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O verão é como um homem quiser

Sábado, 20.06.09

A forma como lidamos com os escaldantes dias de verão diz muito acerca do que somos, das nossas prioridades, do estilo mais descontraído ou mais sisudo como enfrentamos os raios de sol, enfim, como lidamos com a silly season. Isto quando temos a liberdade de escolher, porque há situações em que as possibilidades de escolha se limitam às circunstâncias do momento. Nisto se incluem os incontornáveis dias em que se espera pelo nascimento de um filho, em que os momentos livres são para dedicar aos últimos preparativos, como sejam a montagem de um par de simpáticos móveis do Ikea.

 

Com uma ventoinha apontada, com o apoio moral de uma barriguda dos últimos dias, com Manu Negra como música de fundo para não pensar em mais nada, com os telefonemas constantes de amigos com programas inegavelmente aliciantes (desde a imperial na esplanada, a ida à praia, ou mesmo o irrecusável convite para assistir ao mega concerto/picnic do grande Tony Carreira), não há parafuso ou esquema de montagem que me resista. Pois bem, mas Verão à séria, saudável e desportivo, é o que se adivinha nas imagens que se seguem. Atentando aos efeitos benéficos para os corpos expostos ao sol deste post, arrisco-me a dizer que é o desporto ideal para o verão.

 

 

  

 

  

 

  

 

 

    

 

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publicado por bolaseletras às 22:58

Da série o defeso prenho de esperanças - Matías Fernández

Sexta-feira, 19.06.09

Começa aqui uma série que dará certamente muito que falar, nestas loucas semanas de defeso futebolístico. É aqui que se alicerçam os mais hiperbólicos sonhos de glória, é nestes dias de incerteza que germina a semente da desilusão. Começamos pelo Sporting, pelo sonho de encontrar o nº 10 perfeito que nos livre da cópia mal parida de Maradona. Acaba o reino de Romagnoli, aperalta-se o trono para Matías Fernández. 

 

Pouco interessa se o homem pouco fez no Villarreal, certamente terá sido mal aproveitado ou queimado por um treinador com preferências pessoais por outras vedetas. É isso que queremos acreditar, nós, leões de indomável esperança, é isso que confirmam inabalavelmente os fantásticos golos que se seguem. Ah, se não vier paciência, a esperança já nos aqueceu os corações. 

 

 

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publicado por bolaseletras às 23:01

Consultoria jurídica

Quinta-feira, 18.06.09

Aproveitando os irrepreensíveis conhecimentos dos eminentes juristas que frequentam este mal afamado blogue, peço, mui humildemente, que me ajudem a responder à questão jurídica infra colocada...

 

 

 

Isto é uma violação estatutária, ou trata-se de um erro monumental?

 

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publicado por bolaseletras às 21:20

A interminável odisseia de uma flor no deserto

Quarta-feira, 17.06.09

Contraí desde tenra idade a mais grave doença que um cidadão português pode contrair em território nacional, rodeado de conterrâneos, frequentando reuniões com concidadãos, recorrendo aos serviços e às utilidades do seu amado país. Sou escravo de um processo de auto-responsabilização que se entranhou em mim, insidioso como uma doença venérea, possivelmente (o mais certo) implantado no meu código genético por herança familiar.

 

Se algum dia desejarem sentir o que sente uma flor no deserto, se insensatamente aspirarem a provar o amargo sabor do abandono num balcão de um qualquer bar de esquina, se vibram com a arrepiante sensação de que a alguns minutos do check in o mais certo é de que irão voar sozinhos para um inesquecível tropical destino, adoptem a minha corajosa e hiper-solitária religião - abracem em júbilo o sabor único da doença que todos os dias mina os minutos que consumo: sim, essa, a desgraçada pontualidade.

 

 

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publicado por bolaseletras às 22:00

Dire Straits - A nostalgia é isto

Terça-feira, 16.06.09

  

Foi a banda da minha adolescência e juventude. É ainda hoje um porto seguro quando as saudades desses tempos de irresponsabilidade e liberdade apertam. Sim, não há como dar a volta ao texto, those were the glory days! Se algum jovem inconsciente ler este post, acredite: nunca será tão bom.

 

Isto era música, isto era rock´n roll, isto era poesia sob a forma de música. Um bem haja ao Mark Knopfler and friends. Disfrutem destas duas músicas inesquecíveis.

