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Flashes da ronda europeia

Quinta-feira, 22.10.09

 

Porto 2 - Apoel 1 

 

Fui vendo os jogos por flashes, entrecortados por motivos lúdico-infantis. Do Porto, a ideia que jogo a jogo a equipa carbura melhor, Hulk, Falcão e Rodriguez vão-se candidatando a futuras mais valias para os cofres da SAD portista. O apuramento está ao virar da esquina, mais uns milhõeszitos para reforçar o poderio tripeiro, é uma questão de continuar a vender bem e a acertar de vez em quando nas compras. O resto é gestão a la Pinto da Costa.

 

 

 

 

Benfica 5 - Everton 0 

 

Quanto ao Benfica, a saga continua. Quer-me parecer que isto só acaba em 2010, com o ceptro da Liga dos Campeões no bolso. Bom, deixando as brincadeiras de mau gosto de lado, dizer que uma coisa bem feitinha era o Carlos apurar-nos para a África do Sul, o Gilberto logo de seguida dava-lhe um fraterno abraço e uma indemnizaçãozita, e, depois, como quem não quer a coisa, catrapiscava o Jorge ali para os lados do Colombo e levava-nos o orgulho aos píncaros com o verdadeiro milagre de Jesus: Portugal campeão do mundo! Nem Saramago se lembraria de tal obscenidade.

 

 

Ventspils 1 - Sporting 2 

 

Já o meu Sporting deu-me a sensação de que a coisa melhorou um bocadinho (bom, apenas nos primeiros 45 minutos, mas já é alguma coisa). Vukcevic dos velhos tempos, fantástico golo de Moutinho (aquele rodar com o toque de cabeça...), Caicedo a desinibir-se e a lutar (falta-lhe escola de ponta de lança, ainda assim), Veloso à Morais, a equipa mais solta e ligeiramente mais confiante. Paulo, ainda acredito em ti. Aliás, não sendo tu, não sei quem faria render uma equipa onde as pontas do lençol já estão esticadinhas ao máximo. Contudo, algumas dúvidas:

- Porquê tirar o Vukcevic aos 60 minutos?

- Porquê esta tendência para a equipa adormecer à sombra de resultados positivos? Uma questão de atitude? Ou indicações do banco?

 

Independentemente das respostas a dar, continuo à espera que aquele que foi o maior reforço da temporada comece a render qualquer coisinha. Sim, estou a falar do Senhor Bettencourt. Atalhe lá caminho, Senhor!

 

 

p.s. - Querem saber novamente porque somos um clube diferente? Porque os nossos golos não foram obra de argentinos ou paraguaios, mas sim de dois produtos das nossas escolas, mais dois miúdos que demos à nossa selecção. Pois é, nem tudo o que Luz é só ouro.

 

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publicado por bolaseletras às 21:58

Taxi Driver

Quarta-feira, 21.10.09

 

 

Terão passado uns bons 2 anos desde a última vez que regressei a Taxi Driver. Gosto de escrever sobre filmes e livros a uma boa distância temporal do consumo dos mesmos. Pode parecer estranho, mas olhem que não. O que retemos à distância é o essencial do que apreendemos, do que a nossa memória decidiu guardar naquele cantinho que o tempo não apaga. De Taxi Driver guardei a raiva ponderada e autista de Travis, inesquecível De Niro, a sua capacidade de entrar racionalmente num mundo que a todos nós soa a caos e a incompreensão.

 

As razões dessa descida aos infernos que Travis encetou? As memórias de guerra do Vitename permitem perceber que Travis não ultrapassou a frustração de não ter abatido todos os Vietcongs que com ele se cruzaram. O mal persistiu pelas selvas do Vietname, o napalm entranhou-se no cérebro e na alma de Travis, regressando com ele para a sua América. Cada esquina da América é agora um quadro que reformata tudo o que Travis não esquece. A degradação moral é agora a capa sob a qual ressurge a podridão da guerra, Travis conhece as formas pelas quais se combatem os fantasmas que minam a sociedade. Em suma, a sua vida está presa a um espírito destruído, o resultado só poderia ser a destruição.

