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Dos milagres da medicina desportiva

Segunda-feira, 13.09.10

 

Cristiano Ronaldo, Pepe e Fábio Coentrão foram dados pelos respectivos clubes, Real Madrid e Benfica, como indisponíveis para o jogo de apuramento da selecção portuguesa contra a Noruega. Isto, certamente, com o beneplácito da estrutura federativa nacional. Poucos dias depois, jogaram pelos seus clubes na plenitude das suas capacidades. Ninguém, ou quase ninguém, achou estranho, ou se tal lhe pareceu, nada disse. Jorge Costa, um homem frontal e sem atilhos a prender-lhe a liberdade de opinar, recorreu a uma corajosa e bem urdida ironia, e deu os parabéns aos clubes pela qualidade das equipas médicas e pelas recuperações em tempo recorde. Pensava eu que após uma lesão eram necessários alguns dias para a readaptação e recuperação do ritmo competitivo dos jogadores. Pelos vistos ando enganado, andamos todos enganados. Estranhamente, só alguns têm a capacidade ou a coragem para pôr o dedo nas feridas. O futebol, triste espelho do país que temos, esconde os seus defeitos e intrujices sob a capa do silêncio. É preciso falar, gritar, apontar o dedo, denunciar, não ter medo de derrubar a podridão que tresanda. A bem da nação, obrigado Jorge.

 

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publicado por bolaseletras às 22:19

Gal Costa - Vapor barato

Domingo, 12.09.10

As imagens são do filme brasileiro "Terra estrangeira" de Walter Salles e Daniela Thomas, a música é de Jards Macalé e Wally Salomão, a voz, arrebatadora e inesquecível, é de Gal Costa. Tanto que há para descobrir no cinema e na música brasileira. Haja tempo e curiosidade.

 

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publicado por bolaseletras às 21:33

Perguntas, respostas e um brinde à amizade

Domingo, 12.09.10

 

 

Com o Sábado consagrado ao 11.º encontro da Confraria Etnográfica dos Olivais (CEO), os jogos de Sábado foram vistos entre provas, petiscos, risadas, alarvidades, conversas mais sérias, matar de saudades de amigos que não se vêem há algum tempo. A fotografia que encima o texto pode indiciar que a CEO consiste no retomar dos prazeres dionisíacos da antiga Roma, mas desenganem-se os caros leitores, a Confraria está reservada a machos da mítica terra dos Olivais Sul, com honrosas excepções que fizeram por merecer tamanha honra. Ali se convive, ali se degustam vinhos supimpas e petiscos de primeira água, ali se alarga o conhecimento sobre o mais único dos néctares: o vinho tinto. 

 

 

Passando dos prazeres vínicos para as desgraças leoninas, uma primeira preocupação a destacar. Os hábitos são fáceis de ganhar e geralmente não incidem em coisa boa. Concretizando, há que dizer que me assusta perceber que os adeptos leoninos se vão habituando às desgraças do seu clube, ao “lá derraparam os homens outra vez”, às oscilações que impedem o Sporting de se impor, nos tempos que correm, como um clube vitorioso. Há que fugir às tentações dos nossos vizinhos vermelhuscos de tudo explicar pelas incompetências e tentações dos donos do apito. Há que aprofundar o porquê das fragilidades e inabilidades, perceber, por exemplo, porque despachámos o excelente Varela e ficámos com os improdutivos Saleiro e Djaló? Ou porque é que em vez dos milhões gastos na tragédia Pongole não gastámos uns milhares no impressionante Lima, já dos tempos do Belenenses? Sobretudo, há que não ter medo do que revelarão as respostas a estas e a muitas outras perguntas que urge esmiuçar.

 

 

 

O jogo entre o Braga e o Porto foi um hino ao futebol. Se o Braga mostrou novamente invejável fio de jogo, velocidade de execução de elogiar e jogadores a confirmarem enormes qualidades, o Porto foi tudo isso e mais um pouco. Mais um pouco do poder de explosão de Hulk, mais um pouco da enorme qualidade de Varela e da argúcia de Villas-Boas. Anuncia-se um novo campeão, apesar do Porto ser uma equipa ainda a adaptar-se ao seu novo treinador, o que só promete mais, mais e mais. Se eu fosse aos vizinhos da segunda circular, deixava-me de desculpas, arrepiava caminho e começava a colocar as questões certas fugindo ao medo das imprescindíveis respostas.

