Bolas e Letras
Era para ser sobre futebol e livros. Mas há tanto mundo mais, a mente humana dispersa-se perdidamente, o país tem tanto sobre que perorar, eu perco-me de amores bem para lá da bola e das letras: Evas, vinho, amor, amigos, cinema, viagens, eu sei lá!
Dos merecimentos relativos e das tristezas atenuadas
O Benfica merece ganhar este campeonato? Bom, fez grandes jogos, deu espectáculo, demonstrou geralmente mais fulgor e vontade de ganhar que os adversários. Por outro lado, perpassou por toda a época a sensação que aquele risco que acompanha o fascínio que é o futebol, isto é, o facto de se poder jogar um pouco mais, mas, ainda assim, por caprichos da sorte e do destino, poder não se sair vitorioso, nunca foi um risco que o Benfica de facto corresse. Isto porque toda uma maioria, quer de adeptos quer de corporações que, um pouco naturalmente num país medroso como o nosso, ampararam o clube nos seus momentos mais periclitantes no decurso da época. Com os adeptos posso eu bem, o que já me parece menos católico é o indevido apoio das tais corporações que se pretendem isentas: pois é, falo da arbitragem e de alguns órgãos da Liga, com especial enfoque na sua vergonhosa comissão discplinar.
Ok, mas sim, jogaram melhor, marcaram cabazadas de golos, tiveram jogadores em grande plano, como Saviola, Di Maria, Javi Garcia, Cardozo e David Luiz. Mas podiam ter ganho sem o apoio dessas tais corporações? Podiam, mas não era a mesma coisa...
Para amanhã, quando estiver na bancada de Alvalade, será que vou vacilar no apoio ao meu Sporting, sabendo que uma vitória contra o Porto será um forte empurrão ao Benfica? Não, conheço-me bem, sei bem que o meu sportinguismo é dos verdadeiros, que ser sportinguista tem esta característica pouco comum de se ser verdadeiro às raízes (não rasgamos cartões, não queimamos bandeiras, não idolatramos dirigentes criminosos, não temos a honra de surgir em escutas arbitrais). Se vou ficar triste se perdermos contra o Porto? Vou, mas não vai ser uma tristeza igual às outras. Apenas por causa dos tais merecimentos relativos.
