Bolas e Letras
Era para ser sobre futebol e livros. Mas há tanto mundo mais, a mente humana dispersa-se perdidamente, o país tem tanto sobre que perorar, eu perco-me de amores bem para lá da bola e das letras: Evas, vinho, amor, amigos, cinema, viagens, eu sei lá!
O mistério luso-leonino
Foram de férias os rapazes, ansiosos por bem gastar os seus milhõeszitos, por aproveitar os poucos dias de folga que a sua exigente profissão permite, por não desperdiçar mais ainda o fulgor da juventude que teima em fugir-lhes. Voltaram imbuídos da já costumeira apatia, para o cansados, sem grandes mostras de solidariedade uns com os outros. Depois, passado o deserto de ideias e a peregrinação nesse mesmo deserto, um lance de sorte de Vukcevic, o cada vez mais raro lance de genialidade de Liedson e o sol, esse belo mas enganador astro, é de novo tapado pela peneira das contingências da bola.
Paulo, aquele simpático e aguerrido rapaz com aspirações a toureiro da bola, teima em manter-se por lá. Continua a contrair apostas sem sentido como colocar em campo Djaló em detrimento de Vukcevic, continua a não dar oportunidades aos guarda-redes suplentes nos jogos de segundo plano. Veio agora o Senhor Couceiro, mais um rapaz que nunca nada provou nem ganhou de relevo, mas que, tal como sucedeu com Costinha, parece ter um qualquer estatuto moral que o eleva à condição de timoneiro da salvação. Muda-se o ano mantém-se a leonina estagnação. Agora com mais gente para burrocratizar as incompreensíveis decisões, talvez na esperança de nos confundir no momento da prestação das contas. Accountability, chamam-lhe os ingleses, um exercício que em Portugal e no Sporting é um mistério.
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Da série pela boca morre o peixe
Diz o povo que uma das principais artes femininas para nos conquistar é pelo estômago, oferecendo às nossas indefesas pupilas orgásmicas aventuras gastronómicas. É verdade, como também será verdade que as tarefas de cozinhar, preparar a petiscada, adornar os arranjos de mesa, o próprio momento da prova e a devoração final poderão ser momentos de uma sensualidade inebriante. Não será necessário ir até ao ponto em que sonhamos com o chantilly a cobrir sensíveis zona do corpo da mulher, tão pouco será obrigatório imaginarmo-nos a depenicar um makimono irresistível do corpo de uma ainda mais irresistível gueisha. Comer pode e deve ser um acto de sensualidade, se feito a dois, com uma mulher que nos desperte os sentidos, tenha ou não sido ela a responsável pelo petisco. Os sentidos e os pecados estão todos unidos, não faria sentido separar a luxúria da gula da luxúria do desejo carnal. Não sendo fatal, diria que não raras vezes, o povo, mais uma vez, está coberto de razão: pela boca morre o peixe.
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Francis
Fecha o ano de 2010 e inicia-se 2011 com suspeitas de que o nosso Francis Obikwelu estaria envolvido num mega escândalo de doping no país vizinho. Não tenho forma de saber se Francis, um dos nossos motivos de orgulho desportivo nos últimos anos, tem ou não culpas no cartório. Sei que Francis foi mais um emigrante que veio enriquecer o nosso país, torná-lo melhor, trazer-lhe mais qualidade. E hoje é português, um dos nossos. Como ele há por aí muitos mais, emigrantes que se integram e que depois adquirem a lusa nacionalidade. Haverá ovelhas negras, pois claro, como em tudo, mas haverá também certamente muito boa gente que nos tornará melhores, mais fortes, mais preparados para enfrentar a crise económica que é também demográfica. Dois dos primeiros bebés do ano nascidos em Portugal eram filhos de uma moldava, outro de uma brasileira. E a nós o Governo cessa abonos, esquece-se dos incentivos à natalidade, não nos torna mais fortes. Valha-nos o Francis e outros que tais.
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Love break
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Fair Game - Para entrar no novo ano
Pouco antes de acabar o ano presenteei-me com um bom mas previsível filme, um clássico para quem gosta da Wikileaks, do Julian Assange, de conspirações Bushianas contra o mundo, a humanidade, enfim, a paz na terra. O filme parte de uma histórica verídica (ui ui, isto ainda torna as intrigas da Casa Branca mais excitantes), uma trama em que todas as cabeças de Washington e dos Serviços Secretos se uniram para afirmar, contra o bom senso e as provas palpáveis, que um Iraque semi-destruído teve a capacidade de dar os passos necessários para a reconstrução de todo um arsenal bélico e nuclear. Enquanto o povo iraquiano definhava e morria à fome, enquanto a nação sobrevivia tentando alargar o asfixiante garrote que o resto do mundo lhe impusera, o ex-amigo dos EUA e agora monstruoso ditador Saddam Hussein preocupava-se com o urânio e o poderio nuclear. Enquanto vemos o filme esquecemo-nos que isto não é só cinema. Ah, e a Naomi Watts também ajuda ao entorpecimento da mente.








