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Relações de vizinhança, vassalagens e finais felizes

Domingo, 08.03.09

Este fim-de-semana não tive oportunidade de assistir aos jogos dos três grandes. Vi os resumos, limitando-me a assistir aos golos dos jogos de Sporting, Porto e Benfica. Aparentemente, muito difícil seria tirar conclusões sobre a qualidade dos referidos jogos ou as ocorrências dos mesmos apenas pela visualização desses curtos resumos. Mas não foi assim. Afinal, vendo os 4 golos do FC Porto tive um forte sentimento de estranheza que um mero resumo de 2 minutos não deveria permitir. O que vi eu então?

 

1. Vi um guarda-redes do Leixões candidato à nossa selecção (merecida candidatura, diga-se, pela excelência das exibições que tem protagonizado) subitamente atacado pela mosca tsé-tsé, tal o estado de letargia que o atingiu em pelo menos 2 golos do Porto. Não digo que os pudesse ter evitado, digo apenas que não me pareceu que estivesse virado para se estirar em direcção à bola, na tentativa de fazer aquelas defesas impossíveis a que nos habituou. Ficou estático e hirto que nem uma barra de ferro (créditos ao grande Alexandrino) num deles (Hulk), noutro caiu simplesmente sem tino nenhum (Raúl Meirelles).

 

2. Vi um convite ao primeiro golo do Porto através de um penalty oferecido em bandeja de ouro. Nem a mão de Deus de Maradona foi tão benemérita para a Argentina, como esta o foi para o Porto.

 

3. Vi um passe perfeito de um jogador do Leixões para o golo de Hulk.

 

4. Vi uma oferta de Helton ao golo de honra do Leixões que pareceu demasiado patética para ser sincera azelhice. Sempre compensa um pouco as anteriores ofertas dos leixonenses...

 

Detesto insinuações, mas neste caso não insinuo. Neste caso digo que os factos merecem muita atenção de quem pensa que os resultados só se manipulam comprando árbitros. Afirmo que não acredito que Beto ou o Leixões tenham sido comprados ou de alguma forma "seduzidos" para facilitar, apenas digo que não deram tudo o que costumam dar, que não puseram em campo os habituais argumentos futebolísticos e o costumeiro espírito competitivo da gente do mar. Pela boa saúde do futebol português, quero crer que se tratou apenas de uma simpatia entre vizinhos, ou mesmo de um assomo do espírito de vassalagem que com dificuldade se desentranha dos hábitos dos pequenos clubes.

 

Para terminar a jornada, nada como uma falta fantasiosa que permitiu o golo da vitória ao Benfica. Tudo está bem quando acaba bem.

p.s. - Será que o Sr. árbitro pensou que esta mensagem era para ele? 

 

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publicado por bolaseletras às 23:10

Bruno Aleixo - uma lufada de ar fresco no panorama humorístico nacional

Domingo, 08.03.09

Há quem deteste, há quem lhe ache piada, há quem reconheça o mérito dos seus criadores e elogie a ousadia. Colocar uma espécie de mini-urso com semelhanças a uma figurinha da guerra das estrelas a abrir os horizontes do humor português poderá parecer, no mínimo, arriscado. Bruno Aleixo caracteriza-se por uma teimosia incomparável, um humor especialíssimo aplicado ao quotidiano que nos rodeia, um sentido crítico a roçar a brutalidade.

 

Se tiverem tempo e um mínimo de curiosidade vejam esta entrevista de Bruno Aleixo ao Nuno Markl. Talvez vos abra o apetite.

 

 

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publicado por bolaseletras às 18:41

Da influência da beleza no rendimento desportivo - ou o síndroma Dani

Sexta-feira, 06.03.09

 

Algum dia alguém irá desmentir-me, mas ou sonhei, ou tenho a certeza quase absoluta que foi o grande Paulo Futre que disse que o Dani era demasiado bonito para ser jogador de futebol. Não sei se era ou não, mas foi o próprio Dani a assumir que para ele havia interesses bem mais relevantes que o futebol, como as mulheres, a noite, as borgas com os amigos e aproveitar a vida durante a louca juventude.

