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Da série uma pausa para publicidade - smoke gets in your eyes

Quarta-feira, 06.05.09

 

Labaredas de fumo, existirá isso? Será essa a corrosão interior com que o falso amigo cigarro mina os corpos dos seus viciados adoradores?

 

Fundamentalismo anti-tabágico, é aceitável? É aceitável respirar o teu cigarro, conspurcar as roupas com o teu fumo, ó viciado, prejudicar a saúde com o prego para o caixão que incendeia a tua boca?

 

Eu, fumador muito ocasional (após opíparas refeições, depois de um whisky de altíssima categoria, em momentos de especial convívio social - casamentos e afins) me confesso. Já prejudiquei alguém com bonitas rodelas de fumo, já passei as passas do algarve com terríveis aromas de nicotina que me violentaram a roupa, o cabelo e o corpo pela manhã. Ah, e não fui eu que os fumei. A moral é sempre a mesma. Não faças aos outros o que não queres que te façam a ti.

 

Make love, not smoke.

 

 

 

 

 

 

E para finalizar...e olhem que é mesmo o fim...

Legenda do espaço relvado sem cruzes: non smoking area.

 

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publicado por bolaseletras às 21:07

O clube dos poetas anónimos - Palavras nuas

Terça-feira, 05.05.09

Este poema reflecte a alma deste livro de poemas sem dono. Estrofes de amor perdidas em sons metálicos, derramadas no escuro do alcatrão. Contudo, nesta confusão de imagens contraditórias, o resultado final apresenta-se límpido. Pelo menos para mim, no momento em que o li pela primeira vez.

 

 

PALAVRAS NUAS 

 

Afogadas nas insistências dos teus lábios

emudecem-se no teu mel.

Talvez ressurjam no nevoeiro da respiração ofegante

mas o desejo não se entrega a banalizações lineares.

 

O silêncio adormece as palavras

na pele molhada

saciada.

 

Pela janela entreaberta

a lógica do ruído é mecânica

sons inesperadamente humanos

dissolvem-se em fluxos de motores incessantes.

O alcatrão destila confusos lamentos

aos quais, indiferentes, as mudas palavras dos lençóis

respondem com a sua ausência.

 

Acordo.

Há quanto tempo me olhas não o sei.

O teu sorriso não requer palavras

o meu anseio por elas pode esperar.

 

Neste momento cristalizado

o mundo consegue a sua perfeição.

Sem palavras

na mudez do amor.

 

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publicado por bolaseletras às 23:17

Venha ao diabo e ajude-me a escolher (parte II)

Segunda-feira, 04.05.09

 

MICHELLE PFEIFFER?  KIM BASINGER?

 

        MICHELLE PFEIFFER?  KIM BASINGER?

 

Estas duas musas povoaram-me os filmes e os sonhos da juventude. Se a mulher não é o mais belo e constante elemento deste mundo instável e recheado de fealdade, então está tudo louco. A constância que refiro em nada se assemelha a previsibilidade. O belo que idolatro raramente se apresenta como pureza ou quietude que permita uma doce contemplação. Não, a mulher é sempre única, sempre insondável, mesmo quando julgamos conhecê-la como ninguém. É esse o fascínio, é essa a eterna e parasita sedução.

 

Houve quem tentasse interpretá-la, despi-la pela palavra, descodificá-la em elocubrações geniais. Os esforços são elogiáveis, os resultados são díspares de sentença para sentença, porque o objecto do julgamento é sempre único, irreverentemente mutável. 

 

  

Uma mulher bonita e fiel é tão rara como a tradução perfeita de um poema. Geralmente, a tradução não é bonita se é fiel e não é fiel se é bonita.

William Maugham

 

 

Se fosse possível somente deslizar para os braços da mulher e no entanto não cair nas suas mãos.

Henri Montherlant

 

 

A mulher sacrifica-se para gostar de um homem, e o homem não pode agradecer o sacrifício, porque não gosta do que ela faz ao sacrificar-se por um homem que ela inventa e que não é ele.