 

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publicado por bolaseletras às 15:50

Roberto, o intocável, e a vingança de Machado (V. de Guimarães 2 - Benfica 1)

Sexta-feira, 10.09.10

 

 

Belo jogo de futebol hoje em Guimarães. O Benfica, apesar das dores que as ausências de Di Maria, Ramires e a tranquilidade de Quim ainda provocam, apresentou muita capacidade de luta, vontade e dinâmica ofensiva. O Vitória de Guimarães parece aspirar a seguir o trilho desenhado pelo Braga, com uma boa ligação entre os sectores e novos jogadores muito interessantes. Ah, e agora, pára tudo: o Benfica pode-se queixar da arbitragem! Algum dia havia de ser, é para verem como elas doem, vermelhuscos. Apesar das dores que acima referi o Benfica ainda padecer, a maior ausência será da eficácia goleadora de Cardoso. Está pesadão, ainda mais lento, parece tudo menos motivado. Fico contente que depois de ser dado como inapto para a selecção, 3 dias depois Fábio Coentrão já possa correr um jogo todo (certamente, mais uma razão para os amores de LFV por Queiroz). Mais que todos, de destacar Carlos Martins: remate sempre pronto, muita qualidade no passe, garra para dar e vender. Tirava o lugar a qualquer dos 3 moços que na Noruega povoou o miolo da selecção.

 

Roberto, o bom e velho Roberto. Segundo os comentadores da SportTv, que devem ter um cartaz gigante em frente das trombas a dizer “do Roberto só se diz bem!”, o homem fez defesas fantásticas e roçou o brilhantismo. Numa linguagem de gente com vergonha na cara, eu diria que o homem não conseguiu agarrar uma bola, sendo que só por sorte as recargas aos remates (alguns fáceis de agarrar) não deram em golo. Numa dessas defesas a um livre do Guimarães que o espanhol rechaçou para perto, na resposta imediata a um cruzamento de um adversário Roberto posicionou-se dentro da baliza do Guimarães, completamente perdido e com uma expressão de pânico que fazia dó. Acreditem, vale a pena ver a repetição. No Guimarães muita atenção a João Ribeiro e a Toscano, óptimos executantes. Gostava sinceramente de saber o que passaria pela cabeça de Jorge Jesus ao ver-se derrotado pelo seu arqui-rival, Manuel Machado. Algo não vai bem no reino da Luz e não é só das arbitragens. As ausências explicam muita coisa, mas eu se fosse à turba vermelhusca preocupava-me mais com a dedicação de alguns dos presentes.

 

 

 

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publicado por bolaseletras às 22:24

A curiosidade na adolescência

Sexta-feira, 10.09.10

 

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publicado por bolaseletras às 18:22

A urgente vassourada e as derradeiras pérolas do Sudoeste 2010

Quinta-feira, 09.09.10

 

 

Fartinho das patetices e tristezas futebolístico-federativas (despedimentos tardios e forçados pelas circunstâncias irritam-me, não obstante a sua inevitabilidade), reeencontro o caderno de apontamentos das memórias do Sudoeste. Esta mania surgiu-me quando percebi as pérolas que se perdiam na voragem dos momentos bem passados, nas memórias distorcidas pela avidez de sugar cada minuto da festa. Deixo aqui as derradeiras reflexões do triunvirato que conquistou o Sudoeste 2010, o último até 2020, que os anos pesam e convém não abusar. Voltando à conversa inicial, dizer que mantenho a esperança numa vassourada nos dirigentes federativos e no penteadinho senhor Secretário de Estado de treta nenhuma. Agora, as pérolas! 

 

 “Já decidi qual o estado que vou colocar no facebook quando me vir livre deste pó: «Estou emocionalmente indisponível mas posso ser um dedicado fornecedor de gloriosos orgasmos”

 

“Há quem goste de bunda, há quem goste de Buda. Felizmente há espaço para todas as religiões”.

 

“- Fazes a barba para cima ou para baixo?

- Para baixo. Para cima é para quem quer ficar com pele de bebé, e essa eu só gosto nas rosadas nádegas das ninfas da minha vida”.

 

 

 

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publicado por bolaseletras às 21:44

O peso da bola

Quarta-feira, 08.09.10

 

 

Interessa-me bastante aquela gente que não consegue perceber, que é demasiado arrogante para dar o braço a torcer, que não engole o simples facto do futebol ser das actividades humanas que mais motiva as paixões e os ódios dos portugueses, dos europeus, dos cidadãos do mundo. Todas as incontroláveis emoções que se digladiam no campo preenchem um enorme vazio que grassa no mundo de hoje – a parca existência de causas colectivas que aglomerem os interesses de grupos de cidadãos e, em último grau, de uma nação. Basta olhar à nossa volta e perceber o impacto das questiúnculas que se debatem nos clubes ou nas selecções. Olhando para as selecções, não é preciso ser um génio para perceber o quanto foi afectada a auto-estima dos franceses com a vergonhosa prestação da sua selecção. Aprofundando a tragicomédia de les bleus, é possível abrir a perigosa porta do impacto que os conflitos sobre as nacionalidades de origem que se discutem na sociedade francesa, podem ter tido num grupo de pessoas de diferentes origens (pessoas que por acaso jogam à bola sob as cores de uma bandeira).