 

O filme é de uma violência difícil de classificar. Porque mostrá-la não era o seu principal objectivo, mas ela perpassa por todo o filme, sabemos que será nisso que irá desembocar. Acerca dessa aparente contradição, aproveitem-se as palavras de Martin Scorsese: "Na noite de estreia, toda a gente berrava durante o tiroteio do fim. Qunado rodei o filme, não tinha intenção de pôr o público a reagir aos gritos: «Isso mesmo, força, mata-os a todos!». A ideia era criar uma catarse violenta para que as pessoas dissessem para si próprias: «Sim, é preciso matar», para perceberem em seguida: «Meu Deus, não!», uma espécie de terapia californiana estranha". Para os menos sensíveis esta cena pode ser revista já a seguir (bendito youtube).

 

 

O início desta cena final é descrita por Pauline Kael, na The New Yorker de 1976, neste sopro de inspiração: "Quando Travis é provocado por um proxeneta, Sport (Harvey Keitel), o rufião tem tanta vontade de passar a vias de facto que não consegue conter-se; o rufia bamboleia-se em ritmo inquieto e contrastante com a imobilidade absurda de Travis. Numa cena deste género, Scorsese consegue uma qualidade próxima do transe; todo o filme é percorrido por uma vertigem."

 

Por último, Robert de Niro. Confesso, as minhas palavras nunca estariam à altura de descrever a grandeza da sua interpretação. Felizmente, as de Pauline Kael, uma vez mais, estão: "Diz-se que certos actores são recipientes vazios, preenchidos por papéis que eles sustentam, mas não parece que seja isso que se passa aqui com De Niro. Ele enveredou pelo caminho inverso. Utilizou o vazio que existe nele e foi procurar o seu nicho interno." 

 

Are you talking to me?, pergunta De Niro ao mundo.

 

 

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publicado por bolaseletras às 21:35

Da série gostamos desta garota - Cintia Dicker

Terça-feira, 20.10.09

Modelo. Brasileira. Sardas pintalgadas em olhos azuis que explodem num mar de ruivo fogo. A cores. A preto e branco. Cool. Triste. Irradiando pura felicidade. Matadora insaciável. Criança inconsolável. Toda uma miríade de mulheres num só corpo, em mil olhares. Calo-me. Cintia Dicker. Garota de Ipanema.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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publicado por bolaseletras às 21:21

Fitas por entre fraldas - are you talking to me?

Segunda-feira, 19.10.09

 

 

Faltam fitas neste blog. Atenção, não falo de política, falo das fitas reais que fogem à vida real, o bom e velho cinema, no escurinho da salinha. Ao contrário do que se ouve por aí dizer, não partilho da ideia de que a entrada de uma criança na nossa vida nos vira a ampulheta da existência a 180º. Não é uma nova vida, é apenas diferente e mais centrada nele e não em nós. E isso não será mau de todo, digo eu. Contudo, o cinema sim, no que ao grande écran se refere, a coisa fica prejudicada. Felizmente, há o DVD (entrecortado pelas necessárias assistências técnico-carinhosas ao petiz, é claro), e há uma memória alimentada por um baú bem recheado de grandes momentos da 7ª arte.

 

Irei então abrir uma janela para o cinema aqui no Bolas e Letras. Esmiuçar filmes que me marcaram será a intenção (atenção, o termo esmiuçar não pode ficar eternamente ligado aos gatos fedorentos, não ao apoderar de palavras por quem delas abusa!) de alguns dos futuros posts. Tal como com os livros, surgirão pérolas desses filmes, alguma interpretação pessoal, provavelmente pronúncias de especialistas sobre a fita seleccionada.

 

 

Não irei falar sobre filmes de uma vida porque esses espero que nunca surjam. Não há filmes perfeitos. Há cenas inesquecíveis, diálogos que nos fazem desejar entrar dentro do écran e beijar os actores, olhares que nos apunhalam no mais fundo de nós, paisagens que nos fazem desejar deixar tudo e eternizar-nos nos seus horizontes, enfim, não há um filme, há um caleidoscópio de memórias compostas por horas e horas de cinema.

