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Uma pausa no turbilhão

Quarta-feira, 18.03.09

 

Há dias em que olho para o papel em branco e não consigo fazê-lo ganhar cor, nem que sejam uns míseros rabiscos. A mente navega, o espírito dispersa-se, lá longe está a concentração necessária para que o pensamento saia firme e escorreito. Acho que é nestes momentos que, mesmo contra a minha vontade, o cérebro faz questão de descontrair e de me mandar à fava, eu cidadão armado em guardião da racionalidade.

 

Nestes momentos duas alternativas se atravessam no curto horizonte preenchido por uma mão cheia de nada. Ou fecho os olhos e durmo, ou penso nas coisas boas da vida e reforço as energias com uma baforada de prazeres. Quais são aqueles pequenos prazeres que alimentam o gosto pela vida? Sem pensar muito (que o cérebro não está para isso) deixa cá ver, sem grandes ordenações de importância:

 

1. Trabalhar de janela aberta e ouvir ao fundo o som dos aviões, como que um urro indistinto e interminável vindo do confim dos céus. A porta está fechada, o gabinete solitário como uma masmorra, mas sei que não estou sozinho. Há por ali um pássaro dos céus repleto de vidas humanas.

 

2. A primeira cerveja de uma jantarada com amigos. Um prenúncio dos bons momentos que se vão passar é dado pela branca espuma. A espuma dos dias deveria ser sempre esta, uma orgia de brindes deveria invadir-nos diariamente.

 

  

3. Provocar o sorriso espontâneo de quem gosto. Surpreender quem nos atura há anos é sinal que que não parei no tempo, de que me reinvento todos os dias nem que seja nas figuras de parvo.

 

 

4. Abrir a persiana e ver o sol brilhar. Não me lixem, este país não nos merece. É sol a mais para tanto fato cinzento, tantas caras pesadas e gastas, tantos queixumes derrotistas.

 

5. Ouvir o Medina Carreira, o Pulido Valente, o Sousa Tavares e o Mário Crespo. Qualquer criatura que rompa o status quo neste país de múmias indistintas é um herói. Mesmo que só diga tolices ou vacuidades.

 

 

6. Estar no meio das férias, naquela fase em que as lembranças do trabalho que ficou já quase se esfumaram, em que o fantasma do trabalho acumulado que aí vem ainda não me branqueou as noites de sono.

 

7. Não fazer a barba, não ter de a fazer. Ou ter de a fazer e fazer de conta que no pasa nada. Espero que isto não seja o cúmulo da minha irreverência.

 

8. Sushi. Salmão, muito salmão, em sushi, sahimi, makimonos, venha ele, o vermelho bicho. A pele de salmão grelhada embutida no arroz. Sacana do Skin é mesmo bom.

 

9. Tinto do bom. Já não tenho idade para vinhos que "deixam-se beber". O Cabernet Sauvignon 2005 da Companhia das Lezírias, o Xisto (qualquer ano), um Pancas Premium 1999 que parecia caramelo mas sem enjoar, o Valle Pradinhos (o branco aqui também é de realçar), um T Quinta da Terrugem 2001 que deixa muitas saudades, o Quinta das Baceladas 2004, um Casa de Santar Reserva, um Quinta das Estrémuas Reserva 2005 que encontrei a preços de saldo, Couteiro-mor reserva 2004, um Herdade dos Grous Reserva, e uma relação preço qualidade excelente e que recomendo - Casa Ermelinda Freitas reserva 2004. Enfim, muitos mais que agora não vêm à boca e ao nariz. Vinho tinto é para mim o néctar dos deuses.

  

 

10. Ler, escrever, pensar no que li e no que vou escrever. Blogar, ler blogues, descobrir talento perdido pela rede. E chega, que os prazeres são mil e o cérebro já desperta...

 

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publicado por bolaseletras às 22:25

Da série Portugal no seu melhor

Terça-feira, 17.03.09

Ando há muito tempo para escrever um tratado sobre o que é isto de ser português. Mas, como é compreensível, essa não é uma empresa fácil que possa ser concretizada numa penada ou que dependa de uma lufada de inspiração. Aliás, receio mesmo que a tarefa roce a fronteira do irrealizável. Mas vou pensando na coisa, enfrentando e aprendendo as idiossincrasias deste meu estranho e adorado país, confundindo-me com os meus caros e patuscos concidadãos. Entretanto, enquanto não encontro o tempo e a disponibilidade mental para enfrentar a fera lusitana, ficam uns fogachos do que me espera.

 

 

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publicado por bolaseletras às 22:05

A sabedoria (e não só) de Brigitte Bardot - BB para os amigos

Segunda-feira, 16.03.09

 

   

"When you’re thirty you’re old enough to know better, but still young enough to go ahead and do it"

 

  

"I don`t think when I make love"

 

  

"Men are beasts and even beasts don`t behave as they do"

 

"I have been very happy, very rich, very beautiful, much adulated, very famous and very unhappy"

  

 

"It is better to be unfaithful than faithful without wanting to be"

 

"I have always adored beautiful young men. Just because I grow older, my taste doesn`t change. So if I can still have them, why not?"