 

 

 

 

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publicado por bolaseletras às 21:51

Aparição (pérola 1) - O rasto divino

Segunda-feira, 15.06.09

 

"O reino da vida está cheio ainda do rasto dos deuses, como num país velho perdura a memória dos senhores antigos e expulsos. Mas o homem nasceu - nasceu agora da sua própria miséria e eu sonho com o dia em que a vida fique cheia do seu rasto de homem, tão certo e evidente e tranquilo como a luz da tarde de um dia quente de Junho..."

  

Como escrevi há umas semanas, ler Vergílio Ferreira apenas é aconselhável em momentos de disponibilidade para pensar, quanto mais escrever sobre ele. Terminadas agora as mini-férias, em fase de progressiva desintoxicação do estupidificante efeito "nada como a novela Cristiano Ronaldo para descansar o cérebro", permito-me entrar no universo de Vergílio Ferreira.

    

Não me parece que consiga por minhas palavras dizer mais e melhor do que escreveu Vergílio. Portugal está ainda, mais do que possamos pensar, intrinsecamente casado com uma religiosidade que o prende às amarras de um país que teme o salto para a modernidade. Apesar dos Magalhães, apesar dos ventos da Europa, muito do que nos enclausura em nós próprios reside ainda nas castas paredes da sacristia.

 

Em que se traduz esta limitação, em que me inspiro para esta percepção? No conformismo lusitano. Na recusa em afrontar os poderes mal instituídos, na incapacidade de chamar a atenção, na auto-censura em se reclamar o que se tem direito, no baixar a cabeça e não reagir quando o urro de revolta e o murro na mesa seriam as únicas reacções aceitáveis.

Enfim, bebemos do cálice do conformismo católico, esquecemos muitas vezes os bons ensinamentos da igreja católica. Será não um problema de atávica religiosidade, será mais uma dificuldade de interpretação, de focalização no que interessa. O costume.

 

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publicado por bolaseletras às 20:31

Tanta competência até enjoa

Domingo, 14.06.09

 

Quase a meio da época futebolística que agora findou, o FC Porto deparou-se com um problema. Os defesas esquerdos que tinha no plantel não davam conta do recado com a competência desejada. Que fazer? Sondar o mercado, tentar encontrar a melhor solução com o menor custo. Olhando para o mercado interno, analisando, decidiu o clube adquirir 60% do passe do defesa esquerdo do Vitória de Setúbal, Cissokho, com um custo de 300.000€.

 

Resultados? A descoberta de um excelente defesa esquerdo que encantou a Europa com impressionantes exibições na Liga dos Campeões, particularmente no jogo em Manchester, a valorização em poucos meses do jogador para números impensáveis. Ontem o FC Porto vendeu Cissokho por 15 milhões, 9 para si, com reserva de possíveis mais 10 milhões nos próximos 5 anos, dependendo do número de scudettos e ligas dos campeões que o Milan arrebate.

  

Sorte, dizem alguns. Pois sim. Se considerarmos que é sorte uma capacidade de prospecção meticulosa, a mentalização e preparação de um jogador para de um momento para o outro passar a jogar a alto nível, o não ter medo de arriscar num jogador desconhecido contra os tubarões da Europa, então sim, o Porto teve muita sorte. Ou então teve uma equipa técnica ultra competente, uma estrutura que defende e dá confiança aos seus jogadores como poucas, uma coragem em correr riscos para colher frutos sustentada em todos estes vectores de competências.

 

E porque não têm o Benfica e o Sporting esta sorte? Vejamos o exemplo do Sporting. Na ausência de um defesa esquerdo que desse garantias, deslocou Miguel Veloso para a lateral. Assim,  de um médio defensivo promissor e talentoso, que já andava pela selecção tentando colmatar as fraquezas nessas posição, passou a ter um defesa esquerdo mediano e com pouca velocidade para aquela posição específica, obviamente descontente com as suas perspectivas de futuro e expectativas de evolução na sua posição de origem. Valorização? Sim, sempre a pique e infelizmente a seta não aponta para cima...

 

E o Benfica, que fez essa máquina de valorizar jogadores? Também com problemas graves no lado esquerdo da sua defesa, transformou um dos mais promissores e valiosos defesas centrais brasileiros, David Luiz, num defesa esquerdo jeitoso, que é melhorzinho que os que lá andam. E alguém vai adquirir um defesa esquerdo adaptado por 15 milhões? E alguém fez contas ao que se perdeu já de evolução do jogador na posição em que mais rende, aos milhões que assim se perderão no futuro?

