Bolas e Letras
Era para ser sobre futebol e livros. Mas há tanto mundo mais, a mente humana dispersa-se perdidamente, o país tem tanto sobre que perorar, eu perco-me de amores bem para lá da bola e das letras: Evas, vinho, amor, amigos, cinema, viagens, eu sei lá!
Assim se faz um canalha
Ando com uns escritos amargos por entre bolas, letras e curvas bem torneadas. A psicose da crise, europeia e nacional, acaba por contagiar, apesar de eu não ser grande adepto de comportamentos em massa ou de influências maioritárias. Ele há merdas e pessoas que me começam a fazer ferver em pouca água e a dizer o que o politicamente correcto não aconselha. Não só aqui mas nessa turbulenta realidade sobre a qual este e outros blogs inevitavelmente se debruçam.
A receita para se fazer um canalha é cada vez mais simples, parece um daqueles pudins alsa que se faz num estalar de dedos. Intrigar, dizer mal de tudo e de todos, ser o mestre da crítica e das grandes certezas, o arauto do que está mal nesta podridão que nos rodeia. Ele, o impoluto, o dedo a todos aponta, os fautores da desgraça do país, os colegas preguiçosos, os chefes ineptos, as leis mal feitas, as soluções mal estudadas, os gastos excessivos contra o nada que daí resulta. Uns sabichões que são pagos para fazer mas que se impõem pela destruição que a sua crítica mal parida gera, gentalha bem vista que nunca nada fez, nunca uma palha mexeu, nunca uma solução propôs. Uma pandilha de chupistas que o povo e os subditos idolatram. Os verdadeiros genes do desgraçado estado da nação vivem paredes meias connosco, na secretária em frente, no guichet do lado, no cubículo que emana fel. Assim se faz um canalha.


