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A jornada do mais do mesmo

Domingo, 19.04.09

Estou para aqui a reflectir sobre as ocorrências de mais uma lusitana jornada futebolística da Liga. Ontem vi o jogo do Sporting durante um jantar de convívio entre amigos, pelo que fui espreitando a coisa pelo canto do olho. Contudo, fica-me na retina o golo anulado a Carriço. Mesmo que se queira arriscar a ligeira hipótese de haver um pé em riste do jovem Daniel, o que fica sobretudo na memória é a atitude do árbitro ao marcar a suposta falta e anular o golo. Atrasado, comprometido, sem convicção, quase que um recado da consciência a ordenar-lhe que parasse ali as hipóteses leoninas de sonhar com o título. As paixões do Sr. Bruno começam a ser demasiado evidentes, parece-me a mim.

Neste momento o jogo Académica-Porto está no intervalo. O Porto está amorfo, triste, a pôr-se a jeito para ser surpreendido pelos aguerridos guerreiros do Paciente Domingos. Mas creio que isto não vai dar em surpresa. Há sempre um factor comum aos poucos jogos em que o Porto não se apresenta bem e que poderiam por isso conduzir a um redespertar da luta pelo título: uma mão que vai à bola e que toda a gente vê menos os 3 digníssimos representantes da arbitragem que se encontram em campo. O Porto é melhor, mas nas poucas ocasiões em que tem dificuldade em sê-lo, há sempre uma mão amiga que não leva o apito à boca. Bom, vou ver como termina esta jornada que começa a estar inquinada...

 

Alguns minutos depois a coisa está resolvida. Nada que surpreenda depois do fatídico lance da mão que dava ares de invisibilidade. Bom, vou dedicar-me às letras, que depois destes episódios perdi a paciência para perder tempo com Quique e sus muchachos.

 

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publicado por bolaseletras às 20:09

Anoitecer no fundo de um copo do bar anexo à livraria do cinema

Sábado, 18.04.09

  

É nos minutos seguintes a sair de uma sala de cinema que o vazio mais me assola. As vozes entrecortadas, os risos em crescendo, alguns azedos comentários de desilusão. Espero que os passos se encaminhem para as escadas, felizmente são poucos os que conduzem ao soturno bar anexo à livraria. Um cinema com livraria, sempre o entendi como uma desesperada tentativa de casar água com azeite. “É a cultura estúpido!”, diria na risota o meu imberbe estagiário, mais um crente na superioridade do cinema como veículo principal, senão único, da beleza do mundo e da tristeza do homem. No fim das escadas o destino, o bar, o gueto dos que nada procuram, a obscuridade de vozes que não entram em mim.
A costumeira cadeira de ferro no canto da sala conforta-me. A penumbra mal iluminada é o que procuro nestes momentos, por vezes penso que a procuro sempre, a todo o instante. A empregada brasileira aproxima-se bamboleante. Joga mal com este café-bar com pretensões a espaço cool de jovens elites intelectuais. À primeira vista é a sensação que dá, foi a que tive há uns meses a primeira vez que me interrogou:
- O que deseja? sorriu ela, Letícia de sua graça, sensualidade e provocante discrição a sua imagem de marca.
Nem uma única vez se enganou sobre o meu estado de espírito. Antecipava sabiamente a minha vontade de trocar sorrisos ou o meu alheamento total que apenas pedia mecânicos movimentos e zero interacções. Não era uma questão de imediata cumplicidade entre dois desconhecidos, apenas o instinto de uma jovem mulher para quem a natureza humana não parecia apresentar grandes mistérios. Uma expressão, o contorcer dos músculos faciais, o tom de voz que se esconde na súplica de um Jameson com gelo eram mais que suficientes para me ler a alma. Mulheres assim procurei-as a vida toda e, afinal, estavam tão perto. Na última gota, no tosco fundo de um copo de whisky.
             
 
p.s. - Este texto escrevi-o há uma boa mão cheia de anos. Até hoje esteve guardado na gaveta como um conto que, por insondáveis razões, nunca desenvolvi em direcção a um final cruel, feliz, ou simplesmente banal. Hoje não penso assim. Creio que a forma como termina a última frase oferece ao texto o final perfeito. Há cinco anos não me apercebi, hoje é claro como água que o final só poderia ser este. A idade ilumina e simplifica, há quem diga.