 

É esta falta de visão, de valorização dos seus activos, que distingue em muito o Porto dos seus dois rivais de Lisboa. O Porto não hesitou em vender Cissokho porque, para além do lucro inacreditável que obteve em poucos meses, sabia que essa posição não era fulcral para a equipa. Como é o papel de Lucho e Lisandro que conseguiu manter durante anos. A distância é enorme e não me parece que tenha tendência para diminuir nos tempos mais próximos. A não ser que o sentido de auto-crítica dos dois grandes da segunda circular lhes abra os olhos para as boas práticas de terras do norte. Não tenham vergonha senhores, a roda já está inventada, não é preciso puxarem muito pelas meninges.

 

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publicado por bolaseletras às 13:08

Parabéns Fernando (121º aniversário do nascimento de Fernando Pessoa)

Sábado, 13.06.09

Digam o que disserem, hoje e sempre este é e será o mais belo poema do mundo.

 

 

Álvaro de Campos

TABACARIA 
(15-1-1928)


 

Não sou nada.
Nunca serei nada.
Não posso querer ser nada.
À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo.

 

Janelas do meu quarto,
Do meu quarto de um dos milhões do mundo que ninguém sabe quem é
(E se soubessem quem é, o que saberiam?),
Dais para o mistério de uma rua cruzada constantemente por gente,
Para uma rua inacessível a todos os pensamentos,


Real, impossivelmente real, certa, desconhecidamente certa,
Com o mistério das coisas por baixo das pedras e dos seres,
Com a morte a pôr humidade nas paredes e cabelos brancos nos homens,
Com o Destino a conduzir a carroça de tudo pela estrada de nada.

 

Estou hoje vencido, como se soubesse a verdade. 
Estou hoje lúcido, como se estivesse para morrer, 
E não tivesse mais irmandade com as coisas 
Senão uma despedida, tornando-se esta casa e este lado da rua 
A fileira de carruagens de um comboio, e uma partida apitada 
De dentro da minha cabeça, 
E uma sacudidela dos meus nervos e um ranger de ossos na ida.

 

Estou hoje perplexo como quem pensou e achou e esqueceu. 
Estou hoje dividido entre a lealdade que devo 
À Tabacaria do outro lado da rua, como coisa real por fora, 
E à sensação de que tudo é sonho, como coisa real por dentro.

 

Falhei em tudo. 
Como não fiz propósito nenhum, talvez tudo fosse nada. 
A aprendizagem que me deram, 
Desci dela pela janela das traseiras da casa, 
Fui até ao campo com grandes propósitos. 
Mas lá encontrei só ervas e árvores, 
E quando havia gente era igual à outra. 
Saio da janela, sento-me numa cadeira. Em que hei-de pensar?

 

Que sei eu do que serei, eu que não sei o que sou?
Ser o que penso? Mas penso ser tanta coisa!
E há tantos que pensam ser a mesma coisa que não pode haver tantos!
Génio? Neste momento
Cem mil cérebros se concebem em sonho génios como eu,
E a história não marcará, quem sabe?, nem um,
Nem haverá senão estrume de tantas conquistas futuras.
Não, não creio em mim.
Em todos os manicómios há doidos malucos com tantas certezas!
Eu, que não tenho nenhuma certeza, sou mais certo ou menos certo?
Não, nem em mim...
Em quantas mansardas e não-mansardas do mundo
Não estão nesta hora génios-para-si-mesmos sonhando?
Quantas aspirações altas e nobres e lúcidas -
Sim, verdadeiramente altas e nobres e lúcidas -,
E quem sabe se realizáveis,
Nunca verão a luz do sol real nem acharão ouvidos de gente?
O mundo é para quem nasce para o conquistar
E não para quem sonha que pode conquistá-lo, ainda que tenha razão.
Tenho sonhado mais que o que Napoleão fez.
Tenho apertado ao peito hipotético mais humanidades do que Cristo, 
Tenho feito filosofias em segredo que nenhum Kant escreveu.
Mas sou, e talvez serei sempre, o da mansarda,
Ainda que não more nela;
Serei sempre o que não nasceu para isso;
Serei sempre só o que tinha qualidades;
Serei sempre o que esperou que lhe abrissem a porta ao pé de uma parede sem porta
E cantou a cantiga do Infinito numa capoeira, 
E ouviu a voz de Deus num poço tapado. 
Crer em mim? Não, nem em nada. 
Derrame-me a Natureza sobre a cabeça ardente 
O seu sol, a sua chuva, o vento que me acha o cabelo, 
E o resto que venha se vier, ou tiver que vir, ou não venha. 
Escravos cardíacos das estrelas, 
Conquistámos todo o mundo antes de nos levantar da cama; 
Mas acordámos e ele é opaco, 
Levantámo-nos e ele é alheio, 
Saímos de casa e ele é a terra inteira, 
Mais o sistema solar e a Via Láctea e o Indefinido.

