Bolas e Letras
Era para ser sobre futebol e livros. Mas há tanto mundo mais, a mente humana dispersa-se perdidamente, o país tem tanto sobre que perorar, eu perco-me de amores bem para lá da bola e das letras: Evas, vinho, amor, amigos, cinema, viagens, eu sei lá!
No tempo das tascas e dos candelabros
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A dama do ferro
Nada tinha a dizer sobre a morte de Margareth Thatcher pelo que nada disse. Não obstante, postumamente, uma piada deliciosa contada no estilo único de J.Rentes de Carvalho obriga-me a ter algo para dizer. Deliciem-se:
“Mrs. Thatcher tinha fama pela prontidão e o veneno dos seus remoques, mas quanto a mim poucos igualarão este:
Visitando Nelson Mandela na África do Sul, a orgulhosa e rabiosa Winnie Mandela achou interessante informá-la:
- Here in South Africa people also call me The Iron Lady.
- I see. And what do you iron?”
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Um ano de ti, Francisco
O tempo esmaga-nos na sua voraz rapidez. Há um ano precisamente vimo-nos pela primeira vez, selámos a sangue os laços que sabemos nunca se quebrarão. Hoje dás os primeiros passos, ensaias as primeiras palavras, procuras na imagem para lá do espelho o teu caminho. És tu, Francisco, tu e a tua interminável alegria, tu e a tua incessante curiosidade, tu e a ausência de receios com que palpas todos os novos objectos e formas, com que experimentas todos os novos sabores e sensações. Obrigado por cada minuto deste ano que passou, Francisco. Anseio por mais, por ser a mão que te guia no caminho para lá do espelho.
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A dança do sol - underwater love
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A possibilidade de uma ilha - o nevoeiro que antecede uma nova espécie
"Era pouco provável que a espécie chamada a suceder-nos fosse, ao mesmo tempo, uma espécie social; desde a minha infância, a ideia que rematava todas as discussões, que punha termo a todas as divergências, a ideia em torno da qual eu vira quase sempre gerar-se um consenso absoluto, tranquilo, sem histórias, podia resumir-se praticamente assim: «No fundo, nascemos sozinhos, vivemos sozinhos e morremos sozinhos»."
Houellebecq fere-nos quando nos confronta com a nossa natureza, com o caminho que a humanidade vai seguindo. Nesta fábula de um mundo futuro, coloca-nos em frente ao espelho e lava-nos as feridas com sal. Será exagerada a frase que fecha o trecho acima? Talvez…ou talvez não. Há mais de 10 anos, no meio de um grupo de estudo de uma pós-graduação, uma recente mãe teclava alucinadamente no computador enquanto ao seu lado, na alcofa, o bebé de poucos meses chorava em desespero. Uma colega, tão incomodada como todos nós, mas com muito menos resistência à dor alheia, perguntou à “mãe” (sim, entre aspas): “Queres que lhe pegue ao colo”?. A mãe fixou-a incomodada e respondeu, com desleixo, desprezo e uma forte pitada de assustadora convicção: “Não, querida, deixa estar, ela tem que aprender que neste mundo estamos sempre sozinhos”. Foi algo deste género, não terão sido estas as palavras exactas, mas o sentido foi este. É tão triste sempre que a nossa inocência se esfuma mais um pouco no nevoeiro da desumanidade.
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O sol de Peseiro
Num fim-de-semana em que o sol regressou em força, a modorra invadiu-me e afastou-me das lides bloguísticas. Para aqueles que torcem o nariz aos que apontam o malévolo astro rei como uma das principais causas da baixa produtividade lusa, aqui estou eu a lembrar-lhes que não são os donos da razão. Ainda assim, não queria deixar de assinalar, para memória futura, o regresso aos títulos do Braga e a justiça que foi feita a José pé frio Peseiro. Há pessoas que se habituaram a ter como tecto nuvens negras, Peseiro foi um deles mas nunca verdadeiramente o mereceu. Digo isto porque foi ele o treinador que nos últimos anos pôs o Sporting a jogar realmente à Sporting, isto é, futebol ofensivo, espectacular e ambicioso. Parabéns ao Braga e a Peseiro, que o futebol português bem precisa de lufadas de ar fresco.
