Bolas e Letras
Era para ser sobre futebol e livros. Mas há tanto mundo mais, a mente humana dispersa-se perdidamente, o país tem tanto sobre que perorar, eu perco-me de amores bem para lá da bola e das letras: Evas, vinho, amor, amigos, cinema, viagens, eu sei lá!
Da simplicidade da bola
As três imagens que se seguem resumem o Uruguai vs Coreia do Sul perto da perfeição. Na primeira, toda a ingenuidade de um futebol aguerrido, de bola no pé, rápido, que em certos momentos chega a encantar. Fez sofrer o Uruguai como não se esperava, mas soçobrou à tal ingenuidade/fragilidade defensiva com que a realidade de um futebol mais astuto não se compadece. Na segunda imagem resume-se o segredo do futebol. A genialidade, a procura dos mágicos da bola que nos dêem aquele segundo único, que nos revelem toda a arte que buscamos em 90 minutos de pontapé para a frente. Luis Suarez fez-nos hoje esse favor e essa desfeita aos pobres asiáticos. No final, o filho da lenda sul-coreana Bum Kum Cha, um defesa direito que de bom grado trocava pelo João Pereira, Pedro Silva e Abel e ainda dava uns euroszitos, desfaz-se nas lágrimas da incontornável desilusão. Já soou o apito, nada mais há a fazer. É futebol.
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Brazilian girls - just one of those things
Ainda no espírito do Mundial 2010 e na ressaca do confronto de irmãos, uma fabulosa música de Blossom Dearie. É fechar os olhos e imaginar dançar isto numa qualquer praia em festa do outro lado do oceano, rodeados de garotas de Ipanema. Just one of those things...
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Interpenetração multiculturalista, uma expressão que é sempre bonita
Um mundial em África, enxameado de diferentes nações e credos, cores e dialectos, será um perfeito exemplo do multiculturalismo em acção. Isto se a coisa não descambar para a violência dentro e fora do campo. Deixo-vos um teledisco dos improváveis suecos Mike Snow com o tema "Rabbit", filmado em Kingston, na Jamaica. As vozes são de suecos que cantam em inglês, as belezas são jamaicanas e as bundinhas, essas, têm um cheirinho a África. E viva a interpenetração cultural.
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Para quê? PARAGUAI!
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Lusitano desenrascanço precisa-se!
Visto o duelo de irmãos pelo canto do olho, que o trabalho a tal obrigou, não poderei entrar em grandes análises técnicas. Mas aqui o que interessava era passar aos oitavos e para isso era suficiente o empate. Quanto a isso, só há que dar os parabéns a Queiroz e aos nossos rapazes. O Brasil é o Brasil, um empate servia-nos e jogámos o suficiente para atingir esse desiderato. Queiroz arriscou nas trocas de jogadores, procurando poupar alguns elementos com mais jogos, mas sobretudo dar um cunho mais defensivo à equipa. Há quem critique, eu acho que o Professor foi prático, leu bem o adversário, pelo que também hoje o elogio. Sobretudo, viu-se garra, vontade e a coragem de enfrentar olhos nos olhos adversários de muita qualidade e cartel. É isto que significa ser uma equipa, é isto a que se deve aspirar.
Individualmente pareceu-me que Cristiano quis assumir-se como mais valia, mas com esta bola os livres não lhe saem e isso penalizou-o na exibição. Confirmaram-se ainda duas boas notícias: ao fim de um longo degredo, parece que a selecção voltou a ter guarda-redes e defesa esquerdo que transmitem confiança. Coentrão por ser excelente jogador, Eduardo por estar com os níveis de confiança altíssimos. Agora, à espera da Espanha, só uma selecção a 100% e um Ronaldo a pôr em campo todo o seu futebol podem ser suficientes para atingir os quartos de final. Vai ser necessária concentração máxima, eficácia total e erros zero. E manha, muita manha. Essa arte de enganar os melhores parece-me poderá vir de 3 jogadores: Cristiano, Danny e, sobretudo, Liedson. Sim, este poderá ser o jogo do levezinho, aproveitando algum desconhecimento dos espanhóis quanto às suas artes de surgir de onde menos se espera. Rapazes, acreditem que nós também acreditamos! FORÇA PORTUGAL!
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O processo de decisão, a barriga das pernas e a excepção à regra
A barriga das pernas, um dos maiores terrores das mulheres. E o que tem isto a ver com o processo de decisão? Hoje, em pleno processo, ouvi esta fabulosa expressão que não conhecia: "Filhos destes, nem pela barriga das pernas!". Tenho as minhas dúvidas que a barriga das pernas da Scarlett não desse uma bela descendência.
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Finito
Não vi o jogo da miséria italiana, mas pelos outros dois jogos que vi da squadra azurra, só posso agradecer aos Deuses do futebol esta eliminação. Uma coisa é o elogio dos sistemas tácticos inteligentes, outra bem diferente é continuar a assistir às vitórias de um futebol aborrecido, sem chama, apenas à procura do erro do adversário. Uma virtude tem tido este campeonato do mundo: quem tem jogado mais e melhor futebol tem sido premiado com vitórias ou passagens aos oitavos de final. Parece que África está a reconciliar o futebol com a justiça, recompensando pelo caminho os mais audazes. E se seria fantástica a vitória final de um futebol espectacular como o da Argentina, agora, depois dos 7-0, Portugal entrou para esse reduzido grupo de elite das equipas que se preocupam com a qualidade do pontapé na bola (ao qual adicionava o Uruguai, a Alemanha e a Espanha). Vamos a eles, rapazes!
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Naughty naughty, Tony boy!
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A importância da casca de um tremoço
As mulheres e o futebol, uma relação que à partida se poderá equiparar à da água com o vinho. Ao contrário do que se percebe dos comentários de algumas queridas participantes do Bolas e Letras, mulheres conhecedoras do fenómeno, interessadas e verdadeiras torcedoras, infelizmente o laço que geralmente o belo sexo estabelece com o mundo da bola não honra o género. Quem já assistiu a um jogo de futebol com uma namorada/amiga/familiar/amante, etc. e tal, certamente conhecerá a sensação de aproximação ao desespero que é querer assistir a um jogo, em simultâneo com um enxame de questões ontológicas sobre a origem do fora de jogo, o porquê do penalty ou a razão última do cartão amarelo. Depois, pior que isso, os comentários privados entre representantes do género feminino. As pernas bem torneadas, os ombros enormes, os bíceps perfeitos, os calções que lhes realçam as nádegas. A excepção que confirma a regra são as minhas caras participantes neste blogue, a regra, infelizmente, é uma constante dor de cabeça para nós, simples apreciadores de bola. Deixem-nos com as cervejas, os tremoços e os amigos dessas duras horas. É só esse o nicho de liberdade que precisamos, vá, não custa nada.











