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"The Shipping News" - O que sobra

Segunda-feira, 11.06.12

 

 

“Quoyle de lábios tensos, sentindo cabos apertando-se em redor do seu corpo, como que comprimido por uma roda de engrenagem. Que esperara ele ao casar? Não a vida simples de supermercado dos pais, mas algo como o quintal de Partridge: amigos, fumo de churrasco, o afecto com a sua linguagem silenciosa. Mas isso não aconteceu. Era como se ele fosse uma árvore e ela um ramo espinhoso enxertado no dorso dele, constantemente abanado pelo vento e chicoteando a casca ferida. O que ele tinha era o que fingia ter.”

 

Por trás das janelas iluminadas da cidade, para lá de cortinados coloridos que atenuam o cinzento das noites sem palavras para dizer, só o ruído indistinto da televisão, hipnótico, repetitivo, hipnótico, repetitivo, hipnótico, repetitivo. Sombras que vistas de fora se movem e interagem mas que lá dentro apenas se deslocam num mesmo espaço, já cansadas de se ligar, já sem ânimo para desligarem o ruído repetitivo e hipnótico da televisão. O que têm é o que fingem ter.

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publicado por bolaseletras às 18:28

Espanha 1 - Itália 1

Domingo, 10.06.12

 

 

Espanha e Itália tiveram a simpatia de nos oferecer o melhor jogo do europeu até à data. Emoção, jogadores a nunca mais esquecer por mais que se viva (Pirlo, Xavi, Iniesta, Silva, Di Natale, etc.), opções tácticas discutíveis. Del Bosque decide entrar sem ponta de lança e afirmar o tiki taka como o fundamento do jogo, mesmo que isso signifique esquecer a baliza. No final da primeira parte vem-me um pensamento à cabeça: o tiki taka sem ponta de lança é como o truca truca sem happy ending. Quanto à Itália, criticava-se a opção dos três centrais, temendo-se o regresso do terrível catenaccio (de que obviamente todo o maduro fala, sem sequer saber que por acaso até foi inventado na Suiça). Surpreendentemente - para alguns - a Itália jogou para ter a bola, aproveitou os seus falsos laterais e assustou constantemente os campeões da Europa. Balotelli, um jogador que muitos insistem em apelidar de fenomenal, insistiu em demonstrar que é um jovem mal educado e um jogador banal, demorou segundos intermináveis para decidir o que fazer defronte de Casillas: se alguém não sabia o que significava o termo “paragem cerebral”, Mario fez o favor de explicar.

 

Até que um dos melhores centro campistas de sempre, Andrea Pirlo, fez mais um passe de mágica e deu o golo a Di Natale, o homem a quem bastaram escassos segundos para mostrar a Balotelli como se faz. Del Bosque não reagiu e Fabregas insultou novamente a lógica com um golo à ponta de lança. Depois, Del Bosque fez-nos o favor e colocou um ponta de lança, mas Torres insistiu em fazer da lógica uma batata e falhou tudo o que lhe chegou aos pés, confirmando que Del Bosque afinal não é parvo nenhum. A pergunta que fica é como é possível haver gente que não gosta de futebol. São serial killers, certamente.

 

 

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publicado por bolaseletras às 20:35

Só para desenjoar do europeu

Domingo, 10.06.12

 

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publicado por bolaseletras às 13:57

RESPEITO!

Sábado, 09.06.12

 

 

Fomos corajosos, dignos, superámo-nos, batemo-nos de igual para igual contra uma super equipa alemã, jogámos muito bom futebol. Sofremos o golo num lance fortuito, reagimos com alma, encostámos os alemães às cordas e não tivemos aquela pontinha de sorte que teima em ser tão decisiva no futebol. Temos que estar orgulhosos destes jogadores e deste treinador, temos que acreditar que a jogar assim podemos apurar-nos para os quartos-de-final. Não perdemos porque trocámos o treino por festas e cerimónias, quem quiser insistir nesse tipo de argumentário é desonesto e maldoso, é tão simples como isso. Agora temos que voltar a jogar este futebol nos próximos dois jogos e saber conquistar a sorte. Obrigado rapazes, obrigado Paulo Bento, FORÇA PORTUGAL!

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publicado por bolaseletras às 23:21

Usa as tuas armas, PORTUGAL!

