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O falcão cabisbaixo e o lobo das estepes

Terça-feira, 21.06.11

 

 

Esta história do miúdo Villas-Boas veio desviar o Bolas e Letras do seu trilho menos futebolístico. De facto, tudo o que seja o universo da bola a passar a perna ao Senhor Jorge Nuno Pinto da Costa é merecedor de destaque pelo inesperado da coisa. Parecendo estranho, diria que as diatribes da bola devolvem à sociedade e ao cidadão comum as mais relevantes questões éticas com que o homem se deveria preocupar, desafiam a condição humana a escolher entre os opostos que, parecendo antagónicos, por vezes fatalmente se atraem. Vale mais a lealdade à sua tribo ou o assegurar em definitivo de uma vida confortável e faustosa às suas crias? O pardal deve obedecer reverencialmente ao falcão, ou deve desferir o golpe quando menos expectável este seria, aproveitando assim a sua única vantagem, a surpresa imprevisível? Por quanto tempo deve o homem ser grato a quem lhe deu o prato de sopa, a quem lhe permitiu voar mais alto do que algum dia sonhara? Um ano, dois anos, para a eternidade?

 

 

 

Fugindo a estas inelutáveis questões existenciais, há que agradecer ao Senhor Abramovich o facto de, com um espaçamento temporal de cerca de meia dúzia de anos, se lembrar de passar pelas indómitas terras da cidade invicta e resgatar umas pérolas que por lá andam, contribuindo assim para o equilíbrio da competitividade interna do campeonato português. Já que ao contrário da natureza, este não se reajusta por si mesmo, bem-vindo seja esse milionário lobo das estepes. Ainda assim, para deixar de se incomodar, talvez o melhor fosse o Senhor Abramovich resolver o problema em definitivo, levando consigo sua Santidade, o Senhor Jorge Nuno.

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publicado por bolaseletras às 18:01

A genialidade esférica na pátria lusa - em busca da luz

Segunda-feira, 20.06.11

  

 

O que levará a que a luso competência seja tão elogiada e exportável no que às competências futebolísticas respeita? Quais as razões que justificam que produzamos executantes da mais elevada qualidade mundial no que respeita a chutar a bola, pensar o jogo, executar no momento certo e com a qualidade máxima (Figo, Cristiano Ronaldo, Ricardo Carvalho, Rui Costa, Nani, etc, etc, etc.)? Porque razão quando passamos para actividades supostamente não tão exigentes ao nível de um talento tão específico, nos espalhamos ao comprido? Falo nos nossos gestores, empresários, consultores, técnicos, empregados bancários, médicos, enfermeiros, professores, estudantes, juízes, advogados, and so on and so on.  Sim, porque se nos exibíssemos nessas profissões ao nível das vedetas da bola não creio que a economia, a educação, a saúde e a Justiça, para me restringir ás áreas mais sonantes, estivessem no beco da amargura que parece não há meio de abandonarem. 

 

 

 

Porque será que os nossos planeadores do jogo da bola são os mais desejados do mundo? Falo do José Mourinho, do Manuel José por terras das Arábias e agora do ansiado salvador da pátria que é este jovem Villas-Boas. Porque raio os nossos planeadores mores, os nossos governantes e administradores de empresas e grandes grupos económicos não conseguem tirar o país da cepa torta? Já alguém perdeu uns minutos a analisar o porquê desta disparidade inexplicável? Que mais-valias pessoais e profissionais têm estes génios da bola que os restantes comuns mortais lusitanos parecem desconhecer? Perca-se algum tempo a analisar isto e pode ser que surja uma luz do fundo do túnel em que nos enfiámos. Eu vou pensar nisso, um dia destes aqui voltarei. Para salvar a nação, ou talvez não.

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publicado por bolaseletras às 18:33

Ah, é verdade...HABITUEM-SE!

Domingo, 19.06.11

 

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publicado por bolaseletras às 22:05

Conversas n´A Catedral

Domingo, 19.06.11

 

 

"Da porta do La Crónica, Santiago contempla a Avenida Tacna, sem amor: automóveis, edifícios desiguais e desbotados, esqueletos de anúncios luminosos a flutuar na neblina, o meio-dia cinzento. Em que altura se tinha fodido o Peru?"

 

É com esta pergunta que se iniciam as mais de 600 páginas de “Conversa n’A Catedral”. Encontram-se milhares de apreciações desta obra prima da literatura, mas para mim Vargas Llosa pretendeu com este livro, mais que tudo, dar resposta à pergunta inicial: quando se tinha fodido o Peru? Todas as personagens, todas as relações que entre elas se estabelecem, as suas acções e omissões, o evoluir da trama, caminham no tecer da teia que conduziu à desgraça do Peru e dos peruanos. Poderia falar, como o faz João de Melo no prefácio da edição da D. Quixote, na vertente política do romance, numa sociedade em busca da tribo da família, dos universitários, dos ideólogos efémeros, da casta dos jornais, dos quartéis, dos gabinetes corruptos e das esquadras da polícia. Todas estas tribos, corporações e castas estão na génese das razões da auto-fecundação do Peru.

 

 

 

E foi por entre o bulício das putas das ruas e dos botecos de Lima, por entre a corrupção dos irrespiráveis gabinetes do poder, foi por essas avenidas de nojo que Vargas Llosa edificou os alicerces do desastre de um país. As pérolas que se seguirão mais não serão do que as razões profundas, por vezes aparentemente superficiais, directas ou indirectas da decadência do Peru. Ironicamente, essas razões não serão específicas da nação peruana, podendo aplicar-se a muitos outros países. Experimentem aplicá-las ao nosso querido Portugal, pode ser que não se surpreendam.

