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A mais cruel das armas

Quinta-feira, 10.10.13

 

 

A capacidade do ser humano magoar o seu congénere não deixa de me surpreender. Esquecendo as guerras e a violência gratuita, foco-me na principal arma de arremesso dos tempos modernos: a palavra. Mal-amanhada em papel de mercearia encerado por sentimentos contraditórios, distorcida pela raiva ou pela ignorância, torturada pela ânsia desesperada de um amor não correspondido ou impossível, a palavra transfigura-se na espada mais afiada, num chicote que rasga a carne até dilacerar a alma. Se engolíssemos todas as palavras com que já magoámos alguém explodiríamos numa azeda onda gigante de sopa de letras. Este post é para todas as mulheres e homens que já magoei, para todos os amigos e inimigos, para ti que não merecias. As desculpas nada mais são do que arrependimentos esfarrapados nos farrapos das palavras, mas é o que temos, pobres e inúteis humanos.

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publicado por bolaseletras às 18:26

O mundo está perigoso - Com a breca, Catroika!

Quarta-feira, 09.10.13

 

 

Para não perder o embalo de ontem, apetece-me perorar sobre uma interessante sumidade do nosso firmamento luso-político-financeiro. O Dr. Catroga (doravante designado por Dr. Catroika) declarou-se muito abespinhado porque o Estado, contrariando compromissos anteriormente assumidos quando vendeu boa parte da EDP à China Three Gorges, está agora a alterar as regras de jogo quando vem, cumprindo o determinado no memorando assinado com a “troika”, cortar as rendas excessivas na energia. O Dr. Catroika revolta-se quando se alteram as regras de jogo que determinam uma generosa renda a multimilionárias empresas chinesas, mas não me recordo da personagem em causa ter manifestado igual revolta quando o Estado alterou as regras de jogo assinadas com centenas de milhares de funcionários públicos e pensionistas. O Dr. Catroika negociou em nome do PSD com a “troika” estas mesmas medidas de cortes das rendas excessivas no sector energético. Passados uns tempos, agora ao serviço da EDP, o Dr. Catroika anda abespinhado com as medidas que negociou e que agora não lhe dão jeitinho nenhum. O Dr. Catroika, mais que perigoso, é outra coisa, que, por respeito às crianças e catequistas que me leem, me abstenho de classificar.

 

p.s. – Este texto inspira-se num punhado de factos muito bem descritos num artigo do Tiago Freire, do Diário Económico.

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publicado por bolaseletras às 18:11

O mundo está perigoso

Terça-feira, 08.10.13

 

 

Existindo a possibilidade de me enganar redondamente (nada de novo, nada de alarmante), creio que foi Vasco Pulido Valente que escreveu durante bastante tempo, ao terminar as suas crónicas, “o mundo está perigoso”. Como ando um bocadinho esquecido da nua e crua realidade, como o mundo e as atrocidades que nele e contra ele se cometem, por mais que se expliquem, permanecem inexplicáveis, irei iniciar aqui uma série sobre os perigos que nos apoquentam. Começar por onde? Não faço a mínima ideia, mas deixaria aqui para reflexão as seguintes questões: se os Estados Unidos da América se arriscam a perder a capacidade e a confiança creditícia para pagar aos seus credores e para sustentar os seus serviços e servidores públicos, de que nos queixamos nós se ainda conseguimos o milagre de mantermos as portas abertas? Como evitámos que nos fechassem a cadeado as fronteiras para que não contaminássemos o resto do mundo? Será que da nação mais minúscula à maior potência mundial andámos todos a viver do ar, a adiar o nosso futuro? O mundo está perigoso.

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publicado por bolaseletras às 17:29

Fotografia de Léon Herschtritt

Segunda-feira, 07.10.13

 

 

Um sorriso esfusiante de pura e ingénua alegria perante a novidade, sem medos e perguntas, apenas rejubilar perante o novo. Um par de olhos suplicantes, de fome (?), de esperança desesperada. De entre os maiores mistérios da humanidade destaco dois: que toda a actividade humana não seja direcionada, directa ou indirectamente, para a promoção e defesa de sorrisos destes; que o conhecimento do sofrimento físico ou emocional de uma criança não seja o suficiente para focarmos toda a nossa acção na eliminação do mesmo.  