 

 

"Women get more unhappy the more they try to liberate themselves"

 

 

"A photograph can be an instant of life captured for eternity that will never cease looking back at you"

 

"I can`t do the same thing every night, the same gestures... it`s like putting on dirty panties every day"

 

"If only every man who sees my films did not get the impression he can make love to me, I would be a lot happier"

 

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publicado por bolaseletras às 23:13

Da série o cantinho da música portuguesa: Carlos Paião, a prevenção rodoviária e o pó de arroz

Domingo, 15.03.09

A 26 de Agosto de 1988 Carlos Paião, compositor, intérprete e instrumentista, dirigia-se a mais um espectáculo, desta vez em Penalva do Castelo. Foi então que na antiga estrada EN1, actual IC2, o veículo onde se deslocava embateu frontalmente num pesado provocando a morte a Carlos Paião, tendo apenas um dos três ocupantes da sua viatura escapado com vida.

 

Rever a descrição do acidente na reportagem da altura da RTP, verificar o estado lastimável em que ficou o veículo onde seguia Carlos Paião , divulgar a estupidez do ocorrido, seria uma exemplar campanha de prevenção rodoviária. Vejam, se possível ao som de pó de arroz, porque o Carlos merece, e pensem em tudo aquilo que deviam evitar fazer na estrada. E há tanta coisa, todos nós sabemos.

 

 

Nesse dia estava em Lagos de férias e, na inocência dos meus 13 anos, não me recordo da morte do Carlos, cujas músicas sempre gostei de trautear. O facto de ter morrido no dia seguinte ao incêndio do Chiado levou a que, provavelmente, muito mais pessoas não tenham dado a devida atenção ao seu falecimento. Ficou a lenda urbana, bem portuguesinha, de que o Carlos teria sido enterrado vivo, ainda em coma. Parvoíces que não resistem à visualização do estado em que ficou a sua viatura, tolices de um povo que nunca deixou de viver sob a capa de crendices medievais, de religiosidades atormentadas.

 

Mas fiquem com pó de arroz, uma canção fabulosa que os Toranja tiveram o bom gosto de resgatar ao baú do esquecimento. Um bem haja pelo pó de arroz e por todas as outras que ainda hoje trauteamos, Carlos.

 

 

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publicado por bolaseletras às 20:13

E se o Manel não fosse lampião? Espetava-lhes 5?

Domingo, 15.03.09

O Manel é um tipo patusco. Língua afiada, ditado popular sempre à mão de semar, o coração sempre perto de sair pela boca. É benfiquista e di-lo mesmo que na altura errada. Felizmente enganei-me e não se deu a humana tentação de dar o jeitinho ao Benfica.  Percebeu o erro do timing das suas declarações e provavelmente a asneira motivou-o a ele e à equipa. O orgulho sempre foi um bom combustível para homens.

 

O Quique tem boa pinta. Cabelo de vedeta de cinema, sorriso que cativa multidões e disfarça indecisões. O Quique tem jeito: para conferências de imprensa e conversas de opereta com a Alexandra Lencastre. Felizmente bola é mais para homens de barba rija e frase grossa, como o Manel.

 

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publicado por bolaseletras às 00:31

E porquê logo na véspera, Manel, porquê?

Sexta-feira, 13.03.09

 

Na véspera de defrontar o Benfica, na Luz, o treinador do V. Guimarães, Manuel Cajuda, reassumiu o benfiquismo e lamentou que outros não sejam capazes de o fazer.

 

«Quando era criança só ouvia os golos do Benfica nos relatos da rádio, por isso sou do Benfica. Tenho pena que os treinadores do F.C. Porto e do Sporting não tenham a coragem de o assumir. Não sou desonesto. Tenho pena dos que têm vergonha de o assumir», reiterou o técnico, segundo a Agência Lusa, esta sexta-feira, na antevisão da 22ª jornada.

 

A notícia completa aqui: diario.iol.pt/desporto/manuel-cajuda-benfica-vitoria-de-guimaraes-v-guimaraes-liga-maisfutebol/1049456-4062.html

  

Ou muito me engano ou amanhã perceberemos melhor porque foi na véspera. É o país que temos e se calhar merecemos.

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publicado por bolaseletras às 23:24

Libertem o Vasco

Quinta-feira, 12.03.09

Muito agradecia que lessem alto e bom som o nome da figura abaixo. Faz bem ao humor e à pele e não ofende.

 

Desculpem lá isto, acabei de ouvir na TVI 24 (um canal que promete bons momentos infindáveis) o Vasco Pulido Valente a falar. Mas o homem não fala. Aquilo é um pequeno estrumpf que fecharam numa garrafa de aguardente e que tenta fazer-se ouvir por entre os poros da rolha. Aposto que se o obrigassem a soletrar o nome do Mike Litoris o Vasco desfazia-se em cristais de álcool.

 

Logo a seguir ao Vasco, no intervalo da coisa que se chama roda livre e que também tem para lá perdido o Correia de Campos (outro ícone da sobriedade comunicativa), apareceu o Marques Mendes a fazer uma comunicação ao país. Continuei a gritar alto o nome do Mike para abafar as vâs palavras proferidas pelo simpático anão. Logo a seguir, este inestimável canal brinda-nos com um trecho de um concerto da Britney Spears. Epá, assim gasto o nome ao Mike!

