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Longa se torna a espera

Domingo, 09.06.13

 

 

Longa se torna a espera, cantou alguém. Intermináveis os minutos que separam o vazio do desconhecido do momento que apagará ou atiçará todos os medos. Tempo consumido em dor, tempo envolto no nevoeiro do dilacerante desespero, no cigarro cuja chama nunca dura o que o corpo e a mente exigem. Longa se torna a espera.

 

Fotografia de Alicia Vera

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publicado por bolaseletras às 21:20

"Correcções" - A parede de silêncio

Sábado, 08.06.13

 

 

"Parecia que, em todos os motéis onde pernoitava, tinha vizinhos que fornicavam como se o mundo fosse acabar: homens com má educação e fraca disciplina, mulheres que riam entredentes e gritavam. À uma hora da manhã, em Erie, Pensilvânia, a rapariga do quarto ao lado guinchava e ofegava como uma prostituta. Estava a ser comida por algum indivíduo finório e desprezível. Alfred culpou a rapariga por ser fácil. Culpou o homem pela sua complacente confiança. Culpou ambos por lhes faltar a consideração necessária para manterem as vozes baixas. Como era possível que não pensassem, ao menos uma vez, no seu vizinho, incapaz de pregar olho, do quarto ao lado? Culpou Deus por permitir a existência de semelhante gente. Culpou a democracia por o obrigar a tolerá-los. Culpou o arquitecto do motel por ter acreditado que uma única camada de tijolo barato preservaria o repouso dos clientes pagantes."

 

Ruído. Todo o ruído existe para os atormentar. O mundo nega-lhes o silêncio, os intermináveis sons que os perseguem perfuram-nos até ao âmago de si. Desesperados, horrorizados, apercebem-se que o próprio sexo, esse momento de enlevo, é transformado em circo animalesco pelos fanáticos da poluição sonora. O ódio pelos sons humanos é o ódio de quem nada quer ouvir, só o seu silêncio, só a paz encerrada no casulo da sua existência. Franzen fez de Alfred, o patriarca da família das infindáveis correções, o homem que no fundo só queria o seu silêncio, o homem que odiava os sons, a voz, as palavras dos outros. Quem só se ouve a si mesmo e à sua verdade dificilmente consegue viver sem ódio, dificilmente consegue na vida cruzar-se com o amor.

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publicado por bolaseletras às 22:14

Portugal 1 - Rússia 0

Sexta-feira, 07.06.13

 

 

Num dia pouco entusiasmante, a selecção insistiu na receita de produzir um futebol pouco motivante. Safou-se o resultado que é o que mais conta nos tempos que correm, pouco dados a grandes feitos e a arco-íris exibicionais. Não atribuo a Paulo Bento a culpa de assistirmos a uma queda exibicional da nossa selecção, culpo sim os principais clubes portugueses e os responsáveis pelo futebol português. Os primeiros preferem negócios latino-americanos que rendam boas comissões a apostar nos jovens lusitanos, os segundos nada fazem para reverter esse estado de coisas. Gostei da segurança de Rui Patrício, da alta rotação de Moutinho, do pé esquerdo de Miguel Veloso, da segurança e confiança de Neto e de pouco mais. Eu sei, foi um óptimo resultado e uma exibição até superior aos últimos jogos. Mas da nossa selecção espero sempre mais. Precisamos de mais entusiasmo e precisamos de um acto contra-natura de Paulo Bento para os próximos jogos: que algo mude na equipa, que novos valores passem a ser aposta. Penso em Pizzi, André Martins, Antunes e em todos os outros jovens que vão despontando e que possam ir temperando a veterania de uma equipa que já não tem muito mais para onde evoluir. Uma lufada de ar fresco precisa-se.