 

Brevemente, irei começar esta série por Taxi Driver. Não me perguntem porquê, apenas porque assim o decidi. Are you talking to me?

 

 

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publicado por bolaseletras às 21:24

Fim de semana futebolístico do outro lado da península

Domingo, 18.10.09

 

 

Volto ao futebol, mas desta vez não para falar da lusitana bola. Perdoe-me a festa da Taça que tanto prezo, mas Monsanto, Sertanense e Penafiel não me inspiram a pena. Assisti ao Valência - Barcelona e decidi tentar aprofundar a minha percepção de porque é o Barcelona o actual campeão europeu e, provavelmente, a melhor equipa de futebol da actualidade. Debrucemo-nos sobre a minha inatacável análise LuísFreitasLobística (baseada na 1ª parte do jogo, o que é ainda mais fantástico):

  1. Mesmo sem Ibrahimovic e Henry, o Barça entrou em campo com 6 jogadores muito bons, 4 fantásticos (Xavi, Iniesta, Dani Alves e Touré) e um estratosférico (sim, o Lionel). Por muita táctica de jogo, dinâmica da equipa, etc. e tal, sem ovos não se fazem omoletes. Ah, e se Messi é um fora de série, ainda assim acho que lhe falta uma coisinha que o eleve acima do nosso Ronaldo. Se quando tem a bola nada fica a dever a Cristiano, quando não a tem devia mostrar mais fome para a receber. Eternamente esganado, o nosso Cristiano.

     

     

  2. A simplicidade, acima de tudo. Para dominar o jogo é preciso ter a bola, mas, acima de tudo, é preciso ter alguém a quem a passar. Passe atrás de passe, percorrendo toda a equipa. O Barça utiliza o quadrado, o triângulo e o um para um dinâmico. Se há tempo, o quadrado, se os adversários apertam, o triângulo, se o contra ataque é fulminante, o um para um. Isto é, com o quadrado o jogador que tem a posse de bola tem sempre 3 colegas em posição de a receber, com o triângulo dois, e, no um para um dá para perceber a ideia. A sério, vejam um jogo do Barça olhando não para o tipo que leva a bola mas para o comportamento dos colegas que o acompanham. É uma dança mecanizada mas fascinante na sua simplicidade.

  3. Guardiola. Apesar de me irritar a constante preocupçaão por manter a camisa dentro das calças, impecavelmente impecável, dá para perceber que aquele que no campo era o mestre da geometria, soube, agora treinador, traçar a regra e esquadro um futebol que não pára, que parece nunca parar para respirar, mas que mede cada fôlego gasto pelos jogadores.

     

     

  4. E como em último ficam as primeiras razões, a identidade. Uma equipa deste gabarito entra com um onze inicial com 6 jogadores da cantera: Valdés, Piquet, Puyol, Xavi, Iniesta e Pedro. Percebe-se porque nada ganham na Europa o Chelsea, o Inter, Arsenal e outros que tais. Percebe-se porque a turba leonina deve reconhecer o trabalho feito.

     

    Escrevi os 4 pontos acima ao intervalo do jogo e não vou alterar uma linha no final. Se o Barça ganhar a análise incha orgulhosamente, se perder prova-se que o futebol é uma caixinha de surpresas. Ou que não percebo nada da poda.

     

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publicado por bolaseletras às 10:39

A estrada (pérola 2) - O jogo da memória

Sábado, 17.10.09

 

 

"A recordação dela a atravessar o prado em direcção à casa logo de manhãzinha, com um fino vestido cor-de-rosa que se colava aos seios. Ele achava que cada uma das memórias que evocamos certamente violenta as respectivas origens. Como num daqueles jogos que se jogam nas festas. Diz a palavra ao ouvido do seguinte. Por isso, sejamos parcimoniosos. Aquilo que alteramos nas recordações também tem a sua realidade, conhecida ou não."

