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Poesia de Natal, por Jorge de Sena

Segunda-feira, 23.12.13

 

NATAL DE 1971

Natal de quê? De quem?
Daqueles que o não têm?
Dos que não são cristãos?
Ou de quem traz às costas
as cinzas de milhões?
Natal de paz agora
nesta terra de sangue?
Natal de liberdade
num mundo de oprimidos?
Natal de uma justiça
roubada sempre a todos?
Natal de ser-se igual
em ser-se concebido,
em de um ventre nascer-se,
em por de amor sofrer-se,
em de morte morrer-se,
e de ser-se esquecido?
Natal de caridade,
quando a fome ainda mata?
Natal de qual esperança
num mundo todo bombas?
Natal de honesta fé,
com gente que é traição,
vil ódio, mesquinhez,
e até Natal de amor?
Natal de quê? De quem?
Daqueles que o não têm,
ou dos que olhando ao longe
sonham de humana vida
um mundo que não há?
Ou dos que se torturam
e torturados são
na crença de que os homens
devem estender-se a mão?

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publicado por bolaseletras às 10:17

Sporting 0 - Nacional 0

Domingo, 22.12.13

 

Vivêssemos nós num mundo perfeito, habitado por gente da bola séria e transparente - e por isso reconhecida e recompensada - e eu estaria aqui a criticar o populismo de Bruno de Carvalho, a falta de sentido de proporção das coisas quando no jogo de ontem insinuou algo que todos percebemos quando deu os parabéns aos presidentes de Benfica e Porto pelos dois pontos ganhos em Alvalade. Seria até capaz de reconhecer que apesar de não ter havido falta de Slimani no golo que lhe foi anulado, poderá apontar-se uma possível falta que antecede o lance de Montero sobre um defesa do Nacional. Mas como vivemos num mundo e num futebol em que é a gritaria, o bater no peito indignado, a queixa sistemática que dão frutos, não posso deixar de compreender que Bruno de Carvalho mais não faz do que procurar defender o seu clube da melhor forma que o sistema em que se integra permite.

 

E quanto ao jogo jogado? Esse vi-o à frente de uma mesa farta de iguarias, entrecortado pela conversa com um grande amigo, daqueles a quem não deixo que mesmo o meu Sporting interrompa. Dois leões à mesa, dois leões que foram sentindo nos minutos em que paravam a conversa e mergulhavam na televisão que aquilo não ia ser fácil, que precisávamos de soluções para partir o ferrolho madeirense que, infelizmente, acabaram por não surgir. No fim, a indignação pela vergonha do golo mal anulado a Slimani (a suposta falta de Montero antes desse lance, numa bola perdida, nunca foi apitada), sentir a disfarçada alegria dos vermelhuscos que sorriam disfarçados por entre os bitoques, as açordas e petiscos vários. O Sporting assusta e isso é bom, mas, neste futebolzinho da treta, pode também ser muito mau.

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publicado por bolaseletras às 09:23

Poesia de Natal, por Vinicius de Moraes

Sábado, 21.12.13

 

Poema de Natal

 

Para isso fomos feitos:
Para lembrar e ser lembrados
Para chorar e fazer chorar
Para enterrar os nossos mortos —
Por isso temos braços longos para os adeuses
Mãos para colher o que foi dado
Dedos para cavar a terra.
Assim será nossa vida:
Uma tarde sempre a esquecer
Uma estrela a se apagar na treva
Um caminho entre dois túmulos —
Por isso precisamos velar
Falar baixo, pisar leve, ver
A noite dormir em silêncio.
Não há muito o que dizer:
Uma canção sobre um berço
Um verso, talvez de amor
Uma prece por quem se vai —
Mas que essa hora não esqueça
E por ela os nossos corações
Se deixem, graves e simples.
Pois para isso fomos feitos:
Para a esperança no milagre
Para a participação da poesia
Para ver a face da morte —
De repente nunca mais esperaremos...
Hoje a noite é jovem; da morte, apenas
Nascemos, imensamente.

