Bolas e Letras
Era para ser sobre futebol e livros. Mas há tanto mundo mais, a mente humana dispersa-se perdidamente, o país tem tanto sobre que perorar, eu perco-me de amores bem para lá da bola e das letras: Evas, vinho, amor, amigos, cinema, viagens, eu sei lá!
Da aberrante normalidade
Fugimos incessantemente do que se afasta do nosso conceito de normalidade. Temos pavor de quem se passeia pelas franjas da sociedade, de quem nos aproxima de um sonho desfasado da realidade. Nos tempos que correm, o circo da vida entronca na solenidade dos salões, presta constante vassalagem à rectidão do passeio que por esta vida damos. Era preciso abandonarmos os pedestais e as poltronas de tanto falso conforto e tremida decência e elevarmo-nos à altura das fantasiosas nuvens, dos algodões doces que nos amparam os sonhos. Sentir nas veias o sangue de facto a ferver, carregar nos braços todo o peso da vida permanentemente em risco, não mais deixar de sugar o tutano da existência. O palhaço que há em nós tem que extirpar de si a incrustada tristeza, a criança erguer-se por entre as trevas dos nossos rostos fechados. A criança sempre lá esteve, a criança somos nós. Basta abandonar a tola ambição de ser quem não somos.