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publicado por bolaseletras às 22:41

Parabéns amigos tripeiros!!!

Quarta-feira, 11.03.09

Comecei a escrever este post faltavam 5 minutos para o fim do jogo. Com tanto azar, tanta malapata, Deus não poderia escrever torto por linhas direitas.

 

Parabéns aos meus amigos que sofrem pela tripa! Um abraço especial ao amigo Banda G, que anda lá por Macau a ganhar a vida. Aos outros, porque são poucos mas bons, cá perdidos por Lisboa: Micas, Charles, Pinheiro, e, regressado a terras do Norte, o amigo Albama.

Agora é deixar de fazer pontaria aos postes e à barra que ainda se enganam e trazem o caneco, cuarego!

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publicado por bolaseletras às 21:29

Voleibol feminino - ou uma boa maneira de relativizar as desgraças de Munique

Terça-feira, 10.03.09

Não tenho grande tendência para masoquismos ou para assistir a jogos já sem relevância. Foi o que se passou com o Bayern-Sporting de hoje, em que só vi o resumo dos golos, pois andei a zappar entre os mais bem interessantes Liverpool-Real Madrid e Juventus-Chelsea.

 

Vendo os golos do Bayern só me ocorrem 4 ilações:

1. O Polga quando tem paragens cerebrais é um tormento para qualquer equipa, sobretudo para a dele.

2. O Pedro Silva é um digno representante do que são as consequências da importação por atacado no mercado brasileiro.

3. Pode ser que se aproveite algo. Como por exemplo o João Moutinho finalmente perceber que pode marcar golos se deixar de rematar com a parte de dentro do pé. Deixe lá isso para o Del Piero e o Ibrahimovic.

4. Estes golos são o espelho do que são os 3 maiores problemas das equipas portuguesas, selecção incluída. Concentração concentração concentração em jogos importantes e frente a equipas práticas, com futebol directo e maior poderio físico.

 

Por outro lado, o futebol inglês está imparável. O que o Liverpool fez ao Real foi impressionante, um vendaval irresistível de dinâmica e de fome de ganhar. O Chelsea fez aos italianos o que estes antigamente faziam às outras equipas: foi cínico e marcou nas alturas decisivas.

 

Depois de tanta emoção e desilusão futebolística, nada como descansar o cérebro e vaguear nas memórias da vida. Recuar quase 10 anos atrás, um complexo desportivo em Macau, um jogo de voleibol feminino entre as selecções de Itália e do Brasil, um jogo vibrante e envolto em beleza enebriante. A Francesca Piccinini da selecção italiana teria uns 20 aninhos então, jogou que nem uma louca enquanto sorria para a bancada deixando-nos, a mim e aos comparsas que me acompanhavam, de cara completamente à banda.

 

Ora vejam lá se esta moça não é de pôr os olhos em bico a qualquer um - os chineses, que os têm e assistiam ao jogo - estavam à beira do colapso. E além de fabulosa jogadora a marota da Francesca tem também um jeitinho especial para a fotografia.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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publicado por bolaseletras às 22:33

Bairro Portugal Novo - não há coincidências

Segunda-feira, 09.03.09

Este país é rico em trocadilhos, em ironias que a riqueza da língua portuguesa nos permite. Mas quando o nome de um bairro degradado, abandonado na sua sorte pelas entidades responsáveis, mal tratado pelos habitantes que o deixaram chegar àquele estado (não me lixem, quem lá vive também é responsável) nos põe a pensar se é este o nosso Portugal novo, a ironia atinge os píncaros da sua função de zombaria. 

 

Não sou especialista na matéria, mas o que me parece que a realidade tem provado em diferentes países e cidades é que dividir as zonas de uma cidade por estratos sociais, encaixotar as classes em guetos nunca deu bons resultados.

Cresci no verde e lisboeta bairro dos Olivais Sul, onde vivam e conviviam na mesma rua, na mesma escola, nas lojas e supermercados do bairro, pessoas dos mais variadíssimos estratos e das mais díspares condições sociais. Na primária fui colega de carteira de ciganos, na preparatória partilhei angústias e balneários com rapazes e raparigas de todas as cores e níveis socias. E funcionava, acreditem. Os miúdos e os graúdos das várias condições aprenderam a viver uns com os outros, a necessidade de que assim fosse aguçou o engenho.

 

As fotografias apresentadas no post foram retiradas deste site: lisboasos.blogspot.com/2008/09/portugal-novo.html

Um site muito interessante, diga-se, que fala sobre as várias Lisboas, a Lisboa degradada que é hoje representada pelo Portugal Novo, mas que amanhã pode estar espelhada em qualquer outro gueto da capital. Estas fotografias não se podem admitir num país desenvolvido, na capital desse país, em qualquer cidade de um país que se diz do 1.º mundo.  Acabem com as coincidências, é o que se pede.

 

 

 

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publicado por bolaseletras às 22:58






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