  

Concordo que quando se tem um nível de beleza muito acima da média, quando se tem 18 anos, um ordenado que extravasa em muito os limites habituais para um jovem, não deve ser fácil manter o espartano regime de um desportista profissional. Há certamente quem consiga, jogadores bem apessoados que têm carreiras de sucesso. Enfim, Dani não conseguiu nem quis conseguir sacrificar a juventude ao futebol e foi o seu excessivo bom aspecto a causa da coisa. Um enorme potencial e um talento indesmentível  perderam-se nos seus olhos de gato, na sua carinha de eterno puto giro. São elas que assim o classificam, bem se entenda!

 

Então e as inúmeras tenistas de beleza inegável que granjeiam sucessos atrás de sucessos, como conseguem fugir aos holofotes das tentações? Há mulheres e mulheres, há formas de encarar a vida distintas - o que é muito salutar, diga-se - caso contrário era fácil prever comportamentos e antecipá-los. O que seria uma chatice pegada.

 

Mas há uma tenista que nunca poderia ser uma number one, nunca poderia ser uma papa grand slams, mesmo que fosse uma conjugação avassaladora de força e técnica. É beleza a mais, é uma sensualidade arrebatadora que transborda da raquete, é um je ne sais quoi que não poderia ficar limitado à terra batida de Roland Garros. O miúdo do Julio Iglesias, o Enrique, apercebeu-se rapidamente disso e resgatou-a para a bela vida. Quem o recrimina a ele? Quem a recrimina a ela por viver a vida na idade em que dá mais gozo vivê-la?

 

Fiquem então com o je ne sais quoi a que me referia (e fiquem também com um rol de teorias esfarrapadas, alinhavadas para justificar a colocação de mais um punhado de belas fotografias aqui p´la casa:).

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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publicado por bolaseletras às 22:50

The special one - um ego maior do que o mundo

Quarta-feira, 04.03.09

Ontem à tarde José Mourinho protagonizou uma das mais explosivas conferências de imprensa de sempre em solo italiano. Sete minutos de monólogo opressivo, em que atacou os media italianos, os grandes clubes italianos adversários do Inter, as mais destacadas figuras do futebol italiano actual.

 

Será que todo um país que respira futebol se irá vergar a este monstro dos "mind games", a um enormíssimo treinador que só se deixa trair por um ego maior do que o mundo, por uma crença inabalável nas suas razões? Este Mourinho quixotesco não corre o risco de se imolar na fogueira de moinhos do calcio em brasa que não cessa de semear? Esta malta de Setúbal é tramada, deve ser do choco frrriito.

 

Como dizia o meu amigo Mancha, safou-se no Porto por pouco, mas em Itália arrisca-se a acordar sem um bracito (eu diria mesmo, com uma cabeça de cavalo a fazer-lhe companhia entre os lençois, à boa moda italiana).

 

“I don't like intellectual prostitution, I like intellectual honesty. The rest depends on your judgement. However, it seems to me that in the last few days there has been great intellectual manipulation, a great job done to change public opinion, and for me this is a fantastic operation for a world that is not mine. This manipulation has been such a success that in the last two days they haven't spoken about anything else.”

 

“They haven't spoken about a Roma team with great players, the best midfield in Italy, with a lot of players who I wanted here, and who will finish the season with zero titles.”

 

“They haven't spoken about a Milan that will finish the season with zero titles and with players who have a winning culture and everything that a team needs to win titles.”

 

“They haven't spoken about a Juve that has won a lot of points thanks to refereeing mistakes. If Ranieri and Spalletti are together, then I'm with Zenga, Del Neri and Prandelli because all three have dropped three points against Juve, and I'm with Marino and Novellino who'll be playing against Juventus next weekend.”

 

“Perhaps this is the last time I will talk like this in a press conference, there are 91 days left to say 'Goodbye, have a good holiday', and I will go on holiday for a month and a half and I won't talk.”