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publicado por bolaseletras às 19:48

Da série a história do leão

Sábado, 18.04.09

 

Tantos apontamentos inesquecíveis nestas imagens e sons. O resultado histórico, os golos do Mascarenhas, a voz, as palavras, a inconfundível combinação das mesmas pelo grande Gabriel Alves e, para não destoar, a música que acompanha os golos. Este revivalismo é em honra dos sportinguistas da geração que me antecede, que quer-me parecer tiveram mais alegrias e menos tristezas do que eu.

 

 

Vendo estas imagens é inevitável lembrarmo-nos do jogo de ontem em que o Manchester acabou com os sonhos do Porto. Será que foram as equipas portuguesas que desceram de nível perdendo o poderio que já tiveram, ou será que foram os cifrões que desiquilibraram a balança em favor dos clubes mais ricos? Será que ter-se quase acabado com os proteccionismos e os nacionalismos no futebol é a principal razão deste desfasamento? Não pá, não é uma questão cronológica ou que se explique pelos males da globalização. Ontem era o Porto, há 45 anos era o Sporting!

 

E para fechar com chave de ouro esta fabulosa época, nada como terminar com o cantinho do Morais e com o mais belo hino do mundo! Ah leão!

 

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publicado por bolaseletras às 00:42

Da série uma pausa para publicidade

Quinta-feira, 16.04.09

 

 

 

 

 

 

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publicado por bolaseletras às 21:22

O clube dos poetas anónimos - O peso do tempo

Quarta-feira, 15.04.09

Do clube dos poetas anónimos mais um poema que alguns considerarão um não poema. Porque haverá quem pense que não se faz poesia com as chatices do quotidiano. Porque a malfadada vida que nos engole as horas sem as sentirmos passar não merece versos. Discordo, isto parece-me poesia. A vida na sua insensatez de insistir em ser mal vivida é que pode enegrecer um poema. Contudo, nem só de cor vive o homem, nem só de luz se alimenta um poema.

 

O peso do tempo
 
O tempo esvai-se.
O sentido que se deve colocar em cada momento dessa longa caminhada
em cada partícula do seu corpo,
identifica-se com o próprio sentido da vida.
Seremos avaliados não pelos anos que vivemos
não pelas obras ou palavras inéditas que deixámos neste mundo,
mas pela intensidade apaixonada
que depositámos em cada minuto vivido.
 
A vida é um constante aproveitar
uma produtividade desgastante
um olhar sem ver
amar sem tempo p´ra sentir
abreviaturas descontextualizadas
só dar só receber
sem sequer sentir amor.
Somos máquinas,
agentes económicos
subjugados ao patrão tempo,
implacável no seu julgamento final.
O tempo obriga a vida
a não deixar viver.
 
Quem dera ter tempo infinito para amar quando quisesse
sem pensar que te perderia se não corresse já para teus braços
se não abdicasse num repente do doce marasmo que é não viver apaixonado.
Quem dera que o teu e o meu êxtase não se limitassem a segundos
mas a horas, dias, anos.
Se para sempre sussurrasses em meus braços amo-te...
 
Como o tempo foge,
Nos esmaga. 
 

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publicado por bolaseletras às 22:33

Da série o cantinho da música portuguesa: Variações que o corpo acaba por pagar

Terça-feira, 14.04.09

Lembro-me mal do António Variações, mas as suas músicas sempre me acompanharam. Se há frase que não se esquece e que é indesmentível é esta: quando a cabeça não tem juízo o corpo é que paga. Não se iludam, paga sempre. A toda a hora pagamos pelos erros a que sujeitamos o nosso corpo, para a eternidade ficarão as maleitas físicas que as nossas más opções nos legaram.

 

Porquê esta conversa? Nada de especial, estava apenas a escrever ao vento a ver onde me levava a corrente do refrão do António. Não fui longe, o vento estava fraco, está visto. Apreciem a música e não liguem à ventania.

 

 

 

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publicado por bolaseletras às 23:19

O animal moribundo (pérola 2) - Obsessão parasita

Segunda-feira, 13.04.09

 

Este trecho de o "Animal moribundo" coloca-nos uma questão que toda a literatura, sobretudo as manifestações mais perturbantes e intimistas desta arte, nunca deixará de despertar no nosso espírito. Quantas destas palavras pertencem ao núcleo do ser humano real e palpável distinto do escritor, quantas destas palavras não são pura ficção mas sim o concreto pensamento e sentir do ser por trás do artista? Também esse mistério e a sua não revelação enobrecem a literatura, também essa incerteza nos aproxima de Roth enquanto percorremos a sua obra.

