Bolas e Letras
Era para ser sobre futebol e livros. Mas há tanto mundo mais, a mente humana dispersa-se perdidamente, o país tem tanto sobre que perorar, eu perco-me de amores bem para lá da bola e das letras: Evas, vinho, amor, amigos, cinema, viagens, eu sei lá!
Parafraseando o amigo Antunes, questiono: "Porque não entregar já o título aos vermelhuscos?"
É triste, mas em dia de Porto-Sporting, a notícia futebolística do dia é o espelho do triste e vermelhusco estado do nosso futebol:
"São conhecidas as deliberações da Comissão Disciplinar da Liga sobre incidentes ao intervalo do Sp. Braga-Benfica realizado a 31 de Outubro, a contar para a 9.ª jornada. Vandinho foi penalizado com três meses de suspensão, Mossoró com três jogos e Ney - agora emprestado ao V. Setúbal - com dois jogos.
Na reunião, que decorreu a 29 de Janeiro, foi deliberado o seguinte:
Além do tempo de suspensão, Vandinho tem uma multa de 1500 euros, por «tentativa de agressão» contra o treinador -adjunto do Benfica, Raul José. A moldura penal para este item vai de três meses a um ano;
Mossoró recebeu uma punição de três jogos e uma multa de 1500 euros por «agressão consumada sob a forma continuada» a Oscar Cardozo."
Em "A Bola"
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Tenho saudades da Steffi e da Martina também
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Este país não é para velhos (pérola 1) - Uma mala cheia de nada
"A mala encontrava-se cheia até à borda de notas de cem dólares. Estavam em maços presos com cintas, cada cinta carimbada com a indicação $10.000. Ele não sabia com exactidão quanto dinheiro ali estava, mas tinha uma ideia bastante aproximada. Ficou sentado a olhar para as notas, depois fechou a aba e continuou sentado de cabeça baixa. Tinha ali a sua vida inteira, pousada na sua frente. Dia após dia, do nascer ao pôr do sol, até ao momento da sua morte. Tudo resumido a dezoito quilos de papel dentro de uma mala."
Cormac McCarthy aponta-nos assim a direcção a que nos levará esta mala, este livro. É estranho que o faça na página 25, ainda com tanto caminho por percorrer. Ou então, fá-lo por que o que menos lhe interessa são os acontecimentos que narrará. Assimilada essa a sua intenção, pede-nos que nos foquemos nos homens, nas tempestades que os habitam, nas razões que os movem para além do conteúdo daquela maldita mala. Sim, porque a mala e o dinheiro que envenena as almas é um mero pretexto. O mal está lá, antes da mala, antes do brilho da fortuna, habita em nós antes de tudo isto.
Só esperamos pela oportunidade, pelo convite do destino. Em forma de mala, de uma tentação feminina, ou de um chorudo e aniquilante emprego. São insondáveis as formas dos demoníacos desígnios. Entregamo-nos nas mãos de um destino esvaziado de futuro sem sabermos que este já estava marcado, residia nos nossos genes, fervilhava na nossa inquieta natureza. A predisposição para a desgraça nasce muito antes da sua materialização. Não matem o mensageiro - o remetente conhecemo-lo bem, somos nós os profetas da desgraça.
