Bolas e Letras
Era para ser sobre futebol e livros. Mas há tanto mundo mais, a mente humana dispersa-se perdidamente, o país tem tanto sobre que perorar, eu perco-me de amores bem para lá da bola e das letras: Evas, vinho, amor, amigos, cinema, viagens, eu sei lá!
Das deficiências várias
É das maiores alarvidades a que assistimos neste país, quase sempre como se nada fosse connosco, quase sempre com o entendimento de que a defesa dos indefesos pertence a uma qualquer entidade indistinta que deverá certamente existir, que não nos cabe a nós preocuparmo-nos com isso, que se calhar até estamos a violar alguma norma de competência de actuação, ai que jeito dá este tipo de distribuição de responsabilidades que quase sempre resulta em responsabilidades zero para 10 milhões de preguiçosos (pausa, respirar, não há-de ser nada).
Estar grávida, andar de muletas ou cadeira de rodas, ser invisual, é entendido em Portugal não como uma condição que dá direito a alguns direitos acrescidos face à condição em causa (condição essa a que todos nós podemos estar sujeitos, bom, excepto a da gravidez para os preguiçosos do sexo masculino), mas como uma fatalidade, que, como tal, não deve perturbar a vida dos demais e muito menos impor-lhes limitações de qualquer espécie. O lugar de estacionamento dos deficientes é para todos, a fila das grávidas do supermercado é para quem está com pressa e tem olho vivo, o lugar no autocarro para deficientes motores é para quem lhe apetece ir sentado. E a merda deste país é só para atrasados mentais?