Luigi Pirandello

 

 

A mulher gosta de saber despertar o desejo no homem, mas fica horrorizada se lhe reconhecem essa capacidade.

Cesare Pavese

 

 

São as mulheres que nos inspiram para as grandes coisas que elas próprias nos impedem de realizar.

Alexandre Dumas

 

 

Só há uma coisa na qual homens e mulheres concordam: nenhum dos dois confia nas mulheres.

Henry Mencken

 

 

Uma mulher, que não seja estúpida, cedo ou tarde encontra um farrapo humano e tenta salvá-lo. Às vezes consegue. Porém, uma mulher, que não seja estúpida, cedo ou tarde encontra um homem são e reduze-lo a um farrapo. Sempre consegue.

Cesare Pavese

 

 

Bela, sem enfeites. De uma beleza que se consegue arrancar ao sono.

Jean Racine

 

 

A bigamia consiste em ter uma mulher a mais. A monogamia é a mesma coisa.   

Oscar Wilde

 

 

Uma mulher leva vinte anos para fazer do seu filho um homem - outra mulher, vinte minutos para fazer dele um tolo.  

Helen Rowland

 

 

O reinado da mulher talvez venha um dia a ser realidade, mas será precedido por uma greve geral do amor. O sexo que suportar por mais tempo essa inactividade acabará por triunfar sobre o outro.  

Joaquim Nabuco

  

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publicado por bolaseletras às 21:40

Um abrir de olhos para os putativos e tristes candidatos da 2.ª circular

Domingo, 03.05.09

Para mal dos meus pecados e do meu gosto pelo futebol, estive sem acesso à Sportv estes dias. Perdi assim o imperdível Real Madrid- Barcelona. Compensei essa desgraça da pior forma: assistir ao Nacional-Benfica e ao resumo alargado do Académica-Sporting. Resumo dos lamentáveis 180 minutos:

 

 

Académica-Sporting

1. O pior jogo do Sporting no campeonato pelo resumo que vi e pelas sábias palavras do grande Ribeiro Cristóvão. O que significa isto num momento em que a luta pelo título está ao rubro, numa jornada em que o Porto tem um jogo dificílimo na Madeira? Que este Sporting não tem, definitivamente e para grande tristeza minha, estofo e raça de campeão.

2. Só com Liedson não chega. Derlei às portas da reforma, Moutinho em final de época precoce, Izmailov regressado de lesão, Djaló em risco de não mais recuperar o ânimo e a fogosidade que tanto prometeu. Não há nada a fazer pela cabeça deste miúdo e pela raça desta equipa?

3. Ponto positivo e que tem que orgulhar os sportinguistas. O Sporting iniciou o jogo com nove jogadores portugueses. Sinal de esperança, prova de que quem dirige o clube se preocupa com a identidade da equipa e com o seu futuro. Se com esta malta nova conseguimos o segundo lugar, com mais uns pozinhos na próxima época temos margem para muito melhorar.

  

 

Nacional-Benfica

1. Tal qual um punhado de ovelhas que se perde do rebanho, alguns jogadores do Benfica parecem ovelhas tresmalhadas à procura do rebanho, isto é, da equipa. O problema é que a equipa não está lá, tresmalhou-se em grupelhos de ovelhas indefesas e sem um pastor condutor.

2. Carlos Martins. Será que sou só eu que vejo os inúmeros passes que esta eterna esperança falha durante os 90 minutos? Passes disparatados feitos com o ar de quem vive sob a aura de um nº 10 que vai não vai surgirá por entre o nevoeiro da Luz. Tal como o Baía dava frangos a transbordar de classe, Carlos Martins projecta bolas para a bancada como quem faz assistências mais perfeitas que Platini.

3. Nuno Gomes. Percebo a importância de se manterem os símbolos do clube, a voz de referência no balneário. Mas para fazer umas tabelinhas sofríveis aproveitavam e punham lá um tipo que de quando em vez também marcasse uns golitos e que conseguisse, assim como quem não quer a coisa, ganhar um sprint que fosse a um central pesadão. Não era preciso que fosse sempre, só de vez em quando para não dar demasiado mau aspecto.