 

p.s. - Olho melhor. Será que não é um sorriso mas um grito desesperado? Será que o sorriso nunca existiu a não ser na minha vontade de que existisse?

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publicado por bolaseletras às 18:12

Eu, António, me confesso

Segunda-feira, 07.10.13

 

 

Se a Sara escreve, publica e se calhar até vende uns milhares de exemplares, eu também posso! Deixa-me cá ir pensando nuns títulos e sub-títulos sonantes e irresistíveis:

 

Eu, funcionário público, me confesso.

Tive tudo para ser um advogado ao nível do Marinho Pinto. Mas acabei manga de alpaca e dependente da burocracia. E a culpa foi das saudosas 7 horas semanais.

 

Eu, sportinguista, me confesso.

Tive tudo para ganhar ligas dos campeões e campeonatos sem parar. Mas acabei apaixonado pelo rugido do leão e pelo vício do masoquismo. E a culpa foi do Damas, do Jordão, do Balakov e agora do Montero.

 

Eu, homem de família, me confesso.

Tive tudo para ser um D. Juan dos tempos modernos, um Casanova olivalense. Mas acabei agarrado ao conforto e encantos do lar, às delícias da vida familiar. E a culpa foi de dois pirralhinhos, um sensível como a seda, outro duro e irredutível como uma rocha milenar.

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publicado por bolaseletras às 00:34

Sporting 4 - Vitória de Setúbal 0

Sábado, 05.10.13

 

 

Durante 90 minutos todo o estádio a cantar, a família feliz, os nossos rapazes embalados nos cânticos e no carinho que só se sente em Alvalade. Leonardo Jardim está a construir uma equipa coesa, confiante, alicerçada na segurança defensiva, na solidariedade do meio campo que mesmo gostando de atacar não descura o apoio defensivo, num ataque dominado por Montero mas que vai redescobrindo novos desequilibradores. Outra das grandes obras de Leonardo, porventura a mais difícil, poderá ser o resgate de um jogador que, apesar do seu talento inato, caminhava para o estatuto de eterna esperança. Falo de Carrrillo, que hoje fez o seu melhor jogo da época, que soube arriscar no momento certo, soube esperar, soube arrancar, soube pôr o seu talento ao serviço da equipa e não de um sonho de glória pessoal A confiança que Carrillo vai ganhando pode ser decisiva para ganharmos um jogador fantástico.

 

Lá atrás muito bem uma dupla de centrais que, não sendo brilhante e sonante, sabe fazer o seu serviço com limpeza. Ivan Piris, a novidade, bastante certo a defender e muito acutilante no ataque, parece-me uma excelente notícia para juntar ao leque de laterais. No meio campo André Martins muito bem, excelente quando ganhou a faixa lateral direita criando sempre desequilíbrios, Adrien a voltar às imponentes exibições da pré-época foi importantíssimo e, at last but not the least, um extraordinário William Carvalho a pressionar alto, a recuperar bolas, a apoiar a defesa e, sobretudo, a usar e abusar da classe no tratamento da redondinha. Lá à frente Montero, Freddy Montero – be afraid, be very afraid! Obrigado rapazes, não parem, para a frente é o caminho!

