Bolas e Letras
Era para ser sobre futebol e livros. Mas há tanto mundo mais, a mente humana dispersa-se perdidamente, o país tem tanto sobre que perorar, eu perco-me de amores bem para lá da bola e das letras: Evas, vinho, amor, amigos, cinema, viagens, eu sei lá!
A praia
A sensação de distância esvai-se no horizonte inatingível. Perante os nossos olhos soçobram os limites, as paredes sensoriais esfumam-se na vertigem em que o sol nos envolve. A praia, essa benção divina, entrega-nos de volta à liberdade, o estado selvagem que tanta falta nos faz. A praia deserta, aquela praia secreta e só nossa, o último paraíso na terra. O som da paz vive nas ondas, a areia sem fim é o elixir do esquecimento. O azul e a cor tórrida, essa forma indistinta de nos amolecer o corpo e a alma, a derradeira solução para que os pensamentos nos entreguem de volta ao nada. E tanto que precisamos de esvaziar a caixa de ideias, de formatar a prisão de angústias que nos atafulha o cérebro. Recomeçar, a partir da praia. A caminho da praia. Pelo meio é que é pior.
Autoria e outros dados (tags, etc)
A urgência é ir para o Sul
Para o sul, sempre para o sul. Para os que cá ficam, com a nação às costas, uma reflexão que hoje li no Público: “Assuntos importantes raramente são urgentes e raramente os assuntos urgentes são os mais importantes”. Até jazz.
Autoria e outros dados (tags, etc)
As saudades do mundial voltaram
Há uma frase que gosto muito e utilizo amiúde (direitos de autor do amigo Francisco L.): "Sempre ao lado do povo, nunca no meio dele". Esta foto sugere-me a mesma frase, mas de pernas para o ar: "Sempre no meio do povo, nunca ao lado dele". Só o mundial para me levar ao mais fundo dos dilemas constitucionais de uma nação com excesso de egos futebolísticos nacionais e uma galopante inflação de excelentes jogadores estrangeiros.
Autoria e outros dados (tags, etc)
A caminho do Sudoeste 2010 - Orelha negra
Autoria e outros dados (tags, etc)
Pérolas da blogosfera - O problema
O Luís M. Jorge (http://vidabreve.wordpress.com/) escreveu, com escassas palavras, um dos melhores e mais clarividentes posts do ano. As imagens, essas, fazem jus ao dito "Uma imagem vale mais do que mil palavras". Comprovem:
Estes são os portugueses que moram em Portugal:
Estes são os portugueses que moram na cabeça do presidente do PSD:
Se quiser governar para os portugueses que moram na sua cabeça, Passos Coelho não será eleito pelos portugueses que moram no país. Mas pode fazer um blogue.
Autoria e outros dados (tags, etc)
De que é que estamos à espera?
Excertos de um diálogo tido numa loja da TMN, em Lisboa, bem dentro da excelsa freguesia de Marvila. Os participantes são moi même e um jovem funcionário da Companhia, empresa, multinacional, seja lá o que aquele antro de ignorantes for.
- Boa tarde. Queria comprar um bilhete para o festival do Sudoeste, sff.
- Huuuummm…acho que não temos. Acho que desde que abrimos, há 3 anos, nunca vendemos.
- Tem a certeza? Olhe que no site da TMN informam que sim. Veja lá isso bem
- Huuummm…só um minuto.
Os primeiros 5 minutos esgotam-se, começo a reflectir sobre o facto daquela loja ter muita afluência, ou, se por outro lado, o problema estava no tempo de espera e não na quantidade de clientes.
- Olhe, afinal vendemos, já há 3 anos. Mas é a primeira vez que vendemos um bilhete. Acho que a malta de Chelas não é muito de ir ao Sudoeste. Quer quantos e para que dias?
- Era exactamente o que eu estava a pensar, este não será o público alvo. Para 5 dias.
- Só um minuto, vou buscar.
Mais 5 minutos, desenvolve-se em mim a crença de que o problema do elevado número de pessoas na loja é a incompetência dos funcionários, do gerente, do presidente, de toda uma cultura de lentidão, preguiça e desinteresse no próprio trabalho e sobretudo pelo cliente.
- Aqui está. Desculpe lá, é o primeiro, agora tenho só que ver aqui no sistema informático como lhe vendo isto.
Mais 10 minutos até acertar, a minha expressão de enfado é acompanhada de alguns comentários sobre a usabilidade do sistema ou o conhecimento do pobre rapaz sobre o mesmo.
- Bom, já está, agora vou-lhe imprimir a factura. Nome, morada, sff.