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publicado por bolaseletras às 15:15

O mundo está perigoso

Sexta-feira, 20.12.13

 

Não obstante a época supostamente festiva que atravessamos, os habitantes deste mundo insistem em torná-lo um local pouco aconselhável. Por terras lusitanas, enquanto os professores se comportam como adolescentes arruaceiros, reiterando desbragadamente que constituem uma casta única imune a qualquer processo avaliativo, pelo arquipélago madeirense os deputados fazem birras como putos traquinas. O Governo da nação, alucinadamente temerário, não desiste de jogar à cabra cega com a Lei mãe e com os supostos princípios que jurou cumprir, pondo-se mais uma vez a jeito, agora não para uma bofetada de luva branca, mas para uma chapada de mão aberta dos todo poderosos Senhores do Palácio Ratton. Poderíamos pensar que lá por fora está tudo bem, que os loucos habitam apenas esta tosca imitação de aldeia gaulesa revoltosa, mas não é bem assim. A brutalidade da guerra na Síria mostra à saciedade que o homem pode ser o pior inimigo de si próprio. A outrora nação mais poderosa do mundo, a referência moral do mundo civilizado, desmorona-se lentamente por entre as denúncias de Mr. Snowden e as vergonhosas revelações das atividades pouco recomendáveis da NSA. Em França, o Sr. Hollande foi uma montanha que pariu um rato. Por Espanha, nem a casa real escapa à sensação de que a corrupção se instalou, em definitivo, nos corredores dos poderes que representam nuestros hermanos. As luzes de Natal continuam bonitas, tudo continua na mesma. O mundo está perigoso.

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publicado por bolaseletras às 19:12

A carne

Quinta-feira, 19.12.13

 

Os medos tinham como fonte a carne, as palavras não tinham rimas, não pareciam alinhadas no sentido de levar a um destino concreto mas a morada onde acabavam por se alojar não variava: era na carne que a história terminava. Fraca ou forte, forte ou fraca, a carne arrombava os sonhos, a carne pusera-a naquele sofá. Era a carne que lhe estrangulava a liberdade, que lhe chicoteava a própria carne, que a prendia na carne de que não conseguia fugir.

 

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publicado por bolaseletras às 18:37

Poesia de Natal, por David Mourão Ferreira

Quarta-feira, 18.12.13

 

 

NATAL, E NÃO DEZEMBRO

 

Entremos, apressados, friorentos,
Numa gruta, no bojo de um navio,
Num presépio, num prédio, num presídio
No prédio que amanhã for demolido...
Entremos, inseguros, mas entremos.
Entremos e depressa, em qualquer sítio,
Porque esta noite chama-se Dezembro,
Porque sofremos, porque temos frio.

Entremos, dois a dois: somos duzentos,
Duzentos mil, doze milhões de nada.
Procuremos o rastro de uma casa,
A casa, a gruta, o sulco de uma nave...
Entremos, despojados, mas entremos.
De mãos dadas talvez o fogo nasça,
Talvez seja Natal e não Dezembro,
Talvez universal a consoada.

Vai nascer esta noite à meia-noite em ponto
Num sótão num porão numa cave inundada
Vai nascer esta noite à meia-noite em ponto
Dentro de um foguetão reduzido a sucata
Vai nascer esta noite à meia-noite em ponto
Numa casa de Hanói ontem bombardeada

Vai nascer esta noite à meia-noite em ponto
Num presépio de lama e de sangue e de cisco
Vai nascer esta noite à meia-noite em ponto
Para ter amanhã a suspeita que existe
Vai nascer esta noite à meia-noite em ponto
Tem no ano dois mil a idade de Cristo

Vai nascer esta noite à meia-noite em ponto
Vê-lo-emos depois de chicote no templo
Vai nascer esta noite à meia-noite em ponto
E anda já um terror no látego do vento
Vai nascer esta noite à meia-noite em ponto
Para nos pedir contas do nosso tempo.

“Litania para o Natal de 1967”, David Mourão Ferreira

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publicado por bolaseletras às 17:19

Calcio is back!