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publicado por bolaseletras às 23:22

Da sabedoria

Quinta-feira, 06.06.13

 

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publicado por bolaseletras às 18:21

The special one is coming home

Quarta-feira, 05.06.13

 

 

Demasiadas palavras se escreveram sobre o percurso e a consequente saída de Mourinho do Real Madrid, excessivas foram as análises e as quasi teses de doutoramento sobre as causas das coisas. Nos últimos tempos tenho tentado fugir dos excessos de palavreado para me focar no essencial. Se calhar, apesar de tantas nuances, episódios romanescos e voltas e reviravoltas, a história de Mourinho em Madrid conta-se em poucas penadas. Mourinho chegou a Espanha e como é seu apanágio arrasou a concorrência no que à força das ideias e consequente protagonismo mediático respeita. Os espanhóis, inclusive os adeptos madrilenos (não o povo, as elites do clube) assustaram-se com o medo de perderem relevância, do brilho de Mourinho tudo ofuscar e juntaram a esse medo um sentimento de desprezo pelo vizinho português que resultou no que sabemos. Os órgãos de comunicação espanhóis semanalmente incentivaram esse ódio mesquinho e xenófobo e fecharam o círculo a Mourinho.

 

 

 

O nosso special one resistiu mas, inteligente, percebeu que ali não ia ser feliz. Para quem pensa que José Mourinho vive apenas para títulos e para ordenados desengane-se - como todos os líderes com um ego superlativo mais do que vencer Mourinho quer ser amado, reconhecido, idolatrado. Por entre semi-limpezas de balneário dos diamantes cristalizados (Raul, Casillas), por entre a reeducação de algumas semi-vedetas (Marcelo, Benzema e o próprio Sérgio Ramos – este, com sucesso), por entre mind-games apaixonadamente violentos (mais que todos, com Guardiola), por entre um azedume crescente com a estrela da companhia CR 7 (hoje explicada pela incapacidade deste aceitar críticas - eu diria que nisto Mourinho e Ronaldo serão almas gémeas), por entre um público que cedeu à xenofobia que os media não deixaram de instigar, Mourinho perdeu por um triz, como se perde quase sempre no futebol - perdeu nos últimos segundos em que na meia final com o Borussia de Dortmund a bola se recusou em entrar. Se essa bola tem entrado tudo seria provavelmente diferente. Assim, Mourinho volta para quem o ama e idolatra e deixa o Real Madrid entregue ao seu destino – o de um gigante com pés de barro sem timoneiro à altura.

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publicado por bolaseletras às 18:09

O Verão segundo Alessandra Ambrosio - top 10

Terça-feira, 04.06.13

Dez coisinhas que, segundo a Alessandra Ambrosio, a noblesse oblige que as Senhoras, Meninas e Moças executem no decurso do Verão (sempre em crescendo, atente-se).

 

 1. Parar para pensar

 

 

 

2. Olhar incansavelmente o azul do mar

 

 

 

3. Ver as vistas

 

 

 

 4. Bater perna num qualquer calçadão

 

 

 

 5. Mergulhar - muito e bem fundo

 

 

 

6. Caçar impiedosamente no fundo do mar

 

 

 

 

7. Dar desprezo a surfistas que se julgam a reencarnação de Adónis

 

 

 

 

8. Encher a cara/botar p´rá quebrar

 

 

 

9. Simular um ou mais orgasmos à beira mar

 

 

 

 10. E, por fim, fechar o Verão em beleza com o duche mais sexy do ano

 

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publicado por bolaseletras às 18:20

Anda Pacheco!

Segunda-feira, 03.06.13

 

 

Se há algo de positivo que esta crise nos trouxe foi o efeito que teve sobre Pacheco Pereira. Se no pré-troika éramos obrigados a suportar um intelectual hermético e palavroso, os tempos de austeridade despertaram um Pacheco combativo, certeiro, sem papas na língua – um homem que esqueceu os atilhos ideológicos para gritar aos 4 ventos e acordar o país da sua modorra. Estas suas palavras espelham o espírito de missão e os cojones do nosso novo Pacheco. Segundo ele, foi isto que nos trouxe aqui:

 

“O que está a acontecer em Portugal é a conjugação da herança de uma  governação desleixada e aventureira, arrogante e despesista, que nos conduziu às portas da bancarrota, com a exploração dos efeitos dessa política para implementar um programa de engenharia cultural, social e política, que faz dos portugueses ratos de laboratório de meia dúzia de ideias feitas que passam por ser ideologia.”