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publicado por bolaseletras às 22:18

Sérgio Godinho - "O primeiro dia"

Sexta-feira, 04.10.13

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publicado por bolaseletras às 18:21

Paris Saint Germain 3 - Benfica 0 (nunca é demais recordar, para nunca esquecer)

Quinta-feira, 03.10.13

 

 

O presidente do Benfica é arrogante e enervante. Jorge Jesus é arrogante e parolo. Grande parte da massa adepta benfiquista prima pela soberba e pela vaidade pacóvia. O Benfica desistiu há muito de promover o futebolista português e, por consequência lógica, o futebol português, preocupando-se essencialmente em bater o clube portista na arte de descobrir pérolas estrangeiras para depois as vender a peso de ouro. Esquece-se o Benfica que o Porto não descurou na sua estrutura base a manutenção de jogadores com muitos anos de casa (portugueses ou não), como sejam Helton, Lucho González, Fernando e o próprio Varela. Esqueceu-se também o Benfica que uma equipa recheada de pérolas forasteiras não significa coesão, identidade e, consequentemente, jogar com o necessário amor e raiva na defesa da camisola.

 

Por esses e outros motivos gosto de picar os meus amigos vermelhuscos nos momentos em que essa péssima filosofia se revela em todo o seu esplendor. Fi-lo ontem no facebook tendo recebido em resposta insultos vários (com que tenho que me aguentar, a bola é isto mesmo) mas, sobretudo, recebi de muitas proveniências o convite a calar-me, pois pelo facto do Sporting não participar nas competições europeias não podia rachar lenha por estar de fora. Meus amigos, aguentem-se, a democracia ainda não impôs esses limites, mesmo quando está em causa a deficitária democracia do mundo da bola, pelo que de tanto vos moer o juízo hão-de perceber que o caminho de Jesus e Vieira terá como destino o abismo. Se não vos respeitasse e não gostasse de vos ver felizes com as vitórias europeias não vos achincalharia tanto, mantinha-me serenamente calado tecendo encómios a essa dupla que, estou certo, durante muitos anos ensombrará a nação vermelhusca.

 

Olhem para vocês e reflictam, olhem para o que já foi o orgulho que tiveram na vossa equipa, na conduta dos vossos líderes e reflictam se a chama imensa que há uns anos vos aquecia o coração não é já uma ténue fagulha, uma longínqua memória.

 

A amizade desinteressada é isto, não precisam de agradecer. 

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publicado por bolaseletras às 17:54

A Rute, o Silva, a Aurora e a mediania

Quarta-feira, 02.10.13

 

 

Todos os dias o mesmo ritual, o mesmo sofrimento. “Bom dia Rute, como está, bem disposta?” E a boa da Rute (sim, literalmente boa, a Rute era um avião de fazer parar o tráfego aéreo) com o sorriso fingidamente ingénuo “faz-se o que se pode, Sr. Silva, faz-se o que se pode”. O Silva fechava-se no gabinete, perturbado e encalorado, e maldizia o seu carácter, recto, correcto, circunspecto, amaldiçoando em pensamentos a aliança que brilhava ao longe e lhe estrangulava o dedo e a líbido. Toda uma vida a praticar a virtude e tão pouco prazer que lhe dava a puta da virtude! Nunca provara uma Rute, uma mulher como a Rute, e sabia que o seu destino seria morrer virgem de experiências como as que a Rute lhe poderia dar. As casas de putas nos tempos do desvirginamento juvenil foram prejudicadas pela qualidade da oferta e pela inexperiência da procura. Os namoros antes de conhecer e casar com a Aurora nunca passaram da janela da pretendida ou quanto muito da sala de estar da casa dos pais, bem acompanhado, claro está, dos progenitores e proprietários da dita sala. Ele queria a Rute, queria mostrar à sua secretária de anos que não estava morto para a vida mas a vida matara-lhe essa possibilidade muito antes do seu tempo. O tempo fugia-lhe por entre os dedos e ele não tinha forças e tomates para parar o terrível processo de aniquilamento progressivo dos seus sonhos. O Silva, como bom samaritano e calejado sofredor vivia uma vida que a nada lhe sabia, mas sorria à Rute, sorria ao porteiro do serviço, sorria à Aurora e nunca chorava. O Silva era, à maneira de tantos Silvas deste país, um homem medianamente feliz.

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publicado por bolaseletras às 18:30

Mensagens fofinhas para pendurar na porta do frigorífico

Terça-feira, 01.10.13

 

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publicado por bolaseletras às 20:36


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