 

 

 

No Brasil, Dunga e os insucessos da tricolor foram um drama que consumiu toda a opinião pública. Na Argentina discutiu-se até à exaustão, acima de qualquer outro problema do país, as culpas ou não culpas de Diego Maradona. Cá pelo burgo, por entre a chinfrineira do costume, descobre-se o véu das cumplicidades provincianas, de incompetências várias, de amiguismos e tiques de autoritarismo bacoco que teimam em minar um país com um grave défice de lideranças. A paixão/raiva destas imagens é o retrato do que as pessoas deixaram de viver fora do campo. O peso da bola é cada vez maior. O espelho de um país, das suas qualidades e defeitos, das suas forças e fraquezas, está cada vez mais dentro do campo, à flor da relva. Como se o destino da nação estivesse na ponta da chuteira.

 

 

 

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publicado por bolaseletras às 21:56

Em perfeito piloto automático (Noruega 1 - Portugal 0)

Terça-feira, 07.09.10

 

 

Afinal o Sr. Madaíl tinha a sua quota de razão. Esta selecção cumpre os requisitos de um competente piloto automático. Isto é, navega em velocidade de cruzeiro, mantém sempre um ritmo constante (lento, no caso em apreço) e evita alterações bruscas de velocidade ou de rumo, como sejam trivelas inesquecíveis do Quaresma, imortais saltos mortais do Nani ou salvadoras defesas do Eduardo. Tirando a ironia, é com tristeza que relembro o irrepreensível percurso de Eduardo na caminhada para o Mundial e as suas fantásticas exibições na África do Sul, quase tão dolorosas essas memórias como as que nos trazem à memória todos os momentos de classe e de inteligência futebolística de Ricardo Carvalho. Hoje, o erro clamoroso de Eduardo que permitiu o golo da Noruega e uma infantilidade impensável de Ricardo Carvalho que não deu golo por pouco, são as inegáveis manifestações de um grupo de bons jogadores à deriva, sem rumo, envergonhados pelo triste espectáculo dado pelos seus supostos líderes, entristecidos por sentirem que cada vez mais vão perdendo o apoio e a paixão dos portugueses pela sua selecção.

 

A pouca vergonha é cada vez mais uma imagem de marca dos nossos dirigentes e treinadores federativos. Ouvir Carlos Queiroz afirmar, com um sorriso garoto e ridículo, que vai à Noruega como adepto apoiar a selecção é escutar uma patetice de um miúdo irresponsável. Esperar até aos 70 minutos por mexer na equipa quando se está a perder desde os 21 minutos é a prova inequívoca da incompetência de um treinador-adjunto que, além de tolo, é um perfeito incapaz. Estamos habituados a assistir às altas entidades e sumidades deste país destruírem o país aos poucos e poucos, sendo que a nossa selecção se afirmou nos últimos anos como a irredutível aldeia gaulesa que resistia aos ventos da nacional desgraça. Infelizmente, os tentáculos do polvo apertam irremediavelmente o pescoço da selecção, o vírus da lusitana inaptidão contaminou de vez a equipa de todos nós. Meus senhores, uma vez na vida, tenham vergonha na cara e abdiquem todos, já, sem reservas! Vão à puta da vossa vida e deixem o povo ter pelo menos as alegrias da sua selecção.

 

 

 

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publicado por bolaseletras às 21:47

As I lay dying (pérola 2) - Da preguiça

Segunda-feira, 06.09.10

 

 

“Só um preguiçoso, um homem que odeia mexer uma palha, teima em não parar quando se põe em movimento, da mesma maneira que teimava em não se mexer, como se não odiasse propriamente o movimento, mas sobretudo o arrancar e o parar”.

 

Se para nós, pobres mortais, a preguiça é facilmente definível e identificável, para Faulkner há algo mais para além do comum entendimento. O habitual será considerar o preguiçoso como alguém que se entrega à inacção, que revela elevada dificuldade para concretizar as tarefas que a vida lhe impõe. Apontamos geralmente a falta de movimento e a constante entrega à modorra como características de um preguiçoso. Faulkner olha mais fundo, procura no cerne da preguiça a sua verdadeira natureza. No trecho supra, percebe-se que o que está em causa não é tanto a animosidade ao movimento ou ao empreendimento de actividades, mas sobretudo a incapacidade de mudar a agulheta, a aversão às mudanças de rumo. Porque a inacção pode estar mais na longa caminhada mil vezes repetida, do que em dar um mero passo para o lado. O conforto das familiares estradas devem mais à preguiça do que optar por uma vida de constante contemplação. Porque quase sempre a preguiça é mais mental do que física. Como se andar sem parar fosse uma desculpa para não pensar. Como se parar permitisse um imparável movimento das amortecidas meninges.

 

 

 

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publicado por bolaseletras às 20:22

Sempre gostava de saber o que é feito do Cocas

Domingo, 05.09.10

 

 

 

 

É bom saber que uma das referências da minha infância anda entretido. Carpe Diem, Cocas!

 

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publicado por bolaseletras às 20:57






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