Bolas e Letras
Era para ser sobre futebol e livros. Mas há tanto mundo mais, a mente humana dispersa-se perdidamente, o país tem tanto sobre que perorar, eu perco-me de amores bem para lá da bola e das letras: Evas, vinho, amor, amigos, cinema, viagens, eu sei lá!
O conforto da maioria
É complicado explicar isto sem passar por faccioso compulsivo. É inequívoco, o Benfica merece ser campeão. Jogou quase sempre mais que os principais adversários, esteve sempre um passo além. Mas depois há tudo o resto. Um árbitro que não hesita em marcar um penalty no 1º minuto punindo um remate à queima roupa contra a mão de um jogador, uma ausência de quaisquer dúvidas em soprar o apito para expulsar um jogador nos primeiros 10 minutos por uma primeira falta a meio campo (a entrada foi rasgadinha mas a 1.ª, a meio campo, impunha-se bom senso), pouco importando se o essencial de qualquer jogo estava estragado: a igualdade de armas. Se calhar, a mão até poderia ser marcada, a expulsão executada. O que impressiona é que nestes casos o árbitro nunca hesita, sabe que vai apitar em favor da maioria pelo que nunca hesita. É confortável apitar assim.
Depois, assegurar o futuro próximo também à força do apito. Por terras sadinas, uma entrada assassina contra Falcão, um chega para lá instintivo que raspa na cara do adversário, o amarelo sem mais hesitações, decisivo, no peso certo para que Falcão não defronte o Benfica na próxima jornada. Pedro Henriques sabia-o, como tão bem o sabia o árbitro que expulsou Izmailov antes da Luz, tudo muito confortável. Falcão merecia o amarelo? Provavelmente sim, mas o que impressiona é a mecânica ausência de hesitação, o vazio de dúvidas quando se navega na maré da maioria. Para reforço da teoria, que tal a primeira expulsão na carreira de Jesualdo Ferreira antes do jogo com o Benfica? Curioso e conveniente, não? A força inabalável da maioria, a desgraça das nações.


