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O Francisco, o Luis, a Mizete e a eterna juventude que a velhice pode trazer

Terça-feira, 19.02.13

 

 

A Mizete e muitas outras donas de casa bem asseadinhas mal resistiram ao choque das declarações do ex-Secretário de Estado da Cultura, o afável e inefável Francisco José Viegas. Eu cá só acho que o ilustre Francisco se arrisca a ficar bem mais conhecido como o cidadão que desceu ao nível desta governação para dizer o que lhe vai na alma, do que como escritor, governante, ou diretor de revistas literárias (parece que o Professor Marcelo também partilha desta minha opinião, bom para ele). O Francisco lá sabe. Ah, mas o que interessa mesmo, é que a conversa de ir ao cu do Francisco permitiu que o Luis M. Jorge parisse, assim, sem mais cerimónias ou delongas, o até agora post do ano. Deliciem-se (se tiverem mais de 18 anos).

 

"Logo eu, Mizete, que gostava tanto do senhor. Era muito lido, muito simpático, e tinha maneiras como um lorde inglês. Estávamos a ver o telejornal, eu o António os miúdos, e começam cu para aqui cu para acolá. O mais velhinho perguntou se era tomar ou levar. A outra está sempre distraída, mas quando dá para a maldade quer logo saber tudo. O António coradíssimo ensaiou-se com a abelhinha e a florzinha, mas a minha sogra que está com Alzheimer contou a história da tipa das Doce, não a do nosso Primeiro mas a outra que levou pontos por causa do Reinaldo — e depois era o cu, era o tarolo dos pretos, e o António aos berros com a mãe para se calar por causa das crianças e a velha a falar dos tarolos que tinha visto em África quando era solteira porque eles tomavam banho no rio todos nus e a velha pôs-se a abrir as mãos assim e a dizer que eram deste tamanho, pareciam burros, e que nenhuma mulher aguentava aquilo principalmente por trás, Mizete. Então a Raquelinha, que é muito reguila mas sensível, começa a ficar assustada e a chorar e a minha sogra a dizer que o falecido tinha um tarolo piqueno, embora maior que o do António, e eu a julgar que o meu marido se atirava à velha, e a raquelinha a chorar a chorar e eu perguntei-lhe “o que é que tens filha?”, e ela diz-me aos soluços “ó mãe, eu não quero tomar no cu!”. Ó filha havias de tomar no cu, disse-lhe eu, claro que não meu amor. Nem quando for grande pois não pergunta ela, não filha nunca. O pai nunca fez isso contigo pois não mãe, não filha cá em casa ninguém tomou no cu. Fala por ti, disse a velha. E o António levanta-se, muito lívido, muito calado, pega no telefone e nessa mesma noite deus seja louvado foi pôr a carqueja ao lar. De modo que é assim, Mizete, eu já não gosto do senhor mas por outro lado filha não posso dizer que me tenha feito mal. Antes pelo contrário." 

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publicado por bolaseletras às 18:18

As portuguesinhas idiossincrasias

Segunda-feira, 18.02.13

 

 

Impressionam-me tantas especificidades neste país que um dia destes deixo de me impressionar. Há quem lhe chame idiossincrasias, eu chamo-lhe simplesmente idiotices de gente sem visão, ou de gente simplesmente preguiçosa. Uma dessas idiossincrasias é a nossa incapacidade em promover o que de bom temos e fazemos no nosso país, os nossos valores inimitáveis, aqueles que deveriam ser os nossos nichos de mercado. Essa incapacidade congénita só parece ser batida pela inabalável convicção com que apoucamos essas riquezas que parolamente desperdiçamos. Neste caso específico, falo na inabilidade de promoção da nossa riqueza vinícola, tão bem expressa na forma como não valorizamos a fantástica riqueza única dos vinhos de Colares. Se quiserem saber um pouquinho mais sobre esses vinhos únicos, sugiro uma visita a um dos melhores blogues portugueses de vinhos: http://www.etudoovinholevou.com/collares/. Ah, já agora, quando forem lá fora promovam este e outros vinhos portugueses. Às vezes o passa palavra tem muito mais impacto do que julgamos.

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publicado por bolaseletras às 17:14

Curiosity killed the cat

Domingo, 17.02.13

 

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publicado por bolaseletras às 21:07

Gil Vicente 2 - Sporting 3

Sábado, 16.02.13

 

 

Quando vi o onze escalado por Jesualdo Ferreira pensei se o Professor não estaria a aproveitar a falta de soluções para testar experiências arriscadas. Felizmente enganei-me, felizmente os muitos anos de Jesualdo deram-lhe o instinto e a sageza para perceber que nesta situação pré-catástrofe o risco de apostar em jovens inexperientes seria abafado pela sua qualidade, pelo seu amor à camisola, pela sua vontade de suar até à última gota pelo seu clube do coração. Foram naturais e óbvios alguns deslizes provocados pela falta de tarimba (Ilori a dar o primeiro golo mais do que todos), mas foi reconfortante perceber que o nosso viveiro de talentos continua de boa saúde – Bruma em repentes de desequilíbrio como o do primeiro golo, Zezinho todo o terreno a transpirar serenidade, toque de bola, visão de jogo e inteligência. Gostei também de Dier e do regresso de André Martins. Não gostei de Capel no banco, mas mais uma vez Jesualdo contrariou-me e bem, aproveitando o desgaste dos gilistas para lhes dar a estocada final com a velocidade do espanhol.