Sábado, 09.06.12

 

 

A situação é clara e deixa pouco espaço para dúvidas. O povo português precisa de alegrias, de estímulos, de incentivos para que a sua auto-estima seja um propulsor da sua confiança socio-económica. E uma vitória do Portugal incumpridor e desleixado sobre a perfeição e o rigor germânicos serão um sinal. Mesmo que seja uma vitória nas coisas do futebol, esse mundo de excessos e poucos rigores, o sinal será de que somos capazes de ir mais além. Já demos muito à selecção, muitas bandeiras na janela, muitas gargantas roucas, muita paixão e ilusão, como diz o nosso Cristiano. Agora são os jogadores, os treinadores, é a equipa que tem que nos dar o que precisamos, o que ansiamos. São vocês, rapazes, são vocês que vão ter que nos compensar daquela tragédia grega de 2004.

 

E que armas terão os nossos rapazes para derrubar o muro germânico, uma equipa quase perfeita, fisicamente demolidora e tecnicamente irrepreensível? Têm as armas que teve Ronaldo quando fintou a miséria na Madeira de Jardim e conquistou um lugar no panteão dos melhores futebolistas de todos os tempos. Têm as armas usadas por Fábio Coentrão para enganar o destino que se adivinhava nas redes, não das balizas mas do mar picado das Caxinas, e que o fizeram alcançar um lugar entre os eleitos da mais famosa equipa de futebol do mundo. Têm a força de uma vontade que tem que ser maior do que eles, do que os alemães, do que a alma alberga. Têm a força de um povo e o desejo incomensurável de fazer esse povo mais feliz, mais esperançoso, mais vitorioso. FORÇA PORTUGAL!

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publicado por bolaseletras às 12:55

Run boy run

Sexta-feira, 08.06.12

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publicado por bolaseletras às 17:43

Assim se vêm dois canalhas

Quinta-feira, 07.06.12

 

 

Se há característica que cola a muitas das personalidades que nos habituamos a aturar neste Portugalzinho de tanta gente mesquinha, é a inveja. A inveja dança-lhes na língua, a inveja é o veneno que os alimenta. Quais abutres, pairam sobre tudo e todos, aguardando o momento certo para mergulhar sobre os corpos frágeis. Queiroz e Manuel José, por razões distintas mas ainda assim não tão distantes, decidiram atacar a selecção, os jogadores, o seleccionador, o trabalho de toda uma estrutura. Porquê? Porque são dois canalhas ressabiados. Se tinham alguma razão no que disseram? Não tiveram razão no timing, no ódio com que atacaram, pelo que tudo o resto fica por terra, sobretudo porque pouco tem a ver com futebol.

 

Louvo aqui a excelente resposta da Federação, através do seu gabinete de imprensa e de Humberto Coelho. Sobretudo, apreciei a mensagem: deixem lá de falar de tudo o que não é futebol e falemos sobre o futebol, os belos lances, os golos, as defesas únicas. De uma vez por todas, deixemo-nos de canalhices e saibamos apoiar a selecção. No fim fazem-se as contas, até lá apoiemos a nossa equipa. FORÇA PORTUGAL!

 

 

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publicado por bolaseletras às 11:39

Façam-se HOMENS, rapazes!

Quarta-feira, 06.06.12

 

 

A poucos dias da estreia de Portugal no campeonato do mundo lá me decidi a reflectir sobre essas magnas questões fracturantes que nos enxameiam o quotidiano noticioso. Será que a falta de um ponta de lança que não seja risível nos está a atravancar o desenvolvimento económico? Será que a suposta lesão do Nani será um resquício psicológico do pontapé de bicicleta que ele deu nos tempos Queirosianos? Será que os 23 seleccionados têm dons de curar o cancro, tendo em conta a vassalagem com que foram recebidos na fundação Champõlimão? Será que o Manuel José nunca engoliu o não convite para a selecção? Será que o Ti Manel tem razão e o Paulo Bento e os rapazes querem é festa? Será que o poder político está a usar a selecção para uma dar uma injecção de moral a este povo, com a esperança de o fazer ver que apesar de pequenos podemos ir longe? Será que esse peso se tornou insuportável aos ombros dos nossos rapazes? Será que o facto do povo fazer dos sucessos da selecção um “escape” para os seus problemas não será mais um problema do que uma solução?

