Bolas e Letras
Era para ser sobre futebol e livros. Mas há tanto mundo mais, a mente humana dispersa-se perdidamente, o país tem tanto sobre que perorar, eu perco-me de amores bem para lá da bola e das letras: Evas, vinho, amor, amigos, cinema, viagens, eu sei lá!
Revolutionary road
Vi ontem o filme Revolutionary Road. Um portento as actuações de Leonardo Di Caprio e de Kate Winslet. O filme entra em nós sem avisar, perturbante, insidioso, no sentido em que nos coloca na posição das personagens, aqueles podíamos ser nós, aquelas vidas as nossas, as suas dúvidas, desesperos e alegrias podiam povoar a nossa existência. Enfim, deveria ser essa a principal missão do cinema, convidar à introspecção pelo voyeurismo consentido da vida dos outros. Custa menos que a psicoterapia e é mais divertido.
Quem viu a Beleza Americana de Sam Mendes reconhece novamente em Revolutionary Road o risco que o quotidiando pode comportar, a ruptura que ameaçadoramente paira sobre todas as vidas rotineiras. No final dos dois filmes a moral, se a há, pode ser muito simples: quem tudo quer tudo perde. Quase sempre é mais difícil e corajoso saber viver com a vida que temos, por muito que essa existência possa parecer leve e repetitiva. Simple is difficult, someone said it.
