Bolas e Letras
Era para ser sobre futebol e livros. Mas há tanto mundo mais, a mente humana dispersa-se perdidamente, o país tem tanto sobre que perorar, eu perco-me de amores bem para lá da bola e das letras: Evas, vinho, amor, amigos, cinema, viagens, eu sei lá!
Das frases perfeitas e das palavras a mais
“Se as pessoas dissessem tudo o que pensam, ficariam muito mais tempo caladas”.
A “Rulote” conduzida pelo Daniel é daqueles blogs que realmente invejo. Publica espaçadamente, de modo curto e grosso, isto é, deixa pela blogosfera o rasto de frases sem uma palavra a mais, sem uma ideia a menos. No caso desta reflexão em particular preocupa-me que se uma imensidão de gente lesse esta pérola uma imensidão de gente perceberia tudo ao contrário. Por outro lado, melindra-me ver uma vírgula a separar a frase, mas, pensando melhor, é a vírgula que nos permite respirar, criar uma pausa no turbilhão das palavras, sobretudo quando essa pausa surge colada ao apelo do pensamento. O que o Daniel propõe para profunda meditação pode e deve ser interpretado de duas maneiras: 1) Que as pessoas pouco diriam se só o dissessem quando o pensam, porque raramente as palavras expelidas são precedidas de pensamento; 2) Que se as pessoas se libertassem das grilhetas de amordaçar as palavras e despejassem sobre o mundo tudo o que lhes passa pela cabeça iriam posteriormente entrar em pânico e remeter-se irremediavelmente ao silêncio do respeitinho. Isto é completamente inconciliável mas arrisco dizer que esta frase tem o poder de permitir estas duas realidades paralelas. Ou talvez não.
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A paixão de Jesus
Podia vir aqui vingar-me das agruras que os amigos vermelhuscos me têm feito passar neste início de época, esmiuçando ao pormenor a diferença de qualidade e classe entre o Benfica e o Barcelona, pondo o dedo na ferida daquele patético meio campo que os dirigentes do clube da Luz fizeram questão em afundar, podia mesmo insistir na ridícula posse de bola do Benfica no propalado inferno da Luz - mas não o vou fazer. Fico-me por uma frase do João Vale, twitando no decurso do jogo, que resume tudo na perfeição: “Estou a ver este jogo um pouco como vi "A Paixão de Cristo". Uma hora e meia de sofrimento e sei que no final não há grande hipótese."
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Férias grandes
Não há melhor memória do que a da férias grandes de quando éramos pequenos. Do grande que era aquele campo de futebol que hoje olhamos e parece triste e minúsculo, daquele mar interminável que nunca estava frio e que hoje nos enregela, das amizades puras e incondicionais que agora mal recordamos. Saudades de rasgar os joelhos e rir, de rir sem parar, só sentir o coração latejar da mais inata felicidade, a da infância. Saudades de se ser verdadeiramente feliz como nunca mais se será. Saudades.