 

É nos pequenos pormenores que percebemos estar na presença de um grande escritor. O que Cormac McCarhy nos oferece sobre essa parte significativa das nossas vidas, as recordações que dela guardamos, impõ-se-nos com uma notável clarividência. As intermináveis discussões que temos com os nossos pares sobre determinado episódio do passado, que cada memória selectiva vê distintamente com os diferentes olhos da alma, nunca poderiam ser iguais. Se hoje recordo que aquilo não foi amor mas sim vício, tu poderás revivê-lo como o amor da tua vida. Violação das origens da realidade, diria simplesmente Cormac McCarthy.

 

 

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publicado por bolaseletras às 20:12

Pérolas da blogosfera - Declaração de amor ódio

Sexta-feira, 16.10.09

 

Mais uma vez, o Bruno Vieira Amaral (circodalama.blogs.sapo.pt/), recorrendo ao que só me ocorre chamar de uma bem doseada porção de bom senso nonsense, reduz à sua verdadeira dimensão um não acontecimento. Um não acontecimento é geralmente representado por um assomo de histeria colectiva, fenómeno que esta nossa terra, orfã de causas e prenha de chinfrineiras estéreis anseia em cada esquina de um país em permanente risco de ruína de ideias e de vazio de causas.

 

Maitê, vai à merda. Maitê, já foste uma deusa. Estás agora em crescente e irrevogável decadência física e, sobretudo, mental. O Bruno diz a coisa com mais piada. Mas acho que a ama mais do que odeia. Faz bem.

 

 

"Maitê, Mai-tê, luz da minha adolescência, concubina involuntária das minhas traições ocultas, Maitê, beija-flor, beija-menina, Mai-tê, duas sílabas quase nipónicas, perfumadas de oriente, a minha boca a reincidir nesse nome, a deleitar-se com ele, a namorá-lo, Maitê, confesso que guardei duas TV Guia em que o teu rosto inundava a capa de esplendor e não garanto que não tenha sobre elas derramado a flor branca do meu desespero em homenagem aos teus olhos, vem, Maitê, vamos cuspir nos monumentos (não venhas na Páscoa), na 1ª edição d’ Os Lusíadas, vamos dançar sobre o túmulo do Garrett, vamos rasgar as bandeiras (a da monarquia também), vamos desprestigiar os órgãos de soberania, não oiças os que te ofendem, os que se abaixo-assinam em petições de fúria provinciana, cospe neles, não peças desculpa, pára de dizer que o teu avô era português e que gostas da terrinha, isso é coisa de rainha carnavalesca, a sambar de sobretudo e gola alta, a atirar beijos de mão enluvada e lábios roxos de frio, os que te ofendem nunca te vão dar mais estatuto que o de actriz de novelas e puta, porque são putas todas as brasileiras (o que é, a meu ver, um elogio, porque nesta vida há que saber ser puta quando as circunstâncias o exigem), Maitê, eu até comprei o teu livro mas nunca o li (como o Neruda da música do Chico), e não me podes censurar, o que interessam as tuas palavras, a alma que possa haver na tua prosa, o prefácio do Sousa Tavares, quando é na capa que estão os teus olhos? 

 

  

 

Maitê, as mulheres deste país já não usam bigode e acredita-me quando te digo que terás contribuído para isso, mereces o meu agradecimento, os técnicos de informática são uns incompetentes, não tenhas dúvidas, os serviços de apoio ao cliente uma merda (quando vieres cá, hás-de reparar na quantidade de colunistas que vociferam contra as Netcabo e EDP e as meninas burras que os atendem), perdoa o despeito dos que te insultam, sabes, eles acham que tu não tens o direito de escarnecer dos nossos defeitos pois não tens a infelicidade de os partilhar (ninguém pode gozar com o Stephen Hawking a não ser o Stephen Hawking), Maitê, eu vou continuar a ouvir o Caetano (e Deus sabe o lixo que ele já falou sobre nós!), a ler o Rubem Fonseca, a amar os teus olhos, sou assim, burro, e vou continuar a admirar-te burra e eternamente."

