dos vendavais. Emigrei para um país distante de mim, esqueci a língua mãe, penetrei na raíz dos pesadelos, abracei esta morte lenta lenta lenta. Já posso pedir a conta e entregar nas tuas mãos a gorjeta de uma vida sem sentido. Bom proveito.