(Come chocolates, pequena; 
Come chocolates! 
Olha que não há mais metafísica no mundo senão chocolates.
Olha que as religiões todas não ensinam mais que a confeitaria. 
Come, pequena suja, come! 
Pudesse eu comer chocolates com a mesma verdade com que comes! 
Mas eu penso e, ao tirar o papel de prata, que é de folhas de estanho, 
Deito tudo para o chão, como tenho deitado a vida.)

 

Mas ao menos fica da amargura do que nunca serei 
A caligrafia rápida destes versos, 
Pórtico partido para o Impossível.
Mas ao menos consagro a mim mesmo um desprezo sem lágrimas, 
Nobre ao menos no gesto largo com que atiro 
A roupa suja que sou, sem rol, pra o decurso das coisas, 
E fico em casa sem camisa.

 

 

(Tu, que consolas, que não existes e por isso consolas,
Ou deusa grega, concebida como estátua que fosse viva, 
Ou patrícia romana, impossivelmente nobre e nefasta, 
Ou princesa de trovadores, gentilíssima e colorida, 
Ou marquesa do século dezoito, decotada e longínqua,  
 

Ou cocote célebre do tempo dos nossos pais, 
Ou não sei quê moderno - não concebo bem o quê -, 
Tudo isso, seja o que for, que sejas, se pode inspirar que inspire! 
Meu coração é um balde despejado. 
Como os que invocam espíritos invocam espíritos invoco 
A mim mesmo e não encontro nada. 
Chego à janela e vejo a rua com uma nitidez absoluta. 
Vejo as lojas, vejo os passeios, vejo os carros que passam, 
Vejo os entes vivos vestidos que se cruzam, 
Vejo os cães que também existem, 
E tudo isto me pesa como uma condenação ao degredo, 
E tudo isto é estrangeiro, como tudo.)

 

Vivi, estudei, amei, e até cri, 
E hoje não há mendigo que eu não inveje só por não ser eu.
Olho a cada um os andrajos e as chagas e a mentira,
E penso: talvez nunca vivesses nem estudasses nem amasses nem cresses 
(Porque é possível fazer a realidade de tudo isso sem fazer nada disso); 
Talvez tenhas existido apenas, como um lagarto a quem cortam o rabo 
E que é rabo para aquém do lagarto remexidamente.

 

Fiz de mim o que não soube,
E o que podia fazer de mim não o fiz. 
O dominó que vesti era errado.
Conheceram-me logo por quem não era e não desmenti, e perdi-me. 
Quando quis tirar a máscara,
Estava pegada à cara.
Quando a tirei e me vi ao espelho, 
Já tinha envelhecido.
Estava bêbado, já não sabia vestir o dominó que não tinha tirado. 
Deitei fora a máscara e dormi no vestiário
Como um cão tolerado pela gerência
Por ser inofensivo
E vou escrever esta história para provar que sou sublime.

 

Essência musical dos meus versos inúteis,
Quem me dera encontrar-te como coisa que eu fizesse,
E não ficasse sempre defronte da Tabacaria de defronte,
Calcando aos pés a consciência de estar existindo, 
Como um tapete em que um bêbado tropeça 
Ou um capacho que os ciganos roubaram e não valia nada.

 

Mas o dono da Tabacaria chegou à porta e ficou à porta.
Olhou-o com o desconforto da cabeça mal voltada
E com o desconforto da alma mal-entendendo.
Ele morrerá e eu morrerei.
Ele deixará a tabuleta, e eu deixarei versos.
A certa altura morrerá a tabuleta também, e os versos também.
Depois de certa altura morrerá a rua onde esteve a tabuleta,
E a língua em que foram escritos os versos.
Morrerá depois o planeta girante em que tudo isto se deu.
Em outros satélites de outros sistemas qualquer coisa como gente
Continuará fazendo coisas como versos e vivendo por baixo de coisas como tabuletas,
Sempre uma coisa defronte da outra,
Sempre uma coisa tão inútil como a outra, 
Sempre o impossível tão estúpido como o real,
 

 

Sempre o mistério do fundo tão certo como o sono de mistério da superfície, 
Sempre isto ou sempre outra coisa ou nem uma coisa nem outra.