Quanto ao F.C. Porto apenas sublinhar o que já tantas vezes disse: um clube da estirpe portista não pode deixar-se conduzir por um treinador mediano, um fraco condutor de homens e, qual cereja no topo do bolo, um homem sempre acossado por moinhos de vento. O Benfica tem em Jesus um líder ainda mais boçal e indelicado para os adversários e jornalistas, mas tudo isso se esvai na qualidade técnica de Jorge Jesus. Em Vítor Pereira pouco se aproveita, serão raras ou nenhumas as qualidades que prendem o homem ao lugar. Aliás, os arames que o seguram sabemos bem quais são, a teimosia de Pinto da Costa e a sua famosa obstinação na recusa em aceitar que errou. E era isto, que os efeitos do sol não permitem mais.
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O movimento Cup caking!
Confesso não andar a conviver bem com a ausência de Miguel Relvas e, sobretudo, com o súbito desaparecimento do seu guru da inovação, o jovem inovator Miguel Gonçalves, o homem que bate punho até ficar com os dedinhos negros. Felizmente, o processo de inovação não pára, pelo que rei morto rei posto. Um bom amigo, letrado, viajado e com um espírito infinitamente empreendedor lançou um movimento mais do que inovador, revolucionário! Fiquem com o programa deste génio dos novos tempos, o meu amigo Michael Point!
“ACÇÃO, MOTIVAÇÃO! Jovens amigos e familiares exclusivamente com espírito jovem, porque aos trapos velhos não é permitido inovar (esses há que reformar, ou preferencialmente promover o seu falecimento precoce), venho anunciar o meu novo projecto inovador. Tal como Cristo, na sua era térrea, sinto-me imbuído duma missão: promover a criatividade e a inovação através dum coaching que congrega o flating, o pastel landing, e o crawling over. Chamo-lhe "Cup Caking".
1. O Cup Caking vai mudar o mundo e tudo passa, em primeiro lugar, por lançar a economia portuguesa na estratosfera. O sistema é simples, muito à base dos ensinamentos do meu Guru, o James Cagalion. Portugueses, levantai-vos e motivai-vos, vós sois portadores duma intrínseca força geradora de ideias, adormecida à sombra duma vida fácil, de crédito bem parado. Com o meu método de coaching, onde o post it é rei, o indivíduo gera um streaming de ideas. Um case study é roller coaster. Coloquei um post it no espelho da casa de banho, para não me esquecer de executar um rolling-round-the-toilet (RRTT), dentinhos cerrados e cintura rodopiante durante o acto. Et voilá Portugal, uma bosta em cornucópia!
2. Isto, meus amigos, é inovação!”
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A dúvida verde e branca
Troca de e-mails entre três preocupados amigos de coração verde e branco. Um consócio de longa data preocupado com a gravidade do que se vai ouvindo da realidade leonina, com os fantasmas da possibilidade de insolvência ao estilo do Glasgow Rangers ou refundação a la Fiorentina. Opino que não foi por acaso que nunca me excitei muito com nenhum candidato. Há bastante tempo que concluí que o Sporting é o perfeito espelho do país. Tudo à grande mas sem arcaboiço para tamanha grandiosidade. E, para mal das nossas cores, os nossos gestores finórios, de bons modos e dupla consoante, ficaram muito atrás do Papa do Norte e do xor Vieira dos pneus.
Outro consócio movido pela vontade de cheirar finalmente a verdade e a justiça espera não vir a assistir às trombetas dos arautos das desculpas dizendo que a culpa da actual situação é de Bruno Carvalho. Para ele, esta gente, a betalhada de sempre mas não só, convive muito mal com os resultados das eleições democráticas. Resta a esperança que o nosso presidente ponha nomes e números aos que durante anos surripiaram milhões com gestão comprometida com outros interesses, assim como aos que apenas lá andavam preocupados em comer o croquete (a não perder a entrevista de Daniel Sampaio sobre esta crocante temática). Finalizei eu, com um pessimismo tristemente realista - neste contexto de crise, temo bem que a solução possa mesmo ser o buraco negro. Foi bom enquanto durou?
p.s. - parabéns aos meus amigos benfiquistas, valeu a pena sofrer.
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A Expo e o sonho azul
É o rio que faz da Expo um mar de tranquilidade. É nele que nos vemos entrar pelo mar adentro, que sonhamos partir para destinos desconhecidos e perdidos na modorra do sol, é nele que secamos as lágrimas de um Portugal que já foi dono dos mares, dono de si. O azul profundo consome-nos no seu mistério, o azul do céu anuncia a harmonia perfeita. Aqui, em terra, sentimos os pés demasiado seguros, calcamos a sóbria rigidez das certezas inabaláveis. Para lá da linha que separa o céu do mar - o desconhecido. O sonho.














