Bolas e Letras
Era para ser sobre futebol e livros. Mas há tanto mundo mais, a mente humana dispersa-se perdidamente, o país tem tanto sobre que perorar, eu perco-me de amores bem para lá da bola e das letras: Evas, vinho, amor, amigos, cinema, viagens, eu sei lá!
Por terras do Instagram - Caroline Winberg
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Da paixão pela fotografia e afins
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Vira o disco e toca o mesmo - terminado o defeso
Um verão atípico no reino dos Algarves, dominado por águas geladas e ventos inconvenientes, contraria a monotonia de mais um defeso futebolístico. Por Alvalade o calor da esperança dilui-se na fria ambição de jogadores pouco ou nada vinculados à causa leonina, ainda mais quando espicaçados por empresários esfomeados. A entrada na Liga, em Coimbra, fica marcada pelos azares que o destino parece legar só a este clube, com mais um golo no último minuto. Enquanto Carrillo parece querer levantar voo em direcção ao lugar one as suas capacidades o deveriam levar, Montero afunda-se numa gritante falta de confiança e William Carvalho deixa indícios que lhe falta ainda estrutura mental para ser o senhor 40 milhões.
O Sporting só será candidato sem jogadores a la Marítimo, com um outro central de inequívoco valor e com um ponta de lança que não seja tão artista como Montero mas que goste bem mais de fazer chocalhar as redes.
No Porto a revolução parece prestes a dar frutos, com um treinador que só pode ser muito inteligente ao apostar num desconhecido miúdo da casa ganhando assim os favores dos adeptos.
Pela luz a confusão esconde-se debaixo do tapete das desculpas para papalvos, descontruindo-se uma equipa que poderia ir além das conquistas nacionais e que assim, mutilada e descaracterizada, só com os habituais favores da arbitragem e a cobertura de uma imprensa temerária voltará a ser campeã este ano. Como diz o outro, vira o disco e toca o mesmo, que o povo baila na mesma.
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Uma centelha de vida
Das coisas mais incríveis que a vida e o mundo nos vão dando no meio de tanta fealdade elejo a descoberta da beleza no meio de tanto cinzento e negro, a flor no meio do entulho, a vida a despontar pelo meio da cinza que resta das vidas que nos deixaram. Esse despertar, essa frágil luz que busca o cheiro a mundo e a gente, sem medo do mal que a gente cria e cria e cria, uma geração infindável que teima em cavar o seu próprio fim, que planta as raízes do seu próprio destino, essas flores do mal, por mais duradouras que sejam fenecem quando confrontadas com a doce robustez da frágil beleza. Devemos acreditar muito nisto, devemos acreditar sem virar o pescoço, sem pestanejar, sem conceder que possa ser de outra forma. A crença numa centelha de beleza pode contaminar todo o mundo.
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Quando a música para os nossos ouvidos é o silêncio da contemplação
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Naquele café
Descontando os telefonemas quando o ordenado esticava, as cartas mensais e as saudades que hora a hora lhes apertavam o coração, não se viam há dois anos. No passado, antes de ele emigrar, nunca tinham formalmente assumido um namoro. A timidez limitara-os a umas sessões de cinema, uns passeios à beira rio com as mãos suadas e levemente entrelaçadas e, antes da despedida, um beijo que soubera a pouco e prometera tanto. Durante esses dois anos não houve dia, em silêncio, que não tivessem lamentado o tempo desperdiçado. Não obstante, não deixavam, nas horas que antecediam o reencontro, de ter o coração e a cabeça afogados em dúvidas e receios. Por isso, por comum acordo, agendaram o reencontro para o café mais agitado da cidade, queriam perder-se na multidão protegendo-se assim do que sentiam estar à flor da pele. Sentaram-se na mesa mais perto da janela, talvez em busca das distracções oferecidas pelo bulício das gentes, separados apenas por uma mesa nua. Olharam-se nos olhos e, sem saber como, no segundo seguinte uniram-se para todo o sempre.
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Por terras do Instagram - Lana Zakocela
O olhar até ao fundo da alma, frio como um vulcão, um iceberg incandescente que não cessa de derreter tudo o que o rodeia. Não há olhos que suportem o confronto, não há forma de lhes resistir. E tudo aquele olhar levou.
http://instagram.com/lanazakocela
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Fotografias intemporais - Vinnie Jones a verificar se Paul Gascoigne estava de boa saúde
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"Mujeres presas con sus hijas"
Encontro por aí esta fotografia da autoria de Adriana Lestido, tirada em 1991 na Argentina, com o fantástico título de “Mujeres presas com sus hijas”. O título não é nada fantástico, é cruel, tenebroso, um curtíssimo resumo de uma história que dificilmente acabará bem. A imagem que as palavras ilustram é, ainda assim, mil vezes mais cruel, triste e vazia de esperança que as palavras que já de si continham demasiada desesperança para tão pequena frase. Se o medo, a dor do que aí vem e o sofrimento que se adivinha nos corpos pudesse ser apelidado de belo, bela seria esta composição, os olhos negros de animal assustado de uma mãe que não o deveria ainda ser, de uma cria tão frágil, tão desprotegida que parece afundar-se ainda mais naqueles braços que sabe sem o saber não conseguirão embalá-la na vida que deveria ser doce e bela. Mas a beleza nada tem a ver com isto, a beleza foi secamente riscada de uma fotografia que nunca será bela.




