 

Não vou responder a estas questões. Não vou responder porque devíamos estar todos preocupados em falar de futebol, em pensar o futebol, em jogar à bola. Nós, os jogadores, os jornalistas. E devíamos pensar nisso apenas nos 90 minutos do jogo, nos restantes devíamos andar a fazer pela vida e pelo país. O exagero de notícias em todo o lado sobre a selecção, o cozinheiro Hélio, os carros das nossas vedetas, os luxuosos quartos das mesmas, as opiniões e os bitaites de todo e qualquer palerma, tudo isso é areia para os nossos olhos, é esse o ópio do povo que nada tem a ver com futebol. Se jogarmos bem ganharemos, se formos inferiores perderemos. Independentemente do que fizemos contra a Macedónia e a Turquia, das festas onde andámos, das opções tácticas que forem tomadas. Se os jogadores, os 11 jogadores que entrarem em campo, jogarem melhor que o adversário, se se superarem quando o adversário for teoricamente superior, ou se mantiverem a concentração contra equipas teoricamente inferiores venceremos. E o resto é conversa da treta.

FORÇA PORTUGAL, DEIXEMO-NOS DE DESCULPAS!

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publicado por bolaseletras às 17:56

Um dia na vida de um engraxador de sapatos

Terça-feira, 05.06.12

 

 

Ela sabia, ela tinha que saber que aquilo me estava a doer até à medula. Nos últimos meses, todos os dias da semana ela passou por mim, do outro lado da rua, enquanto eu engraxava velhos encardidos, novos-ricos petulantes, yuppies imberbes. Todos os dias ela assistiu ao meu olhar mergulhar no corpo dela, lascivo, descontrolado. Se existir o conceito “violação ocular” eu violei-a com o meu olhar vítreo. Nunca percebi o que diziam os olhos dela quando me devolviam o olhar, nunca detectei um sinal de prazer ou de desconforto. Perscrutava-me com a pose e a atitude contemplativa de uma estátua de mármore, fria e perfeita. E agora está aqui, comigo a seus pés, silencioso e sem conseguir olhá-la nos olhos. E nunca mais me esquecerei das palavras, afiadas como punhais, com que me deixou para sempre. Nunca mais fui capaz de olhar para o outro lado da rua.

 

- “Tinha a certeza que és daqueles que se satisfaz apenas em olhar”.

- “Desculpe”?

- “Tinha a certeza que és daqueles que tem medo de mulheres demasiado bonitas, daqueles que só consegue olhá-las à distância. Perdeste a tua oportunidade. Continua a engraxar sapatos, rapazinho”.

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publicado por bolaseletras às 18:29

The Shipping News - Aqueles fatídicos minutos

Segunda-feira, 04.06.12

  

 

“«Vamos sair daqui», sussurrou ela. «Beber um copo. São sete e vinte cinco. Acho que te vou foder antes das dez, o que me dizes disso?»

 

(…) Tal como uma boca quente aquece uma colher fria, Petal aqueceu Quoyle. Ele saiu aos tropeções da sua caravana alugada, da confusão de roupa suja e latas de ravioli vazias, para as entranhas do amor doloroso, o coração ferido para sempre com as cicatrizes das agulhas de tatuagem, que nele gravaram o nome Petal Bear. Teve um mês de felicidade fogosa. Depois, seis doentios anos de sofrimento.”

 

Surgirá o dia em que alguém se apiedará das inúmeras vidas destruídas, se interessará pelo fenómeno do furacão que pode ser uma noite fogosa e contabilizará as vítimas de vidas desfeitas por uma singela sessão de amor arrebatadora. Homens capturados nus e desprevenidos naquele inigualável momento de fragilidade que é o da luxúria descontrolada. Nos dias seguintes o feitiço mantém-se e prepara-se para turvar toda uma vida de discernimento irrepreensível. As decisões que hipotecam o resto dos dias não mais serão remediadas. Quoyle, o protagonista da desgraçada história, agarra-se a um amor impossível como um condenado se aconchega na esperança de uma absolvição. E tudo o resto perde o gosto sob a sombra de uma noite sem estrelas que pariu um monstro de amor, como se os condimentos da vida se tivessem dissolvido no caldeirão de uma paixão de minutos. Quoyle, mais do que ignorar os caminhos que o poderiam afastar desse degredo, opta por fugir da vida que espera por ele. Quoyle não está assim tão distante de todos nós.

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publicado por bolaseletras às 18:04






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