 

Mas um homem entrou na Tabacaria (para comprar tabaco?), 
E a realidade plausível cai de repente em cima de mim. 
Semiergo-me enérgico, convencido, humano, 
E vou tencionar escrever estes versos em que digo o contrário.

 

Acendo um cigarro ao pensar em escrevê-los 
E saboreio no cigarro a libertação de todos os pensamentos. 
Sigo o fumo como uma rota própria, 
E gozo, num momento sensitivo e competente, 
A libertação de todas as especulações 
E a consciência de que a metafísica é uma consequência de estar mal disposto.

 

Depois deito-me para trás na cadeira 
E continuo fumando. 
Enquanto o Destino mo conceder, continuarei fumando.

 

(Se eu casasse com a filha da minha lavadeira 
Talvez fosse feliz.) 
Visto isto, levanto-me da cadeira. Vou à janela.

 

O homem saiu da Tabacaria (metendo troco na algibeira das calças?). 
Ah, conheço-o: é o Esteves sem metafísica. 
(O dono da Tabacaria chegou à porta.) 
Como por um instinto divino o Esteves voltou-se e viu-me. 
Acenou-me adeus gritei-lhe Adeus ó Esteves!, e o universo 
Reconstruiu-se-me sem ideal nem esperança, e o dono da Tabacaria sorriu.

 

 

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publicado por bolaseletras às 22:14

O terceiro homem

Sexta-feira, 12.06.09

 

Este post é basicamente uma tradução de um outro colocado no blogue de Seth Godin: sethgodin.typepad.com/. O blogue em causa tem reflexões magníficas sobre o comportamento humano, sobre os princípios de gestão que se podem retirar de acções que, à primeira vista, nada nos dizem.

 

O filme supra é acerca da formação espontânea de uma dança tribal num festival de música. Pouco antes do fim do 1.º minuto do filme um 3.º elemento junta-se ao grupo. Antes dele, era apenas um tipo enlouquecido a dançar. Depois, talvez um outro dançarino enlouquecido a acompanhá-lo. Mas como afirma Seth Godin, é o 3.º elemento que transforma a dança num movimento. Os iniciadores são de facto raros, mas é assustador ser o líder. O 3.º elemento é igualmente raro, mas o seu papel é bem menos assustador e de igual importância. O 49.º elemento é irrelevante. Não há pontos para a bravura de fazer parte da multidão. Precisamos de mais tipos n.º 3.

 

 

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publicado por bolaseletras às 20:32

No topo da escala dos €, no topo do mundo

Quinta-feira, 11.06.09

 

Em Agosto de 2003 estava de férias na ilha do Pico. Sentei-me na mesa de uma casinha perdida naquela ilha remota, o docinho algarvio por companheira -  abanando a cabeça pelo facto da loucura leonina não ter ficado no continente - um bom esparguete à bolonhesa, um bom tinto, assistir compenetrado ao jogo de inauguração do Alvalade XXI com o Manchester United.

 

Ainda me lembro das duas desgraças que marcaram a noite. Primeiro, o golo de inauguração do estádio ficou na história como sendo marcado pelo grande Luís Filipe e, bem pior que isso, Cristiano Ronaldo desbaratou por completo a defesa atónita do Manchester. Soube naquele momento que no ano seguinte não me iria deliciar com aquele jovem prodígio no Alvalade XXI.

 

 Cristiano Ronaldo tem um dom único, algo bem superior a todos os prémios individuais e títulos colectivos. Ama o futebol como se fosse ainda um miúdo de rua, vibra com um golo como se fosse o primeiro, anseia a vitória como se nada tivesse ainda vencido. Aquele sorriso arrogante é o sorriso do miúdo que faz uma cueca ao vizinho do bairro perdido na Madeira, marcando mais um grande golo no segundo seguinte. Orgulhemo-nos do miúdo, orgulhemo-nos sem as habituais invejas e críticas de gente pequenina. Boa sorte, Cristiano!

 

  

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publicado por bolaseletras às 21:20






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