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publicado por bolaseletras às 11:56

O selim feliz

Sábado, 18.06.11

 

 

Há poucas situações em que uma mulher atinja níveis de sensualidade tão elevados como aquelas em que a vemos montada numa bicicleta. Sim, montada, uma mulher não se limita a pedalar, ela domina a bicicleta, apaga-lhe quaisquer veleidades de destaque, cavalga-a com graciosidade ou fúria, mas é sempre ela que brilha na parelha máquina-mulher. Escrevi este texto depois de uma almoçarada de feijoada à transmontana, num estado de enfartamento lamentável, poucos minutos depois de me ter cruzado numa movimentada avenida de Lisboa com uma montadora de velocípedes profissional, calção curto, t-shirt curtíssima, rabo-de-cavalo selvagem, seios galopantes e pernas de gazela. Vocês percebem, tinha que escrever isto. Para vos provar que o auge da beleza feminina se anuncia sobre o couro de um selim de bicicleta, incia-se aqui a série “O selim feliz”. Contra as depressões troikianas e a bem da Nação!

 

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publicado por bolaseletras às 11:25

A crise toca a todos

Sexta-feira, 17.06.11

 

 

- E se fôssemos à praia?

- Estás com tendências suicidas ou és simplesmente tolo, Azevedo?

- Porque dizes isso, Antunes?

- Então não sabes que com a falta de peixe que por aí anda as gaivotas comem tudo o que lhes aparece à frente! Pensa, Azevedo, pensa!

- Tens razão. E se fôssemos à horta da Senhora Merkel debicar uns petiscos?

- Mas tu estás com princípios de Alzheimer ou andas doidinho por debicar umas bacteriaszinhas E-coli???

- Epá, que chatice, estou a ver que com esta crise não saímos da merda deste fio.

- Olhem lá, e se fôssemos até àquela praça catita em Lisboa, aquela cheia de estátuas recheadas de deliciosos excrementos?

- Ó Jacinto, mas tu não ouves as notícias, carago? Não sabes que andaram por lá uns manifestantes que deixaram aquilo ainda mais cagado do que nós, que aí ainda nos arriscamos a pôr as garras em merdas mais perigosas que pepinos?

- Puta da crise, pá, bem nos lixou o fim-de-semana prolongado.

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publicado por bolaseletras às 18:27

Um país perito em rir de si próprio

Quinta-feira, 16.06.11

 

 

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publicado por bolaseletras às 21:40

Uma vida literária num país de ignorantes

Quinta-feira, 16.06.11

 

 

"Uma vez que é impossível perceber o que realmente está a suceder, nós peruanos mentimos, inventamos, sonhamos e encontramos refúgio na ilusão. Por causa destas estranhas circunstâncias a vida dos peruanos, uma vida em que tão poucos efectivamente lêem, tornou-se literária."

 

Leio estas palavras de Vargas Llosa e assola-me imediatamente a ideia de que as mesmas se aplicam na perfeição a Portugal e aos portugueses. Um oceano nos separa, um trágico destino nos une.

 

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publicado por bolaseletras às 18:22

Objectivo Brandoa

Quarta-feira, 15.06.11

 

 

- Mas o que é que se passa contigo, Jorge?

- Já não suporto mais isto. Sinto que toda a tua beleza me asfixia, que tudo o que sou vive à tua sombra, que nós os dois nos deixámos cegar pelo teu brilho ofuscante.

- Essa conversa outra vez, essa fraqueza. Passei a vida a ver os homens fugir de mim por julgarem que por eu ter um palmo de cara, um bom par de mamas e pernas que eles chamam de sonho, sou inatingível e escorregadia. Inatingível porque sentem que nunca me alcançam realmente, escorregadia porque a toda a hora temem perder-me para os outros energúmenos que me comem com os olhos.

- É isso mesmo, Sandra, já não tolero mais olhares de inveja, comentários jocosos do género “aquele gajo não tem cabedal para ela”, já não aguento nem mais um dia partilhar-te com os sonhos molhados desses filhos da puta. Não só dos desconhecidos, mas sobretudo dos nossos amigos, dos meus amigos, até do palhaço do meu irmão e do velho babado do meu pai.

- Foda-se, Jorge, pensei que eras tu! Pensei que tinhas força e sabedoria para não te perderes nesses sentimentos mesquinhos, nesses comportamentos machistas de adolescente inseguro. Afinal és mais um como os outros, mais um grão de areia numa praia de caranguejos impotentes. Em vez de avançares, recuas em direcção ao buraco fundo dos teus medos. Vai e não voltes! Vai e fecha-te num 7.º esquerdo da Brandoa com uma puta de uma gorda que os outros não invejem nem devorem em sonhos. Vai e engorda até ao fim com ela, até rebentares nos subúrbios dos teus medos.

 

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publicado por bolaseletras às 19:13

Nusrat fateh ali Khan & Eddie Vedder - "The Long Road"

Terça-feira, 14.06.11
 

A ouvir e a descobrir, sem qualquer tipo de reservas. Se o multiculturalismo alberga algumas vantagens, esta será inegavelmente uma delas.

 

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publicado por bolaseletras às 21:26






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