 

"A única obsessão que toda a gente quer: «amor». As pessoas pensam que ao amar se tornam inteiras, completas? A união platónica das almas? Eu não penso assim. Penso que estamos inteiros antes de começarmos. E o amor fractura-nos. Estás inteiro e depois estás fracturado, aberto. Ela foi um corpo estranho introduzido na tua totalidade. E durante um ano e meio lutaste para o incorporar. Mas nunca serás inteiro enquanto não o expelires. Ou te livras dele ou o incorporas através da autodeformação. E foi isso que fizeste e te levou à loucura."

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publicado por bolaseletras às 23:50

Bom Domingo de Páscoa, pessoal

Domingo, 12.04.09

Ilha Terceira - Açores

 

Celorico de Basto

 

Ilha da Páscoa

 

Sevilha

 

Alcains

 

Aldeia de Cem Soldos

 

 

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publicado por bolaseletras às 12:24

Onde anda a paixão?

Domingo, 12.04.09

Podia estar a vangloriar-me do post em que ontem previ que Quique cada vez menos teria razões para sorrir, quanto mais rir às gargalhadas. Mas reconheço que o Benfica teve bastante azar contra os estudantes. Faltou sorte? Talvez um pouco, mas neste momento falta ao Benfica algo bem mais importante: paixão, paixão pelo jogo, vencer os receios e o peso da camisola e really enjoy the game!

 

O Sporting tem toda a paixão nos pés de Liedson, saiba o clube conservar este jogador único. Era bom que mais alguns jogadores do clube bebessem da fonte de inspiração do levezinho. O Porto passeia-se por este sereno campeonato enquanto prepara mais altos voos fora de portas, nada de novo. Enfim, vejam o filme que se segue para perceberem o que falta a este campeonato: uma dose de loucura e paixão pelo jogo (obrigado pela dica do vídeo, Pinto):

 

 

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publicado por bolaseletras às 00:11

De que te ris, Quique? Tantas questões, tão poucas respostas

Sábado, 11.04.09

 

Não sei se foi o citadíssimo decano das grandes frases do planeamento estratégico que o disse, mas se não o foi, creio que Sun Tzu não desdenharia a seguinte reflexão: a fraqueza dos nossos adversários enfraquece-nos. Porquê? Porque os excessos de confiança surgem dessas fraquezas alheias, a capacidade de concentração atenua-se, surge a natural tendência para baixar a guarda.

 

Temo que as fraquezas do actual Benfica possam fazer baixar a guarda ao Sporting. Em 9 meses Quique Flores tem conduzido o Benfica a um caminho que não é o seu, que não pode ser o seu. Mourinho colava nas paredes do balneário frases dos grandes adversários para motivar os jogadores. Quique regozija-se que os seus jogadores colem nas paredes do balneário declarações realistas de um jogador da Académica sobre o actual estado do Benfica. Diz que gosta que os jogadores sintam esse desejo de vingança. Contra a Académica? Precisam desse tipo de motivação para irem buscar forças para ganhar à Académica? Porque perderam 3-0 o ano passado? Têm medo de fantasmas? Não percebem o ridículo em que o clube vai caindo com esta tonterias?

 E que dizer quando Quique, já perto do final da temporada, diz que a equipa não joga como ele quer. Razões? Uma mão cheia delas, segundo Quique, mas que não é o momento de especificar. Mas o que anda este senhor turista aqui a fazer? Será que a inexperiência de Rui Costa o impede de reconhecer um erro de modo a não dar a perceber que a sua inexperiência foi fatal nas escolhas deste seu primeiro ano? Não haverá ninguém que possa dar uma mãozinha ao Rui? Bom, espero que o Paulo Bento convença os rapazes que não é o momento para rir às gargalhadas das tolices alheias, mas sim para assegurar de forma convincente o segundo lugar.

 

Sim, o segundo lugar, leram bem. Acho que já toda a gente percebeu que o Porto, mesmo em ritmo de passeio, está actualmente num outro patamar futebolístico. Apesar das parvoíces do seu Presidente e das intimidades dos manda-chuva do clube com os senhores árbitros, da promoção das viagens transatlânticas na agência Cosmos, o Porto será campeão não por causa de apitos dourados e quejandos, mas sim porque é indubitavelmente o melhor a nível interno. E não é com o Senhor Quique que o Benfica lá vai. Quanto ao Sporting, há que ser realista, garantir o segundo lugar e preparar o futuro. De que te ris Quique?

 

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publicado por bolaseletras às 01:09






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