 

 

 

E para Pacheco, ou isto muda ou acaba mal, muito, muito mal:

 

“(…) desenvolveram um discurso de divisão dos portugueses que é um verdadeiro discurso de guerra civil, inaceitável em democracia, cujos efeitos de envenenamento das relações entre os portugueses permanecerão muito para além desta fátua experiência governativa. Numa altura em que o empobrecimento favorece a inveja e o isolamento social, em que muitos portugueses têm vergonha da vida que estão a ter, em que a perda de sentido colectivo e patriótico leva ao salve-se quem puder, em que se colocam novos contra velhos, empregados contra desempregados, trabalhadores do sector privado contra os funcionários públicos, contribuintes da segurança social contra os reformados e pensionistas, pobres contra remediados, .permitir esta divisão é um crime contra Portugal como comunidade, para a nossa Pátria. Este discurso deixará marcas profundas e estragos que demorarão muito tempo a recompor.”

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publicado por bolaseletras às 18:14

O dia das flores da criação e o clube de Portugal

Domingo, 02.06.13

 

 

O fim-de-semana dedicado às flores da criação, as crianças (as minhas, que não tenho força para domar mais electrões desenfreados) terminou com a participação do meu pequeno grande Miguel no sarau anual de ginástica do Sporting. Um momento emocionante, marcado pelo sportinguismo, pela alegria partilhada entre criançada e pais babados, muita ginástica à séria divinalmente acompanhada ao vivo pela música da fantástica Sociedade Filarmónica União Capricho Olivalense (SFUCO). Mais que um clube, o Sporting é, como sempre o foi, uma instituição dedicada a desenvolver o amor pelo desporto, a inspirar os jovens para essa causa. Por estes e por outros motivos, justifica-se plenamente a pergunta que me colocou o meu filho, suado e radiante, depois da sua actuação:

- "Pai, o Sporting é maior que Portugal?".

- “Mais ou menos, Miguel, tal como tem no seu nome, o Sporting é o clube de Portugal.”

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publicado por bolaseletras às 21:45

"Correcções", de Jonathan Franzen

Sábado, 01.06.13

  

 

“Correcções”. Famílias que passam toda uma existência a corrigir-se, pais que confundem educar com corrigir, filhos que anseiam por chegar à idade adulta para reverter o ciclo do infindável processo de correcção. O livro de Franzen é quase um manual de como não viver, de como não fazer os filhos crescer, de como não acompanhar o natural processo de “maturação” dos pais (estive quase a escrever envelhecimento ou decadência, mas prefiro olhar para a vida como um ciclo em que não paramos de crescer até que, qual fruto maduro, nos desprendemos da árvore da vida, porque já nada mais há para amadurecer). A simplicidade com que são analisadas as relações familiares é a chave para a profundidade dessas mesmas relações, para o mistério que é assistir à capacidade de amar ao mesmo tempo que se conhece tão meticulosamente todos os defeitos do outro, ao mesmo tempo que se torna insustentável partilhar mais um minuto a refeição junto daquela família que é a deles. Franzen acerta na mouche de cada um dos 5 membros desta família aparentemente disfuncional (mas que provavelmente se parece tanto com tantas outras famílias). Está lá tudo: o machismo entranhado no pai de família, a mãe que sufoca em décadas de servilismo marital mas que passa toda uma vida a esconder o que foi a sua vida, os filhos que crescem intimidados pelo que os pais esperam de si e que, mesmo sem o perceberem, voltarão a lançar esse anátema sobre os seus próprios filhos. Um livro magistral, um livro para se ler antes e depois de se ter filhos, if you know what I mean.

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publicado por bolaseletras às 22:55


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