Terça-feira, 17.12.13

Ontem, pelo meio de uma disputada partida de beisebol entre mim e o meu pequeno Miguel (o beisebol para o Miguel resume-se, por ora, a acertar num balão, ele com um dinossauro de borracha, eu com uma espada de espuma), fui espreitando o Milan vs Roma. Já me tinha dado conta noutros jogos de que o futebol italiano deixou de ser aborrecido, para passar a assentar numa desesperada tentativa de recuperar a paixão dos adeptos através da troca dos sistemas tácticos rígidos pelo desespero excitante de jogadores que parecem gritar “estamos vivos, ainda somos vedetas”! Esta imagem de Kaká durante o jogo de ontem, apelando ao favor dos Deuses, a entrada tardia de um Francesco Totti com aquela face rude do último herói à face da terra, a indomável loucura de Mario Balotelli, sempre à beira do abismo, sempre a um segundo de partir o pescoço a um defesa central, é a imagem do novo futebol italiano: “para nos enterrarem vão ter de se dar ao trabalho de nos matar primeiro”, berram os calciatore!

 

  

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publicado por bolaseletras às 20:13

Tesourinhos cobertos de pó

Segunda-feira, 16.12.13

 

Já não tenho espaço para guardar mais livros no exageradamente enorme armário que adquiri quando adquiri uma casa demasiado pequena para os livros que queria alojar nos armários que sonhava ter. Para piorar a minha turbulenta relação com os livros veio a crescente falta de tempo, as demasiadas horas a trabalhar, o tempo investido a tratar, brincar, educar e olhar para os dois mini leitores do futuro para quem também sonho que aqueles livros venham a fazer sonhar. Depois, porque o que já não é fácil tem tendência a tornar-se cada vez mais difícil, a preguiça e o descanso fácil que a televisão e o smartphone proporcionam nas escassas horas do dia que me restam, ameaçam a sobrevivência dos livros nesta humilde morada, ameaçam que o pó que os cobre não seja agitado pelo desfolhar das páginas. Descansem meus queridos, descansem que hei-de voltar vorazmente a vocês, aproveitem para sonhar com os tesouros que encerram em vós.

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publicado por bolaseletras às 18:00

Está finalmente explicado o fascínio de tantos pelo rugby...

Domingo, 15.12.13

  

 

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publicado por bolaseletras às 21:46

Sporting 3 - Belenenses 0

Sábado, 14.12.13

 

À cabeça de quaisquer outras considerações há que dizer que a vitória do Sporting é inatacável, justíssima, fruto de um futebol cada vez mais adulto, objectivo e eficaz. Sim, o penalty que dá o primeiro golo ao Sporting é pouco menos que patético, como patética foi toda a exibição de um árbitro que deveria ser colocado numa jarra até ao final da época. Um dia, tenho esperança, a incompetência e a mediocridade hão-de ser devidamente punidas neste país. Para os vermelhuscos e tripeiros que andam para aí gritar “ai que isto é uma vergonha, e ainda falam dos erros a nosso favor” apenas duas observações:

a)    Preferia que tivessem marcado o penalty sobre o Montero, que além do provável golo daria a consequente expulsão do defesa;

b)    Como disse alguém pelo twitter, para chegarmos ao nível de Porto e Benfica o penaltiy teria de ter sido marcado a 2 minutos do fim, dando azo a uma vitória irrevogável.

 

Passando agora ao que realmente interessa, o futebol e os jogadores, realço a confirmação do bom momento de André Martins, mostrando uma consistência exibicional muito importante para a equipa e o nível que esta tem apresentado. Ainda no meio campo, para além de um Adrien muito equilibrado e tecnicista, o habitual William Carvalho com aquela calma cravejada de pepitas de classe que pode chegar a enervar quem não está habituado a um futebol tão simples e em simultâneo brilhante. Lá à frente, com um Montero perseguidíssimo pelos centrais azuis, o brilho foi todo de um só homem: Andre Carrillo, o homem que permite perceber toda a genialidade de Leonardo Jardim, que contra tudo e contra todos recuperou este rapaz para o futebol, mostrando-lhe que não chega ter toda a técnica do mundo – é preciso saber o que fazer com ela. Ah, é verdade, a defesa: apesar do belenenses pouco trocar a bola no meio campo leonino, esteve perto da perfeição. Rapazes, é tão bom sentir a vossa união, a vossa sintonia nesta caminhada num só sentido. Passo a passo, com confiança, união, trabalho e sem medos tudo é possível. Vamos a isto!

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publicado por bolaseletras às 22:31






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