 

“Ranieri and Spalletti? They are prime time. They are always guests on the evening television programmes. Every time I go in the changing room after the match and I turn on the TV, I always see Spalletti and Ranieri. Spalletti talks before the match, during the interval, after the match. He talks with one person, then with another. And it's me who's good at talking? I'm good because they tell me I have to talk. If Inter's press office tells me not to talk to the press for two months, for me it would be fantastic.”

 

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publicado por bolaseletras às 22:59

De tesoura em riste

Terça-feira, 03.03.09

Tenho que tratar de cortar o cabelo. Esta é daquelas obrigações que sempre me perturbou. No meu espírito, não faz o mínimo sentido um tipo ter de se preocupar mensalmente com uma ida ao barbeiro. Nem quero imaginar se tivesse nascido do belo sexo e tivesse de incluir no pacote a manicura, a depilação, a limpeza de pele e outras artes que tais. Porque será que não chega o banhinho diário, as escovadelas de dentes, as lavagens de mãos e demais actividades higiénicas para garantir o são e bem cheiroso convívio entre membros da nação, da cidade, do bairro, do prédio, do leito conjugal?

 

Desde que me lembro de ir ao barbeiro pelo meu pé (creio que desde a tenra adolescência) que assisto nessa histórica instituição aos mais inacreditáveis diálogos, monólogos e discursos onanistas. Eu com o traseiro irremediavelmente assente na vetusta cadeira e com a batinha anti-pelo bem justa à farpela, e o artista da tesoura com a verve inflamada. Temáticas? Infalivelmente a bola, o glorioso, os bois pretos com apito na boca, a caça e as petiscadas subsequentes, as meretrizes petiscadas, as gajas que passam na rua, os pretos e o Ultramar, os chulos do governo, os temerários feitos dos filhos e as filhas puras que nem neve, a vaca da sogra, enfim, um manancial inesgotável.

 

Não, nunca apanhei um barbeiro homem que não falasse, que preferisse o silêncio a que convida uma actividade tão cirúrgica. De onde virá tamanha confiança no interesse que as suas palavras terão nos impotentes tímpanos dos pobres clientes? Creio que eles sabem que nós sabemos que eles têm a lâmina e a tesoura na mão...nós somos meros roedores na ratoeira que é a cadeira do barbeiro.

 

Felizmente, neste caso a globalização jogou a favor do cliente. É ver um novo mundo de barbearias com profissionais vindas da terra de Vera Cruz, sorridentes, resplandecentes, com mãos sem pelos indesejáveis. Finalmente lavar a cabeça no final do corte passou a ser um acto agradável, trocou-se a sensação de termos a nossa cachimónia chocalhada por duas mãos sapudas e repugnantes, por uma suave massagem proporcionada por um par de mãozinhas delicadas e compreensivas. VIVA A GLOBALIZAÇÃO!

 

 

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publicado por bolaseletras às 23:18

Mulheres (pérola 3) - As muletas da vida

Segunda-feira, 02.03.09

"Agarrei a minha garrafa e fui para o quarto. Despi as calças e fui para a cama. Nada estava bem. As pessoas agarravam-se cegamente à primeira coisa que lhes aparecesse:

 

Comunismo, orgias,  andar de bicicleta,

   

 

erva, o catolicismo, halteres,

  

 

viagens, o recolhimento, a comida vegetariana, a Índia,

  

 

pintura, beber, andar por aí,

  

 

iogurtes, congelados, Beethoven, Bach,

  

 

Buda, Cristo, haxixe,

  

 

sumo de cenoura, suicídio, roupas por medida,

  

 

viajar de avião, Nova Iorque,

 

 

e de repente tudo desaparece. As pessoas tinham de encontrar coisas para fazer enquanto esperavam pela morte. Acho que era bom podermos escolher.

 

Eu fiz a minha. Agarrei na garrafa de vodka e dei um gole. Os russos sabiam qualquer coisa."

 

 

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publicado por bolaseletras às 21:36


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