- OK, isso não deve servir para o IRS, mas sempre é uma forma de garantir que vocês pagam imposto sobre a venda do bilhete. – lá lhe dei a morada.
- Então vou só imprimir…huuummm, esta impressora não está a dar…huuum, vou lá dentro.
10 minutos, bem contadinhos. Solto baixinho umas imprecações, mas ainda assim audíveis para os restantes funcionários.
- Desculpe lá, vou precisar outra vez dos seus dados, a impressão não resultou.
Admito, aqui a paciência esgotou-se, perguntei ao jovem funcionário se tinha noção de que num quiosque de esquina eu comprava a merda do bilhete num minuto, se ele achava normal estar há mais de meia hora para me vender um bilhete. Lá foi imprimir o bilhete e regressou assustadíssimo para me pedir de novo a morada. Perante a minha expressão, sugeriu tirar uma fotocópia do bilhete que me enviaria depois para a morada. Contive-me e não o insultei. Vencido, desesperado, afastei-me em direcção ao pôr do sol, convicto de que o país não tem salvação, de que aquele rapaz comete os mesmos erros vezes sem conta, sem procurar melhorar, sem que ninguém fiscalize a sua incompetência, sem que a avaliação do final do ano reflicta tamanha desgraça. Ai Portugal Portugal, de que é que tu estás à espera?
Autoria e outros dados (tags, etc)
A imbecilidade de quem se recusa a comprar carros usados - singelo contributo para o incentivo à poupança
Autoria e outros dados (tags, etc)
Serial Killer à portuguesa
Parece que o atrasado mental que se segue é suspeito de ter tirado a vida a 3 pessoas pela zona de Torres Vedras. Num país de tanta gente falhada e convencida que a sua estupidez congénita é afinal genialidade, não é de estranhar que acabem por surgir alarvidades desta dimensão. É triste mas é verdade. É triste mas é Portugal.
Autoria e outros dados (tags, etc)
De revisão em revisão até à derrota final
Este Senhor, sublinhe-se o S maiúsculo, é um dos maiores, quiçá o maior constitucionalista português. Transborda simpatia e competência, apresenta invariavelmente um encantador sorriso diáfano, é daquelas eminências não pardas que, se este fosse um país a sério, seria escutada, levada a sério, aproveitado todo o seu conhecimento para benefício do país. Contudo, em sentido inverso da personagem do post anterior, não cede à boçalidade, não é alarvemente polémico, não nos faz agitar os sentimentos mais básicos com os seus supostos princípios moralistas e justicialistas. Logo, não transborda popularidade nem dá audiências. Jorge Miranda é um Senhor, um dos mais capazes pensadores e juristas portugueses. Quem o ouviu hoje esmiuçar o projecto de revisão constitucional apresentado pelo PSD não precisa de muito mais para perceber a valia do projecto em causa. Fica a convicção de Jorge Miranda sobre a falta de oportunidade do projecto, mas fica sobretudo a humildade e a clarividência de um dos pais da Constituição que admitiu que não é alterando a Constituição que se resolvem os graves problemas do país. Para quando a vontade e a capacidade de atacar os males da Nação?
Autoria e outros dados (tags, etc)
José Maria e o mata bicho
Vivemos num país de estranhos heróis, de gente que sem saber ler nem escrever se torna famosa por dá cá aquela palha. Quero crer que a causa das coisas no que a aberrantes endeusamentos se refere é um misto de falta de gosto, de completa ausência de espírito crítico e de um particular gostinho sádico por glorificar cidadãos que não jogam com o baralho todo e que na maior parte das vezes tem dificuldade em fechar bem a tampa. O senhor de cima, José Maria Martins de seu nome, ex-polícia e emérito causídico das causas perdidas e inenarráveis, pertence ao universo daqueles que o povo classifica como “aquele é que os tem no sítio”, “a ele ninguém o cala” e demais epítetos do género. Hoje, tive o privilégio de partilhar o balcão de um café com esta sumidade. Pediu um bagaço que devorou em dois goles (o chamado penaltie a dois tempos), emitiu logo de seguida o bem lusitano “aaaahhhhh”, misto de sofrimento provocado pela passagem de tamanha carga etílica pela tubagem e de alívio sentido por quem mata um vício há muito entranhado. Para fechar em beleza, José Maria contemplou na televisão uma notícia sobre a Telefónica, a PT e etc. e tal, merecendo-lhe a reportagem o seguinte comentário de elevada complexidade reflexiva: “Filhos da puta dos espanhóis!”. Tenho para mim que o Carlos Silvino não está em bons lençóis.












