Bolas e Letras
Era para ser sobre futebol e livros. Mas há tanto mundo mais, a mente humana dispersa-se perdidamente, o país tem tanto sobre que perorar, eu perco-me de amores bem para lá da bola e das letras: Evas, vinho, amor, amigos, cinema, viagens, eu sei lá!
Mulheres (pérola 2) - De combate em combate até à derrota final
"O primeiro combate foi bom, cheio de sangue e coragem. Assistir a um combate de boxe ou ir às corridas de cavalos trazia qualquer coisa para a escrita. A mensagem não era muito clara, mas ajudava-me. Aliás, era o ponto mais importante: a mensagem não era clara. Era sem palavras, como uma casa a arder, um tremor de terra ou uma inundação, ou ainda uma mulher a mostrar as pernas ao sair do carro. Não sabia do que precisavam os outros escritores; estava-me nas tintas, porque de qualquer dos modos não conseguia lê-los. Eu estava enclausurado nos meus próprios hábitos, nos meus preconceitos. Não era mau ser-se estúpido desde que a ignorância fosse verdadeiramente nossa".
"O segundo combate também foi bom. A multidão gritava, rugia e bebia cerveja. Estas pessoas escapavam temporariamente às fábricas, aos matadouros, aos armazéns, às garagens de lavagens – no dia seguinte estariam cativos, mas agora estavam livres, estavam bêbedos de liberdade. Não pensavam na escravatura da pobreza. Nem na escravatura da assistência social e das senhas de racionamento. Nós podíamos estar seguros até os pobres aprenderem a fabricar bombas atómicas nas suas caves."