 

Não se veja aqui uma afirmação de que demos a volta, de que as coisas estão melhores. Não, muito longe disso. Estes jovens deveriam ter em seu torno jogadores talentosos e experientes, mas as más apostas de início de época, as vendas para poupar uns cobres e amealhar outros, deixam-nos numa situação muito arriscada. Se alguma coisa o jogo digno e esforçado destes valorosos rapazes demonstrou foi a falência das contratações do reinado de Godinho Lopes e sus muchachos: valem mais estes miúdos do que os milhões que deitámos à rua com contratações falhadas. Parabéns rapazes, parabéns pelo risco bem sucedido, Professor.

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publicado por bolaseletras às 22:43

Cenas da vida quotidiana - finalmente o sol

Sexta-feira, 15.02.13

 

 

Toda uma vida a fazer o que sempre soara como o mais correto. Toda uma vida a sorrir a todos os bons dias, a deixar as senhoras passar, a dar a vez nos lugares do autocarro de todos os dias. João nunca dera um passo em falso, nunca fora indelicado, nunca tivera o dedo apontado por motivos bem fundados. Acabada a escola trabalho. Chegada a altura namoro sério, passado o tempo considerado razoável o casamento. Logo de seguida, para não permitir comentários sobre a demora, o primeiro filho. Dois anos passados, estava o segundo a reabrir o ventre da mãe para formar o tão desejado casalinho. Hoje, um ano exacto depois da morte da mulher, João olha para trás. Vê uma vida sem chama, a partilha da cama e da vida com uma mulher que escolhera mal mas que depois de escolhida não ficava bem (des)colher, um trabalho que para além dos parcos cifrões nada lhe dizia. Os filhos, esses tinham sido a luz, mas agora que tinham a vida deles percebia que vivera a vida deles e não a sua. Na janela de tantos dias a dor dos dias desperdiçados e a ausência de rumo para os que restam. Ao menos agora podia apanhar sol em tronco nu, algo que o decoro e uma mulher sem chama não permitiam no passado. Mas a mulher foi-se, o decoro perdeu o sentido e João recebe pela primeira vez o sol quente na pele velha. Toda uma vida sem sentir o corpo a arder.

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publicado por bolaseletras às 18:06

Nada é perfeito (um cavalo a mais, uma prancha a menos)

Quinta-feira, 14.02.13

 

 

 

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publicado por bolaseletras às 17:28

Cristiano "air" Ronaldo e exercícios irritantes

Quarta-feira, 13.02.13

 

 

É trágico-cómico o tempo que se perde a comparar CR7 com Messi e vice-versa. Como muito bem disse Michael Owen Cristiano tem mais recursos (mais rápido, melhor cabeceador, joga melhor com os dois pés), o que poderá não ser suficiente, ainda assim, para dizer que é melhor jogador do que Messi. Hoje, contra o seu Manchester, voou, pairou no ar trazendo-nos à memória o inalcançável Michael Jordan e, para finalizar, foi enorme na opção de não festejar o golo contra a equipa que o fez famoso. Num jogo de ritmo frenético e transbordante emoção Cristiano sorria feliz, mesmo não vencendo, mesmo arriscando-se a ser eliminado em Old Trafford. Eis um ponto que devia ser bem mais falado nesse irritante exercício comparativo: fora de Barcelona, Messi seria tão decisivo como Cristiano o foi em Manchester? Tenho muitas dúvidas que assim fosse, tenho fundadas razões para crer que nenhum outro clube adaptaria a sua forma de jogo (e dificilmente teria jogadores para o fazer) ao código genético do futebol de Messi. E aqui está, mais um irritante exercício comparativo.

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publicado por bolaseletras às 22:08

O duelo do ano ou o regresso do filho pródigo

Quarta-feira, 13.02.13

 

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publicado por bolaseletras às 18:03

ORIENTEM-SE!

Terça-feira, 12.02.13

 

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publicado por bolaseletras às 18:24

A possibilidade de uma ilha - o riso a sete chaves

Segunda-feira, 11.02.13

 

 

“Tal como o revolucionário, o humorista assumia a brutalidade do mundo, e ele respondia com uma brutalidade acrescida. O resultado da sua acção não consistia, porém, em transformar o mundo, mas em torná-lo aceitável, transformando a violência, necessária a toda a acção revolucionária, em riso”.

 

“Tinha agora quarenta e sete anos, há trinta que decidira provocar o riso dos meus semelhantes; presentemente, estava acabado, esgotado, inerte. A centelha de curiosidade que ainda subsistia no olhar que lançava sobre o mundo iria extinguir-se em breve e eu seria como as pedras, com um vago toque de sofrimento. A minha carreira não fora um insucesso, pelo menos comercialmente: se agredirmos o mundo com uma violência conveniente, ele acaba por vomitar a porcaria do dinheiro; mas nunca, nunca nos restitui a felicidade”.

 

Nestes dois monólogos do protagonista desta obra única de Houellebecq, apetece destacar a elegância e precisão das palavras. Para além da forma, é impossível não submergir no pensamento do autor, na clareza e violência com que despe a condição humana. Se no primeiro trecho se explora a essência do humor como arte de tornar a vida mais suportável, no segundo toda a dor que assedia o ser humano é apresentada como inevitável, impenetrável, a felicidade como um segredo fechado a sete chaves que nem o dinheiro e a fama podem revelar. Um livro como uma porta aberta para nós próprios e para a percepção do mundo e dos “mundos” que nos rodeiam. É isso que deve ser um livro.

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publicado por bolaseletras às 18:44






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