 

 

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publicado por bolaseletras às 20:09

Guilty pleasure - Um mundo catita

Quinta-feira, 15.10.09

 

 

Já aqui falei do meu vergonhoso prazer pela badalhoca produção musical dos Ena Pá 2000. O Manuel João lançou-me um feitiço de baixo nível de que até hoje não consegui desenredar-me. Se a coisa já não estava bonita, piorou muito com o furacão de nonsense escatológico que a série "Um mundo catita" deixou como legado para a humanidade. As gargalhadas que envergonhada e alarvemente soltei durante a visualização desse chorrilho de alarvidades foram bastas vezes classificadas como incompreensíveis pela minha cara metade. 

 

 

Há uns dias, quando fui rever no youtube alguns dos melhores momentos da série, comentou ela acerca do episódio do Natal dos hospitais: "A ideia até é boa, mas depois o que é utilizado para fazer rir são sempre as asneiradas e alarvidades". Se calhar é por isso, estou farto de subtilezas humorísticas, let´s get to the point! Fiquem então com estas pérolas bem reveladoras do meu pecaminoso prazer.

 

 

p.s. - Por motivos lúdico-profissionais não pude assistir ontem ao Portugal-Malta, sendo que hoje tempo nenhum tive para aprofundar a exibição lusitana. Ainda assim, posso concluir que estamos lançados, depende de nós. Ou ganhamos as duas finais do playoff, ou nunca merecemos ir à África do Sul. Força rapazes! Não inventes, Carlos!

  

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publicado por bolaseletras às 21:13

Tenho cá um feeling

Terça-feira, 13.10.09

 

 

A criatividade é uma característica inata do ser humano, dizem. Ainda assim, cada vez mais os modelos são repetidos, os programas de imitações o pão nosso de cada dia, os livros que lemos repetem lugares comuns, os filmes que consumimos cada vez menos nos surpreendem. Há excepções, felizmente. Não peço nada de genial, apenas uma lufada de ar fresco de quando em vez.

 

Foi isso que fizeram uns jovens da Universidade do Quebec, no Canadá. Tiveram um feeling e recorrendo à inspiradora música dos Black Eyed Peas, "I got a feeling", ergueram um monumento à inspiração e ao bom gosto. Num só take mostram-nos o significado do termo "inspiração colectiva", se é que ele existe. Que eles navegam na mesma boa onda em sintonia é indesmentível. Vejam, vale a pena. Pode servir de inspiração e transformar a modorra do vosso dia. Nem que seja durante os 4 minutos da música.

 

 

p.s. - Obrigado à Sandra pela dica e pelo inspirador blog (lugaresmesmocomuns.blogs.sapo.pt/).

 

 

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publicado por bolaseletras às 21:21

Pérolas da blogosfera - Aproximación a la vida

Segunda-feira, 12.10.09

 

 

Depois deste indescritível texto da Maria João Freitas (http://anamoradadewittgenstein.blogspot.com/), um tipo fica a pensar se não devia ir pescar uns besugos em vez de estar a alimentar blogues. Deliciem-se, lambuzem-se de palavras, adormeçam nesta imagem que nunca mais esquecerão.

 

"Chegou pelo correio este postal com ar de fotografia antiga. Vinha numa carta daquelas, raras, que ainda se abrem com os dedos, tocam com a pele e andam connosco no bolso. Tal como uma fotografia escrita a preto e branco. É uma imagem de 1963 (pelo que os seres que nela não envelheceram, a estarem vivos, terão à volta de 50 anos), tirada em Buenos Aires e chama-se “Aproximación a la vida”. Talvez devesse ser esse o nome de todas as fotografias.

 

Nesta aproximação à vida e à janela, crianças e boneca confundem-se, até que o olhar foque a imagem. Nas crianças, os olhos curiosos querem tocar, as mãos pequenas e espalmadas desejam ver. A boneca tem os olhos demasiado abertos para ver e as mãos suficientemente fora de campo para tocar. “A curiosidade, como a luz, atravessa todas as janelas”, escreveu a mão, obedecendo ao olhar, no verso deste postal. Os fotógrafos não desaprendem o espanto. As crianças aprendem a desilusão. É difícil permanecer curioso na escuridão."

 

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publicado por bolaseletras às 20:40






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