Bolas e Letras
Era para ser sobre futebol e livros. Mas há tanto mundo mais, a mente humana dispersa-se perdidamente, o país tem tanto sobre que perorar, eu perco-me de amores bem para lá da bola e das letras: Evas, vinho, amor, amigos, cinema, viagens, eu sei lá!
Sporting 4 - Schalke 04 2
Este é o Sporting que aprendi a amar, apoiar e respeitar. Uma equipa que faz das fraquezas forças quando quer repor a justiça das coisas, que faz da sede da vingança a chama que lhe aquece os ânimos. Este é o leão que ruge mais alto que os outros, que sentindo a infelicidade atravessar-lhe novamente no caminho (aquele azedo auto-golo de Slimani) faz por esquecer que está a perder com uma equipa alemã de topo, dá a volta à história e parte em busca da glória que lhe vive nos genes. Nani, o homem que se recusou a que a história o esquecesse, Nabi Sarr, o miúdo que não quer ter medo de ser homem, Carrillo, o traquina que grita ao vento que é mais rápido do que ele, Patrício, o milagreiro que ri na cara dos que juram que os milagres são impossíveis. Marco Silva dedicou a vitória em especial aos adeptos esfaqueados em Guimarães, agora falta Bruno de Carvalho vir dizer que estes homens hoje deram-nos mais do que o que tinham dentro de si. Obrigado rapazes!
Autoria e outros dados (tags, etc)
Tratado sintético sobre a tentação pelo abismo

Autoria e outros dados (tags, etc)
Trabalhar p´ró bronze - be cool, danone

Cruzei-me com tanta gente de cara fechada hoje que seria inevitável não voltar ao tema da praia, do bronze, da entrega aos prazeres do sol e do mar. É impressionante como as pessoas se deixam afetar pelo cinzento do tempo, pelo peso da ameaça da chuva, pela ausência do Deus sol. Apetece gritar aos ouvidos das pessoas que está tudo igual, o preço do pão não subiu, os filhos não foram presos por tráfico de droga, o Bruno de Carvalho não foi apanhado na cama com o Luís Filipe Vieira e outras hecatombes dessa estirpe. Gente, minha gente, é só o Inverno que já esteve mais longe e o Outono que, finalmente, decidiu dar as caras. Lembrem-se, não há mal que sempre dure, não há bem que nunca acabe.
Autoria e outros dados (tags, etc)
V. Guimarães 3 - Sporting 0
“Incentivado” por muito boa gente de coloração anti-verde lá terei, apesar da fraca vontade, de aqui deixar algumas palavras sobre a triste noite que o meu Sporting passou no mui nobre berço da nação portucalense. Que querem que diga? O Sporting fez um jogo medíocre ao qual não é alheia a excelente exibição do Vitória de Guimarães, recheado de sangue novo, de uma mão cheia de rapazes que parecem jogar com o prazer das ruas mas bem doutrinados nos meandros tácticos do futebol. Rui Vitória é um treinador entusiasmante e vai fazendo por merecer uma oportunidade num grande. O prazer que se percebe que o treinador vitoriano gosta que os seus jogadores sintam em campo é o prazer que o jogo do Vitória transmite. Parabéns por isso aos rapazes que tão bem envergaram o emblema vimaranense.
Quanto ao Sporting é impossível não repetir um chavão do futebolês: nem ontem éramos bestiais nem hoje somos umas bestas. Apesar da exagerada excitação que os grandes feitos como a eliminação do Porto trazem aos seus adeptos e mesmos aos seus dirigentes, há factos a atender e esses são incontornáveis: Maurício é de menos para o que o Sporting precisa, Paulo Oliveira é o futuro mas não ainda um presente perfeito, Jonathan é um miúdo a crescer com os erros, Carrillo não passa num estalar de dedos de estrela intermitente a Zidane peruano e Montero, por mais delicado que seja no tratamento do couro nunca será um matador. Pior que tudo isso é que não soubemos entrar a mandar no jogo e foi esse o princípio e o fim de tão justa derrota. A caminhada é longa, rapazes, não esmoreçam mas também não se distraiam do muito que ainda há para melhorar.



