Bolas e Letras
Era para ser sobre futebol e livros. Mas há tanto mundo mais, a mente humana dispersa-se perdidamente, o país tem tanto sobre que perorar, eu perco-me de amores bem para lá da bola e das letras: Evas, vinho, amor, amigos, cinema, viagens, eu sei lá!
José, o homem que não tem medo de ninguém
Daqui a alguns minutos defrontam-se o Chelsea de Ancelotti e o Inter de Milão do seu arqui-inimigo Mourinho, o nosso José Mourinho. Diz Ancelotti que toda a Itália não Interista torce pela derrota de Mourinho, que o país está farto da conduta de Mourinho, que o último gesto de José para os adeptos da Sampdória e para as câmeras de televisão foi a gota de água. Mourinho simulou para as câmeras estar algemado, diria eu que pretendeu elaborar uma metáfora de um homem isolado perante o patriótico ódio de uma mão cheia de invejosos italianos.
E que faz Mourinho perante a pandilha de treinadores, comentadores e jornalistas italianos que lhe apontam os defeitos e traços do irritante feitio, esquecendo os títulos, vitórias e inquestionáveis méritos? Contra-ataca. Morde-lhes os calcanhares, ri-se na cara deles, escarnece dos seus deméritos, levanta-lhes escandalosamente o véu que lhes oculta a incompetência. Falta tanto do José a este país. A capacidade de resistência, a tenacidade que não verga perante os inimigos, o não ter medo de ser odiado quando as causas o justificam. Epá, espera lá, não há cá pelo burgo, embora noutra área da actividade humana, um José parecido em matéria de resistência e tenacidade? Huuummmm...