4. Safou-se o David Luiz. Não querendo enterrar ainda mais o Quique, o jovem com cabelo de caniche vai demonstrando que quando se tem qualidade joga-se em qualquer lado.

 

Solução para o triste estado dos putativos candidatos da 2.ª circular? Para começar, aconselho que olhem para os Nénés e para os Ruben Micael deste campeonato. Mas olhem bem! Abram os olhos antes que o dragão os engula na sua habitual e rapidíssima sagacidade.

 

 

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publicado por bolaseletras às 01:03

Money (pérola 1) - Do alívio da dor numa pitada de sal

Sábado, 02.05.09

 

«No fundo, lá bem no fundo, eu até sou um gajo alegre. A alegria, diz-se, é o alívio da dor, por isso, acho que até sou um tipo muito alegre. Alivio a dor facilmente. Mas experimento muitas vezes a dor. Por isso sinto muitas vezes esse tal alívio de que tanto se fala, e toda essa felicidade.»

 

A pergunta mais embaraçosa que nos podem fazer ou que podemos dirigir a um interlocutor é exactamente a que decorre deste trecho de Money:

«Consideras-te uma pessoa feliz?»

A incomodidade da questão está directamente relacionada com a tibiez com que a resposta geralmente é prestada. O gaguejar no momento da resposta deve-se sobretudo ao facto das pessoas não perderem tempo a pensar no grau de felicidade que lhes dá cor à vida. Porque aquilo que não se conhece não nos magoa, diz o povo, dito geralmente aplicado às esposas atraiçoadas que fecham os olhos para não chorarem com o legado que a vida lhes concedeu.

 

Vai-se vivendo conforme a vida nos surge no caminho. As encruzilhadas que se nos colocam e que nos obrigam a tomar opções são geralmente momentos de angústia, raramente interpretadas como oportunidades de polvilharmos a nossa existência com mais uns pozinhos de felicidade. Diria que é como o sal ou o açucar, a felicidade: na medida certa torna um pedaço de vida perfeito, em excesso pode provocar enjoos desnecessários ou atiçar a sede de forma a torná-la impossível de saciar. Quando vos perguntarem, respondam:

«Quanto baste, que tudo o que é demais é fastio».

 

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publicado por bolaseletras às 18:54

Da série lendas da bola - Marco Van Basten

Sexta-feira, 01.05.09

No decorrer da nossa vida de devoradores de momentos futebolísticos únicos, há jogadores que ocupam uma parcela significativa desse imaginário. Na minha memória estará sempre Marco Van Basten, the flying Dutchman. A sua carreira no Ajax, Milan e selecção holandesa é recheada de gloriosos golos, de bailados que se eternizaram no palcos relvados que dignificou. É uma lenda dessa classe hoje tão rara que são os predadores de área. Fiquem com alguns exemplos.

  

Uma bicicleta é sempre uma bicicleta e mais bonito que isto é sempre difícil de encontrar.

 

Quando assisti a este golo em directo, via RTP1, só me lembro das mãos na cabeça e do olhar maravilhado e incrédulo de Rinus Mitchell, o treinador da laranja mecânica de 1988. Este é provavelmente o mais belo dos mais importantes golos marcados em finais decisivas. Nesse dia, troquei o meu ídolo Dassaev pelo flying Dutchman. Poucos adolescentes se manteriam fiéis às suas convicções perante tal manifestação de classe.

 

Depois de uma bicicleta e de um volley de outro mundo, nada como uma cabeçada impossível. Esta nem o Jardel.

 

Ah, faltava um moinhozinho, coisa discreta.

 

E para não pensarem que estas obras de arte foram excepção à regra, fica uma colectânea na qual, além destes que já vimos, ficam mais umas dezenas de outros golos de ver e chorar por mais.

 

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publicado por bolaseletras às 20:01


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